Carro ou comboio?

Comboio ICE da DB, com wi-fi enquanto se viaja a 300 Km/h

Comboio ICE da DB, com wi-fi enquanto se viaja a 300 Km/h

Bate-se muito na opção do carro em detrimento do comboio mas vejamos. Uma viagem de carro Lisboa-Coimbra, por exemplo, com duas pessoas fica ao mesmo preço do comboio. Com três pessoas no carro fica mais barato. No carro não há horários estranhos, digamos assim, nem ligações perdidas por instantes.

É certo que os combustíveis têm vindo a ficar mais caros. Mas, por incrível que possa parecer, é um ponto negativo para o carro que não tem tornado a opção comboio mais atractiva. E o que fazem outras empresas de comboios? Pensam em horários convenientes, melhoram a qualidade de serviço, têm tomadas de electricidade nos comboios (sim, em alguns comboios da linha do norte também há algumas tomadas a funcionar) e agora até já têm wi-fi. E, claro, é possível planear toda a viagem num site bem feito, onde até, ó sacrilégio, é possível alugar um carro.

Comments

  1. Pedro M says:

    Apesar das vantagens em levar mais pessoas no automóvel a nossa ocupação média anda nos 1.4, das mais baixas da União.

    Ou seja, com 150€ a 200€ de custos mensais (sem incluir compra), num país com um ordenado médio de 750€, 40% dos portugueses continuam a preferir o automóvel devido, em grande parte, a um sub-investimento nas alternativas a vários níveis (comercial, infraestrutural).

    Se querem castigar os transportes colectivos sem mexer um cêntimo nas portagens, combustíveis, estacionamento ou compra de veículos, como esperam subir a média de ocupantes por automóvel?

    A resposta é simples: não existe qualquer estratégia.

    • jorge fliscorno says:

      Bom, existe uma estratégia: trocar a ferrovia pela autoestrada. Esta última é muito melhor fonte de rendimento fiscal.

      • Pedro M says:

        A ideia de que “o automóvel dá lucro ao Estado” é um mito que já nem a ACP repete.
        Se as auto-estradas dão lucro este vai para os consórcios que negociaram concessões com as suas marionetas no Governo.

        Não existe nenhum meio de transporte que não seja subsidiado por dinheiro público, cabe-nos pesar os prós e contras das diversas opções e seguirmos uma estratégia de planeamento de território e mobilidade diversificada baseada nessas conclusões.

        Tendo em conta que:

        – Automóvel individual consiste em mais de 50% da energia consumida no país, todos os combustíveis e veículos são importados. A taxa de ocupação média é muito baixa por isso andamos a encher o tanque para transportar 75kg de carne mais 2 toneladas de aço e plástico.

        – Importações relacionadas são mais de 30%, ou seja, se metade dos carros deixassem de existir (restringindo-se a quem vive em zonas menos densas e quem o utiliza como ferramenta de trabalho) e fossem substituídos por transportes colectivos decentes, Portugal tinha uma balança comercial positiva. Resolução de défice instantânea.

        – Importações de crude favorecem muitas pseudo-democracias e ditaduras, longe da vista, longe do coração mas enfim.

        – Morrem mais de 700 pessoas e são feridas mais 40.000 todos os anos nas estradas. Isto são prejuízos sérios.

        – São a maior causa de falta de bons espaços urbanos e má qualidade do ar nas cidades e o maior emissor individual de gases poluidores no país.

        Se calhar, se fosse político e fosse confrontado com isto até descia o preço dos transportes colectivos e investia em pô-los ao nível de qualidade e conveniência próprios de 2011 numa Europa desenvolvida, financiados por aumentos nos automóveis em zonas urbanas e suburbanas.
        Isto melhorava o nível de poupança dos cidadãos, a nossa balança comercial, as nossas cidades e até coisas que não interessam para nada como o ambiente.

        Em vez disso penaliza-se o uso do transporte colectivo e isenta-se o automóvel em plena crise de descida do poder de compra, um verdadeiro tiro no pé.

        Porque é que nada disto é tido em conta?

        Porque não existe qualquer estratégia, existem ideias feitas.

        • jorge fliscorno says:

          Sim, argumentos muito válidos. Continua sem se perceber porque fecham linhas, mesmo assim.

          No actual contexto, não concordo que acabar com o carro e passar ao transporte colectivo baixasse o défice pela simples razão da economia estar formatada para uma indústria que deixaria de existir.

          Quanto ao mito, repondo em baixo.

  2. Pedro M says:

    Uns númerozinhos sobre o mito da “vaca do leite” que é o automóvel:
    Receita fiscal associada ao automóvel em 2009: 3700 milhões
    Rendas das SCUT a partir de 2014: 1100 milhões por ano
    Orçamento da EP só para Lisboa em 2009: 850 milhões

    Só com dois items vão logo ao ar metade da receitas fiscais (faltam todas as outras). O Estado (nós) pagamos a diferença e depois o carro até parece barato quando fazemos contas de algibeira sem ligar a nenhuma externalidade. Para mim parece aquela história do barato sai caro.

    • jorge fliscorno says:

      Que receitas fiscais são estas? O Imposto Único?

      Bom, há várias receitas fiscais:
      IU

      IVA sobre combustíveis

      Imposto sobre os produtos petrolíferos

      Estacionamento. Só neste aspecto, é de ver este post: http://aventar.eu/2011/07/12/emel-e-os-estacionamentos-em-lisboa

      Portagens

      IVA sobre a compra do veículo

      Impostos cobrados às empresas relacionadas com o sector automóvel (é de notar que maior sector de transportes públicos traz muito menos receita fiscal, graças à optimização de recursos)

      Quanto às SCUT, são o buraco que são não por causa do automóvel mas por se ter optado por uma política de obras públicas como forma de artificialmente inflacionar o crescimento económico, sem se atender à real necessitasse da obra e recorrendo a um modelo de financiamento absolutamente desastroso (fazer agora sem dinheiro, pagar depois).

      • Pedro M says:

        Estes 3700 milhões são uma estimativa para 2009 que não inclui receitas de portagens nem de estacionamento. Mas bastava no campo das despesas corrigir com as rendas das SCUT e com as despesas de construção/manutenção de estradas – em média mais de 50% do orçamento das autarquias vai para este item, pense-se quantos cabazes sociais podiam ser comprados com um pouco mais de planeamento urbano!

        Concordo que eliminar metade dos carros é utópico e que a economia e sociedade estão adaptados, por livre vontade, a utilizar este meio de transporte. Mas já não é idealismo se pensarmos num plano de 20 anos para realizar este objectivo.

        • jorge fliscorno says:

          «Mas já não é idealismo se pensarmos num plano de 20 anos para realizar este objectivo»

          Concordo. Estava a escrever umas coisas sobre isto para um post,

  3. José Pinto says:

    Tocaram ao de leve um ponto importante aqui: as concessões de estradas e autoestradas, com ou sem portagem, SCUT etc. Antes o Estado detinha as estradas e tratava da sua construção e manutenção. Depois, como queriam fazer mais e mais sem dinheiro, contratos de concessão foram feitos a torto e a direito para que os privados investissem na construção e manutenção ficando o estado com pesadas rendas a pagar ao concessionário. Assim, nos primeiros anos “escondeu-se” a despesa dessas novas estradas para não estragar o deficit, agora aí estão essas rendas avultadas para apagar. Como era desagradável renegociar esses contratos nas mãos de “empresas amigas do regime”, toca de aumentar impostos em nome da “austeridade”.

  4. João Pimentel Ferreira says:

    Veja este link por favor
    http://www.veraveritas.eu/2013/02/carro-ou-comboio.html

    Atentamente


  5. Viajar de carro é uma opção mais confortável porque somos nós que fazemos os nossos horários e se optarmos por procurar carros de aluguer em Aluguerdeautomoveis24.pt vamos encontrar preços baixos garantidos.

    • João says:

      Então é porque nunca fez as suas contas em autocustos.pt. O custo de um carro pode chegar aos 500€ por mês.


  6. O comboio é energéticamente 20 vezes mais eficiente que o automóvel. É muito mais amigo do ambiente, mais confortável para distâncias superiores a 40km, podemos trabalhar com portátil ligado à net e para países sem recursos petrolíferos como PT é uma opção estratégica. Só os idiotas e os carrocratas é que não vêm isto


  7. When they don’t pay you will need to decide which type of insurance dedicated fund insurance that provides compensation to victims of
    car accidents happening. During times of accidents or citations a driver receives plays a role in
    the premiums you pay depend on the individual.

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