Regionalização e Euromilhões…

Será mais fácil a qualquer um de nós ganhar o próximo jackpot do euromilhões do que Portugal avançar para o processo de Regionalização.

A CP acabou com a linha Porto-Vigo. O motivo parece óbvio e simples: só tinha, em média, 12 passageiros. Como alguém escreveu, surpreendente é ter tantos passageiros dispostos a demorar mais de três horas para fazer pouco mais de uma centena de quilómetros. Num país decente, estes gestores de brincar da CP terminavam na cadeia pela forma como geriram a empresa ao longo destes anos.

Então, nos tempos que correm, demorava três horas de comboio uma viagem destas? Solução: em vez de criar condições para que a viagem decorra no tempo normal (uma hora), não. Toca a fechar a linha e desprezar o potencial da mesma. Talvez os senhores da CP não saibam que a Galiza (e Vigo em especial) é o principal emissor de turistas do Grande Porto e Norte de Portugal e um dos principais eixos de negócios. Talvez não saibam que uma linha ligando o Porto à Corunha teria um enorme potencial. Para isso seria necessário saberem e conhecerem a realidade desta Região e das suas principais “ligações” económicas. [Read more…]

O fim das Golden Share

Alguns partidos (PCP e BE) hoje fizeram saber que acham mal o Estado ter acabado com as Golden Share que detinha em algumas empresas. O argumento é que o Estado perde peso na economia. Pressupõe-se então que o oposto, isto é, a presença do Estado nas empresas, tem sido benéfico para a economia e para essas empresas em particular. Vejamos então algumas marcas desse sucesso:

  • CP: recorrente fecho de linhas; prejuízos enormes; péssimos horários, péssimo serviço (demorado, caro e desconfortável) e péssima gestão.
  • Grupo RTP: enorme buraco financeiro, programação da RTP1 abaixo do sofrível, instrumentalização da informação.
  • Grupo EMPORDEF: Estaleiros de Viana do Castelo falidos há muito (apesar das encomendas); Empresas da defesa em pré-falência (apesar de exportarem a maioria da produção).
  • CTT: sem administração há meses; dá lucro mesmo assim.
  • EDP: electricidade caríssima; défice tarifário; imposição à EDP de compra da electricidade produzida em micro-geração a preços superiores aos praticados na venda ao público.

A presença do Estado nas empresas tem sido o maior empecilho ao seu desenvolvimento. Incapacidade de decisão em tempo útil; decisões políticas (e sobretudo a pensar nos votos) em vez de decisões de estratégia económica; instabilidade na gestão (nomeações pela confiança política, em vez de pela competência; mudança de gestão a cada novo governo).

Digam-me, qual é a empresa que saiu mais forte devido à gestão estatal? Acordem, pá.

Lixo? é o mercado, estúpidos!

A nossa dívida chegou a lixo. Custou mas foi.

Ora aqui está um belo dia para recordar aos eufóricos absolutistas do neo-liberalismo que tudo começou com os mercados, a liberdade dos mercados, a sacrossanta ditadura dos mercados.

Este artigo da wikipédia, incompleto e fraquinho, serve perfeitamente.

Não, não foi o “socialismo” (palavra que associada ao PS vale tanto como ligar PSD a social-democracia), nem o estado gastador, nem o raio que vos parta. Foi a especulação financeira, a ganância, a ditadura dos mercados sem qualquer controlo por parte dos governos que deveriam representar os povos.

Foram a Moody´s e restantes agências pagas por nós a preço de ouro, que não quiseram chamar lixo ao lixo, e agora inventam lixo onde nem o há com a única e obsessiva ideia de aumentar taxas de juro, logo os lucros do sistema financeiro, em particular dos bancos que tentam recuperar dos seus disparates de 2008-2009.

O resto é conversa, tal como o novo governo a fazer de coitadinho. Conversa de merda, que nem de treta merece o nome.

Recordando…

Fernando Nobre

imagem daqui

Fernando Nobre,  aquele que foi candidato presidencial apartidário, candidato partidário a deputado pelo PSD, eleito deputado e derrotado na votação para Presidente da Assembleia da República acha que não faz falta na política e foi-se embora. Resta saber para que é que se deu a tanto trabalho.

Os submarinos só param no Alfeite

Ainda faltava uma evidência atestando que a compra dos dois submarinos à Alemanha é um caso típico do poder da tropa, de corrupção, poderio da indústria de armamento neste caso alemã, incompetência e provável financiamento partidário? Já a temos.

A marinhagem acaba de confirmar que os submarinos só podem parar no Alfeite. Não podem atracar nos Açores e na Madeira (e a defesa do nosso espaço marítimo era um dos argumentos para a sua compra). Não sei qual é a sua autonomia, nem me interessa: é o caso típico do pacóvio que compra um móvel que não cabe lá em casa.

Satisfeito o capricho dos almirantes de águas profundas, e doces quando se trata do dinheiro dos outros, fiquemos pois com os submarinos fazendo viagens de ida e volta para o Alfeite, ou iniciemos uma campanha para adaptar outros portos a essa função. Qual crise, não é Paulo Portas, que os comprou, e Augusto Santos Silva que não teve coragem de os mandar à Merkel?

Liberalizem os despedimentos…

e deixem à solta os filhos da puta.

Estava eu a almoçar num local que frequento com alguma regularidade quando, por força da proximidade e do volume da conversa, fui obrigado a ouvir o que se passava na mesa ao lado. Estavam dois indivíduos entre garfadas quando um deles recebeu um telefonema. Faço apenas um resumo do essencial, mas a totalidade dos pormenores, cada frase, todos os sentidos, eram do género do que se segue:

-….

– Ai é? E quem era o responsável?

-…

-Não sabes? Então, se queres mostrar quem manda, despede um já hoje. Um qualquer, ao calhas.

-…

– Ao calhas, sim, se queres mandar despede já um. Ou dois. Assim os gajos percebem quem manda.

-…

– Não queres despedir os portugueses? Então despede brasileiros, dois ou três de uma vez.

-…

-Quais? Os que te apetecer. Dizes aos gajos “meu amigo, você já foi ao SEF? Não? Então rua”.

-…

-Têm data marcada para ir ao SEF, estão à espera do dia agendado? Então aproveita agora, dizes “já devia ter ido” e pões os gajos a andar. Depois agarras em dois dos que ficarem e dás uma gratificação de 50 euros a cada um. Esses ficam do teu lado. Vem nos livros: há sempre uns que são neutros, uns que estão contra ti e uns que ficam do teu lado, esses são aqueles que te dão o poder. Agarras já nos que gostas menos e andor. Eu dei-te o poder, não foi para me vires pedir para resolver estes problemas. Desenrascas-te e mostras logo que tu é que mandas. Se não fizeres isso, não me venhas pedir ajuda quando der para o torto. Não se pode ser simpático com seres humanos, tens que os tratar abaixo de cão. Estes gajos são animais, é isso que tens que perceber.

-…

O telefonema ainda continuava quando me levantei, paguei e disse ao homem, em voz alta, que era um asqueroso. Ia na soleira da porta quando chegou a resposta.

– Asqueroso és tu.

Nem me virei. Com esta resposta tenho a certeza que a pessoa do outro lado ouviu. O que fez a seguir, não sei. Provavelmente era apenas mais um cobarde asqueroso e seguiu os conselhos do chefe, eventualmente, até, com excesso de zelo.

Deixem os filhos da puta à solta e verão. Como dizia o primeiro sem perceber que se auto-retratava “estes gajos são animais”. Pois é. E é isso que temos que perceber.

Piropo a mulher bonita não é crime (II)

 

«Abençoados pais que conceberam esta coisinha linda»

Fábio Coentrão no Real de Madrid

É daquelas notícias que entristecem e alegram ao mesmo tempo. Se houvesse verdadeiro gosto pelo futebol português até os adversários (portistas incluídos) deviam entristecer. O melhor jogador português a jogar em Portugal, o mais raçudo, lutador e autêntico foi-se, já cá não joga.

Por outro lado alegro-me por Fábio Coentrão, ele merece e o mundo não anda cego. O Real é o topo e o Fábio já lá está. Nuestro hombre en Madrid, dirão um destes dias em Caxinas. E Vaya Caxinas seria um bom grito para se ouvir desde Madrid naqueles momentos em que Coentrão liga o turbo e desequilibra.

Valença-Tui: a Última Fronteira da Europa

… todas as outras fronteiras já se dissolveram há décadas;

a maior fronteira portuguesa reabre no próximo domingo. Progresso.

Sim é possível deixar tras-os-montes ainda mais isolado

Há uns três anos atrás, aproveitando outra reflexão, sugeri que em vez de se construir uma auto-estrada transmontana que quase a unica coisa que vai fazer é tornar pago o único acesso moderno ao interior, se optasse por reformular as ligações internas às capitais de concelho do distrito de Bragança e ligações a Espanha.

Isto porque me parecia que 310M€ para converter o não muito bom mas relativamente seguro e aceitável ip4 entre Vila Real e Bragança era dinheiro mal gasto, ainda para mais dinheiro que não tinhamos e ainda para mais quando podia ser gasto em investimento (em estradas) mais produtivo.

Agora, com as obras a meio, com cortes sucessivos no ip4 que nos levam a revisitar a EN15 (onde eu demorava umas 5 horas para fazer porto-bragança) resolvem fechar a torneira e suspender as obras por 90 dias.

É justo, como o fecho de vigo/valença para poder comprar carros para os administradores da cp, todos temos que participar na ajuda ao país.
Pena que tenha que se impor isso a quem já não tem ligações ferroviárias (quando há 50 anos eram dezenas de quilómetros), não tem ligações rodoviárias decentes e as que tem são sempre as últimas a ser construídas.

Ideias para o Verão – saco Tetrapack

imageEstá em férias e não sabe o que fazer? Duvido. Se calhar ainda não está em férias mas sonha com elas… Bom, não estará só. Tendo em mente a época veraneante, começa aqui hoje uma série tipo cor-de-rosa-mas-que-faz-falta-para-desenjoar-da-política. Pretende-se publicar uma por dia quando calha.

A ideia de hoje é ir ao site weupcycle.com/en e escolher uma de entre as imensas coisas coisas que se pode fazer com materiais recicláveis. Como este saco feito de embalagens Tetrapack.

A Nova Ponte Sobre o Tejo

Ano de 1934;

74 anos depois, o LNEC achava que sim.

A Festa dos Tabuleiros em Tomar. 1 – As Origens

A Festa dos Tabuleiros realiza-se de 4 em 4 anos em Tomar e é responsável pela ida de milhares e milhares de pessoas a Tomar, uma das mais belas cidades portuguesas. A edição de 2011, que se prolonga até ao dia 9 de Julho, aí está.
Trata-se de um evento com tradições imemoriais no concelho, que  influenciou largamente as festas do Espírito Santo nos Açores, os impérios de Alcanena, a festa do Penedo e até o Santíssimo Sacramento da Batalha.

Graças à Festa dos Tabuleiros, Tomar fez parte, desde o início – 1996, das «Fêtes du Soleil», projecto euromediterrânico da Comissão Europeia, que tem como objectivo sistematizar a informação relativa às mais importantes festas realizadas no Mediterrâneo e dá-las a conhecer ao grande público de todo o «velho continente». É candidata, por esta via, a Património Cultural da Humanidade.

A Festa dos Tabuleiros parece ter como origem mais profunda as antigas Saturnalias e Ceriales, festas dedicadas aos deuses Ceres (deusa dos frutos da terra), Flora (deusa das flores) e Saturno (deus das sementes e da cultura). Rituais pagãos, estes ou outros, que a cidade romana de Sellium (actual Tomar) recebia com grande prazer, porque correspondiam a dias de folga da sua população. [Read more…]

Sem palavra(s)

Piropo a mulher bonita não é crime


«És boa como o milho!»