Baronesa Johanna Von Westphalen da Prússia, redactora e autora do Manifesto Comunista

Jenny

«Finalmente pensaram a frase, pronunciada por Jenny: proletários do mundo, uni-vos. Quem finalmente escrevera o Manifesto Comunista fora Johanna von Westphalen, denominada a baronesa vermelha».  (excerto do meu livro Marx, um devoto luterano (2010). Dedicado aos colegas aventares que são da minha cor e ideologia)

 

Muitas surpresas foram encontradas na pesquisa que fiz para este livro. A primeira, os comentários de Ratzinger sobre Karl Marx e o apoio que procurou nos seus conceitos para escrever o seu livro Jesu von Nazareth, Editora Vaticana, Estado Vaticano, Roma, traduzida ao português no mesmo ano como Jesus de Nazaré, Esfera dos Livros, Lisboa.
Diz Ratzinger após leitura de obra de Marx, obra que conhece de forma profunda e na que se baseia para governar como Papa Bento XVI, ao falar e condenar o sistema capitalista, estas palavras: Entre a bibliografia de Ratzinger, aparece o livro de Marx de 1846: A Ideologia Alemã, citado e com palavras que louvam o fundador do socialismo científico. Pelo facto inusitado de um Papa Romano falar do considerado inimigo da Igreja Católica, noção que em parte nenhuma da obra de Marx aparece, as notícias voaram. Uma diz: Em seu primeiro livro como Papa, o alemão Joseph Ratzinger condenou duramente as nações ricas por pilharem o Terceiro Mundo e elogiou Karl Marx.

Bento XVI diz que, ávidas por poder e lucro, as nações abastadas pilharam e saquearam sem piedade África e outras regiões pobres, exportando o cinismo de um mundo sem Deus. O Papa também condena na obra o tráfico de drogas e o turismo sexual, sinais de um mundo de gente vazia cercada por abundância material.Texto em:  http://opiniaoenoticia.com.br/cultura/bento-xvi-elogia-karl-marx/.

Outra opinião diz: o que ocorreu foi que o Papa Bento XVI fez algum comentário em que assinala a importância do trabalho do filósofo alemão a respeito da “exploração do homem pelo homem”, ou seja, Marx, no século XIX ,foi o primeiro teórico a sistematizar e problematizar a condição de vida dos trabalhadores com uma dura crítica à situação de pobreza causada pela exploração selvagem da força-de-trabalho. Assim, ainda que em princípio os métodos da teoria marxista sejam dicotómicos com os valores cristãos, isso não significa que a Igreja não tenha reconhecido a importância dessa filosofia na denúncia das injustiças. Aqui.

Outro comentário, da AFP, acrescenta entre outras palavras: A “parábola do bom samaritano”, na qual Jesus explica aos seus discípulos a universalidade da noção do “próximo”, permite a Bento XVI falar da “sociedade globalizada” e “das populações de África, roubadas e pilhadas” material e espiritualmente pelo “estilo de vida” das sociedades ocidentais.

Joseph Ratzinger fala também de Karl Marx que “descreveu com vigor a alienação do homem”, “mesmo se não tenha percebido a verdadeira profundidade da alienação porque reflectia sobre a questão apenas em termos materiais”. Comentado em: http://bbb.globo.com/BBB7/Internas/0,,AA1509658-7530,00.html.

“Depois de ler o livro (A ideologia Alemã) e os comentários, bem como a obra de Karl Marx ao longo dos meus anos de vida, não me restava alternativa: procurar conhecer a vida íntima deste autor e a sua dinâmica para lutar contra a pobreza, a exploração e a alienação, que, contrariamente ao afirmado por Ratzinger, percebeu muito bem.

Eis o motivo para o aparecimento deste livro. O que sobre ele encontrei durante as pesquisas efectuadas deixou-me mais do que impressionado. Pensava conhecer Karl Heinrich, mas à medida que ia descobrindo a sua vida privada e as suas lutas políticas, senti-me compelido a escrever este texto. Aprendi tanto que senti nascer em mim, um novo objectivo de vida.” Pp. 256 e seguintes

O que comenta o Papa católico romano é mais amplo: Jesus de Nazaré[1], era uma análise da vida do profeta Jesus, comentando como Marx entendeu no seu texto A Ideologia Alemã, de 1846, o conceito de alienação, temática sobre a qual Jesus pregava. O livro, que li em português, juntamente com o meu saber sobre a obra e vida de Karl Marx, para além do meu próprio interesse como investigador da religião, suscitou-me uma interrogação, quem era Karl Marx? Terminada a sua leitura, reparei que essas duas espadas (Jesus/Marx) de luta contra a injustiça social, que pareciam ser de diferentes bainhas, o não eram.

Foi-me, por isso, imperioso escrever este texto, abandonando outras sessões, para outros livros assim adiados. Acaba os comentários sobre a obra de Marx, acrescentando que era triste que Marx não fosse católica, a sua obra seria ainda mais aprofundada, por saber patrística e teologia. Apenas que Ratzinger esquece que Marx era luterano e praticava a sua fé, baseada na confissão católica, como um devoto crente, baptizava os seus descendentes e os enviava a missa luterana dominical e a catequeses, convertera a sua mulher, católica romana por ser membro da Corta do Rei de Prússia, católicos como era a tradição quando o Estado era Império e na Monarquia posterior, nas datas em que os principados alemães se unificaram, em 1871, narrado no meu livro supra citado.

Ratzinger na sua profunda fé romana, esquece comentar sobre estes factos, que bem conhece pelos seus estudos de história, esquece comentar a Wilhelm I e a o denominado Chanceler de Ferro, Otto von Bismarck. O Império Alemão (em alemão Deutsches Reich, também chamado por Kaiserlich Deutsches Reich ou Kaiserreich por alguns historiadores alemães) foi um Estado, na região da actual Alemanha, governado pela Casa von Hohenzollern. Existiu desde a sua consolidação como Estado-nação em Janeiro de 1871 (fim da Unificação Alemã) até à abdicação do kaiser Guilherme II em Novembro de 1918, após a derrota na Primeira Guerra Mundial.

Foram, porém, as minhas surpresas estas leituras, antes de uma terceira, historiografada mais em frente.

Johanna von Westphalen era Freiin, por ser filha do Jenny (Johanna) Von Westphalen. Nasceu no seio de uma família proeminente de Trier, que tinha acesso à Corte, por causa dos seus pergaminhos, da doçura do trato, da educação esmerada e de corte, como todos os Westphalen tinham. Especialmente, Johanna, ou Jenny doravante: a sua beleza, o ar inocente que transparece nas cartas, nos textos escritos e fotos que tenho comigo, bem como o seu afamado dote de intérprete de música de piano e de escritora, faziam dela uma dama da Corte Real.

Jenny e Karl namoraram secretamente e, também em segredo, assumiram o compromisso matrimonial. Apesar da dura oposição das duas famílias, acabaram por casar em June 19, 1843 

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 Retrato de Jenny von Westphalen ou a  Jenny von Westphalen e o seu bom humor, Baronesa que tudo deixou pelo seu Otelo.

Johanna tinha os seus próprios dotes. Escrevia críticas e recensões sobre teatro, música e obras literárias. Excelente escritora de cartas e poemas, que não cito por serem muitos e extensos. 

Jenny, reconhecida como a beldade de Trier, bem podia, quando a ocasião era propícia, sustentar e mostrar o seu rol de beleza e dama da corte real na perfeição. Essa beleza exercia atracção sobre muitos jovens que queriam namorar com ela. Jovens da sua classe e posição social, pessoas de bem para a ética desses tempos e com riqueza própria.

O desfecho foi inesperadamente outro. Escolheu um filósofo judeu – luterano, pobre e sem trabalho. Porquê? Pelo seu temperamento. Karl Heinrich era, para ela, um homem lutador e defensor dos que nada tinham e alçava-se contra os perseguidores dos correligionários da fé original de Karl Heinrich, os judeus da Prússia e da Alemanha. A recensão do texto de Bruno Bauer,

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A Questão Judaica[13] e a Crítica da Filosofia do Direito de Hegel[14], escritos e datados do mesmo ano do matrimónio, fizeram-na sentir uma maior admiração pelo homem que amava.

Jenny, como sabemos, admirava e protegia literatos, escritores e poetas, colaborava de forma literária, dava apoio ético e económico: tinha meios para o fazer. Se o homem dos seus amores se intrometia com textos muito bem escritos para a salvação dos oprimidos e era capaz de desafiar filósofos afamados como Hegel, ele era, em seu entender, um homem valente e arrojado. Valentia e sedução renderam uma mulher de valor, bem-criada e bem-educada e, também ela, uma excelente escritora. A sua paixão era a poesia e o seu sonho, inspirar até ao sublime um jovem poeta. Karl Heinrich, nesses tempos, escrevia poemas e textos sobre a verdade nua e crua da vida social, como o livro O Suicídio e os artigos publicados no seu jornal.

Aos seus olhos ele era o seu herói: sabia bater-se contra cristãos que praticavam a sua fé muito distante da liberalidade que o seu namorado tinha. Uma outra característica de Jenny era a dedicação até à devoção, primeiro, ao seu pai e ao seu irmão Edgar,  mais novo do que ela, e amigo íntimo de Karl Heinrich. No Ginásio partilhavam a mesma carteira, e era amiga fiel de Sophie, a irmã mais velha de Karl Heinrich: trocavam livros bem como confidências sobre a natureza da vida, a poesia e a humanidade tão dividida. As confidências mais importantes, entre elas, abordavam os seus namoros. Sophie Schmalhausen-Marx foi escritora e a sua filha Caroline Schmalhausen também. Para saber mais, pode aceder ao meu livro Marx, um devoto luterano.

Esta história prévia é apenas para sintetizar o mais importante. No dia em que Kerl Heinrich declarou ao Barão, seu amigo, a paixão que sentia pela sua filha, o pai de Jenny ficou furioso: desconfiava deste filósofo socialista, mandou sair de casa e nunca mais falou com ele. Os amigos vizinhos separaram-se. O 2º Barão Westphalen faleceu, o filho mais velho do primeiro matrimónio, Freiherren Ferdinand von Westphalen, não admitiu este matrimónio. Teimosos, Karl e Johanna casaram. Ao matrimónio compareceram apenas a mãe de Jenny e o seu irmão Edgard.

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A questão começa neste ponto. O que teria sido de Marx, que escrevia mal, fazia gralhas, não estava bem documentado, sem a sua Jenny?

É sabido e conhecido que Marx cumpria rigorosamente as regras judaicas, como as luteranas. Judeu como era, apenas tomava banho às Sexta-Feiras para comemorar o sabat judaico. Jenny respeitava as crenças do seu marido, mas, como Freiina ou dama de corte que era, também não suportava casas mal limpas, roupa suja ou mal lavada, corpos desajudados, os maus costumes. Lavava a roupa da sua família toda, não havia dinheiro para servidores, excepto uma empregada. Marx teve mais um filho com a empregada da família Helena Demuth chamado Frederick Delemuth. Mas Engels, a pedido de Marx, o adoptou, pagou os seus estudos e passou, em adulto, a ser advogado. Sem saber que era o seu pai, defendeu-o por causa de direitos de autor. Tinha escrito, em 1852, o livro O 18 Brumário de Luís Napoleão Bonaparte em que denunciava os actos criminosos do Imperador e como de Presidente da República, se auto nomeou Imperador, sendo o seu reinado de 17 anos. O livro vendeu bem, mas os direitos de autor não eram pagos, como outros livros seus. A causa foi ganha e os Marxs, finalmente tiveram dinheiro deles e não do Milionário protector Fredrich Engels.

Como Freiriin que era, ignorou esse nascimento e a traição do marido, que bebia muito e numa bebedeira, foi adúltero. Não despediu a empregada, mas organizou uma viagem para levar as netas as avós maternas, ao longo de vários meses. Passada a sua tristeza, tornou a casa e continuou a colaborar com o Urso, como ela o denominava. Em Marselha foi-lhe solicitado, em 1887, escrever um Manifesto para comemorar os 100 anos da morte de Babeuf, guilhotinado pelos seus colegas de partido por ter escrito o Manifesto dos plebeus. O debate sobre o que escrever foi cumprido. Como era normal, Jenny assistia a esses debates, apesar do cansaço que levar a casa, lhe dava procurar crédito para a manter, porque os livros de Kart Heinrich não vendiam bem. Eram livros de ciência e política. Mas ela, em silêncio, ouvia e calava. Finalmente pensaram a frase, pronunciada por Jenny: proletários do mundo, uni-vos. Foi a ponta pé de saída. Passou a noite inteira e parte da manha a redigir e escrever o Manifesto do Partido Comunista. Mas nem todos os bauvesianos eram pela ideia de por os bens em comum, e Jenny chamou a atenção sobre o facto e o Manifesto, publicado na França e em francês, passou, até o dia de hoje a ser chamado o Manifesto Comunista. Fez honra a Grachus Babeuf e a todos os bauvesianos. Engels tinha poucas ideias, interessado sempre nas suas indústrias, Karl Heinrich, sempre em procura da fórmula do capital. Quem finalmente escrevera o Manifesto Comunista, foi Johanna von Westphalen, denominada a baronesa vermelha. Não se enganem, o famoso Manifesto é das ideias de Marx, redigidas e com os objectivos luteranos, da baronesa vermelha, de quem ninguém se lembra. Este texto, é para saber da sua profunda convicção de sermos todos iguais e de partilhar os nossos bens….como ela fez ao abandonar a Corte Imperial e casar com um homem que adorava por paixão e por ter mudado o mundo…

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Jenny e Karl no dia do seu matrimónio


[1] Ratzinger, Joseph, 2007, Jesus de Nazaré, Esfera dos Livros, Lisboa. Comentado pelo autor em: http://www.esferadoslivros.pt/livros.php?id_li=%2078 Entre a bibliografia de Ratzinger, aparece o livro de Marx de 1846: A Ideologia Alemã, citado e com palavras que louvam o fundador do socialismo científico. Pelo facto inusitado de um Papa Romano falar do considerado inimigo da Igreja Católica, noção que em parte nenhuma da obra de Marx aparece, as notícias voaram. Uma diz: Em seu primeiro livro como Papa, o alemão Joseph Ratzinger condenou duramente as nações ricas por pilharem o Terceiro Mundo e elogiou Karl Marx.

Bento XVI diz que, ávidas por poder e lucro, as nações abastadas pilharam e saquearam sem piedade África e outras regiões pobres, exportando o cinismo de um mundo sem Deus. O Papa também condena na obra o tráfico de drogas e o turismo sexual, sinais de um mundo de gente vazia cercada por abundância material.Texto em:  http://opiniaoenoticia.com.br/cultura/bento-xvi-elogia-karl-marx/. Outra opinião diz: o que ocorreu foi que o Papa Bento XVI fez algum comentário em que assinala a importância do trabalho do filósofo alemão a respeito da “exploração do homem pelo homem”, ou seja, Marx, no século XIX foi o primeiro teórico a sistematizar e problematizar a condição de vida dos trabalhadores com uma dura crítica à situação de pobreza causada pela exploração selvagem da força-de-trabalho. Assim, ainda que em princípio os métodos da teoria marxista sejam dicotômicos com os valores cristãos, isso não significa que a Igreja não tenha reconhecido a importância dessa filosofia na denúncia das injustiças. Em:  http://br.answers.yahoo.com/question/index?qid=20070405132309AAysHRx.

Outro comentário, da AFP, acrescenta entre outras palavras: A” parábola do bom samaritano”, na qual Jesus explica aos seus discípulos a universalidade da noção do “próximo”, permite a Bento XVI falar da “sociedade globalizada” e “das populações de África, roubadas e pilhadas” material e espiritualmente pelo “estilo de vida” das sociedades ocidentais.

Joseph Ratzinger fala também de Karl Marx que “descreveu com vigor a alienação do homem”, “mesmo se não tenha percebido a verdadeira profundidade da alienação porque reflectia sobre a questão apenas em termos materiais”. Comentado em: http://bbb.globo.com/BBB7/Internas/0,,AA1509658-7530,00.html.

Depois de ler o livro e os comentários, bem como a obra de Karl Marx ao longo dos meus anos de vida, não me restava alternativa: procurar conhecer a vida íntima deste autor e a sua dinâmica para lutar contra a pobreza, a exploração e a alienação, que, contrariamente ao afirmado por Ratzinger, percebeu muito bem. Eis o motivo para o aparecimento deste livro. O que sobre ele encontrei durante as pesquisas efectuadas deixou-me mais do que impressionado. Pensava conhecer Karl Heinrich, mas  à medida que ia descobrindo a sua vida privada e as suas lutas políticas, senti-me compelido a escrever este texto. Aprendi tanto que senti nascer em mim, um novo objectivo de vida.

[3] A Universidade de Bona (em alemão: Rheinische Friedrich-Wilhelms-Universität Bonn) foi fundada em 18 de Outubro de 1818, pelo então rei da Prússia Frederico Guilherme III, que governou a Renânia, integrada na Prússia desde 1815. A instituição precursora da universidade foi a Kurkölnische Akademie Bonn (Academia do Príncipe – eleitor de Bonn), fundada em 1777 por Maximilian Friedrich de Königsegg-Rothenfels, o príncipe – eleitor de Colónia. Influenciada pelo Iluminismo, a nova academia, não sectária e laica, possuía inicialmente as faculdades de Teologia, Direito, Farmácia e Estudos Gerais. Em 1784 o imperador José II outorga-lhe o direito de conferir graus académicos (licentia doctorandi e philosophiae doctor), transformando a academia em universidade. Entre os docentes e estudantes mais famosos que por ai passaram, destaco dois: Karl Marx  e Joseph Ratzinger, Papa Bento XVI.  

[4] Lisete von Velteim, membro de uma antiga família nobre da Lower Saxon nobility (a documentação sobre esta família remonta a 1106), casou com o Barão por conveniência, tal como ele. Antepassado do Barão, foi Hans-Hasso Freiherr von Ludolf Martin Veltheim Ostrau (* 15 Outubro 1885 em Cologne, falecido a 13 de Agosto de 1956) foi um alemão Indologist, Anthroposophist, viajante por prazer pelo mundo inteiro ou world traveler, occultist e author. Foi da sua história que retirei estes dados sobre a primeira mulher do Barão Johann Ludvig von Westaphalen e o ninho de vespas no qual Karl Heinrich, na sua inocência, tinha entrado, mas que, mais tarde, avisado pela sua teoria materialista da história, soube resgatar Jenny para a sua utopia revolucionária, à qual ela tanto viria a contribuir. Fonte: http://en.wikipedia.org/wiki/Hans-Hasso_von_Veltheim.

[6] Wishart é um sobrenome, que tanto pode ser referente a Arthur Wishart, político canadiano, como à cantante Bridget Wishart, aos nobres escoceses de Pittarow (1742-1811), ou a um nome do povo escocês de família enobrecida. Nobreza que atinge o título de condes de Argylle que, em Celta, língua natural da Escócia, é designado por Earl of Argyll. Fonte: http://www.absoluteastronomy.com/topics/Jenny_von_Westphalen.

[7] Descendente de Sir John Wishart, Laird (em Galés, Lord em inglês) of Pittarow, foi um dos principais Barões Escoceses implicado na tentativa de reduzir o reino da Escócia e do de Inglaterra, à religião reformada de John Knox ou presbiteriana, como consta na História de Mary, Queen of Scotland and the isles, livro historiográfico da autoria de Stefan Zweig (historiador austríaco, refugiado dos Nazis no Brasil, em Petrópolis), editado em 1935 pela Viking Press Publishers, Nova Iorque, livro que me acompanha desde a minha infância. A sua história pode ser lida em:  http://pt.wikipedia.org/wiki/Stefan_Zweig .

[9] A história dos Condes de Argyll começa no Século XV, com o enobrecido de um membro da família Campbell, Colin Campbell, pelo Rei da Escócia, Jaime ou Jacobo II, em 1457, depois de este defender o monarca dos ataques dos eternos inimigos dos Stewart que governavam a Escócia: a família Douglass, pretendente do trono da Escócia, por serem chefes clânicos de grupos poderosos de escoceses. Eis, pois, a genealogia de Johana von Westaphalen, pelo lado materno. O que fazia Marx em toda esta história? É simples: estava enamorado da rapariga do lado, desde a sua mais tenra infância, como relatam os seus biógrafos. Jenny y Karl, que como está referido no texto central, casaram a 19 de Junho de 1843, no Kreuznacher Pauluskirche, Bad Kreuznach , viveram esse ano na rua Vaneau de Paris, fizeram amizade com o poeta alemão Heinrich Heine , vizinho da rua Matignon. Heine tinha nascido (1797) em Düsseldorf, membro de uma família judia. Converteu-se ao cristianismo em 1825, aos 28 anos de idade, em Paris França, e, em 1856, aos 59 anos, foi-lhe outorgada a nacionalidade francesa porque a Alemanha era considerada mais amiga do Imperador Napoleão I do que qualquer outro país da Europa. Toda a história pode ser lida no livro da autoria de Bosir Nikolaiewsky e de Ottto Maenchen-Helfen  intitulado Karl Marx. Man and Fighter (o capítulo 3 fala da vida de Johanna van Westaphalen), publicado em alemão em 1936. Em língua inglesa, foi editado em 2007, pela  Read Books Editora, Londres, texto que pode ser lido em:

[10] A genealogia paterna e materna de Johanna von Westaphalen, pode ser lida em: http://wapedia.mobi/en/Jenny_von_Westphalen. O seu parentesco com a nobreza escocesa, os Condes de Argyll, citados antes, em: http://www.google.pt/search?hl=pt-PT&q=Scottish+Nobility+Earl+of+Argyle&btnG=Pesquisar&meta=

Os Marx no dia do matrimónio, 19 de Junho de 1843 imagem obtida em 12.10.09, tal como a anterior e as duas seguintes, em: http://files.nireblog.com/blogs3/verbiclara/files/karl-marx_und_jenny-von-westphalen.jpg.

[11] Critical Articles by Jenny Marx 1. From London’s Theatre World, Londres, Novembro de 1875 em:  http://www.marxists.org/archive/marx/letters/jenny/reviews/75_11.htm . Ou críticas políticas, como: The London Season, Londres, Março de 1876 e, ainda: “Shakespearian Studies in England”, Dezembro de 1876; 4. “Shakespeare’s Richard III in London’s Lyceum Theatre”, Fevereiro de 1877; 5. From the London Theatre, Maio, 22, 1877.

[12]  http://www.marxists.org/archive/marx/letters/jenny/index.htm. Narro a descrição de Johanna e de Karl Heinrich em prolongada nota de rodapé no Capítulo 3, páginas que mudam conforme a dinâmica da escrita informática avança. Essas dizem: De olhos verdes, cabelo castanho (…).

Apenas um excerto de uma carta, escrita, desde Triers, a 21 de Junho de 1844, além de outra referida mais abaixo: Vês, meu querido, eu não me relaciono contigo, como a lei manda, nem solicito um olho por outro olho, um dente por outro, ou uma carta por outra; ao ser generosa e magnânima contigo, estou certa de que estas duas virtudes, que pareço possuir perante ti, um dia renderão um fruto de ouro, essas poucas linhas em retorno das minhas, linhas que o meu coração reclama com dor, poucas palavras que me digam que estás bem e tens saudades de mim. Adorava saber que me estimas, que sentes saudades minhas e que o teu coração te diga que precisas de mim (...). O texto original é em língua inglesa, a tradução, apressada e livre, é minha. O original pode ser lido em  http://www.google.pt/search?hl=pt-PT&source=hp&q=V%C3%AAs%2C+meu+querido%2C+eu+n%C3%A3o+me+relaciono+contigo%2C+como+a+lei+manda&btnG=Pesquisa+do+Google&meta=&rlz=1W1ADBR_en&aq=null&oq=, diz: As you see my dearest, that I don’t deal with you according to the law and demand an eye for an eye, a tooth for a tooth, and a letter for a letter; I am generous and magnanimous, but I hope that my twofold appearance before you will soon yield me golden fruit, a few lines in return, for which my heart is yearning, a few words to tell me that you are well and are longing for me a little. I should so like to know that you miss me and to hear you say you want me. A carta completa pode ser consultada em: http://www.marxists.org/archive/marx/letters/jenny/1839-jl1.htm.

[13] Bruno Bauer, (6 de Setembro de 180913 de Abril de 1882), filósofo, teólogo e historiador alemão. A Questão judaica (Die Juden frageBraunschweig), escrita no seu tempo de jovem hegeliano de direita, em 1843, quando abandonou o ensino académico pela troça que os seus colegas faziam dele. Traduzida para português por José Braz para The Marxists Internet Archive, pode ser lida em: http://www.marxists.org/portugues/marx/1843/questaojudaica.htm. A recensão aparece no jornal Deutsch-französische Jahrbürger, em Kreznauch antes de ir rapidamente para Paris. Mas não é a rapidez da escrita que faz do texto um debate interessante. Marx, como Jenny sabia, era bom escritor, arguto e detalhado. Nem uma vírgula fugia ao seu Karl Heinrich. Em trechos, Marx ironiza com Bruno Bauer, especialmente sobre a sua proposta de abolição das religiões que causavam, segundo ele, a separação entre a população. A meu ver, há uma profunda inocência na proposta de Bruno Bauer, ou, então, uma total ignorância das questões materiais que separavam judeus e cristãos. O texto A Sagrada Família, escrito por Marx e Engels em Novembro de 1844, aborda a temática criticamente do ponto de vista dos jovens hegelianos e a sua linha de pensamento que era muito popular em círculos académicos da época. Este texto, original, está acessível em língua alemã em: Complete German text (Die Heilige Familie). Existe uma recente tradução para luso-brasileiro da editora Boitempo, de São Paulo e Rio de Janeiro. Quanto à crítica da Ideologia Alemã, primeira edição, escrita por Marx e Engels em Bruxelas, entre Novembro de 1845 e Agosto de 1846, foi publicada pela primeira vez em russo nos Arquivos Marx – Engels, Livro I. 1924.
Fonte: Obras Escolhidas em três tomos, Editorial “Avante!”, texto completo em: http://www.marxists.org/portugues/marx/1845/ideologia-alema-oe/index.htm, especialmente a crítica A Questão Judaica, como o texto A Ideologia Alemã, [volume. II] 15-c. [8. Falta de fundamento da concepção anterior da história, a concepção idealista, particularmente da filosofia alemã pós-hegeliana] 34, em: http://www.marxists.org/portugues/marx/1845/ideologia-alema-oe/index.htm#n2.

[14] Crítica da Filosofia do Direito de Hegel (em alemão: Zur Kritik der Hegelschen Rechtsphilosophie), manuscrito do filósofo político Karl Marx em 1843, porém, apenas foi publicado, postumamente, em 1959, na União Soviética e, em inglês em 1963, numa colectânea de Thomas Burton Bottomore com Maximillian Rubel, editores do primeiro livro em inglês sobre o texto em epígrafe, que foi intitulado: Marx: Selected Writings in Sociology & Social Philosophy (London: Watts, 1956; Harmondsworth: Penguin, 1963) editor with Maximilien Rubel. O texto foi publicado como recensão no jornal Deutsch-Französische Jahrbücher, 7 e 10 February 1844, Paris, e diz que Hegel conceptualiza religião como o que existe de criticável nela. Debatem que o fundamento para uma crítica contra a religião seria: o homem faz a religião, na religião nenhum se tem encontrado a si próprio, nem se tem ganho a si ou perdido dentro dela No entanto, o homem não é uma entidade abstracta, acocorada ou escondida ilegalmente fora do mundo. O homem é, não faz o homem. A religião, em verdade, é a auto consciência de si, a auto estima, de quem em momento nenhum, se do a religião, que passa a ser uma consciência de um mundo virado do avesso. Por ser um mundo tem perdido no mundo, amparado por duas instituições: estado e sociedade. Estado e sociedade têm produzido hostilidade no seu amparo da religião. É a teoria geral deste tipo de mundo, o seu compêndio enciclopédico, a sua lógica popular, o seu espírito de ponto de honra ou point d’honneur, o seu entusiasmo, a sua punição moral, o seu complemento solene e a sua base de consolo e justificação. É o fantástico reparar da existência de uma essência humana, especialmente porque essa essência ainda não tem adquirido nenhuma realidade tangível. O esforço contra a religião traz a consequência de ser uma contenda indirecta contra esse aroma espiritual do mundo que denominamos religião. O original, em ingluês, diz: The foundation of irreligious criticism is: Man makes religion, religion does not make man. Religion is, indeed, the self-consciousness and self-esteem of man who has either not yet won through to himself, or has already lost himself again. But man is no abstract being squatting outside the world. Man is the world of man – state, society. This state and this society produce religion, which is an inverted consciousness of the world, because they are an inverted world. Religion is the general theory of this world, its encyclopaedic compendium, its logic in popular form, its spiritual point d’honneur, its enthusiasm, its moral sanction, its solemn complement, and its universal basis of consolation and justification. It is the fantastic realization of the human essence since the human essence has not acquired any true reality. The struggle against religion is, therefore, indirectly the struggle against that world whose spiritual aroma is religion. A fonte é o texto completo de Marx, primeira parte, publicado no seu jornal a 7 de Fevereiro de 1844, pode ser lido em: http://www.marxists.org/archive/marx/works/1843/critique-hpr/intro.htm.

Parece-me importante, para entender a recensão, acrescentar algumas ideias sobre um dos editores, Thomas Burton Bottomore (em sua memória, acrescento o que se segue): Thomas Burton Bottomore (1920-1992) era um Marxist sociologist Britânico. Foi Secretário da International Sociological Association, entre 1953 e 1959. Editor e tradutor político de textos marxistas, especialmente na sua colecção publicada em 1983: Marx’s Early Writings and Selected Writingsem Sociology and Social Philosophy. Foi Leitor em Sociologia na London School of Economics, desde 1952 até 1964. Presidiu ao Departamento de Political Science, Sociology and Anthropology, na Simon Fraser University, Vancouver entre 1965 e 1967, abandonando o seu posto de trabalho, depois de uma disputa com os seus colegas sobre liberdade académica. Foi Catedrático de Sociologia da University of Sussex, entre 1968 e 1985. Bottomore editou e contribuiu em várias publicações de sociologia e ciência política, editando o dicionário A Dictionary of Marxist Thought, em 1983 e The Blackwell Dictionary of Twentieth century Social Thought, em 1993. Bottomore foi membro do British Labour Party. A sua in memoriam completa, em: http://en.wikipedia.org/wiki/Thomas_Bottomore.

[15] Sophie Marx (1816-1886), escritora e poetisa, casou com Wilhelm Robert Schmalhausen, advogado e socialista. Fonte: http://genealogy.henny-savenije.pe.kr/tng/getperson.php?personID=I68490&tree=savenije. Sophie narra a genealogia de Karl Marx a que pode aceder em: http://www.marxists.org/glossary/people/m/a.htm . Sophie Marx, como o seu irmão Karl, tem o seu próprio arquivo, em: http://www.iisg.nl/archives/en/files/m/10872316.php, bem como na entrada Internet da página web: Sophie Schmalhausen-Marx (1816 – 1886). As cartas da filha de Sophie, Caroline Schmalhausen, que passou a ser Caroline Schmalhausen-Marx, por causa da mãe, podem ser consultadas em: www.ialhi.org/newsletter-1998.pdf. A genealogia de Marx e as ocupações dos seus irmãos, podem ser lidas no livro do ano de 2000, de Werner Blumenberg, Douglas Scott, escrito e editado aquando das comemorações dos 150 anos da publicação do Manifesto Comunista, intitulado Karl Marx: an illustrated biography, pode ser lido em: http://books.google.pt/books?id=IKc4Zzr41vwC&pg=PA4&lpg=PA4&dq=Sophie+Schmalhausen+Marx&source=bl&ots=6Hku1YyS_x&sig=8qqPk3ZJNMgxv220q-qVzMZaZO8&hl=pt-PT#PPP1,M1

[16] O texto original, escrito em inglês, traduzido por mim para o luso português, no corpo centra central do livro, diz: Green-eyed, auburn-haired Jenny was the acknowledged belle of Trier, and she could, (when occasion demanded, play the role to perfection. But more often she was serious, introspective, and broodingly romantic. Her passion was poetry; her dream, to inspire a young poet to sublimity. She was devoted to her father, to her younger brother, Edgar, who shared the same school bench with Karl at the gymnasium, and to Sophie, Karl’s older sister, with whom she exchanged books, as well as confidences on the nature of life, poetry, and mankind. Fonte: http://www.trivia-library.com/b/famous-marriages-karl-marx-and-jenny-von-westphalen-part-1.htm.

Nota: O meu livro de 2010, Marx, um devoto luterano, foi entregue à editora Tinta da China para publicação. Por causa de ser um texto de 380 páginas e a editora estar em falência, coloquei-o no repositório da Biblioteca do ISCTE-IUL e no internacional: http://repositorio.iscte.pt/ o primeiro, http://www.rcaap.pt, o segundo.

Fiz uma síntese de 180 páginas, entregue à Associação Portuguesa de Antropologia, quem nunca o publicara, colocando-o também nos repositórios. Foram cinco anos de trabalho e investigação. A fixação gramatical, realizada pela minha antiga estudante, Licenciada em Antropologia, Graça Pimentel Lemos, museóloga, a quem dedico o livro todo.

Comments

  1. Paulo Martins says:

    Será com certeza uma ótima leitura no seguimento do seu:
    “O Presente, essa grande mentira social. A mais-valia na reciprocidade”
    que estou a ler com muita calma mas quase a acabar. Estou a gostar muito e a aprender bastante. Considero-o uma leitura muito apropriada para a formação política dos jovens que em breve irão votar. Já não sou jovem mas sem dúvida que também reforçou e ajudou a compreender e fundamentar a minha simpatia pelos ideais Socialistas.

    Obrigado Professor,
    Paulo


    • Caro Paulo Martins,
      o seu comentáriio sa-me prazer, especialmente a seguir a leitura de um senhor que, em texto, deoomina-me fantasioso e ignorante.
      As suas palavras são a de um homem são, calmo e sereno. Agradeço essa leitura do Presente, livro que ne demorara três anos em escrever. Há tanto falácia na dádiva, todas elas criadas: eram os alvores de Ciência Social.
      Muito obrigado
      Raúl Iturra
      lautaro@netcabo.pt

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