Isto dá jeito, dá

Isto do pessoal se manifestar a destruir o que é dos outros é muito giro, sim senhor. E dá jeito, também. O pessoal liberta o stress e os outros pagam a conta.

Tal como aqueles que enriquecem à custa da estupidez de quem pede emprestado com juros de 20% a 30% para comprar carro, ir de férias ou fazer extensões no cabelo. Também lhes dá jeito que haja gente que se proponha a asfixiar-se financeiramente pela vaidade, pela inveja ou pela futilidade.

Como dá jeito a quem se endividou estupidamente assim, chamar nomes aos credores quando estes vêm cobrar o que é deles.

Aos governos também dá jeito aproveitar a crise provocada pelo endividamento com que eles mesmos também foram coniventes ao longo de anos, em governações alternadas – ou melhor dizendo, alternadeiras – para agora fazerem aquilo que em outras ocasiões não havia lata para fazer.

Ou seja: uns têm uma boa desculpa para destruir o que é dos outros – seria bom de ver a reacção deles se fosse gente partir o que é deles a título de protesto; outros podem impor as suas regras aos dependentes do seu produto – tal como um dealer faz a um drogado; outros podem chamar nomes a quem lhes fez as vontades, agora que cobram a factura; e outros, ainda, têm a oportunidade de deitar as garras de fora e mostrarem quais são os seus desígnios.

Apesar dos argumentos expostos pelos nossos Ricardo e JJC, para mim nada justifica que  a coberto do direito de protesto se destrua propriedade alheia. Isso não é manifestão, é vandalismo.

Comments

  1. afonso says:

    oh se tudo fosse assim tão simples, tão a preto e branco, tão razoável, tão senso comum, tão politicamente corecto. oh se…


  2. Não existe ali qualquer atitude política, nem objectivo a alcançar, salvo na escolha dos objectos a roubar, porque é disso que se trata, são ladrões, hooligans e ainda por cima burros. Serão as suas próprias comunidades que os irão derrotar.

    • afonso says:

      lamento, não concordo com as vossa visões simplistas destes comportamentos sociais. lembram-se de Los Angeles? começou assim também … e teve resultados socialmente positivos, assim que sararam as feridas dos saques …

      o tipo de sociedade criada ao longo das últimas décadas tem o seu resultado nisto…se são ladrões, hooligans e burros como diz, porque será? o que falhou na educação de tantas pessoas , o que falhou na perspectiva de futuro que muitos já tiveram ? estes guetos de pobreza foram criados por quem?
      como alguém ontem escrevia, se acham que esta “violência ignorante” não tem que ver contigo, és bem capaz de ser parte do problema.

      A culpa é de todos nós, não há aqui bem nem mal, nem errado nem certo.
      na véspera dos “riots” houve uma manifestação de cerca de 2000 pessoas que terminou juntos à Scotland Yard , foi pacífica e sem problema algum. passou na tv? não. algum dos jornais cá do burgo fez disso primeira página? não.

      depois há 100 ou 200 pessoas mais revoltadas, mais uns quantos que se aproveitam, e lá vem meio mundo acusá-los de vândalos e detentores do que convencionaram chamar violência ignorante, como que a justificar a existência de uma qualquer violência inteligente. deve ser a de políticos e banqueiros e respectivos agentes corporativos que todos os dias violentam os mais variados países empurrando-os para a miséria e pobreza, sem nada que lhes alimente a esperança de um futuro digno. essa sim, é justificada por ser inteligente, essa sim é burra, digo eu.
      já esteve mais longe cá, espero que não aconteça, mas se acontecer não vai ser aos
      “violentos ignorantes” que vou apontar o dedo…


      • São exactamente esses 100, 200 ou 1000 mais exaltados, que actuam em matilha, a quem aponto o dedo. Não aos milhares que podem ter justificadas razões para protestos legítimos. Não passou nas notícias uma manifestação anterior? Talvez porque 2000 num universo à escala de Inglaterra não sejam de facto notícia, não sei, mas certamente que o serão quando aumentarem de número. Nada justifica a pilhagem, excepto de facto quererem os objectos sem terem de pagar… Mas a isso, chamo roubo!!!

  3. afonso says:
  4. Rodrigo Costa says:

    Meus a caros, deixo à consideração o seguinte, parecendo nada ter a ver:

    Todos sabemos em que estado a Amy Winehouse morreu; começamos a saber em que estado —o que é pior— viveu, e assistimos a um pai que, na realidade, nunca lé esteve, dirigir-se, agora, ao governo, pedindo/exigindo medidas de combate às dependências, da droga, essencialmente.

    Se eu fosse o ministro ou o secretário de estado que o recebesse, depois de o deixar falar, perguntar-lhe-ia se, por acaso, não era aquele senhor que, desde o balcão, sorria, quando a filha, grogue, entre duas canções, perguntava onde estava o pai. Como confirmaria, pedia-lhe o favor de sair, por ter coisas mais séria para tratar.

    O pensamento político —até por se chamar pensamento— exige educação, não pode ser o subterfúgio de manadas de surrelfas. Nenhum, pensador, político ou outro, sai para a rua e se despacha a partir montras, roubar frigoríficos e torradeiras, e a derreter tudo quanto é automóvel, sendo que, o que está mais próximo, há-de ser, maioritariamente, de pessoas com o mesmo grau de dificuldade.

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