Ainda as escutas…

Na sua página do Facebook, o excelente Professor Azeredo Lopes, actual presidente da Direção Executiva da Entidade Reguladora da Comunicação, deixa-nos a seguinte reflexão:

“É hoje habitual na conversas telefónicas, sobretudo quando falo com agentes públicos ou políticos, que se dê, talvez não como certo mas pelo menos como possível ou até plausível, que a conversa está a ser escutada. O que conduz a que, quantas vezes, se interpele directamente o possível “escutante”. O mesmo, quando falo com pessoas ligadas a grupos de comunicação social. Será esta sensação ou convicção normal num Estado de Direito Democrático?”

No âmbito da minha actividade profissional, também vou contatando com pessoas que suspeitam que estão a ser escutadas, existindo, de fato, uma espécie de esquizofrenia coletiva à volta dessa possibilidade. Eu próprio suspeito que estarei a ser escutado, não por algo que tenha feito, mas, imagino, para atalhar em investigações em curso a constituintes meus.

No entanto, também verifico a existência de um outro fenómeno no meu dia a dia: o fenómeno dos que são informados por fonte policial ou outra de que estão sob escuta.

Ou seja, e respondendo à pergunta do Professor: Essa sensação ou convicção não é normal num Estado de Direito Democrático, sendo, por isso, normal que os que estão sob o “Ius Imperium” do Estado Português assim se sintam.

A utilização de escutas parece estar tão generalizada e tão entregue a uma estrutura que tem mais fugas do que o Titanic, que, nos dias que correm, só os asnos é que são condenados com base em escutas.

Comments


  1. Apanhado em escuta no Brasil:
    Passos Coelho contacta ex-ministro do governo de Lula para tomar conta da nossa agricultura.

    http://supraciliar.blogspot.com/2011/06/indigitado-na-situacao-inversa.html


  2. o que é preciso é ter imaginação e desenrascanso, à boa maneira portuguesa. se imaginamos que nos escutam, então vamos proceder como se assim fosse, em vez de actuar para acabar com a impunidade de quem escuta por tudo e por nada, e daí a origem daquilo que imaginamos, e de quem organiza as fugas das escutas.
    e assim vamos vivendo alegremente.
    percebe-se o modo de actuação, porque inquérito atrás de inquérito sobre as fugas nunca vemos alguém responsabilizado. mas também não vemos ninguém condenado nos tribunais com base das escutas, porque estas servem para dar pistas e ajudar à investigação e descoberta de factos, não servem como prova única e principal, e depois há sempre a ilegalidade e a inscontitucionalidade que os advogados lá conseguem fazer vencer.
    admirável, contudo, é a sua posição sobre o assunto, sendo advogado. será realista, mas tremendamente desanimadora para os cidadãos.
    mas as leis são feitas pelos advogados para advogarem a sua vida, pelo que as leis e a sua prática estão ali para os servir, não para servir os cidadãos, embora em pleno respeito pelos códigos e leis instituidas, claro.

  3. Nightwish says:

    Tendo em conta que ninguém vai para a cadeia, nem o engenheiro de fim de semana, nem o dos tanques de mergulho, duvido muito disso.


  4. olha lá, fala pelo skype e estás imune.

  5. Carlos Capitão says:

    Não deixa de ser lamentável a forma de pensar deste senhor. E a sua decisão de partilhar connosco as suas dúvidas.
    E é esta gente que nos governava!

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