As «regalias» dos trabalhadores das empresas de transportes e o Secretário de Estado: O Patinho Feio

Por HENRIQUE OLIVEIRA

Ontem uma das notícias do dia foi a “denúncia” das regalias dos trabalhadores das empresas de transporte por parte do Governo.

O senhor Secretário de Estado dos Transportes Sergio Monteiro está a revelar-se um verdadeiro populista, do mais baixo que há. Ao mesmo tempo que o governante saía de uma reunião com os sindicatos deste setor e afirmava que estas empresas “passaram de patinho feio para cisne”, libertava para a imprensa uma lista de regalias dos trabalhadores destas empresas.

Esta sórdida forma de fazer política, aliás muito utilizada quando não existem argumentos sólidos para explicar as medidas, está de volta e em força.

O senhor secretário de estado dos transportes está a comportar-se como um verdadeiro pistoleiro ao criticar estas empresas e as suas dívidas acumuladas, não querendo perceber que a responsabilidade maior está no comportamento de três décadas do Estado e dos seus governantes e não percebendo nada acerca das externalidades.

Além disso, demonstra a sua incapacidade como economista quando defende que os aumentos tarifários (cerca de 50% em média) e redução de oferta são a solução para o sector. Estes aumentos de tarifários de 50% tiveram como parco resultado um incremento de 2 a 5% da receita.

Ou seja, o esforço dos clientes, ao pagar mais de 50% de que anteriormente e ter um serviço deteriorado, foi quase todo perdido. Além disso, está a incentivar-se o recurso ao transporte privado (muito) mais caro para a sociedade. Isto, o senhor secretário de estado não percebe.

O “Sérgio” com os seus argumentos populistas de que os contribuintes do interior não deveriam pagar os transportes das grandes cidades, nada faz para resolver isto. Devia colocar a responsabilidade de financiamento ao nível local (Lisboa e Porto), mas não, ataca ao lado reduzindo oferta e aumentando brutalmente as tarifas.

Voltando às “denúncias” das regalias, obviamente que muitas delas não são justificadas, mas em vez de as resolver, corta salários e mantém as regalias. Está a fazer tudo ao contrário! Em vez de abolir desde já os acordos específicos destas empresas (AE), como foi defendido publicamente por alguns dos responsáveis destas empresas, penaliza os bons trabalhadores e recompensa os maus.

Apenas mais uma nota para o tratamento jornalístico dado a esta questão: não houve nenhum tipo de contraditório obtido junto das partes visadas. Algumas daquelas “regalias” expostas pelo Governo são falsas. Os jornalistas esquecem as regras deontológicas mais básicas e recebem com alegria a “palha” que lhes dão limitando-se a “colar” acriticamente em notícias as notas de propaganda do Governo.

 

Comments


  1. “Os jornalistas esquecem as regras deontológicas mais básicas e recebem com alegria a “palha” que lhes dão limitando-se a “colar” acriticamente em notícias as notas de propaganda do Governo.”

    Pois então, a palha é o alimento de excelência dos burros. Não percebo o espanto, há muito que se sabe tipificar o gado asinino nos nossos media. E cada vez mais refinado!


  2. Caro Alt, p.f. não confundir burros com cavalgaduras, Enquanto um burro é um animal com personalidade, simpático e em vias de extinção, as cavalgaduras andam por aí para serem montadas por quem lhes oferecer melhor ração, deixando-se conduzir à arreata e conduzindo o seu andamento conforme lhe ordenam as esporas do dono.

  3. Tiro ao Alvo says:

    Essa do transporte individual ficar mais barato do que o transporte público, por empresas públicas, quer dizer, pelo menos, duas coisas:
    Primeiro que os custos das empresas públicas de transportes estão lá em cima;
    Segundo, que as autoestradas quem servem Lisboa (e, em menor escala, o Porto), deviam ser portajadas, pois não faz sentido cobrar portagens nas antigas IC e IP, como é o caso da A28 e A29, e não cobrar na CRIL, uma das auto-estradas mais caras da europa, e onde se circula do borla, não sei a que propósito. Pelo menos, a partir do ponto onde as pessoas estão bem servidas de transportes públicos – Metro, especialmente -, essas vias deviam ser portajagas, não fazendo sentido, como diz o governante, que as populações do interior andem a pagar para a malta da capital ter à sua disposição SCUT, coisa lhes foi negada.

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