Hooligans

-Tenho lido por aí algumas mentes um pouco mais exaltadas, certamente entusiasmadas pelo Verão, época do ano onde sempre se bebe um pouco mais para refrescar, tentando evitar delírios provocados pela subida de temperatura, que nos últimos dias tem afectado o território português. Em Portugal e não só, há quem pretenda ver no comportamento dos arruaceiros ingleses, sinais de uma revolução que tarda, mas lamento meus caros, não passam de um bando de desordeiros, vulgares ladrões, reles escumalha, que se julga no direito de possuir telemóveis topo de gama ou roupa de marca, sem terem de pagar. Por cá também existem alguns, como em qualquer outro país do mundo. Não vejo saques em padarias ou supermercados para matar a fome, aquilo é outra coisa, hooliganismo a fazer lembrar as temíveis claques de futebol nos anos 80, que após algumas vítimas foram colocadas na ordem pela senhora da foto e banidas dos estádios, permitindo ao futebol inglês ser hoje um lugar respeitável, local de festa, com a presença de famílias enchendo estádios, bem diferente do que se passa por cá. David Cameron nem precisa procurar muito longe inspiração para resolver a questão, bastará percorrer os quadros na sede do seu partido.

 

Comments

  1. José Caetano says:

    O hooliganismo foi o resultado das politicas populares da sinistra Margaret e a reles escumalha que quer ter telemóveis é o produto da destruição dos estados-bem-estar como os conhecemos na Europa, Estes comentários são a versão que vai intoxicar a opinião publica a fim de demonizar quem se mostrar descontente. Inicialmente a escumalha jornalista referiu-se a anarquistas, mas logo o termo foi substituído por gangs. Termos terminados em istas não são facilmente demonizáveis em democracia. Curiosamente só ao terceiro dia deram ordem à policia de usar equipamento adequado a motins, isto tem uma explicação, Nos dois primeiros dias alguns que usavam capuz e vandalizavam não são os mesmos que agora por dinâmicas destes actos vão começar a vandalizar, só estiveram a dar o mote, o que vem a seguir é que é para aniquilar.
    Há fotos de “gangs” com botas iguais às da policia (pode ser apenas moda, mas…).
    Vi alguns “pacatos” cidadãos de extrema direita dizendo que vão chamar a si o trabalho mal desempenhado da policia e não houve reacção das autoridades. Em caso de “policiamento popular” a ordem imediata é de recolher obrigatório. De outro modo, teremos uma ameaça de guerra civil. Enfim, estão a semear a destruição da nossa querida Europa, da forma mais infame.

    O que mais me agonia são os discursos dos fdp:


    • Documente-se. Muito antes de Margaret Tatcher subir ao poder, já o hooliganismo proliferava nos estádios de futebol em Inglaterra e um pouco por toda a Europa, nas cidades que tinham a infelicidade de receber a visita de clubes ingleses. Principalmente na U.E., o que não acontecia com Portugal, pois aderimos à então CEE, após a tragédia de Heysel.Margaret Tatcher declarou-lhes guerra e baniu-os. Ainda hoje existem desordeiros que estão impedidos de ver um jogo. E por cá?

  2. Rodrigo Costa says:

    Quando me perguntam o que acho do terrorismo, eu respondo “depende”. Para dizer, primeiro, que há dois tipos de terrorismo, o de gabinete e o outro.

    Sobre o de gabinete, conta com a cumplicidade consciente ou inconsciente dos governos; o outro, desde que seja bárbaro, desde que seja a investida da besta sem carácter selectivo, não tem desculpa; porque fere e mata, destrói, pessoas e valores sem qualquer culpa; eu diria, até, que, na maior parte dos casos, nem sequer há pensamento político, há banditismo; porque, quando há pensamento político, antes de se incendiar a casa ou o carro dos vizinhos, leva-se a contestação —seja ela o que for— junto das autoridades, das pessoas responsáveis pelo desconforto —havia de ser bonito, se, de cada vez que saisse uma lei que eu achasse que me prejudicava, descesse as escadas e incendiasse o café que fica aqui ao lado, e estilhaçasse todos os carros por aqui estacionados, sendo que muitos deles são propriedade de pessoas tão ou mais pobres do que eu.

    Repete-se Paris, porque as pessoas estão à espera de que lhes dêem a oportunidade de poderem ser o que são.

    O que está em causa não é se as medidas tomadas pelos governos estão ou não erradas —já sabemos que, infelizmente e muitas vezes, estão—; o que está em causa é o modo como se reage; a insensatez com que se põe em perigo vidas que não têm culpa, que são inocentes, porque nada decidem.


  3. O António prefere essa “senhora”, amiga e ainda hoje fiel defensor de Pinochet, o ditador que matou milhares no Chile. Para se ser escumalha parece que só com tez mais escura e com uma linguagem de quem revela que não teve acesso à educação.


  4. Não vamos misturar questões. Em relação ao Chile, também posso concordar com muita da política económica de Pinochet, tal como Margaret Tatcher ou Ronald Reagan concordaram, é outra questão. Mas em relação à privação de Liberdade, nem pensar em ceder um milímetro, a Liberdade é para mim o mais importante dos valores, ao ponto de nem por pão a trocar. Quanto a racismo ou xenofobia, não me conhece, de contrário saberia que não dou para esse peditório, pelo contrário, várias vezes tenho afirmado que não são da nacionalidade A ou B, de raça X ou Y, interessa-me saber sim se são criminosos…
    Julgo que respondi às observações que colocou.

  5. Ricardo says:

    Usar termos com “esculmalha” “vandalos” “arruaceiros”, etc é de quem (pelas suas razões, quando as tem) não pensa nas causas profundas destes acontecimentos. É evidente que estes adolescentes, crianças (e não só), devem ser impedidos de fazer isto e até presos se necessário. Mas é preciso pensar para resolver. O que é que é preciso para que coisas destas não aconteçam?

    Estas situações são autênticos doces para os de extrema direita. Os de extrema direita dirão “é preciso expulsar estes tipos do nosso país”. A extrema direita, meus caros, é o animal que se assume como tal, pensando com a parte inferior do corpo. Quer sangue.
    No extremo oposto (salpicado de algum temperamento, claro – é preciso deter quem comete crimes) está a vontade de construção e mudança. Mudança para uma sociedade melhor e mais equilibrada.

    Os de estrema direita pugnam pela destruição, manutenção desta sociedade e da continuação dos desequilibros sociais. Poder aos mais fortes e miséria aos mais fracos a la Darwin…

    Os justos, os que pensam com a parte superior do corpo, querem uma socidedade justa, querem que os mais fracos se tornam fortes.

    Assim, a primazia deve ser dada ao bem estar de todos os seres humanos. A economia deve submeter-se a esse principio e não o contrário.


    • Não sou de extrema-direita. Não distingo criminosos pela cor da pele, para mim é penas severas para todos, pouco me importa a origem. A economia não se deve submeter a qualquer princípio, isso é o que têm feito todos os governos há décadas, com os resultados que se conhecem, ao invés se ela funcionasse livremente, o sistema proporcionaria uma melhor distribuição, mesmo que nas margens existam e sempre irão existir, os que não querem trabalhar mas procuram dinheiro fácil. Nas margens e não só, no núcleo também existem fraudes e esquemas, mas esses casos de Justiça e não problemas políticos ou económicos. Só que o poder político tem vindo a retirar dinheiro à economia, para depois redistribuir umas migalhas, quando a maior parte serve para engordar a máquina burocrática, o funcionalismo, criando uma espécie de casta. O problema dos Estados reside aí, essa máquina precisa de mais dinheiro para continuar a funcionar, os impostos estão a atingir o limite do tolerável…

  6. Ricardo says:

    “A economia não se deve submeter a qualquer princípio”

    Pois aí, meu caro, eu posso até ser a noite (não me importo que até gosto de contemplar as estrelas) equanto você é o dia. Mas é que para mim você está completamente errado.

    “isso é o que têm feito todos os governos há décadas, com os resultados que se conhecem, ao invés se ela funcionasse livremente, o sistema proporcionaria uma melhor distribuição, mesmo que nas margens existam e sempre irão existir, os que não querem trabalhar mas procuram dinheiro fácil.”

    Bendita alguma regulação que ainda vai havendo, se isto fosse a selva… Se a economia fosse completamente livre para voce a Terra seria o Paraiso, para mim daria no Inferno. E agora? Quem tem razão? Só acontecendo e vendo. Não se ponha a dizer coisas que não sabe. São o mesmo que asneiras.

    Insisto:

    “A economia não se deve submeter a qualquer princípio”

    Epá eu tenho outra visão do mundo:

    O bem estar do ser humano é a lei das leis. Do ser humano e já agora do Planeta que é a nossa Mãe, e dos seus habitantes.

    Uma economia completamente livre proporcionaria tal bem estar, acha você? Acha?

    O ser humano precisa de economia? O que é isso da economia? O que eu sei é que o ser humano necessita em primeiro lugar de respirar de comer e de beber, depois de se sentir seguro, depois de ter uma habitação, depois de ter afectos e relações positivas, depois de sentir útil, depois de se sentir reconhecido e finalmente de ter uma sensação de autorealização (Maslow).

    A economia que eu saiba tem a haver com o facto de os recursos serem finitos. Há que saber geri-los – logo isso já é uma limitação à actividade económica. Quer dizer a economia é limitada por definição, é não livre por definição. Mas o que é que estamos a fazer? Estamos a f*d*r o Planeta Terra.


    • Estamos em profundo desacordo ideológico, mas isso ficará para uma outra oportunidade num post sobre economia. Eu não defendo que se deva abolir completamente a regulação, devem ser observadas um conjunto mínimo, para garantir uma saudável concorrência e impedir práticas desleais ou abusos… Mas sou adepto de governos com poder muito reduzido, baixa carga fiscal e atribuir ao Estado apenas um papel de garantir o funcionamento da Justiça, segurança e administração (reduzida ao mínimo indispensável), com a consequente descida dos impostos. Para mim, eu sei melhor como gastar o meu dinheiro, que o Estado…