Vítor Louçã Gaspar disse correctamente o nome de Sónia Fertuzinhos!

Foi hoje no Parlamento. O ministro das Finanças, Vítor Louçã Gaspar, respondeu à deputada do PS, Sónia Fertuzinhos, e conseguiu dizer o seu nome correctamente, embora com uma lentidão ainda maior do que é costume. Triunfante, fez a cena do costume. Pediu imensa desculpa por ter dito o nome dela muito devagar (como se as outras palavras ele as dissesse depressa) e aludiu à sua tradição de confundir nomes no Parlamento. Sim, porque, nas suas próprias palavras, Fertuzinhos é um nome difícil de dizer.
Imagino a cena em frente ao espelho: F-e-r-t-u-z-i-n-h-os. F-e-r-t-u-z-i-n-h-os. Fer-tu-zi-nhos. Fer-tu-zi-nhos. Fertu-zinhos. Fertu-zinhos. Fertuzinhos. Consegui, consegui.
Felizmente para Vítor Louçã Gaspar, Narana Coissoró já não é deputado. Nem Krus Abecassis. Nem Eleutério Alves. Nem Hermenegilda Camolas Pacheco. Mas Rosa Albernaz ainda é. E Ana Maria Bettencourt também. E Honório Novo, esse nome tão difícil. Temo que a reputação da eloquência de Vítor Louçã Gaspar seja destruída muito brevemente.
Este tipo é um prato!

Comments

  1. Rodrigo Costa says:

    Seria uma felicidade, se o Vítor Louçã —não sei onde já ouvi este apelido!— apenas se enganasse nos nomes e tivesse dificuldade em ser rápido na eloquência; seria interessante, se, sem estilo, nem rápida eloquência, acabasse por se revelar competente; porque, se o estilo e a rápida eloquência rendessem, o País não correria riscos de falir… Entretanto, aguardemos, porque, excepcionais, são todos os que ainda lá não estiveram e que, penso, na realidade, nem querem estar, por não haver nada de que possa ser acusada a oposição —tenho, para mim, que, se Sá Carneiro tivesse tido tempo de governar, a “tertúlia” teria sido a celebração de uma efeméride para esquecer.

  2. Judite says:

    O falar com fluência não impede um indivíduo de ser inteligente. O melhor aluno da minha escola, com média de 20, inclusive no exame nacional de Matemática (200 pontos!), pontualmente, tem alguns problemas de ordem fonética! E daí? É menos capaz por isso?!
    Tenho mais medo dos “bons falantes” que, nos últimos tempos andaram por aí, a enganar os tolos, com “papas e bolos”….

  3. Rodrigo Costa says:

    Ora, Judite, o grande problema deste País é a preocupação com a imagem.

    É raro ver alguém que, antes de ir para uma entrevista, na televisão, por exemplo, não vá ao cabeleireiro e ao alfaiate… porque o que têm para dizer é coisa de somenos, mesmo quando são rápidos e eloquentes —há uma imagem que retenho, a este nível e neste aspecto: o Francisco Assis; surge como o tipo religioso que decourou a Bíblia, sem saber, no entanto, o que a Bíblia diz.

    Acho que os guionistas de Hollyood ainda não descobriram Portugal; quando isso acontecer, acabarão por montar delegação de uma qualquer produtora de filmes, que, mesmo que sejam dramas, acabam por dar vontade de rir…

  4. Nelson Pires says:

    Este não usas o teleponto… é mais genuíno. Lento? Sim, mas genuíno.

  5. Victor Sousa says:

    ora aqui está um modelo da vacuidade que há muito assola este país.
    “Discute-se” a literacia fonética do senhor das finanças, e subalterniza-se o essencial, como a dicotomia contributiva. Porque só os rendimentos de trabalho são afectados? Dividendos e mais valias ficam de fora, porquê?
    Não quererão os jotinhas que por aqui andam, explicar?


  6. Por quê?
    Porque já me dediquei a esse assunto e muito mais vou dizer futuramente. http://5dias.net/2011/07/15/o-farsola-o-pote-e-as-muitas-formas-de-ser-corrupto/

  7. Rodrigo Costa says:

    Estou convencido de que, mais tarde ou mais cedo, as pessoas se vão cansar das análises políticas exaustivas, porque perceberão, com o tempo, que a natureza humana é imutável; bastaria que, de uns e de outros quadrantes, se olhasse os que passaram pelo poder, que o detiveram, e como só eles se modificaram —melhor dizendo, como todos acabaram por, mais coisa, menos coisa, ser o que são: sejam eles da esquerda, da direita ou provindos de Marte; o ferro continuará frio, por mais que se lhe bata.

    É claro que poderia ser utilizado o aforismo “casa em que não há pão, todos ralham e ninguém tem razão”; mas há, antes disso, que analisar todo o processo pós-25 de Abril. É necessário assumir que, durante muito tempo, a esquerda teve o País ao seu dispor; fez e desfez como bem entendeu, sem nuca se preocupar com a fundação de um projecto. Aquilo a que assistimos foi ao fartar vilanagem: assaltos, atrás de assaltos; ocupações, atrás de ocupações, sem que daí viesse qualquer resultado positivo, para as casas, para as fábricas nem para os campos, porque a ideia nunca foi —não diria por maldade, mas por impreparação— substituir uma filosofia caduca por outra mais consentânea com aquilo a que poderíamos chamar uma certa modernidade. Não, o que se viu, foi o extravasar do desejo de posse, tão ou mais exacerbado do que o dos proprietários depostos.

    Onde entraram —nas empresas, nas escolas, fundamentalmente— não impuseram outra coisa que não fôsse a tolerância, a roda livre. E, aqui, saliente-se as passagens administrativas, por exemplo, das quais viriam formados indivíduos que não têm capacidade para concorrer com muitos dos que possuem a antiga 4ª classe. Inclusive, sabe-se da existência de indivíduos “licenciados” que nunca chegaram a acabar os cursos, na medida em que tudo o que se avistava era mar de facilidades.

    E temos, logo que puderam ou as famílias o exigiram, figuras da esquerda que deram um passo ou dois, e mais, à direita: Pina Moura, Zita Seabra, Acácio Barreiros, Pacheco Pereira, para falar daqueles casos, políticos, para mim, mais em evidência; porque,no meio artístico, então, é um exército, conquistadas que tinham sido as garantias de sobrevivência —aqui, ao lado, no Manel do Redondo, não eram poucos oa jantares em que apareciam, acasalados, os artistas de esquerda e homens do capital, incluindo um banqueiro.

    É claro que, se analisarmos, percebemos que, já nesse tempo, os seus movimentos eram contranatura, por, muitos deles, integrarem famílias que não eram, propriamente, carenciadas; a seu tempo, a rapaziada herdaria, e a filosofia não poderia continuara mesma, porque os interesses passaram a ser outros, e até porque a juventude não dura sempre.

    A actualidade do País resulta de tudo isto, dos excessos de tolerância, que originaram o aumento do analfabetismo, em termos práticos, apesar do aumento do número de doutores; não há —desde há muito— aquilo a que se pode chamar um verdadeiro gestor público, porque, os que há, ou são medíocres ou estão ao serviço dos privados, que, tirando partido das tolerâncias oferecidas —vejam lá!— pela esquerda, os infiltram no Estado e disso tiram partido.

    Em definitivo, seja quem for o empossado; seja de que quadrante for, a margem de manobra está reduzida; porque já não é só a situação política e social do País, mas, também e fundamentalmente, a posição de obrigatória subserviência, tendo em conta o endividamento.—por mais dignidade que queiramos ter, só a teremos enquanto puderem ser cumpridos os compromissos com os credores. E, havendo quem defenda, mesmo, o não pagamento, não me parece que estejamos a falar de gente séria; mas de gente que tem vivido sem fazer contas, porque apenas lhe interessa viver.

    Poder-se-á discutir a responsabilidade da tragédia; poder-se-á atribuir a alguns homens do capital a responsabilidade do estado das coisas, a verdade é que tal não seria possível sem a “cumplicidade” das classes menos favorecidas, que, em vez de reflectirem, foram, alegremente, no anto da sereia, em direcção ao endividamento. E, entre esses homens do capital, procurem saber onde se situavam, politicamente, alguns deles, na sua juventude.

    Se houver alguém que não saiba falar e se esqueça dos nomes, desde que seja competente e possa… apareça!

  8. a.marques says:

    O ministro molezas tem o condão de falando devagar ser contundente e pôr muita gente a falar sózinho. Essa é que é essa.


  9. Este post é de uma inteligência semelhante ao debate que encheu a semana:
    http://supraciliar.blogspot.com/2011/07/colossal-atraso-mental.html

  10. José Pinto says:

    Para passar a mão em metade do 13º não gaguejou nem hesitou. Já mexer nas PPP herdadas do anterior, vai mais devagarinho…

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