Proposta para cortar radicalmente na despesa pública

Abdicarmos de todos os cargos de eleição ou escolha políticas e respectivos assessores, passando a ter apenas uma só eleição de 4 em 4 anos para eleger a agência de rating mais favorável para nos governar e deixar o resto com a banca.

Critérios de incorrecção

Este ano o GAVE (entidade responsável pelos exames nacionais) trocou as reuniões onde os professores correctores recebiam verbalmente indicações extra e aferiam critérios de correcção por documentos confidenciais com onde essas mesmas instruções foram transmitidas.

Não fora a capacidade do Paulo Guinote em furar estes esquemas e teriam ficado mesmo confidenciais, para espanto de muitos, incluindo o bom senso e as regras mínimas de transparência administrativa.

Ao contrário de muitos sou acérrimo defensor de que estas instruções devem ser transmitidas por escrito, sem com isso evitar as reuniões de aferição, que são chatas mas úteis.

É que em 2007 fui corrector da prova de História A, e na altura muita falta me fez um documento dessa natureza onde se afirmasse preto no branco que designar o Estado Novo como um regime totalitário ou fascista era considerado um erro científico grave, e como tal fortemente penalizado. Bem tentei denunciar, mas não tinha provas. Talvez ficássemos a saber quem foi a besta científica grave que inventou tal critério, no ano em que a média desse exame ficou abaixo de 10 valores, só tendo havido piores resultados a Física e a Geometria Descritiva.

Um não-pedido de desculpas a Vítor Louçã Gaspar

Acreditei em Miguel Frasquilho e no «Povo Livre» e fiz mal. Afinal, Pedro Passos Coelho não utilizou a expressão «desvio colossal» e Vítor Louçã Gaspar não mentiu quando veio com aquela estória das palavrinhas entre desvio e colossal. Se fosse menos teatral nos seus discursos, talvez eu tivesse acreditado nele.
Errei e peço desculpa aos leitores. A Vítor Louçã Gaspar é que, obviamente, não posso pedir desculpa. As suas mentiras têm sido mais que muitas em tão pouco tempo e, para confirmar o epíteto de mentiroso, bastaria olhar para o último debate no Parlamento.
Como é possível não chamar mentiroso a quem diz que, em relação ao imposto extraordinário, os que podem mais vão pagar mais? Como é possível não chamar mentiroso a quem diz que estamos na presença de um imposto que revela grande equidade social? Como é possível não chamar mentiroso a quem diz que os juros e dividendos não podiam ser taxados por motivos técnicos? Como é possível não chamar mentiroso a quem fala de um imposto universal e esquece todas as grandes fortunas e os grupos económicos do costume.
Não, Vitor Louçã Gaspar não é sério e, como é óbvio, não posso pedir-lhe desculpa por lhe ter chamado mentiroso. Porque é o que ele é.

O manifesto de Anders Behring Breivik, o carniceiro de Oslo

Além de ter criado uma conta no Facebook (cópia disponível) expressamente para a função cartão de visita, Anders Behring Breivik deixou um manifesto em vídeo. Está lá tudo: nacionalismo, anti-marxismo e anti-islamismo.

Não me passando pela cabeça que todos os anti-marxistas, nacionalistas e neo-cruzados desatem para aí aos tiros, o facto é que esta ideologia está entre nós. Não é preciso ir aos foruns e blogues de alguma direita e da extrema-direita para os encontrar, basta ouvi-los nos transportes públicos. O facto de as forças de segurança norueguesas terem subestimado o perigo de atentados vindos desta gente que não usa turbante e combate a “aliança multiculturalista”, é muito significativo. Nada impede um destes tipos que andam de Salazar na boca de seguir o exemplo do norueguês (e sabe-se como este tipo de atentados produz efeitos de contágio).

Quero eu com isto dizer que se deve travar a liberdade de expressão da direita? não, esse seria o pior caminho. Mas é tempo de as polícias europeias lhes dedicarem a atenção que concentram apenas noutros fundamentalistas.  O 22 de julho pode não ficar por aqui, e o branqueamento pela comunicação social da emergência política desta gente (não esquecer que em muitos países da CE estão no poder, ou bem próximos dele), não ajuda nada. Não se trata apenas de um louco, que tudo aponta para não ter agido sozinho, trata-se da emergência de uma ideologia contra a qual a Europa deveria estar vacinada em época de crise. Tal como em 1900 e trintas, não está. Não a tomem a tempo, e ainda vemos a História a repetir-se, novamente como tragédia, é claro.

A reprodução no celibato

celibato        Quando falo de reprodução social, refiro-me à quantidade de recursos, bens e pessoas, que cada grupo social deve reservar para garantir a sua continuidade, bem como o conhecimento com o qual se organiza a relação entre pessoas e coisas e a sua gestão. A reprodução dos homens é um processo ligado aos bens, um sistema complexo, no qual a forma em que os bens são possuídos é parte da conjuntura histórica que define a estrutura em que os homens são feitos. Este facto acaba por explicar, na minha opinião, a coexistência de duas formas reprodutivas dos seres humanos: o casamento e o celibato. Do primeiro provém a filiação vinculada aos bens; do segundo, provêm os filhos sem pai social, tratando-se de uma filiação não vinculativa aos bens e mantida num sistema de parentesco extenso, no qual o apadrinhamento é o laço que define o lugar social de cada um.

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A minha pequena homenagem a Amy Winehouse

Da primeira vez que ouvi Amy Winehouse senti um arrepio na espinha. Quando me confrontei com a sua imagem senti dois. Eu imaginava uma cantora negra, grande, gorda e saíu-me aquela trinca-espinhas branca e inglesa, de pose desconchavada, joelhuda, com make-up de bordel de terceira.

Gostava sinceramente dela, sem dizer apesar de, sentia uma certa comoção com aquela rapariga, com as suas escolhas, com os seus demónios, com o seu enorme talento. Não acredito que pudesse haver Amy Winehouse sem aquela Amy Winehouse, não acredito que aquela mulherzinha cantasse tanto, tão sofrida, poderosa e languidamente sem ser aquela mesma pessoa, aqueles dez-reis de fragilidade cheios de atracção pelo abismo. E também não acredito que a autora Amy Winehouse pudesse compor aquelas canções não sendo o ser perdido que era.

Haverá quem a recorde pelo acessório. Eu recordá-la-ei por “Frank”, por “Back to Black” e por algumas arrepiantes interpretações ao vivo. Foi uma Grande Artista e viveu como pôde. Agora repousa em paz – ou canta com outras almas gémeas, cheias de talento e de inquietude, como ela.

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