O presente, essa grande mentira social – Livro Completo

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O Avarento, Molière, 1668, lucra com juros de moeda que empresta e não pagando as suas contas, transferindo a dívida aos mais pobres

Pequena nota introdutória: Escrevi este livro em 2004. Foi publicado em 2008, pela Editora Afrontamento. Na Europa estamos todos indignados, temos sido atropelados pelos financistas, mal guardados pelo governo, este e os anteriores, a nossa soberania é quase inexistente, mas tudo tem uma explicação

O livro que a seguir apresento, dividido em troços, parece-me ter essa explicação. Eis o texto e imagens explicativas.

 O presente, essa grande mentira social*

A mais-valia na reciprocidade.

Ensaio Antropológico de Sociologia Económica.

 

Para a nossa neta Maira, filha de Cristan van Emden e Paula (née Iturra), e para o nosso amigo Pierre Bourdieu

            Parede, Dia de S. Valentim de 2004

Capítulo I:   Reciprocidade. 2
Capítulo II: Reciprocidade Comercial. 33
Capítulo III: A Mais-Valia. 48
Capitulo IV: Socialismo Heterogéneo. 58
Capitulo V: Sociologia Económica. 95
Conclusões: A reacção de Durkheim e Mauss.Bibliografia Comentada  115121 

 Capítulo Primeiro

Reciprocidade

1. Introdução.

Há um comportamento humano, observado através da história, que é a procura da igualdade na interacção social. Interacção entre seres humanos e entre estes e os bens que lhes permitem, como habitualmente gosto de frisar, permanecer dentro da História. Comportamento que pode causar o efeito contrário ao procurado, ao envolver hierarquias sociais e relações de posse de recursos ou na sua falta.

Não existe grupo social que não queira que todos os seus membros sejam equivalentes, insubstituíveis, doem o melhor de si para os outros ou retirem o melhor dos outros para si próprio. Faz parte de uma longa tradição, dessas milenárias, o facto de se ser semelhante; até a palavra que usamos para falar do outro, é esse substantivo semelhante. Milenar, porque estava já escrito no texto denominado Bíblia, no Livro Êxodo, Capítulo 21, versículos 7 a 12, bem como no Livro Deuteronomio, Capítulo 5, versículos 2 e seguintes[1]. Estes textos que invoco, referidos e analisados no meu anterior livro[2], configuram o Decálogo ou Dez Palavras, denominados pelo Ocidente Cristão como Antigo Testamento, os Livros de Moisés, e Novo Testamento, o Evangelho de Mateus[3]. Este acaba com uma frase interessante: Amarás al Señor, tu Dios, con toda tu alma y com toda tu mente. Éste es el más grande y el primer mandamiento. El segundo, semejante a éste, es: Amarás al prójimo como a ti mismo. De estos dos preceptos penden toda la Ley y los Profetas.[4] E é nestes textos, que a maior parte da população ocidental procura essa igualdade. Ao que parece, como vamos ver, nunca encontrada.

É John Locke que, a partir destes textos, concebe, em 1690, ideias que seriam de seguida usadas pela Declaração da Independência das Colónias Inglesas na América, ou Estados Unidos de América, e, mais tarde, pela Constituição Francesa. De facto, John Locke é a base do movimento denominado Enciclopédia (base, porque começa a transferir os denominados Textos Sagrados, para textos laicos ou civis, servindo-se de textos da mitologia ocidental que orientam a conduta e o comportamento social). É no livro de 1695, que estabelece os princípios que orientam a sua adesão ao movimento enciclopédico[5]: “The little fatisfaction and confiftency that is to be found, in moft of the fyftems od divinity I have met with, made me betake mufelf to the fole reading of the Scriptures (to which they all appeal) for the uderf the Criftian Religion… I have received, Reader, here I deliver to thee”[6]

Mas, o que é que nos entrega, como ele diz? Um argumento de trezentas páginas, baseado nas Escrituras Sagradas Ocidentais, que justifica a procura da igualdade perdida entre os homens por causa do mito denominado a Desobediência de Adão, apesar da redenção da Humanidade pelo dito filho de Deus, Jesus Cristo. No fundo, Locke estava a justificar dois textos prévios, publicados anonimamente, tal e qual os já citados, sobre o Governo Civil e sobre a Tolerância.[7] O mais interessante deste conjunto de ideias, é a frase “all human being were equal and free to pursue life, health, liberty and possessions”[8]. Porque eram todos os seres humanos nascidos livres e iguais? Eram, porque Adão se tinha virado contra a Lei Divina, donde a liberdade e a igualdade haviam sido perdidas. Locke constrói um argumento, para criticar o estado das relações entre senhores e plebeus. Não apenas ele, mas todo o denominado Enlightment[9] e a Enciclopédia[10] de Diderot e D’Alembert, experimentam mudar as formas de tratamento das pessoas, procuram a liberdade, buscam igualdade e retiram da História factos positivos que possam delimitar as formas teológicas de entender o real, definir a Lei e delimitar assim o poder das Monarquias Absolutas desse tempo. É dentro deste espírito, que origina duas revoluções, que Locke é um Percursor e sabe usar a Teologia para definir o ser humano como natureza. Não é em vão que influencia David Hume, professor de Adam Smith, o qual se interroga sobre qual o estado da natureza humana[11]. Correntes e ideias que, no nosso tempo, denominamos liberais, passando a ser desprezíveis e passíveis de combate pelo seu conservadorismo. Teorias que experimentam a aquisição de riqueza para poucos, na base do trabalho assalariado de muitos. E no entanto, possibilitaram a libertação do estado anterior: a servidão. No Ocidente, as pessoas estavam submetidas às hierarquias aristocratas, ao tipo de contrato existente, como na enfiteuse, ou subordinados aos possuidores de bens. Os liberais, dos quais os economistas são uma amostra, souberam ensinar ao povo a sua capacidade de opção. Capacidade desconhecida para os que tinham que servir, sem pensarem por eles próprios, mas por meio da autoridade da lei, da hierarquia e da sua própria pobreza.

 Estas teorias constituíram o tormento intelectual dos autores dos Séculos XIX e XX. E ainda mais do presente Século. Locke dá o pontapé de saída:“1. Habiendo demostrado en el discurso anterior [refere ao primeiro Treatise on Civil Goverment, arguido mais tarde no texto Teológico-Civil de 1695, já referido]: 1) Que Adán no tuvo, ni por derecho natural de paternidad, ni por don de Dios, una tal autoridad [de mandar e escravizar] sobre sus hijos o un domínio sobre el mundo como los que se há pretendido asignarle. 2) Que si lo tuvo, sus herederos no poseyeron un derecho así. 3) Que si sus herederos lo tuvieron, como no hay ley de naturaleza ni ley positiva de Dios que determine cuál es el heredero legítimo en todos los casos que puedan darse, el derecho de su sucesión y, consecuentemente, el de asumir el gobierno no pudieron ser determinados con certeza. 4) Que incluso si hubieran sido determinados, el conocimiento de cuál es la línea más antigua de la descendencia de Adán se perdió hace tantísimo tiempo, que en las razas de la humanidad y en las familias del mundo no queda ya ninguna que tenga preeminencia sobre otra y que pueda reclamar ser la más antigua y poseer el derecho hereditario…no estará demás que yo establezca lo que entiendo por poder político…henos de considerar cuál es el estado que el hombre se halla por naturaleza. Y es éste un estado de perfecta libertad para que cada uno ordene sus acciones y disponga de posesiones y personas como juzgue oportuno, dentro de los límites de la ley de la naturaleza, sin pedir permiso ni depender de la voluntad de ningún otro hombre. Es también un estado de igualdad, en el que todo poder y jurisdicción son recíprocos, y en donde ninguno los disfruta en mayor medida que los demás. Es evidente que… criaturas de la misma especie y rango, hayan de ser también iguales entre sí…”.[12] Por outras palavras, John Locke, a partir do seu saber Teológico-Filosófico, inicia um debate sobre a natureza da política com a qual um Estado é governado. E, como é natural, usa as palavras entendidas na sua época. Não é possível esquecer que este debate intelectual é, ele próprio, resultado de um debate anterior entre aqueles que retiram autoridade a um poder, até ao Século XV, central para o Ocidente e as suas Colónias: o ebate da autoridade do Vaticano. sobre o mundo, para ela conquistado por Carlos Magno[13]. A igualdade procurada estava longe de ser uma igualdade entre seres humanos, nascidos livres e iguais.

Apesar disso, as teorias de John Locke influenciaram dois textos de grande importância para o Ocidente. O primeiro, a Declaração da Independência de Inglaterra, das suas Colónias Americanas, ou Estados Unidos[14]. Thomas Jefferson, sob as ideias de Locke, redigiu essa acta fundada na ideia de que o ideal de Governo está baseado na teoria dos Direitos Naturais dos seres humanos: “Article 1: Men are born and live free and equal under the law. Article 2: Men are created equal and have inalienable rights of freedom, of speech, of defence…”[15] Direitos Naturais, retirados do autor invocado, que definem a igualdade dos seres humanos, ao nascerem livre e iguais, mas com uma condição: “…on grounds of common utility”. Para assegurar essa igualdade e liberdade, existe toda uma Lei, a Constituição do Estado, garante a liberdade de expressão, mas de livre acesso aos bens para utilidade comum [não apenas possuir, mas lucrar], de não testemunhar contra si próprio, de ser submetido a julgamento pelos seus iguais, entre outras das 9 cláusulas originais ou Amendments que constituem a base do Direito dos EUA:[16]. O segundo, em França, a seguir à declaração do fim da Monarquia Absoluta e da crença no Monarca como representante de Deus na Terra, La Convention General ou Governo dos Estados Gerais, é redigida a Declaração dos Direitos dos Cidadãos[17]: “Tout citoyen est livre d’employer ses bras, son industrie et ses capitaux comme il jugue bom et utile a lui-même…il peu fabriquer ce qui le plaît et comme il le plaît…L’exercise des droits naturales de chaque homme n’a des bornes que celles ci qui assurent aux autres membres de la société la jouisance des mêmes droits” A importância reside no reconhecimento da igualdade entre todos os seres humanos, da Soberania do Estado, e dos Inalienáveis Direitos dos Indivíduos à Liberdade, Prosperidade e Segurança.

Por outras palavras, é a partir das ideias do denominado Direito Natural, definido na Sorbonne em 1226, que é estruturado um contexto ideológico e social, na procura da ideia de igualdade. Uma igualdade prometida, mas nunca atingida. Uma igualdade que reconhece direitos aos possuidores de bens, de intelecto, de saberes. E, no entanto, um passo em frente, na História Universal, ao falar de igualdade para todos os seres humanos, conquanto não conquistada. E as teorias começam a aparecer. E as acções revolucionárias. Mas, nem pela participação nas guerras de Conquista do Poder do Vaticano, ou da Libertação das Colónias Inglesas, ou da Revolução Francesa, a igualdade parece sorrir para todos. Há os Direitos de Liberdade, Fraternidade, Igualdade, declarados na França do Século XVII e referendados no ano de 1946, aquando da organização das Nações Unidas. A não prevalência de elementos da Lei, do Direito e da Economia, leva a que a realidade do ser humano perante o conceito permaneça heterogénea, persistindo, todos eles – os iguais a si próprios e os menos iguais –, perante os bens produtivos e reprodutivos, para que a intelectualidade e o povo se comecem a insurgir, cada grupo à sua maneira. Ou, como diz George Orwell: “Todos somos iguais, mas há uns mais iguais que os outros…”[18].

 2. Insurreição.

De facto, na base do Direito dos Estados e das Nações, estão dois conceitos que o auto-limitam: o de Indivíduo e o de Propriedade. As revoluções já acima referidas, cuja tradução resulta nas Actas ou Convenções de Independência já citadas, mais não constituem do que uma transferência de bens e direitos da sociedade aristocrática governante, para o grupo social que ostenta o bem mais cobiçado nesses tempos – o Dinheiro. A indústria nasce, a manufactura passa das mãos dos tecelões para as fábricas de tecido, o poder do vapor e do carvão são capazes de impulsionar máquinas, fabricadas a partir da capacidade do conhecimento humano para converter as tecnologias artesanais em novas formas de trabalho. Estas requerem pessoal ou mão-de-obra abundante, paga em salário ou remuneração escassa, face ao tempo empregue no trabalho e às necessidades de alimentação a partir desse ordenado. É o que denominamos a passagem do Regime Feudal ao Regime Industrial noutros textos[19], ou transição ao capitalismo, estudado por um dos nossos grupos, num Seminário patrocinado pela UNESCO em França, Espanha, Portugal e América Latina, que resultou na publicação de um livro[20]. Livro que analisa o dia de hoje, mas pouco remete para os antecedentes dos séculos que deram nascimento ao que Hobsbawm denomina The Age of Capital-1848-1875[21] Porque, como este autor analisa mais tarde[22], a Era das Revoluções é uma via de afirmação do denominado liberalismo económico, base da obra de Adam Smith, que se interroga sobre a forma como as nações enriquecem[23], obra que já analisámos anteriormente[24]. Porque é a era do Capital assinalada por Hobsbawm entre 1848 e 1875, e não na época da obra de Smith, Século XVIII? Porque, de facto, toda a promessa de igualdade parece desaparecer entre as datas referidas. Em 1776, tinha acontecido a separação das Colónias Britânicas e a organização de uma Confederação de Estados na América. Em 1789, em França, tinha acabado a ideia da Monarquia Absoluta e da Divindade do Rei. Como La Convention define, o Rei já não o é “pela graça da Deus, Rei de França e de Navarra”, mas sim“Rei, pela graça de Deus e da Lei Constitucional do Estado, do Reino da França” porque “a fonte de toda soberania reside essencialmente na Nação…”[25] A ideia de Nação tinha nascido, olhando apenas para o seu hexágono original e não para as terras espalhadas além fronteiras. Tal como tinha acontecido com a Grã-Bretanha, cujas colónias eram governadas pelas suas próprias leis e não pelas britânicas. Na terra da igualdade, a Monarquia tinha sido restaurada, mas, em 1848, Luís Napoleão Bonaparte cria a Segunda República, sendo Presidente, até se declarar Imperador em 1852. Este Império dura até ao ataque da Prússia, em 1870, e à declaração de cessação da existência da Comuna de Paris, criada para governar a cidade em 1792. A Comuna procurava reformas económicas e era composta por republicanos radicais (ou em procura de reformas de benefício social para assistir aos que já eram denominados “trabalhadores pobres” [the working poor]), socialistas, anarquistas e marxistas, todos eles aniquilados em 1871, pelo Presidente da Terceira República, Adolphe Thiers. As estatísticas de todo o historiador, a enciclopédia, o dicionário, ou os romances, como o de Victor Hugo, Les Misérables, de 1862, remetem para a pobreza que tinha causado a entrada das relações de capital entre o povo francês e narra as lutas dos Communers, 17.000 mortos calculados por todos eles. É por esta altura que Karl Marx[26] escreve três importantes textos para a luta sindical na França, que o socialista Jules Guesdes introduz em Paris como colectivismo e usa para a luta sindical, ou Guildes da França, bem como para a formação da “Fédération de Travallaireurs Socialistes de France”, que passa a ser, em 1879, Le Parti Ouvrier Français como é reconhecido por Émile Durkheim[27]. Pelo que, os anos de 1848 a 1870 são anos de reformas burguesas, visando a obtenção do lucro. Mas, ao mesmo tempo e por igual [eis uma igualdade contraditória], a luta sindical organizada por George Owen na Grã-Bretanha, fundador da “General Union”, precursora dos Sindicatos e dos Politécnicos para a elevação académica dos operários e da pequena burguesia, como o foram, em França, Les Écoles Politechniques. Owen formula o conceito e actividade da Brotherhood ou Carbonari ou “primos”, como se denominam no resto da Europa, especialmente na Itália, na radical Rússia – Dezembrista, e no pré-republicano Portugal, com a Voz do Operário e os Grupos Carbonários, enquanto na Espanha e nos Países Baixos se agita, principalmente, o movimento anarquista. A consciência social operária começa a emergir e e organizar, ainda debaixo das ideias liberais de grupos revolucionários radicais opostos ao capital. Em 1820, com a liderança da França e dos seus Communers, o conceito Socialista é cunhado pelo operariado. Esta tomada de consciência dos trabalhadores é apoiada em Itália pela Casa de Saboia, e em 1848, pelo Papa Pio IX, que tenta mobilizar os católicos em prol de igualdade e da justiça social, mas na base do liberalismo, i.e., propriedade privada, obrigação de trabalhar, direito ao salário, obrigação de aceitar o que é pago – pouco ou muito, é igual para o Vaticano – e reparar com consciência e responsabilidade nas capacidades individuais a serem empregues na produção. Sinistro programa! É a época em que a economia, nos países da Europa, começa a ser organizada pelo Estado e é retirada das mãos dos particulares. É a época das Revoluções Europeias, da unificação da Itália, da Prússia e dos Países Saxónicos num Império Alemão, da Primeira República Espanhola, da Constituição Portuguesa para limitar a Monarquia, da consolidação das fronteiras da Bélgica e a divisão dos Países Baixos. O movimento de assalariados vai nascendo. O Socialismo começava por vários atalhos, como veremos mais à frente. Entretanto, ser liberal era ser radical e revolucionário, era tomar parte na luta do operariado e definir novas classes sociais, tal e qual Marx tinha proposto, e que Durkheim e Mauss mais tarde tratarão, ao fundarem uma ciência para pensar o Socialismo: a Sociologia[28]. A consciência social do operariado começava a insurgir-se e a organizar-se. A prometida igualdade não aparecia. Antes, aparecia o trabalhador pobre, acrescido da necessidade do trabalho da sua família como forma de contribuição para o sustento da mesma. O liberalismo tinha completado a sua tarefa de pôr termo ao conservadorismo das monarquias e da classe aristocrata. Um novo movimento nascia, apesar das ideias organizadas pelos economistas durante o século XVIII e as suas crenças de existir uma guerra permanente entre produtores e proprietários dos meios de produção. Essa classificação, como veremos, seria introduzida, mais tarde, por Karl Marx.

 3. Os Economistas.

François Quesnay, como membro da Enciclopédia Francesa escreve, em 1758, todo um tratado procurando convencer os seus compatriotas de que a riqueza vinha da terra e não da indústria. A terra não precisava de investimentos; podia ser arrendada a meias ou podia ser entregue em enfiteuse a famílias, por longas épocas cronológicas, e dessa mesma terra sairíam os bens para reinvestir. A ideia de Quesnay era antecipar-se a uma crise social. Toda a Enciclopédia tinha escrito sobre as leis, o governo do Estado, a República, os limites do Príncipe e os seus deveres. A questão da Natureza Humana parecia estar já ultrapassada. A Enciclopédia procurava explicação científica, positiva, dos factos. Sem dar por isso, a Enciclopédia, incluindo Quesnay, forma um movimento racional para organizar a produção, o trabalho, as relações entre proprietários e operários. A obra de Quesnay baseia-se no seu conhecimento anatómico e, partindo da classificação do corpo, classifica a actividade operária e a dos proprietários. A terra tinha sido usada conforme entendiam os proprietários, que a não habitavam, nem sabiam como funcionava a reprodução, quer animal, quer vegetal.

Como tenho já comentado, François Quesnay introduz não apenas a ideia de que a indústria é uma actividade estéril, bem como a noção de que a terra tem as suas leis, que devem ser conhecidas e respeitadas, para que elas possam render como esperado. Além do mais, classifica os tipos de contratos para escolher o mais sensato e mais profícuo, o da já mencionada enfiteuse – a família que trabalha a terra aparece como a sua proprietária, pelo que se comporta como tal. A enfiteuse, definida na lei romana no Código de Justiniano, e, anos mais tarde, pelo Código de Napoleão, diz que a terra é entregue a um grupo trabalhador, capaz de produzir bens e de ter uma descendência que tome conta desses bens, ao aprender a trabalhar pelo hábito de ver, ouvir e fazer como os seus ancestrais fazem. Além do mais, a terra pode ser dividida entre os vários descendentes, que devem provar a sua capacidade de trabalho através da criação de um novo ramo da árvore da vida da família. Os que conseguem demonstrar estas aptidões recebem bens para trabalhar, sabedoria e colaboração dos seus parentes consanguíneos.

No domínio da Economia, Quesnay e a sua Escola, denominada de Fisiocracia, estão na origem da ideia do laissez-faire. Esta define a Contabilidade para ordenar os investimentos, as vendas e explorar os mercados mais convenientes, quer para as vendas, quer para comprar produtos para reproduzir a produção ou investimentos em forma de animais, sementes e adubos –, esta contabilidade é espalhada dentro do grupo de trabalhadores para a procriação de mais trabalhadores. Apesar de não serem estes os termos utilizados, na acção a partir de ideias cristãs católicas, o objectivo de uma família é o Sacramento do Matrimónio ou Casamento, que serve para manter o desejo sexual calmo e não interferir com grupos sociais que nada têm a ver com o seu. É a ideia que, mais tarde, Émile Durkheim definirá como básica da estrutura dum Grupo Social, objecto de investigação Sociológica[29].

A ideia central de Quesnay, como bom conhecedor do comportamento humano e bom conhecedor da fisiologia, era controlar a população produtora, tomando vantagem das crendices religiosas de um povo em desespero pela pobreza do Século XVIII, que os levará mais tarde a uma revolução fracassada, por terem perdido terras e propriedades entregues em “métayage” por genealogias. A Revolução Francesa acabou com a exploração da terra e fez dos servos operários. Daí o germe da ideia do socialismo em França, como se verá mais à frente, pela traição de um objectivo revolucionário – o da igualdade. Para os caseiros, como para todos os trabalhadores da terra, a época da abundância e dos altos preços fixados pela aristocracia, para criar uma riqueza na base do trabalho rural, desaparecem com a Monarquia. A liberalidade de exportação, sem impostos, e a liberdade de semear o que melhor ficava para o proprietário, acabaram pela concorrência da indústria. Ao subir a burguesia ao poder, o seu único objectivo era lucrar em concorrência com os outros países, através da indústria. Os “métayers” passam a operários, ou pelo menos parte das suas família. Outros, mais tarde, graças às Écoles Polytechniques, podem, como o fez o próprio Quesnay, por sua conta, estudar e serem ou artesãos especializados ou profissionais das novas indústrias de química, carros/automóvel, têxteis. No entanto, a herança da fisiocracia não acabou na Revolução, com a indústria; apenas passou a ser uma forma de trabalhar a terra, conforme o saber agrícola adquirido pela pesquisa académica e pelos produtores. A França passou a usar a economia de Quesnay de forma “industrial”, com trabalhadores assalariados e uma propriedade privada de grandes extensões de terra adquiridas durante a era das revoluções, que se prolongará até finais do Século XIX. E o Século XX ainda trará o sofrimento de duas grandes guerras. O maior investimento no saber foi feito nas Universidades, como já vinha de antigamente, na Sorbonne, criando cursos especializados em Agronomia, Engenharia Florestal, Escolas de Veterinária e pesquisa na melhor produção de beterrabas para a produção industrial do açúcar, trigo de exportação e experimentando, ou melhor dizendo, combinando o saber científico com a produção agro-pecuária. Cada vez que os produtores rurais param, a França treme. O sindicato é dos mais fortes, como herança do Século XIX e das análises sociológicas de Durkheim e a sua escola sobre o operariado.

Este exemplo de Quesnay foi seguido pela Grã-Bretanha. Não é em vão que a primeira obra conhecida de Durkheim, é a que deriva da análise de Adam Smith sobre a divisão do trabalho, e que Durkheim denomina divisão social do trabalho. Apesar de associada ao autor francês, a autoria do conceito é de Adam Smith[30]. No seu texto referido anteriormente, Smith começa por se interrogar sobre quais as causas e os motivos do enriquecimento das nações. A resposta encontra-a na sua ideia de inclinação do ser humano para trabalhar. Ideia que não é empírica, antes retirada das suas crenças religiosas, como já tenho analisado. O que interessa agora é saber porque é que Smith apostara nesse conceito como base da dita riqueza. Uma riqueza que, queiramos ou não, contempla também a colaboração e a ajuda mútua, que mais tarde seriam denominadas por outros, de actividade recíproca. Apenas que, para Smith, não havia uma dádiva gratuita nem uma devolução que não fosse obrigatória, empenhando quem a recebia a trabalhar para o doador. Em Smith tudo é trabalho, é a partir do conceito de trabalho que organiza a sua teoria. Adam Smith define o valor dos bens a partir do trabalho investido na sua fabricação, desde que os bens sejam úteis e passíveis de troca. O conceito mais importante é o da divisão do trabalho.

Para a época em que o autor escreve, definir que o trabalho se encontra dividido, é uma inovação no pensamento. O que se pensava, era que as pessoas que não tinham bens, ou trabalhavam em grupo para proprietários de terra ou para manufacturas que começavam a nascer, principalmente a construção de barcos para a exploração das novas terras e a obtenção de bens exóticos, como as especiarias e o tabaco, mais tarde o chá e o café, o trigo e a batata, exportando, em troca, seres humanos que tomavam conta das novas plantações destes produtos, o que incrementou a vida dos habitantes do Continente Europeu. A Grã-Bretanha de Adam Smith, era a dos têxteis, do ferro, do aço, das minas de prata, de carvão, e outros bens naturais que eram manufacturados, como a criação de animais para fabricar pano e assim criar bens a serem trocados dentro do país e entre outros países. O denominado Continente, ou o resto da Europa para além da Inglaterra, de Gales, da anexada Irlanda, ou do Reino da Escócia controlado, através do Governo, desde o Século XVII em diante. É a partir deste facto, mais o comércio ou trade, como era denominado, que Adam Smith começa a pesquisar sobre a natureza da riqueza das nações, e examina, tal como os outros economistas, as actividades do seu próprio país, concluindo, muito claramente, que é o trabalho humano que produz riqueza, por essa inclinação natural que o ser humano tem para trabalhar. Esta base do trabalho deve ter sido retirada da sua formação presbiteriana, desde jovem. Adam Smith não era apenas um ser humano crente; tinha sido formado dentro dessas ideias na Igreja Escocesa Presbiteriana. A sua questão central é explicar que o comércio existe e causa riqueza, porque os homens trabalham ou têm poder e capacidade para trabalhar. A frase que abre o seu livro, de quase 800 páginas, sobre uma ideia jamais escrita ou sem antecedentes eruditos prévios, é definidora e definitiva: “The greatest improvement in the productive powers of labour, and the greater skill, dexterity, and judgement with which it is anywhere directed or applied, seem to have been the effects of the division of labour. The effects of the division of labour, in the general business of society, will be more easily understood, by considering in what manner it operates in some particular manufactures”[31]. Se analisarmos as palavras, seremos capazes de entender o seu objectivo: a riqueza não provém da terra, como tinha referido o seu mestre francês, François Quesnay, mas antes da força de trabalho e da inteligência humana aplicada à mesma. Por outras palavras, transfere a causa da riqueza das Nações e das pessoas, para os recursos naturais transformados em bens comerciais, sujeitos a troca, para incluir um outro conceito dentro da causa da riqueza, esse mais tarde denominado força de trabalho ou “labourers”, operariado ou trabalhadores, essa actividade exercida por pessoas que, no tempo de Adam Smith, a Inglaterra e os países anexados dentro das Ilhas Britânicas, tinham aos milhares. Aliás, a ideia não é apenas ser trabalhador, bem como ter a capacidade – dexterity – ou a especialidade -skill – ou especialização – ability – para agir dentro de um ramo da manufactura na qual se trabalha. Mais ainda, refere-se à lógica, bom raciocínio e capacidade de julgar ou de optar, para configurar a imagem de um operário. Nos tempos de Adam Smith, o operário não é uma pessoa qualquer, deve ser uma pessoa conhecedora, habilitada ao entendimento do que faz. Se assim não fora, não podia trabalhar, nem podia existir o atributo que dinamiza a riqueza e o seu valor, essa divisão do trabalho, possível pela capacidade de julgamento e lógica de quem emprega não apenas a sua capacidade física, bem como, a sua capacidade de raciocinar. A lógica aparece como a base da criação da riqueza dentro de uma Nação. E digo dentro, porque a maior parte das pessoas trabalhadoras nasciam, cresciam e morriam dentro da sua freguesia – parish ou localidade, considerando-se o resto do mundo apenas um comentário, ou uma referência de comerciantes ou um desenho em livros de texto, para as eventuais aulas dos que podiam frequentar alguma escola[32]. A classe operária nunca teve, nem os meios, nem a oportunidade, de abandonar a sua paróquia ou freguesia. Pertenciam-lhe, como ao proprietário, ou ao gestor das propriedades em nome da Monarquia, Ducado ou Condado ou outros títulos, que designavam a posse do sítio no qual as pessoas nasciam, cresciam e trabalhavam, até a morte.

Mas, a divisão do trabalho, ela própria, tem um outro princípio, também atribuído ao ser humano: “This division of labour, from which so many advantages are derived, is not originally the effect of any human wisdom, which foresees and intends that general opulence to which it gives occasion. It is the necessary, though very slow and gradual, consequence of a certain propensity in human nature which has in view no such extensive utility; the propensity to truck, barter, and exchange one thing from another… as seems more probably, it be the necessary consequence of the faculties of reason and speech…”[33]. E, apesar de retirar esta análise do seu livro, mais uma vez fica a base do que se espera do operariado, ou ainda mais, da vida social em geral. Porque Smith, neste livro, não analisa pessoas, apenas as suas actividades e capacidades de procurar recursos ou bens, que não conseguem eles próprios fabricar. Pesquisa realizada pela primeira vez, no campo da vida económica, tendo por base as suas inquietações filosóficas, esse desejo de saber qual a base da riqueza, para fazer das nações estados cunhados com a felicidade do dinheiro[34]. E, ainda que remeta o leitor para a análise que vai realizar a seguir, do Truck ou permuta de bens iguais; do Barter ou troca de bens por outro bem útil para quem o não produziu; e do Exchange, ou troca de um bem por dinheiro, que tenho denominado intercâmbio, ao longo da sua obra, Adam Smith refere a falta de tempo de uma pessoa para produzir todos os bens necessários para a sua subsistência ou, como eu diria, para continuar dentro da História: “In civilized society, he stands at all times in need of the co-operation and assistance of great multitudes, while his whole life is scarce sufficient to gain the friendship of a few people…Give me that which I want, and you shall have this which you want; and it is in this manner that we obtain from one another the far greater part of those good offices which we stand in need of….The greater part of occasional wants are supplied in the same manner as those of other people, by treaty, by barter, by purchase…”.[35]

O discurso de Adam Smith nada deixa fora do comércio e das formas contratuais de produzir. Mas Smith engana-se ao referir a vida como actividade comercial, o que é impossível para todo o ser humano: organizar uma actividade própria para o seu sustento, ou usar o seu tempo para si próprio. Concebe um regulador do tempo, ao referir a inclinação natural – propinquity diz – do ser humano para trabalhar e manufacturar a natureza; Adam Smith dá um salto dentro da realidade visível e aparente – todos trabalham – e não repara no elo central que tenho destacado desde o começo – a propriedade dos meios de produção e do resultado do trabalho, a moeda, que beneficia a quem possui e não a quem trabalha, como dirão mais tarde Karl Marx e Émile Durkheim[36] –, e atribui a falta de tempo das pessoas, para fabricarem tudo o que é necessário para a subsistência, ao trabalho dedicado às fábricas, às manufacturas, às indústrias e outras actividades, pelas quais se recebe uma remuneração. Remuneração que hierarquiza os seres humanos, como debate no Capítulo X do Livro I.

            O aporte desta obra à nossa preocupação pela igualdade, é a classificação das pessoas na base da sua capacidade para activar interacções entre iguais, ou entre seres de diferente estatuto, pela posse de bens produtivos e reprodutivos ou falta dos mesmos. Há os que podem contratar, os que são capazes de trocar e guardar o lucro, ou os que realizam intercâmbio de bens semelhantes por outros bens ou a sua representação em moeda. Os três conceitos definidos mais acima, referem-se ao facto de que nada acontece fora do mercado; e o mercado é a relação social definida pela procura de bens que não possuímos e precisamos, e a oferta dos mesmos, por outros que os criam ou fabricam. Não há actividade nenhuma que não seja realizada por meio de moeda, usando Smith a pretensa desculpa de não existir colaboração entre pessoas, mas apenas cooperação para o trabalho, o que decorre das pessoas não terem tempo para organizarem relações de amizade, apenas relações comerciais em concorrência e procura de ganhos, vantagens em dinheiro ou de hierarquia social. Na teoria liberal, toda a relação tem um objectivo económico, nada é gratuito ou estético, tudo depende das transacções do mercado. A possibilidade de se relacionar com outros seres humanos é praticamente impossível, pelas especialidades, ou habilitações para o trabalho, configurarem uma lógica diferente entre todos os seres humanos. O operariado britânico, como todo o país, é o mais estratificado e organizado por classes, antes, durante e depois do Século XVIII[37]. As pessoas reúnem apenas com seres humanos da sua mesma natureza, lógica, prática e, o que é mais importante, income ou entrada de recursos monetários pela produção e aquisição de bens. A ideia de dar e receber não aparece nas análises referidas, deste nosso autor, ou das outras por mim referidas em nota de rodapé, ou noutras obras. O conceito de dar para receber e devolver, é uma relação de cooperação, ao estruturar um processo que orienta pelo menos uma actividade económica, a de truck ou permuta – uma das muitas que os seres humanos realizam para viver e continuar dentro da História. Na relação de permuta, os bens passam de mão em mão, com a ideia de serem devolvidos em igual quantidade e qualidade, como o próprio Adam Smith refere com as palavras de barter e de trade [38], conceito que levaria mais tarde Marcel Mauss (como Émile Durkheim) a criar uma teoria denominada Sociologia Económica, na qual barter é reciprocidade (já para Durkheim é solidariedade e ritual, o que analisaremos mais adiante). A obra de Adam Smith e a dos seus seguidores, bem como dos seus contraditores, apenas analisa as formas de trabalho, produção e circulação de bens. O próprio Jeremy Bentham, em 1789,[39] opina que cada indivíduo equivale a outro, e que, a felicidade de todos traz a felicidade de cada indivíduo. E essa felicidade é procurar a utilidade do trabalho, minimizando a dedicação do tempo ao que não se gosta e maximizando o fazer ou trabalhar no que se sabe e dá prazer.

Como é esta actividade possível? Pela lógica, diz um outro utilitarista, John Stuart Mill, no seu livro sobre lógica indutiva e dedutiva, bem como no seu ensaio sobre a liberdade do ser humano[40]. Todas as pessoas são capazes de entender o real e retirar, das leis universais, princípios que os orientem, ou retirar da realidade princípios orientadores. Esta liberdade, maximizada, acaba por ser a utilidade do trabalho. Todos desejam a riqueza, que é definida por este ramo da economia – o utilitarismo –, como tudo o que não se possui, mas que, visto nos outros, se quer ter e, uma vez obtido, é um bem a mais, que serve de tesouro ou bem para um eventual investimento ou consumo de luxo ou sumptuário. De acordo com esta linha de argumentação, não é a mão invisível do mercado referida por Adam Smith, a que orienta o ser humano para o trabalho, mas a felicidade de ter bens úteis para a subsistência, ou, melhor ainda, para o prazer de viver de forma folgada. O valor, para estes economistas, é ultrapassar um conjunto de dificuldades que a vida real depara, com o intuito de obter riqueza. Por causa desta lógica, é necessário entender um conceito: a realidade. Porque, sem o entender, é impossível enriquecer, objectivo de todo o mundo social. Ora bem, a realidade como já referi noutro texto, é heterogénea e complexa. “Realidade é um conceito que reflecte o ser humano na sua dupla dimensão de pensar e manipular o seu contexto. Bem como define o contexto não animado como um olhar de recurso a ser transformado para o belo prazer da humanidade, ou para essa humanidade que não tem belo prazer de recursos, seja capaz de transferir a sua virtualidade da manipulação das ideias dos outros para a sua própria realidade e assim termos uma capacidade de sobreviver com serenidade”[41].

É preciso referir essa ultrapassagem do real, visando o enriquecimento como objectivo utópico. Mas, objectivo de quem? Ao que parece, não dos operários, os quais, por não serem educados dentro dos princípios económicos, acabam por não poder acumular bens. Não é em vão que Émile Durkheim retoma a ideia da divisão do trabalho e comenta-a de forma desenvolvida, no que seria a sua tese de doutoramento em Paris.[42]. O trabalho social não está dividido entre seres humanos que procuram riqueza no trabalho para outros. É preciso distinguir entre o Direito e a Lei ou Solidariedade Orgânica, que existe em todos os povos, e separar da Solidariedade Mecânica, ou memória social do inconsciente colectivo que se atribui aos povos primitivos. Na sua obra, critica duramente o conceito de divisão do trabalho de Adam Smith, pelo facto das sociedades estarem divididas em classes e pela desigualdade dos seres humanos em concorrência perante os bens do mercado. O liberalismo clássico crê que as sociedades são um conjunto de indivíduos a agirem conforme a sua maneira de entender. A realidade é bem diferente. É, como refere Marx, um conjunto de grupos reunidos em torno, ou da capacidade de trabalhar para criar bens para todos, ou na falta de entendimento dessa capacidade. Quer Durkheim, quer Marx, advogam pela participação do Estado na gestão dos bens e na criação de sindicatos ou Guildes. O operariado está unido apenas pela falta de meios de produção[43], enquanto lutam contra os proprietários denominados burgueses ou classe burguesa. Esta classe é a que orienta o trabalho dos que nada possuem excepto a sua capacidade de trabalho. Ideias que Karl Marx desenvolve largamente na sua obra O Capital escrita entre 1864 e 1867, publicada integralmente em 1894, e base do comentário de Durkheim contra o individualismo liberal, como vamos tratar mais à frente.

A desigualdade está mais do que provada pelas revoluções do Século XIX e pela organização de Sindicatos para defender o operariado do valor a mais retirado, pelo proprietário dos meios de produção, do seu trabalho. O próprio Durkheim no seu texto de 1920[44], expandido em 1925, por Marcel Mauss, com outros dos seus inúmeros trabalhos inéditos, refere que: “the existence of social classes, characterized by significants inequalities, in principle makes it impossible for… «just» … contracts to be negotiated. This system of stratification, constrains to an unequal exchange of goods and services, thereby offending the moral expectations of people of industrial societies. The exploitation rendered possible by notable disparities of power among the contradicting parties encourages a sense of injustice which has socially unstabilizing consequences”[45]. Este é apenas um comentário, derivado como o autor diz, da obra de Marx.

Continua…..


* Frase de Marcel Mauss no seu texto de 1922-1923 : «L’essai sur le don. Formes et raison de l’echange dans les societées archaïques», Année Sociologique, Nouvelle Série, Vol. I

[1] The Bible, Livros atribuídos a Moisés, (1300? -1200? AC) 1971: Êxodo http://www.google.pt/search?hl=pt-PT&q=B%C3%ADbli+%C3%89xodo&btnG=Pesquisar&meta= e Deuteronomio.http://www.google.pt/search?hl=pt-PT&q=B%C3%ADbli+Deuteron%C3%B3mio&btnG=Pesquisar&meta=; en suporte de papel, em: The British & Foreign Bible Society, páginas 63 e seguintes, Grã-Bretanha. Bem como Mateus, http://www.google.pt/search?hl=pt-PT&q=Evangelho+de+S%C3%A3o+Mateus&spell= 1, Capítulo 22, versículo 37, Catecismo da Igreja Católica 1992, páginas 451 a 433, artigos 2083 a 2758, editado em Português pela Imprensa Gráfica de Coimbra, 1993; Website http://www.google.pt/search?hl=pt-PT&q=Catecismo+da+Igreja+Cat%C3%B3lica+&btnG=Pesquisar&meta=

[2] Iturra, Raúl, 2002: A economia deriva da religião. Ensaio de Antropologia do Económico, Afrontamento, Porto. Website para debate e comentários: http://www.google.pt/search?hl=pt-PT&q=Raul+Iturra+A+economia+deriva+da+religi%C3%A3o.+Ensaio+de+Antropologia+do+Econ%C3%B3mico&btnG=Pesquisar&meta=

[3] Mateus, Evangelho. Website com texto

[4] Mateus, obra citada, Capitulo 22, versículos 34 a 40, da versão castelhana BAC, Madrid, 1953. Website nota 2

[5] Locke, John, (1695) 1997: The reasonableness of Christianity as delivered in the Scriptures, Theme Pres, and Bristol, U.K. Website com texto: http://www.google.pt/search?hl=pt-PT&q=John+Locke+%281695%29+1997%3A+The+reasonableness+of+Christianity+as+delivered+in+the+Scriptures&btnG=Pesquisar&meta=

[6] Locke, John, página 3 da obra citada em suporte de papel. O inglês, como é evidente, é do Século XVII, diferente do actual.

[7] Locke, John, (1690) 1990: Essay concerning human understanding, e Two Treatises on Civil Goverment, Alianza Editorial, Madrid. Website para o primeiro: http://www.google.pt/search?hl=pt-PT&q=John+Locke+%281690%29+1990%3A+Essay+concerning+human+understanding&btnG=Pesquisar&meta=; e para o segundo: http://www.google.pt/search?hl=pt-PT&q=John+Locke+%281690%29+1990%3A+Two+Treatises+on+Civil+Goverment&btnG=Pesquisar&meta=

[8] Locke, Jonh, (1690) 1999 Second Treatise on Civil Government. Website com texto: www.constitution.org/jl/2ndtreat.htm –

, Capítulo 2, retirado da edição castelhana, Alianza Editorial, (minha tradução ao inglês).

[9] Enlighment ou debate entre académicos e intelectuais sobre o estado do governo, das finanzas e da nação, entre os quais: William Skakespeare, Cristopher Marlowe, David Hume, John Knox, Adam Smith, entre outros.

[10] Diderot, Denis, organizador dos textos que, ao longo dos anos de1751a 1766, reúne escritos de Voltaire, Monsteqieu, Quesnay, Rousseau, Hume, Benjamin Franklin, Thomas Jefferson, entre outros. Website: http://www.google.pt/search?hl=pt-PT&q=Denis+Diderot+L%27Encyclop%C3%A9die&btnG=Pesquisar&meta=

[11] Hume, David, (1734) 2001: Tratado da Natureza Humana, Gulbenkian, Lisboa. Website com texto: http://www.google.pt/search?hl=pt-PT&q=David+Hume+Treatise+on+Human+Nature&spell=1

[12] Locke, John, obra citada, excertos dos Capítulos 1 e 2. Tenho destacado dois conceitos: dom e reciprocidade, conceitos centrais de este meu texto. Eram já a base da problemática que leva autores da Sociologia e da Antropologia, a não saber o que fazer para os entender.

[13] Carlos Magno ou Carlos I (742-814), restaurou para o Papado Vaticano – Leão III era o Papa despojado de poder- a autoridade do denominado Sacro Império Romano, que governou Europa e as suas colónias mais tarde, até o Século XVI, época em que Luther, Calvino, Swindle, Knox, Henry VIII, Elizabeth I, James I , se retiraram da união desse Império para formarem as suas próprias Nações e Estados autónomos, bem como outras Nações nasciam do despojo do Sacro Império Romano. Aí, nem todos os seres humanos eram livres e iguais….

[14] Declaration of Independence, Julio 4 de 1776. Biografia e textos: Website http://www.google.pt/search?hl=pt-PT&q=CharleMagne&spell=1

[15] Jefferson, Thomas, Declaration of Independence of EUA, 1787, ou Bill of Rights, artigo 1. http://www.google.pt/search?hl=pt-PT&q=Thomas+Jefferson+1787+ou+Bill+of+Rights&btnG=Pesquisar&meta=

[16] A Constituição começou por ser da Confederação de Colónias, assinada em Filadélfia em 1787. Apesar de de reconhecer que “todos os seres humanos são livres e iguais”, é, apenas em 1865, abolida a escravatura, e em 1965, são reconhecidos e aceite os direitos dos Afro-Americanos, a seguir as mortes de Malcolm X e Martin Luther King. Website http://www.google.pt/search?hl=pt-PT&q=Malcolm+X&btnG=Pesquisar&meta=, biografia e textos; Martin Luther King, biografia e textos: http://www.google.pt/search?hl=pt-PT&q=Martin+Luther+King&btnG=Pesquisar&meta=

[17] Declaration des Droits des Citoyens, redigida em 1789 pelo Abade Emmanuel Sieyés. Website biográfico e texto http://www.google.pt/search?hl=pt-PT&q=Emmanuel+Siey%C3%A9s+Declaration+des+Droits+des+Citoyens&btnG=Pesquisar&meta=

[18] Orwell, George, 1946: Animal Farm ou O triunfo dos porcos, várias edições em várias línguas. Website biográfico, comentários e texto: http://www.google.pt/search?hl=pt-PT&q=George+Orwell+Animal+Farm&btnG=Pesquisar&meta=

[19] Iturra, Raúl, (1991) 2001: A Religião como teoria de reprodução social, Fim de Século, Lisboa. Website para comentários, debate e recensões:  http://www.google.pt/search?hl=pt-PT&q=Ra%C3%BAl+Iturra+A+religi%C3%A3o+como+teoria+da+reprodu%C3%A7%C3%A3o+social&btnG=Pesquisar&meta=

[20] Godelier, Iturra, Ferreira de Almeida, Villaverde Cabral e outros, 1991: Transitions et subordinations au capitalisme, MSH/Cambridge. Website: http://www.google.pt/search?hl=pt-PT&q=Maurice+Godelier++Transitions+et+subordination+au+capitalisme+.&btnG=Pesquisar&meta=

[21] Hobsbawm, Eric, 1975: The age of capital-1848-1875, Abacus, Londres. Website para debate e troços de texto: http://www.google.pt/search?hl=pt-PT&q=Erick+Hobsbawm+The+age+of+capital&btnG=Pesquisar&meta=

[22] Hobsbawm, Eric, 1977: The age of revolution, Abacus, Londres. Website para debate, recensão e troços de texto: http://www.google.pt/search?hl=pt-PT&q=Eric+Hobsbawm+The+age+of+revolution&btnG=Pesquisar&meta=

[23] Smith, Adam, 1776: An inquire into the reasons and causes of the wealth of Nations, Routledge and Kegan Paul, Londres. Website com texto: http://www.google.pt/search?hl=pt-PT&q=Adam+Smith+An+inquiry+into+the+causes+and+reasons+of+the+wealth+of+Nations&spell=1 Texto: http://socserv.mcmaster.ca/~econ/ugcm/3ll3/smith/wealth/index.html

[24] Iturra, Raúl, 2002: A economia deriva da religião. Ensaio de Antropologia do Económico, Afrontamento, Porto. Website para debate, recensões e comentários: http://socserv.mcmaster.ca/~econ/ugcm/3ll3/smith/wealth/index.html

[25] Déclaration des droits de Citoyen, 1789, já referida. Website texto original: http://www.droitsenfant.com/droitshomme.htm     

[27] Durkheim, Émile, 1895: “Les principes de 1789 et la sociologie”, in Revue International de l’Enseignement, N. XIX; 1928 : Le socialisme, PUF, (1888) 1928. Website com texto : http://www.google.pt/search?hl=pt-PT&q=%C3%89mile+Durkheim+Les+principes+de+1789+et+la+sociologie&btnG=Pesquisar&meta=; Texto de Le socialisme www.uqac.uquebec.ca/…/classiques/ Durkheim_emile/le_socialisme/le_socialisme.html

[28]Durkheim Émile, 1885 : “Propriété Sociale et démocratie” in Revue Philosophique, XIX, Paris : Website com texto: www.uqac.uquebec.ca/zone30/Classiques_des_sciences_sociales/ classiques/Durkheim_emile/durkheim.html –  1893 : “Sur la définition  du socialisme” in Revue Philosophique, XXXVI, Paris.Website com texto : www.uqac.uquebec.ca/…/classiques/Durkheim_emile/ sc_soc_et_action/texte_2_07/definition_socialisme.html ;  (1888) 1928: Le Socialisme, PUF, Paris. Website com texto nota 26 ; Mauss, Marcel, 1923-24: “L’essai sur le don. Formes et raison de l’echange dans les societées archaïques”, Année Sociologique, Nouvelle Série, Vol. I. Website com texto: www.uqac.uquebec.ca/…/classiques/mauss_marcel/ socio_et_anthropo/2_essai_sur_le_don/essai_sur_le_don.html

[29] A obra de François Quesnay está exposta nos seus textos de 1756: “Métayer”, de 1777 “Les Moisons” e de 1758 Tableau Économique, in 1888 : Oeuvres de Quesnay, Oncken, Paris., website com a obra completa: http://www.google.pt/search?hl=pt-PT&q=+Oeuvres+economiques+et+philosophiques+de+F+Quesnay&btnG=Pesquisar&meta= e analisados por mim em Iturra, 2002 : A economia deriva da religião, já referida. A obra de Durkheim referida é: 1893:De la division du traval social, Félix Alcan, Paris, 1895 : Les règles de la méthode sociologique, Félix Alcan, Paris, entre outras a falarem sobre desejo, emotividade e necessidades sociais. Website com textos: www.uqac.uquebec.ca/…/classiques/ Durkheim_emile/division_du_travail/division_travail.html ; www.uqac.uquebec.ca/…/classiques/ Durkheim_emile/regles_methode/regles_methode.html

[30] Adam Smith escreveu dois livros, um em 1759: Theory of moral sentiments. Define que, para obterem os seus objectivos, os seres humanos têm que ser agradáveis e simpáticos, saber estabelecer uma relação emotiva agradável. O segundo é o mais conhecido: An inquiry into the Nature and Causes of the Wealth of Nations, em 1776. Ambos têm sido analisados por mim no meu livro já referido de 2002. Website com textos: http://socserv2.socsci.mcmaster.ca/~econ/ugcm/3ll3/smith/moral.html ; para a denominada Riqueza das Nações, ver nota 22.

[31] Smith, Adam, obra citada de 1776, Livro 1 da versão inglesa de 1884, Murray, Londres. Website nota anterior.

[32] A lei de obrigatoriedade escolar foi aprovada – passed – em Inglaterra de 1870 e Adam Smith era do Século anterior. http://socserv2.socsci.mcmaster.ca/~econ/ugcm/3ll3/smith/moral.html

[33] Smith, Adam, obra citada, Capitulo II do Livro I, da referida edição. Website nota 22.

[34] John Hales tinha esperimentado no seu texto de 1581: A discourse of this common weal of this realm of England, Elizabeth Lamond, Cambidge, UK, mas é apenas um conjunto de diálogos filosóficos entre um Académico, um Licenciado e um Senhor da Casa, sobre como é que seria criar riqueza e circular moeda. Website com texto: http://www.google.pt/search?q=John+Hales+A+discourse+of+this+common+weal+of+this+realm+of+England&hl=pt-PT&lr=&start=10&sa=N ; ou, Antoine de Montchrestien na França dos Valois de 1615, ao recomendar numa Epitre au Roy et à la Reyne Mère du Roy,ou Traicté de l’Oeconomie Politique de se importarem com “Commerce, Tant dedans que dehors le Royaume”,pg.277 e ss. Website com texto: http://visualiseur.bnf.fr/Visualiseur?Destination=Gallica&O=NUMM-89132

[35] Smith, obra citada, página 11 do Capítulo II. Website nota 22.

[36] O primeiro no seu texto Grundisse, escrito em 1857 e publicado apenas em 1939; e o segundo, ao longo do cumprido texto de Durkheim de 1893, que debate as teses de Smith: De la division du travail social, Félix Alcan, Paris, dedicado todo ele à crítica do liberalismo Smithoniano: ao engano a que é remetido o leitor, na base da tese da riqueza ser de todos e não apenas dos propritários que contratam os que não têm posses, a maior parte da população francesa e europeia do Século XIX, como Smith defende no seu texto. Eu próprio trato da matéria no meu livro de 1990: O Insucesso Escolar. Memória e Aprendizagem em Vila Ruiva, Escher, Lisboa. Website com texto em línguas diversas: http://www.google.pt/search?q=Karl+Marx+Grundrisse&hl=pt-PT&lr=&start=10&sa=N Os dois volumes das Grundrisse são denominados em inglês A contribution to the critique of Political Economy, website com texto: http://www.google.pt/search?q=Karl+Marx+Grundrisse&hl=pt-PT&lr=&start=10&sa=N

[37] Vide Hoggart, Richard, (1988) 1991: Newport 33, Le Seuil, Gallimard, Paris ; Benson, Susan , 1981 : Ambiguous Ethnicity, CUP, UK, pgs 95 e ss ; e Giddens, Anthony, 2000 : The third way an dits critics, Polity Press, Cambridge, pgs 55 e seguintes, entre outros, especialmente Hobsbawm, The Age of Capital, 1975,Abacus, London, pgs. 113 e seguintes, e Age of Extremes.The short Twentieth Century-1914-1991, páginas 115 e seguintes. Websites para debate, recensão, crítica, pela ordem dos textos: Hoggart para debate, outros textos e literacia: http://www.google.pt/search?q=Karl+Marx+Grundrisse&hl=pt-PT&lr=&start=10&sa=N ; Benson, para debate e literacia nos bairros iletrados: http://www.google.pt/search?hl=pt-PT&q=Susan+Benson+Ambiguous+ethnicity&btnG=Pesquisar&meta=; Giddens: debate, recensões, críticas http://www.google.pt/search?hl=pt-PT&q=Anthony+Giddens+The+Third+Way+and+its+Critics&btnG=Pesquisar&meta=

[38] Smith, Adam, obra citada, páginas 11 e seguintes e 237 e seguintes da edição original de 1776, website nota 22 de este texto.

[39] Bentham, Jeremy, (1759) 1962: Introduction to the principles of morals and legislation, William Collins & Sons, Ltd, Londres. Website biografia, debate, principios, pesquisa, teoria e texto: http://www.google.pt/search?hl=pt-PT&q=Jeremy+Bentham+1759+Introduction+to+the+principles+of+morals+and+legislation&btnG=Pesquisar&meta=

[40] Stuart Mill, John, (1859) 1962: On Liberty, William Collins & Sons, Londres; e 1843: The science of logic, Book 7 da obra original, Colin, Londres.Website com os 8 textos da obra: http://www.google.pt/search?hl=pt-PT&q=John+Stuart+Mill+The+science+of+logic&btnG=Pesquisar&meta=: Texto On Liberty, website:  http://www.bartleby.com/130/

[41] Iturra, Raúl, 2000 :  “O que é realidade ?” in Trabalhos de Antropologia e Etnologia, Vol. 40 (3-4), Porto. Website de debate recensão, críticas e teoria http://www.google.pt/search?hl=pt-PT&q=Raul+Iturra+O+que+%C3%A9+realidade%3F+Trabalhos+de+Antropologia+e+Etnologia&btnG=Pesquisar&meta=

[42] Durkheim, Émile, 1893: De la division du travail social: étude sur l’organisation des sociétés supérieures, Félix Alcan, Paris. Website nota 26.

[43] Marx, Karl, 1848: Manifesto Comunista, publicado em Bruxelas. Ver versão de 1977, Oxford University Press. Website nota 25.

[44] Durkheim Émile, 1920: “Introduction a la morale”, Revue Pilosophique, XC, Paris, reimpresso no seu livro póstumo, 1925 : L’éducation morale, Félix Alcan. Há versão inglesa da Free Press, usada por mim em este texto e no anterior já citado de 2002, Afrontamento. Websites com texto e debate: Durkheim e livro original sobre ética e texto re escrito: http://www.google.pt/search?hl=pt-PT&q=%C3%89mile+Durkheim+Introduction+%C3%A0+la+morale&btnG=Pesquisar&meta= e texto www.uqac.uquebec.ca/…/classiques/ Durkheim_emile/education_morale/education_morale.html

[45] Durkheim, obra citada, versão inglesa, páginas 204 e seguintes. Ver nota 43.

Comments


  1. para meditarmos… enquanto podemos…

    ficção ou realidade?

    ASSASSINOS ECONÓMICOS

    EU ASSASSINO ME CONFESSO! Os Assassinos (assista antes que retirem do Youtube)

    http://www.youtube.com/embed/dFtijO8qM6A

    • MAGRIÇO says:

      Testemunho impressionante de um “operacional” do criminoso sistema americano. É a confirmação daquilo que já alguns sabiam, outros desconfiavam, mas que uma maioria “americanóide” recusa aceitar. Não conhecia este testemunho e agradeço tê-lo partilhado.

      • Raul Iturra says:

        agradeço o seu comentário. Poderá perceber em cada capítulo, publicados de forma separada, como o neoliberalismo trta de nós,especialmente o friedmanismo, motivo do livro.
        Agradeço a sua paciência do ler. Dia após dia desenvolve um capítulo mais extenso
        O seu
        Raúl Iturra
        lautaro@netcabo.pt

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