Avanços nas ciências médicas, recuos nas políticas de saúde

Mortalidade das Doenças Cardiovasculares

Em Portugal, à semelhança da Europa em geral, as doenças cardiovasculares (Enfartes do Miocárdio e Acidentes Cardiovasculares Cerebrais-AVC’s) constituem a primeira causa de morte – cerca de 40% do total de óbitos é o número estimado pelo Ministério da Saúde. Os factores determinantes para esse tipo de doenças estão relacionados com hábitos de vida, tendências patológicas  e seus efeitos, nomeadamente:

  • Tabagismo;
  • Sedentarismo;
  • Diabetes Mellitus obesidade;
  • Maus hábitos alimentares;
  • Hipercolesterolemia;
  • Hipertensão Arterial;
  • Stress’ excessivo;

Sublinhe-se que o contributo dos ACV’s para os óbitos, com percentagens entre 65 e 68%, supera a incidência dos Enfartes de Miocárdio.

Progresso científico anunciado pela Lancet

O ‘Público’ divulgou o estudo revelado pela conceituada publicação científica Lancet de uma experiência de regeneração de células cardíacas alvo de necrose após episódios de enfarte.

O trabalho de investigação e estudo, realizado por uma equipa do Cesars-Sinai Heart Institute, de Los Angeles, incidiu sobre 17 doentes. Teve como resultado a regeneração de cerca de 50% das células afectadas por lesão cardíaca, lesão até então irreversível – experiências anteriores de regeneração com células da medula óssea tinham sido muito insatisfatórias quanto a resultados.

Trata-se, pois, de um avanço notável da cardiologia, susceptível de permitir a recuperação significativa de parte condições de vida de doentes acometidos por enfarte, aumentando a esperança de vida de quem vier a beneficiar da citada regeneração.

Recuo das políticas de saúde

A esperança média de vida dos portugueses, segundo a OMS, é actualmente de 79 anos, uma performance que coloca o País entre os mais avançados em termos de resultados de saúde. A dúvida, porém, é saber se, sim ou não, a esperança de vida se manterá a esse nível. Já nem falamos de melhorá-la.

Com efeito, com o aumento da precariedade de meios e de falta de qualidade de vida, há motivos para a desconfiança. No dia-a-dia, estão a ser atingidos mais de dois milhões de cidadãos. As políticas economicistas do ministro Macedo, do corte a eito, aumentam a probabilidade de Portugal deixar o pelotão da frente, em termos de cuidados e resultados de saúde. Portanto, sem aproveitar em pleno os avanços nas ciências médicas, como aquele que a Lancet publicou.

Seremos, pois, forçados a resignar-nos com a fatalidade de assistir à crescente afirmação da saúde como uma ‘área de negócio’, nas mãos de privados de nulo investimento na investigação e à qual, por carência de meios, a maior parte da população não terá acesso. Cumprir-se-á, assim, o ‘diktat’ de Manuel Ferreira Leite, na emblemática frase: “Se tiver 72 anos e precisar de hemodiálise, mas não dispuser de dinheiro, não a fará”. É o Estado Social do actual governo, elevado ao máximo expoente.

Comments


  1. Há pelo menos dez anos que se sabe que a esperança média de vida no Mundo Ocidental atingiu os seus limites máximos na inversa medida em que se desinveste em matérias d epolíticas de saúde pública. O cenário não abrange só Portugal, embora, pelas razões correntes, estejamos francamente fragilizados face a outros países.


  2. É na doença que se manifesta a nossa maior fragilidade. Todo temos que ser protegidos, como seres humanos, na doença.

  3. Tiro ao Alvo says:

    Amigo, a Ferreira Leite não disse a frase que aqui registou, que é falsa. E estou convencido de que não é por falta de informação que o amigo teima em denegrir a senhora, evocando uma coisa que não é verdade, pois ela não disse – eu ouvi -, que as pessoas, com mais de 72 anos e sem dinheiro, não fariam hemodiálise no SNS, não. Isso seria o mesmo que condenar, como muito bem sabe, essas pessoas à morte, coisa que nem ela, nem ninguém no seu juízo prefeito, pode desejar. O seu post, sem esta ponta de veneno estava tão bom e assertivo, que foi pena tê-lo manchado com semelhante nódoa.

  4. marai celeste ramos says:

    MAs não se preocupe o “tiro ao alvo nem ninguem mais” pois que o serviço Nacional de Saúde está largamente compensado com a maternidade que actualmente se faz à beira das IP em carros de Bombeiros, pelo que fica mais baratinho- nem ao bombeiro se paga e ,entretanto, ouvi da SIC o prof Sobrinho, médico e prof universitário, que afirmou que com o fecho de hospitais e centros de saúde, sobram tantos médicos que há, sobretudo jovens e muito bem preaparados, no desemprego pelo que têm, como sabe, emigrado para a gulosa UE que sabe que tal profissão tem aqui ,e ainda, prestígo – já esta ano emigraram para grança e alemanha – lembra-se ??? Assim poupa-se tanto em salários e horas extra, materiais médicos, operações (vai-se a espanha sabia ??) que se calhar daria para a hemodiálise e como entretanto se paga (como pquei hoje) 10 euros (DEZ) de taxa no centro de saúde, os medicameny«tos estão mais caros e outros sem contribuição da ADSE, veja quantos milhões o EStado arrecada para dar subídios de férias e alimentar fundações soares e outras e, ainda, as publico-privadas alé de poupar muito material varia ordem etc – deixa lá os velhos (e novos hemof+ilicos descendestes da nobraza falida) fazerem a sua hemodiálise, com sangue OFERECIDO de BORLA peloa parvalhões dos portuguses que respeitam os outros e são generosos e não têm asua d+adiva “paga” nem quando preciam de – como muitos – serem hospitalizados – de facto a sus especialidade ´dar tiros não no alvo mas no escuro – a srºDrMFLeite de facto quando ministra da educaçao e dad FINANÇAS foi a primeira a verder PATRIM*ONIO nacional . recorda-se ?? até se dizia que andava a verder as “pratas da casa” nesse célebre cavaqismo – lembra-se ?? – deixe lá os que precisam de hemodiãlese que em ÉVORA apanharam SIDA no tempo da ministra da Saúde Leonor Beleza (lembra-se??) que se esqueceu de seber e perguntar ao seu secretário de Esatdo (e ela é a última a dar o despacho de sim ou sopas) e quem, foi a tribunal foi “ele” , que, também, devia ter sabido o que havia sido feito ao sangue – mas a cadeia de CHEFIAS e de imcompetentes que querem o tacho e CONFIAm que tdo é uma cadeia de chefias “competentíssimas” deu o que deu e contunua e ne, sei se você é, ou não, FP e que opinião tem das suas chefias que mudam quando muda a cor política, sabia ???

Deixar uma resposta

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.