Ninguém gosta dos transportes públicos

A moda agora é defender que se acabe com tudo o que dá prejuízo.
Parece-me bem, principalmente se contabilizarmos tudo que temos que contabilizar sempre que analisamos o custo de um serviço.

Eu por exemplo acho que os custos atribuídos ao transporte individual privado estão subavaliados… não consideram quanto tivemos que investir em infraestruturas (nomeadamente autoestradas), o impacto que tem no ambiente (qualidade do ar e não só), o impacto económico das importações de petróleo (que, não, não vão ser compensadas com a construção de mais barragens), o impacto social de ter menos tempo disponível para trabalho/descanso (pelo tempo que passam em filas de trânsito) etc, etc.

Por isso até acho que devíamos aumentar o custo da gasolina (para 2€/l por exemplo) e/ou portagens de forma a incorporar esses custos. A receita extra seria naturalmente para aplicar em transportes públicos.

Não em projecto faraónicos tipo tgvs que não têm nada de público e limitam-se a ser fonte de rendimento para construtoras mas… sei lá… por exemplo para acabar a remodelação da linha do norte (que começou há 20 anos) para os pendulares poderem circular sempre a 200kmh, ou, bem há centenas de pequenos projectos possiveis que poderiam ser feitos.. é só escolher. Mas claro, primeiro é preciso decidir.

Comments


  1. Essa ideia é muito boa. Para quem mora num grande centro ou está bem servido por transportes públicos. E ou outros??

  2. Manuel Marques says:

    Não deveríamos acrescentar também, pelo menos parcialmente, os custos das guerras do petróleo: Iraque, Líbia,etc.?


  3. Eu gostava de ter um infantário ao lado da minha porta.
    Eu gostava de ter um autocarro de 5 em 5 min à porta de casa e que leva-se à porta do trabalho.
    Eu gostava de trabalhar a 5 a 10 min de distancia da minha casa.
    Eu gostava de não precisar de estar fora de casa mais de 9horas seguidas depois de sair para ir trabalhar.

    Eu tenho o infantário a 30min da minha porta de carro.
    Eu tenho autocarros de 30 em 30min e não me deixa à porta do trabalho, para isso tenho que usar outro transporte publico.
    Eu trabalho a mais de 1hora de distancia da minha casa
    Eu sempre que saio de casa para trabalhar só volto 11horas depois.

    Gasolina a 2euros litro, só me iria tornar mais pobre!
    Trocar de casa? Tivesse alugado casa em vez de comprar, isto agora só lá vai com euromilhoes!


  4. eu quero ter uma autoestrada porto-lisboa
    eu quero ter duas autoestradas porto-lisboa
    eu quero ter três autoestradas porto-lisboa
    olha, parece que conseguimos

    eu quero alugar uma casa
    eu quero comprar uma casa
    eu quero comprar uma casa e ir de férias para o algarve
    eu quero comprar uma casa, ir de férias para o algarve e viajar para o estrangeiro
    olha, parece que também conseguimos

    eu quero comprar um carro
    eu quero comprar dois carros
    olha, mais outro que conseguimos

    conseguimos estas proezas todas mas a simples ideia de pensar que podemos ter um sistema de transportes publicos eficiente e adaptado às necessidades das pessoas é logo ridicularizada
    prioridades…


    • O que deve ser ridicularizado é a ideia de aumentar o preço da gasolina para obrigar as pessoas a usar os transportes públicos em alternativa ao transporte pessoal, quando na realidade, não é alternativa nenhuma, pelos vários motivos quem nem vou aqui mencionar!

  5. sputland says:

    O problema maior é que nas grandes cidades as pessoas têm opção e muitas, por masoquismo e comodismo, preferem as longas filas de trânsito (e consequente dispêndio de dinheiro e tempo) para não passarem meia hora de aperto no metro, comboio ou autocarro. Por outro lado, nos meios mais pequenos não há opção ao automóvel e trabalhar a 20 km de casa, cobrindo a distância de transporte público, é um suplício quando não impossível.
    A medida de criar zonas diferenciadas de estacionamento pela CML é, nessa perspectiva, uma boa medida que, a meu ver, até deveria ser alargada e mais restritiva ao uso de automóvel na cidade. Contudo, em cidades como a Guarda ou Viseu, tal medida seria demasiado punitiva, pois não existem quase nenhuns meios de transporte das zonas limítrofes para o centro da cidade.
    É que, as ideias podem até ser boas em princípio mas não podem ser abusivamente generalizadas, pois o que serve no nosso umbigo, pode não servir noutros lados e a isso se chama… egoísmo ou ignorância.


  6. >>É que, as ideias podem até ser boas em princípio mas não podem ser abusivamente generalizadas

    concordo. aquilo que digo é que até hoje generalizamos a ideia que o carro é a unica alternativa.
    talvez seja altura de mudar isso

  7. Dario Silva says:

    O problema de base é a mentalidade.
    Enquanto for socialmente louvável alguém morar em Telheiras (metro a dois passos) e levar o carro para o escritório (nos Restauradores, com metro) só porque a empresa paga o carro e o parque e a gasolina…

    • Carlos - Vila do Conde says:

      Tem toda a razão. Se o princípio utilizador/pagador funcionasse em pleno, esses senhores, muitos, mudavam de ideias rapidamente. A pergunta é esta: por que é que no troço de autoestrada mais caro do País, inaugurado não há muito tempo em Lisboa, não se paga portagem? E ainda esta: Por que é que na região de Lisboa estão ao serviço dos utentes cerca de 1.000 quilómetros de vias com características de autoestrada,, todas de borla?
      O Sistema de cobrança inventado para as ex-SCUTs não serve para os Lisboetas?, Porquê?
      Por que é que na minha zona, andar de transporte público, custa cerca de 2 euros por cada 10 quilómetros e em Lisboa por 4 euros podem fazer-se, durante 24 horas, centenas de quilómetros, à escolha, entre Metro, Autocarro ou Elevadores públicos? Por que é que uns são filhos e os outros enteados?

  8. alexandra freias says:

    Este post ,e alguns comentários ao mesmo , demonstram a ignorância total sobre uma realidade que é na sua grande maioria, a vida de muitos daqueles que vivem no distrito de Lisboa:

    – Grande parte das pessoas que vão trabalhar para Lisboa fazem-no de transportes públicos e demoram muitas vezes, em média 1h30m, por cada volta(ida casa trabalho, trabalho casa);
    – somente a cidade de Lisboa é que está bem servida de transportes: carris de 10 em 10 min, metro e CP;
    – muitas das pessoas que saíram da Lisboa para morar para os “subúrbios” foram obrigadas a tal;
    – outras foram iludidas a tal;
    – outras foram por que quiserem (na sua maioria estão bem melhor do que se vivessem em Lisboa);
    – Nos subúrbios, há défices de transportes, ou os que há estão mal planeados (nos subúrbios as empresas de transportes são privadas e fazem as contas de acordo com o proveito/ ou não proveito, e assim se constroem os percursos…)
    – Nos subúrbios, ir de carro para o trabalho é muito mais barato, além do tempo ser menor.
    – etc, etc….
    – Nos subúrbios a malta que é pobre ainda consegue(conseguia)comprar uma casita com alguma dignidade é que os pobres, e os filhos destes, merecem!!!
    – Por outro lado, e sendo nativa h´+a várias gerações da cidade de Lisboa, sei que actualmente o povo está nos subúrbios, aqui habita quem trabalha, quem sofre com a crise, onde existem pessoas que contam todos os tostões, onde existem pessoas que não têm cartão de crédito, pq nem sequer têm contas bancárias…há vida nos subúrbios e estes fervilham da essência que é constituída esta nação.

    E depois temos aqui uns burguesismos armados aos pingarelho, que vivem no Príncipe Real ou Telheiras, ora depende da onda que apanharam (ou melhor dizendo, se votam Bloco de Esquerda ou PSD/CDS), que fazem estas sugestões…enfim!!!!

    • Carlos - Vila do Conde says:

      Ó Alexandra, não há desculpa para não taxar as autoestradas que servem a cidade de Lisboa, com portagens de preço elevado, desde que a rede de transportes públicos funcione em boas condições.

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