Os tecidos angolanos do Governo e da Justiça

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Parcela importante da urdidura do actual governo é composta e tecida por artesãos de afro-tecelagem. Passos Coelho, Miguel Relvas e Paula Teixeira da Cruz – e, por exemplo, o agora menos mediático Pedro Pinto, todavia deputado – são fios de superior meada da juventude angolana de 1974.

O facto seria despiciendo, se fosse natural desfecho da vida colectiva e não reflexivo de actos conscientes ou, demos de barato, subconscientes. Em ambos os casos, nocivos para a vida do povo português. Como é evidente, a acção é protagonizada por uma elite de retornados – palavra horrível – que sobraçou indevidamente uma causa, justa em relação a muitos, mas hipocritamente usada em proveito próprio por uma minoria.

Com efeito, e sobretudo no PSD, filtrados maioritariamente pela Secção do Campo Pequeno – Lisboa, a história, se aprofundada, é em grande parte preenchida pelas investidas vigorosas e ambiciosas dos ‘filhos privilegiados da colonização e da descolonização’. Ao tempo, os ora bem sucedidos, apresentavam-se como ‘teen-agers’ travestidos do ideário social-democrata. Francisco Sá Carneiro era, então, o  supremo e admirado apóstolo, sob cujo comando e doutrina se abrigaram e encobriram.

Ontem filhos de afortunados retornados, hoje detentores do poder. Usam um álibi de peso. Sócrates serviu-lhes, “au fur et à mesure” o catálogo de acesso do poder: ‘O PEC 4’ era intragável, mas o ‘memorando da troika’, ainda mais indigesto, serviu às mil maravilhas a ambição, concretizada, de governar o País.

Infelizmente pouco sabem e demonstram-no dia-a-dia. Vivemos, pois, subordinados às nefastas provas de incompetência e de falta de saber. Esta notícia e estas declarações política e convenientemente correctas do africano de Massamá constituem prova reduzida, mas suficiente, do governo que nos furta rendimentos e submete a pesados sacrifícios. Em nome, dizem eles, da social-democracia.

Siga a marinha e os porta-aviões para o fundo! Com “Titânides e Titãs”  deste género, estamos naturalmente condenados à derrota.

Comments

  1. Pentesileia says:

    Tem a sua lógica! Esta geração filha de retornados foi criada no ódio à descolonização e vê agora a oportunidade de se vingar das frustrações familiares. Mesmo à custa da pobreza generalizada e do progresso do país.

    • MAGRIÇO says:

      Cara Pentesileia, devo confessar que me agradou a escolha deste seu pseudónimo porque, de facto, bem precisamos de corajosas Amazonas para combater a fraude, a incompetência e a sanha ideológica que, com recurso à mentira e aproveitando um certo descontentamento generalizado, se fez eleger como Governo. Há quem tema que este desprezo pelos direitos e bem estar das pessoas e pelos interesses nacionais seja uma reedição do 28 de Maio de 1926. Penso que será ainda pior, porque enquanto o Estado Novo defendia o “orgulhosamente sós” este Estado Proxeneta defende o “vergonhosamente subserviente”.

      • Pentesileia says:

        E, pelo menos, Salazar era competente – apesar dos erros de uma mentalidade demasiadamente provinciana e limitada pelo excesso de religiosidade – e defendia, embora nem sempre da melhor maneira, os interesses do país. Ao contrário do que já tenho ouvido e lido, eu não tenho vergonha de ser portuguesa, mas tenho vergonha que estes políticos de aviário, que não têm mais do que um imenso ego ambicioso, sejam meus compatriotas.


  2. Bem visto.
    Mas… foram estes que estiveram no poder nos últimos 6 anos a gastar à doida?

    Só mais uma coisinha.
    Fazendo-me antecipadamente desculpar pela minha limitação, gostaria que o autor do post me explicasse a relação entre as 2 notícias lincadas no final, uma sobre a questão das presumíveis fraudes no apoio judiciário (“após uma auditoria, …”) e outra sobre as afirmações do Pa(lha)ssos Coelho na inauguração de mais uma coisa qualquer lá em Matosinhos (que até terá sido financiada, em parte pelo menos, por uma Fundação espanhola)?

  3. F. Souza says:

    Um ano de governo incompetente e manhoso dá para perceber o ódio ao “puto” que norteia esta gente de 2ª. Salvé os que lhes puseram o ferrete no B.I.. São falsos como Judas. Encavalitaram-se no Sá Carneiro e no Mário Soares (nada como jogar em diversos tabuleiros) para falsear tudo o que a generosa democracia lhes franqueou: fictícios cargos públicos do posto ou da repartição que ardeu às mãos dos turras; bancários da treta (com testemunhas a jurar falso no sindicato); aproveitamento dos dinheiros do IARN, em prejuízo dos incautos pares; etc., etc., etc.,
    E agora, o reluz na ribalta o grande Relvas, expoente máximo da sageza ardilosa, que salta da jota à maçonaria, dos negócios à comunicação social (emérito do Mário Crespo dos tempos do Sócrates, lembram-se?), and so on, and so on.
    Ah! perdão. Só não passou, quanto devia, pela Lusófona. Mas isso são simples detalhes que a origem dos capitais da dita poderão muito bem ajudar a explicar.

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