O mundo das crianças – guerras e debates – IV

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Os mais novos da família não conseguiam entender os desencontros dos mais velhos. Quem tinha mais família nas guerras de Europa, era a mulher do Engenheiro, bem como uma larga parentela no sítio em que estavam, em Valparíso, Chile , sítio em que estavam as indústrias, o comércio, as fábricas que eles tinham instalado ao começo do Século XX. No velho continente, duas guerras tinam começado: o levantamento das Forças Armadas na Espanha, contra a Segunda República desse reino. A primeira, tinha sido no Século XIX, contra a monarquia de Isabel II, quem teve que fugir para Itália com a sua corte. A bisavó e avó da mulher do engenheiro, iam nesse grupo. A Segunda República tinha começado com o levantamento popular contra Alfonso XIII, que já no governava, apesar de continuar a ser rei. Quem chefiava o país era o seu Primeiro-ministro, Miguel Primo de Ribera, com a protecção do Rei: as Cortes tinham sido abolidas e a Constituição não funcionava. Afonso XIII (nome completo: Alfonso León Fernando María Jaime Isidro Pascual Antonio de Borbon y Habsburgo-Lorena; Madrid, 17 de Maio de 1886Roma, 28 de Fevereiro de 1941) foi rei de Espanha entre 1886 e 1931.

Alfonso foi o filho póstumo do rei Afonso XII de Espanha e de Maria Cristina de Habsburgo-Lorena. Foi proclamado rei na altura do seu nascimento e a sua mãe foi a regente durante a sua menoridade. Em 1902, ao completar 16 anos, foi declarado maior de idade e assumiu as funções de chefe de estado.

O seu reinado foi manchado pela queda do império colonial espanhol, por grandes levantamentos populares que levaram à ditadura de Primo de Rivera, e culminou com a proclamação da Segunda República Espanhola a 14 de Abril de 1931, e com o exílio do rei, quem abdicara e procurara asilo, primeiro na Itália, e a seguir a Rainha viúva e filhos, foi-lhe oferecido asilo em Portugal, país no qual residiram até a morte do sucessor do Rei Alfonso XIII, Don Juan, Conde de Barcelona, a sua mulher Dona Mercedes de Borbón e Orleães e todos os seus filhos: Afonso (19071938) (renunciou ao trono em 1933); Jaime (19081975) (renunciou ao trono em 1933); Beatriz (19092002);  Fernando (1910); Maria Cristina (19111996) João (19131993) (Pai do actual Rei João Carlos I); Gonçalo (19141934). O Conde de Barcelona reclamava o trono ao ditador Francisco Franco, quem o negara: o ditador sentia-se Rei e governou Espanha desde Outubro de 1930 até o 20 de Novembro de 1975, data em que falecera após uma prolongada agonia de um mês. Sabemos que foi mantido vivo, por causa de sucessão. Tinha pactuado com o Conde de Barcelona enviar ao seu filho mais velho para ser educado pelo Ditador a sua maneira.

O filho mais velho tinha sido Don Alfonso, mas um acidente infeliz com una caçadeira manipulada pelo seu irmão Don Juan Carlos, o matara. O Infante Alfonso esteve enterrado no cemitério de Cascais, até o dia em que o seu Hermano foi Rei e transferiu os restos mortais ao Paço de El Escorial, na vila de El Escorial, Toledo. Este paço serve de residência real e tem uma ala do prédio onde estão enterrados todos os reis mortos da Espanha. É denominado El pudrireiro.[i] O corpo do Infante de 14 anos, morto anos atrás, foi transferido com pompa, como si se tratara de um rei que tinha exercido o mando. A família Real de Espanha fez luto e acompanhou as circunstâncias do funeral, todos vestidos a rigor do luto. A cerimónia foi precedida pelo Rei, quem prestara homenagem ao irmão, morto por si por uma desgraçada brincadeira: pensavam que se a arma estava a vista de todos, era por ser inofensiva. Há quem diga que o Rei Juan Carlos sentia remorso e que a sua inteligência teria diminuído pelo facto. Bem como teria aceitado a educação do ditador, por dois motivos: porque o Conde de Barcelona nunca o teria perdoado e queria vê-lo longe de si. E porque a educação do ditador seria dura, uma espécie de castigo merecido.

Seja qual for o motivo, enquanto Príncipe Herdeiro e em Espanha, teve que cumprir o serviço militar, ir a guerra com o Sahara, território ocupado por Espanha e perdido a seguir esse conflito. Em 1884, a Espanha reivindicou um protectorado sobre a costa desde o Cabo Bojador de Cabo Branco. Posteriormente, os espanhóis ampliaram sua área de controlo. Em 1958, a Espanha aderiu há distritos anteriormente separados de Saguia el-Hamra (ao norte) e Rio de Oro (no sul) para formar a Província de Saara espanhol.

Ataques e rebeliões por parte da população indígena saharaui manteve as forças espanholas de grande parte do território por um longo tempo. Ma al-Aynayn iniciou uma revolta contra os franceses na década de 1910, numa altura em que a França tinha expandido a sua influência e controle no Noroeste da África. As forças francesas finalmente os venceram quando ele tentou conquistar Marrakesh, e em retaliação destruiu a cidade santa de Smara, em 1913, mas seus filhos e seguidores destacaram-se em diversas rebeliões que se seguiram. Não até a segunda destruição de Smara, em 1934, por forças conjuntas espanholas e francesas, fez o território finalmente tornar-se moderado. Outra revolta em 1956 – 1958, por iniciativa dos marroquinos apoiados e controlados pelo Exército da Libertação, levou a violentos combates, mas, eventualmente, os espanhóis recuperaram o controlo das forças – novamente com auxílio francês. No entanto, a instabilidade surgiu, e em 1967, o Tahrir Harakat surgiu para desafiar o domínio espanhol de forma pacífica. Após os acontecimentos da Intifada Zemla em 1970, quando a polícia espanhola destruiu a organização e “desapareceu” com seu fundador, Muhammad Bassiri, o nacionalismo saharaui novamente tomou um rumo militante.

O que o ditador de facto ambicionava, era criar a sua única filha em Rainha de Espanha[ii].

Para entender é preciso ler o contexto histórico, escrito em  notas de rodapé.

Não apenas a minha família, mas todo espanhol residente no Chile, era parte do que se denominava a Colónia Espanhola. A história tinha-se virado do avesso. Antigamente, o Chile era Colónia da Coroa Espanhola, no do Estado Espanhol, era bens da monarquia reinante. Desde o 2 de Fevereiro de 1818, o Chile era um Estado Livre e de direito, ao se assinar a Acta da Independência[iii]

El Acta de Independencia de Chile es el documento mediante el cual Chile declaró solemnemente su independencia de la monarquía española. Fue redactada en enero de 1818 y aprobada por el Director Supremo Bernardo O’Higgins el 2 de febrero del mismo año, en la ciudad de Talca, aunque fue datada en Concepción a 1 de enero de 1818.[1] [2] La ceremomia de jura de la independencia se realizó el 12 de febrero del mismo año, fecha del primer aniversario de la Batalla de Chacabuco.

El acta original, que tenía unas frases manuscritas agregadas por O’Higgins, se habría dañado en el Palacio de la Independencia.[3] En 1832, bajo el gobierno del presidente José Joaquín Prieto, se sacó una copia esmerada y se envió al Perú para que fuera firmada por O’Higgins, y luego por sus ministros de Estado de entonces, Miguel Zañartu, Hipólito de Villegas y José Ignacio Zenteno, que aún vivían en Chile.[1]

Esta última acta se conservaba en el Palacio de La Moneda hasta el golpe de Estado de 1973, durante el cual se habría quemado.

La ceremonia solemne de proclamación y jura de la independencia de Chile se había acordado realizarla el primer aniversario de la Batalla de Chacabuco: el 12 de febrero de 1818.

El 9 de febrero, Luis de la Cruz publicó por bando el programa de ceremonias y fiesta públicas para aquél día en Santiago. Las actividades comenzaron el 11 de febrero en la tarde, con el lanzamiento de salvas de cañón desde el Cerro Santa Lucía. A las nueve de la mañana del 12 de febrero concurrieron todas las autoridades y el pueblo al Palacio Directorial de Santiago, donde se montó un escenario, frente a la Plaza de Armas.

La ceremonia fue iniciada por José Gregorio Argomedo, fiscal de la Cámara de Apelaciones, que pronunció un discurso en representación del gobierno; a continuación, el ministro Miguel Zañartu leyó el Acta de la Independencia. Al término de su lectura, el Director Supremo Delegado, Luis de la Cruz, colocó sus manos sobre una biblia y prestó el siguiente juramento: “Juro a Dios y prometo a la patria bajo la garantía de mi honor, vida y fortuna sostener la presente declaración de independencia absoluta del Estado chileno de Fernando VII, sus sucesores y de cualquier otra nación extraña”.[11]

Luego, el mismo Director Supremo Delegado, solicitó el juramento a José Ignacio Cienfuegos, como administrador del Obispado de Santiago, quien a la fórmula anterior añadió “Y así juro porque creo en mi conciencia que ésta es la voluntad del Eterno”; y en seguida, el coronel Cruz recibió el juramento de José de San Martín, como General en Jefe del Ejército de Chile. Hecho esto, el ministro Zañartu tomo juramento simultáneo a las demás autoridades y funcionarios públicos. Finalmente, el Intendente de Santiago Francisco de Borja Fontecilla le tomó juramento al pueblo.[11]

El 13 de febrero se cantó un Te Deum en la Catedral de Santiago y, al día siguiente, se celebró una misa de acción de gracias. Al terminar esta última, Tomás Guido ofreció un discurso dirigido a felicitar al pueblo chileno, en nombre del gobierno de Buenos Aires. Las fiestas públicas en Santiago, por la proclamación y jura de la independencia, continuaron hasta el día 16. El acta de la independencia impresa fue distribuida profusamente entre el pueblo; también se repartió, aunque en menor proporción, el ‘”Manifiesto que hace a las naciones el supremo director de Chile de los motivos que justifican la revolución y la declaración de su independencia”, redactado por Bernardo Vera.[11]

En la ciudad de Talca, el mismo día 12 de febrero, Bernardo O’Higgins presidió la jura de la independencia del ejército del sur, ceremonia que se celebró con salvas, una misa, Te Deum y festividades públicas. Durante esos mismos días, se proclamó y juró la independencia de Chile en las demás villas y ciudades, con todo el aparato que fue posible disponer en cada una de ellas. En La Serena la independencia fue jurada el 27 de febrero, aunque las fiestas se extendieron hasta el 1 de marzo [12] y en Copiapó la ceremonia se efectuó entre el 27 y 28 de marzo.

El 15 de junio de 1820 se efectuó el juramento en Valdivia, luego que Thomas Cochrane realizara la toma de aquella ciudad, que se encontraba en poder de los realistas. Mientras que, el 22 de enero de 1826, se juró solemnemente la independencia en San Carlos de Chiloé, tras el Tratado de Tantauco que permitió la anexión del Archipiélago de Chiloé a Chile[iv].

Este é o contexto histórico das guerras Europeias, travadas no Chile.

A família estava partida: havia os monárquicos e os republicanos. Houve separação de famílias e de centros de reunião. A colónia espanhola de Valparaiso, que tinha formado el Clube espanhol para os senhores se reunir e falarem das suas terras e memórias, dividiu-se em dois, formando el Centro Espanhol. Parte da minha família monárquica e falangista, ficou no clube. Os republicanos, foram ao Centro. Formou-se a Falange Espanhola pelos franquistas do Clube. Ao cair a República e ganhar Franco a chefia do Estado espanhol, a polícia chilena teve que intervir por causa dos tiroteios entre um e outro bando.

O Chile tinha solicitado a Pablo Neruda organizar a salvação de espanhóis republicanos para os receber de braços abertos no país, procurar trabalho, asilo e colaboração. Vinham dos campos de concentração, não sabiam para onde ir. Havia dois grupos à espera: os republicanos do Centro Espanhol, e os falangistas do Clube. A mulher do engenheiro presidia, com farda e bandeira da monarquia, ao grupo falangistas que foram ao cais a receber os dois barcos enviados por Neruda com os que todos tinham perdido. O medo era tão grande, após guerra e campo, que nem queriam sair do barco. Fonte: histórias narradas pela família, especialmente pela Chefia da Falange de Primo de Rivera, sendo já a mulher do Engenheiro, mas sem filhos por enquanto, tinham tempo para lutas políticas[v]. Foi no ano de 1939 esta necessidade de resgatar republicanos, que fugiam em massa da sua terra, sem mais levar o que tinham vestido. A França, muito republicana, os acolheu mas eram tanto, que os encerrou num campo de concentração. Foi desse sítio repugnante que Pablo Neruda os resgatou por ordem do Presidente da Republica do Chile, Don Pedro Aguirre Cerda ( Pedro Aguirre Cerda (Pocuro, 6 de Febrero de 1879 — Santiago, 25 de Noviembre de 1941) fué un político, abogado y educador chileno)  Como educador, foi que pensou na quantidade de filhos e filhas espanhóis, que passavam una vida miserável. Pensou m dois factos: o Chile era um país grande e havia trabalho para todos; e no poeta do Chile, Pablo Neruda, sempre perseguido, sempre a fugir, um comunista muito radical, que devia estar, de certeza, na guerra civil espanhola, na frente republicana. No se enganou, ai estava. Comunicou-se com ele e o mandou fretar dois barcos com prisioneiros rumo ao Chile. Atracaram en Valparaíso, em donde os esperava quantidade incrível de pessoas: chilenos partidários, chilenos curiosos, chilenos tristes, chilenos camaradas e correligionários dos partidos de esquerda, e a colónia espanhola completa. A colónia espanhola estava dividida em dois grupos: os monárquicos e falangistas em um grupo ; no outro os republicanos. Não sabiam em qual confiar. A mulher do engenheiro proferiu um discurso, toda fardada de falange e o seu grupo também, para lhe dizer que no tivessem medo, que a monarquia legal os acolhia em terras estrangeiros, por intermédio deles. Os republicanos nem um segundo demoraram em ir para os republicanos, poucos foram para o outro sítio. O grande amigo desse casal, os Arece, espanhóis como eles, virara-se para dizer; mulher, vás a arder no inferno pelo pecado que cometes em amedrontar a pessoas que já tanto têm sofrido. A mulher do engenheiro ripostou de imediatos: vos ireis ao inferno, por haver derrubado a Sua Majestade, enviado ao exílio, sem saber onde vão viver…

Os recatados não sabiam para donde ir. As penúrias da guerra, a fugida para a França Republicana, o campo de concentração que bem sei como são: frio e fome, tendo passado por um deles anos mais tarde, andar vestidos com a única roupa que resgataram, fazia delas pessoas temidas. Estavam a duas bandeiras, republicana e monárquica. O que aconteceu é que mais dos mil resgatados, engrossaram as filas republicanas e foram acolhidos por camaradas. Os monárquicos, apenas arrecadam uma dezena. Grande fiasco, mas, no meu ver, grande triunfo para a esquerda exilada. Neruda e Aguirre Cerda trabalharam imenso para colocar as pessoas em sítios de trabalho e encher as suas casas com os que nada tinham. A guerra de Europa foi mais dura que nos campos de batalha do velho continente Dentro da família, houve os que nunca mais falaram entre eles. Aliás, tinha estalado a guerra mundial e o ditador alemão invadiu o mundo inteiro, com os seus apoiantes Franco e Mussolini.

O que a mulher do Engenheiro não sabia, eram os princípios que orientavam a Falange e o Franquismo. Não sabia que Falange Espanhola é o partido político de índole Fascista legalmente reconhecido durante a ditadura de Francisco Franco, na Espanha.

Fundada por José Antonio Primo de Rivera, em 1933, a Falange aliou-se às forças nacionalistas de Franco durante a Guerra Civil Espanhola (1936 – 9), que depôs o governo republicano de cunho socialista. Franco assumiu o controlo do partido em 1937. O governo democrático instituído após a morte de Franco declarou-a ilegal em 1977, mas ainda está em actividade. Também não sabia do fascismo

A mulher do engenheiro apenas estava interessada em que a República for derrubada e restaurar a Monarquia. Costumava dizer que sem Rei não havia Espanha. Ideias retiradas da família que era da Corte da Monarquia Espanhola, pelo lado da mãe e do pai. Na sua inocência, oferecia recitais de guitarra espanhola, recitava no teatro Velarde, que enchia. Eram ela e outras falangistas que actuavam para arrecadar dinheiro para a causa. A República era socialista: para ela e família monárquica eram o demónio, sem reparar que era que era bem ao contrário a República era a salvação do povo que nada tinha. Como eles tinham todo, queriam apenas salvaguardar a tradição, os costumes e os títulos reais. Contava que todos os Sábados havia um sarau monárquico, a mais jovens assistiam com suas mães como chapeiro e vigiar que as solteiras se comportarem bem: a ética era muito rigorosa como as roupas que vestiam. À entrada havia um retrato do Rei, retrato ao qual cumprimentavam com una vénia. Confessa a mulher do engenheiro que, coma República a Governar, o retrato foi substituído pela foto do Presidente da República, ao todo três presidentes.

Espanha teve duas Repúblicas a Primeira (1873-1874) e a Segunda (1931-1939),

 Em total, 7 Presidentes.

A Segunda República Espanhola foi proclamada a 14 de Abril de 1931 na sequência da vitória republicana nas eleições municipais, tendo como primeiro presidente Niceto Alcalá Zamora, 11 de Dezembro de 1931 a 7 de Abril de 1936; Diego Martínez Barrio em função interina, 7 de Abril de 1936 11 de Maio de 1936; Manuel Azaña 11 de Maio de 1936, a 3 de Março de 1939; José Miaja Menant 5 de Março de 1939 27 de Março de 1939. A Segunda República continuou a governar, exilada no México primeiro e a seguir, em Paris, com todas as suas instituições en pleno funcionamento e com reconhecimento internacional, sendo o primeiro o do México. Foram Presidentes: 1939— 1945 Juan Negrín López ;  • 1945—1947 José Giral Pereira;  1947—1947 Rodolfo Llopis Ferrándiz;  • 1947—1951 Álvaro de Albornoz y Liminiana; • 1951—1960 Félix Gordón Ordás;  • (1960—1962 Emilio Herrera Linares;  • 1962—1971 Claudio Sánchez-Albornoz y Menduiña ; 1971—1977 Fernando Valera Aparicio. Legislatura n/d Moeda Peseta; Membro de: Sociedade das Nações ,ONU; diz a Constituição de 1931, art. 5: “A capital da República é fixada em Madrid”.² Constituição de 1931, art. 4: “O castelhano  é o idioma oficial da República”.

Era o que a mulher do Engenheiro não sabia, por seguir os hábitos da família  para restituir a Monarquia. Ao ser restituída, quando à morte do Franco, o Príncipe criado baixo a sua tutela foi Rei e visitaram Chile, ela foi a primeira em ver a Rainha. Os tempos tinham mudado. A ditadura tinha acabado, mas tinha deixado uma herança pesada. Tinha encarcerado jovens suspeitos de ter tentado matar ao ditador. Entre eles tinham acusado a dois dos seus netos e a mulher do engenheiro tinha provas que desmentiam esses factos. Preparou um dossier com todos os papéis necessários para provar a inocência dos seus netos, almoçaram juntas, D. Sofia entregou o dossier ao seu secretário, prometeu falar do assunto com o Presidente da República, foi com a já agora avó a visitar os encarcerados, a Rainha ouviu outros casos, sabia a ferocidade da ditadura solucionou também vários outros casos. Dois dias depois, um dos netos da valente avó, estava livre. O outro não podia Salir por existir evidências de complô. A filha, neta e bisneta das Damas de Companhia ficou satisfeita. Para ela, todo estava resolvido. Após ter passado por guerras familiares, ser monárquica e ter descendentes de esquerda, o mundo tinha-se virado do avesso e ela confiava. Confiava que todo continuava igual, nada tinha mudado. Se a ditadura tinha existido, era semelhante a de Espanha que levara a tantas pessoas à morte; se ela almoçava com a Rainha de Espanha, era natural, como a sua mãe, avó e bisavó e assim para trás. Era natural que os pássaros abandonaram o ninho e andaram em luta pela liberdade do país, como tinha sido na sua terra natal. No seu país ninguém confessava qual era o seu bando. Ao visita-los nos meus 20 anos, foi-me impossível saber quem era de qual bando. Apesar das dicas que iam aparecendo sobre a protecção que durante a guerra tinham recebido dos frades, os seus clientes, do mosteiro Beneditino de Monserrate, visitado por mim por causa dos meus tios e primos médicos, serem os médicos do dito Mosteiro. O mosteiro de Montserrat, localizado na base da montanha de Montserrat, perto de Barcelona, na Catalunha, na Espanha, é um mosteiro beneditino onde se encontra a famosa imagem da Virgem de Montserrat, a padroeira da Catalunha.

O mosteiro foi construído na idade Média ao redor da gruta onde havia sido encontrada a imagem da Virgem de Monserrate. Foi destruído por tropas francesas em 1811, por ocasião da guerra Peninsular. Foi reconstruído em 1844. Durante a ditadura de Francisco Franco, que reprimiu o nacionalismo catalão, o mosteiro foi um reduto da cultura catalã[1].Fonte: narrativa beneditina, biblioteca de Monserrate, narrativa familiar, intuições minhas pelas dicas das conversas familiares.

Visitado por mim, e pelo engenheiro e a sua mulher, soube da lenda de Monserrate, que pode ser lida no texto de J. Muniz Jr, em http://www.novomilenio.inf.br/santos/h0066g.htm

A mulher do engenheiro e ele próprio, estavam todos contente por conhecer parentes, passado e histórias que pareciam reais, nas que a família toda acreditava, como os portugueses e Fátima A lenda pode ser lida em  http://www.santuario-fatima.pt/portal/index.php?id=1514

A das ditas aparições, em: http://pt.wikipedia.org/wiki/Nossa_Senhora_de_F%C3%A1tima#Hist.C3.B3ria

O interessante destas histórias é esse acreditar que as pessoas têm na existência de outras formas de vida, fora da cronologia histórica pela que passamos. Há guerras, há divisão da família, há formas diversas de pensar sobre o mesmo facto, mas quando o caso é de matéria de fé, por outras palavras, de acreditar em outra vida além da histórica, acaba por juntar às famílias e a disputas amortecem, entre os que praticam a a denominada caridade, palavra que fica melhor definida pelo texto de Durkheim sobra a divisão social do trabalho[vi]

Em matéria de fé, as famílias, unem-se. Em matérias de trabalho, as famílias correm pelo melhor lugar e o parentesco fica parado, a fé retida e a caridade apenas para pais e filhos. Sem capital, não há vida. Foi em procura de capital que estalou a guerra de Europa, narrada em este texto sobre como foi aqui ou, a guerra de Europa foi parte do que aconteceu nestas bandas do mundo do sul. Cada nacional de um mundo estrangeiro, acabava por ou aceitar e rejeitar o que acontecia na sua Nação. A mais complexa e dolorosa, foi a da Espanha: duas guerras simultâneas a civil e de toda Europa , guerra à que Espanha não entrou, tinham que reconstruir o desastre da sua própria guerra. Como também reorganizar o Estado comas ideias do Ditador, denominado Caudillo. Pensaram também na necessidade de aniquilar aos revoltosos da República que tinham ficado no Estado Espanhol Em mais de um milhão de mortos se estima que esta persecução causara ao longo dos anos da vingança do Caudilho causou.

As crianças não entendiam estes desajustes familiares e não eram felizes, nem os seus pais, que mal sabiam os motivos de renúncia do Rei e da toma de pose do bando que mandava, por um oficial mal formado, arrogante e com ansiedade de ter todo o mando nas suas mãos. Ideias que retirou de outro ditador, a quem passamos a analisar a seguir.


[i] Palavra castelhana que indica o sítio em que a carne apodrece. O nome oficial é Panteón Real.

[ii]María del Carmen Franco y Polo, duquesa de Franco y Grande de España (Oviedo, 14 de febrero de 1926), es la única hija de Francisco Franco Bahamonde y de su esposa, María del Carmen Polo y Martínez-Valdés. Es también marquesa viuda de Villaverde.

En su bautismo recibió los nombres de María del Carmen Ramona Felipa María de la Cruz. Dicho sacramento se le administró en la Iglesia de San Juan el Real (Oviedo), en la misma donde contrajeron matrimonio sus padres.

Fue conocida por varios sobrenombres, como Nenuca, Carmelilla, Carmencita, Cotota y Morita.

El 10 de abril de 1950, se casó en la capilla del Palacio de El Pardo, con el cirujano Cristóbal Martínez-Bordiú, X Marqués de Villaverde, con quien tuvo siete hijos, nacidos todos en el Palacio de El Pardo:

É bem sabido que o ditador queria fundar uma dinastia Franco. Para tal, escolheu ao seu sétimo neto, enviou uma proposta de lei às Cortes Espanholas, com um decreto que nunca antes tinha sido preparado :Francisco Franco y Martínez-Bordiú (9 de Diciembre de 1954). Cuando nació las Cortes franquistas alteraron mediante una ley “ad hominem” el orden de sus apellidos. II Señor de Meirás (Grande de España) y XI Marqués de Villaverde; casado (1) en 1981 con María de Suelves y Figueroa, descendiente de Francisco de Paula de Borbón y Castellví, hija del marqués de Tamarit; y (2) con Miriam Guisasola Carrión (2001):

Mal o Príncipe Herdeiro foi rei, após a morte do herdeiro legítimo que nunca o foi por convénio com o ditador, o Conde de Barcelona, o novo rei mostrou-se o perdido que andava até casar com Sofia de Grécia. A seguir a morte de seu padre, o Rei Juan Carlos I lhe concedeu-lhe o título de duquesa de Franco com Grandeza de España, facto que Dom Juan, nunca teria permitido e o filho tinha medo do pai. A duquesa tem guardado um rigoroso silêncio, apenas roto por causa de algumas entrevistas aos seus filhos e a ela própria. Em Novembro de 2008 apresentou o livro: Franco, mi padre, uma espécie de biografia do outrora Jefe de Estado, escrita pelos historiadores Jesús Palacios y Stanley George Payne, em base à sua testemunha pessoal.

A Rainha tem um nome, que a faz parente dos Windsor da Grã-Bretanha: 1975- presente – Sofia da Grécia Schleswig-Holstein-Sönderborg-Glücksburg (Grécia). Tem sido a melhor mãe, esposa e mãe que a Espanha tem tido até hoje: recatada, sorridente Fala-se de que quem governa Espanha é ela e não o seu marido. Nos anos 80 do Século XX, houve uma tentativa de derrubar ao rei e substitui-lo pelo neto de Franco, o Rei quis fugir, mas entre o Conde de Barcelona e a Rainha Sofia, essas veleidades acabaram. Esse dia era impossível usar o telefone, a linha entre a Giralda, casa dos Duques, e o Palácio de Madrid, mantiveram as linhas impedidas, até que o pusilânime rei mandou tropa e falou pela televisão para afiançar o seu poder. O telefone esteve em contacto directo com os chefes de estado dos países democráticos de Europa. O Tenente Tejero mandou a corte toda a levantar-se o os matava a todos. O então Primeiro-ministro Adolfo Suárez, partido de Centro e cristão a Senadora Dolores Irribarren,  La pasionária, a comunista que lutara tanto pela República, não apenas foi eleita Presidente Das Cotes, como homenagem a sua valentia, bem como  ficaram calmos sentados nos seus sítios, enquanto As membros das Cortes se escondiam onde melhor lhes parecia possível, até serem resgatados pelas Forças Armadas leais, a seguir o discurso do Rei

[iii] Esta acta, foi assinada a 2 de Fevereiro de 1818, pelo Director Supremo do novo Estado, Bernardo O´Híggins. Em 12 de Fevereiro de 1817, San Martín e O’Hoggins tomaram Santiago. O’Higgins foi aclamado Ditador Supremo. Exactamente um ano depois, foi proclamada a independência.

As batalhas contra os espanhóis, no entanto, só terminaram em Abril de 1818, na Batalha de Maipú, quando os dois generais, San Martín e O’Higgins, se encontraram e se confraternizaram no chamado “Abraço de Maipú”.

[iv] Fonte: Barros Arana, Diego (1890). Historia General de Chile. Santiago de Chile: Imprenta Cervantes. Tomo XII.

Biblioteca del  Congreso Nacional de Chile (2005). «Acta de la Independencia de Chile». Consultado en 2007. O que ardeu era uma das várias cópias, aliás, original, no dia do assassinato do Presidente

[v] Falange Espanhola é o partido político de índole Fascista legalmente reconhecido durante a ditadura de Francisco Franco, na Espanha. Franco se apoiava em ela e nos membros do seu  partido

Fundada por José António Primo de Rivera, em 1933, a Falange aliou-se às forças nacionalistas de Franco durante a Guerra Civil Espanhola (1936 – 9), que depôs o governo republicano de cunho socialista. Franco assumiu o controlo do partido em 1937. O governo democrático instituído após a morte de Franco declarou-a ilegal em 1977, mas ainda está em actividade.

[vi] Durkheim, Émile, 1893 : De la division du travail social, Felix Alkan, Paris. Há uma versão portuguesa, Editorial Presença, 1977

Comments


  1. Eu não sei o que é pior, aqui, em termos históricos, se citar boatos, se lancá-los.

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