A Moody’s cor de rosa

Desde 1884 que não se via nada assim: a pátria levantou-se, do Facebook ao presidente dos outros portugueses, e brama: contra a Moody’s marchar, marchar.

Os mesmos que se riram quando a mesma agência fez o mesmo à Grécia agora indignam-se (pimenta no orifício alheio é sempre refresco). Os mesmos que querem pagar a dívida toda com os juros ainda mais altos e nos prazos mais apertados, indignam-se. Os mesmos que insistem na austeridade acreditando no milagre da multiplicação das falências no deserto e da sua transformação em crescimento económico, indignam-se. Os que se indignavam com os indignados, indignam-se. Valham-nos os crentes da mais absolutista fé nos mercados, que não se indignam. E em solidariedade com as minorias confesso que me indigna muito mais a troika e o eixo bancário franco-alemão que as agências de ranking.

Espero ao menos que esta cavalgada heróica inspire músicos e vates, resolvendo um problema já secular: saía um novo hino para este país do canto da Europa, sff. Tirando a graça de ser contra os ingleses, o actual já cansa, os nossos egrégios avós merecem repouso e um país também renasce refazendo as suas canções guerreiras.

Mein Führer, ich habe Angst

Práticas religiosas em Portugal

240px-Tapete_de_corpus_christi_em_po%C3%A1_sp_brasil_-_fernando_ara%C3%BAjo_SECOM_Po%C3%A1.jpgAo longo da História os camponeses têm estabelecido uma racionalidade do trabalho largamente baseada em laços pessoais. As decisões de escolha de uma determinada cultura, de quando e como semear, se bem que limitadas por factores ecológicos, têm obedecido às circunstâncias do momento baseadas na relação com os recursos de reprodução, relação essa que tem variado em diferentes épocas históricas. Terra, trabalho e tecnologia, os três principais recursos necessários à sobrevivência dos camponeses, são geridos e correlacionados de modo mutável, na base de obrigações morais entre parentes e vizinhos; da mesma forma, a definição de alianças e a circulação das populações vão obedecer a um ritual dentro dos parâmetros definidos pela Igreja Católica Romana, constantemente desenvolvidos ou manipulados pelos próprios camponeses. Em resumo, a organização camponesa do trabalho é expressa e materializada em princípios morais que derivam da crença religiosa. [Read more…]

Os livros e o prazer de os ter para ler e não o fazer

Gosto pouco de respostas, mas por solicitação do João Delgado e da Daniela Major, seguem as minhas ao coiso deste verão.

1. Existe um livro que lerias e relerias várias vezes?

Existem géneros. A poesia ou se decora, ou se lê e relê, ou não presta.

2. Existe algum livro que começaste a ler, paraste, recomeçaste, tentaste e tentaste e nunca conseguiste ler até ao fim?

Todos os que tenho tentado ler nos últimos anos, mas levo uma longa experiência na matéria, iniciada com os Lusíadas, agravada com as Viagens na terra do abominável Almeida, leitura obrigatória de que me escapei com alguma dificuldade, e um caso curioso de insucesso: dúzias de tentativas para virar as primeiras páginas do Outono em Pequim, até ter chegado ao fim do 1º capítulo. O resto foi devorado nessa mesma noite, a obra completa de grande Boris Vian foi logo a seguir.

3. Se escolhesses um livro para ler para o resto da tua vida, qual seria ele?

É um problema que não se coloca porque deixei de ler livros com mais de 125 gr. Se tivesse mesmo de ser qualquer um do Manuel Bernardes servia, porque cada frase se mastiga sem dentes. [Read more…]

Um Dia para Levantar Fronteiras

Um Dia Como os Outros

Nos 125 anos da ponte rodoferroviária de Valença-Tui© 03.2011

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