O mundo ao contrário

é o que me sugere o único neurónio que tenho ligado. O outro já foi dormir!

Depois de ler na primeira página do Expresso que ” Separação entre bons e maus alunos melhora resultados.”

Já agora duas perguntas que o meu solitário neurónio me solicita apresentar:

– Quem decide o que são bons e maus alunos?

– E que resultados melhoram?

– Melhoram os resultados de quem?

(Olha. Menti! Caro leitor, prometi que eram duas, mas afinal são três as questões que ele me envia. É um abusador.)

E o Tico (o Teco é o que está a dormir) pergunta se os Senhores Professores que colocaram o Sr. Nuno Crato no poder ainda se sentem felizes por nos terem atirado da frigideira para  o lume?

Depois do exame na 4ª classe, esta maravilha!

Quando é que chegam os crucifixos para colocar por cima do quadro? A fotografia do Ditador? E, quem sabe a palmatória!

Viva o 24 de Abril de 1974!

Este era o momento em que escrevia um insulto à moda do porto, mas vou ser mais educado e vou usar um insulto da linha de Cascais:

Seus estúpidos!

Comments

  1. patriotaeliberal says:

    Leio algures, através do blog de um professor, um peditório para o envio de exames, prémios, etc, da 4ª classe de outros tempos.

    Ao que parece, da discussão sobre o exame do 4º ano avançado pelo ministro da educação, passou-se para os diplomas dos exames da 4ª classe doutros tempos.

    Como não consigo enviar-lhe esta redação, resolvi abusar deste espaço e enviar uma redação sobre A Vaca.

    “A Vaca

    Eu gosto muito das vacas.Quando estão vivas dão-nos o leite e quando estão mortas dão-nos a carne para comermos e a pele para nos aquecermos no Inverno.
    Eu gosto muito da vaca.”

    Nos dias de hoje, um qualquer aluno mais informado, poderia escrever o seguinte, mantendo o mote da Vaca:

    A Vaca

    Eu gosto muito das vacas. Quando estão vivas dão-nos o leite que os americanos bebem com café – galão – a acompanhar o marisco ao pequeno almoço como eu vi quando passei férias nos Açores. Por falar nos Açores, foi lá que vi as vacas mais bonitas e simpáticas. Mais tarde ouvi o nosso presidente da república a falar precisamente do mesmo ar simpático das vacas açoreanas e do modo como, contentes, se aproximavam, uma após a outra, da ordenha mecânica.

    Quando as vacas estão mortas dão-nos a carne para comermos, apesar de o meu pai não poder comer carne por causa do colesterol e da minha mãe ser vegan. Também nos dão a pele para nos aquecermos no Inverno, apesar de muitas casas já serem inteligentes. A pele é agora mais usada nas coleções Outono Inverno dos estilistas portugueses. A pele sintética veio revolucionar a indústria textil e do calçado para conforto das vacas e das associações de protecção da vaca.

    Eu gosto muito das vacas.

  2. patriotaeliberal says:

    Lembro-me dos meus exames da 4ª classe.

    Ia sempre com a minha mãe. Nas provas escritas ela ficava cá fora, mas nas orais podia sentar-se lá atrás nas salas. O que eu achava mais estranho nestas alturas, era a quantidade de freiras a fazerem os mesmo exames que eu.

    Lembro-me dos meus exames da 4ª classe.

    Quer dizer, lembro-me dos gelados que a minha mãe me comprava depois. Nunca me lembro do meu pai me acompanhar nem de comprar gelados, não porque era um pai ausente, mas porque estava ausente em África a lutar pela pátria.

    Graças aos exames da 4ª classe, tirei a barriga de misérias de gelados, uma extravagância financeira naquela altura e que compensou o facto de não poder ter uma bicicleta ou um relógio.

    Depois nunca mais liguei a gelados, mesmo em épocas de exames.

    Até esta semana em que se começou a falar de exames do 4º ano e fui a correr comprar uma embalagem deles. Estou a escrever e a comer um double chocolate com caramelo!!

    E pensei que esta seria uma boa solução para a grande questão educativa do momento – o exame do 4º ano – Legislem a oferta de gelados para os putos e não se fala mais nisso!

    Talvez se possa então falar doutros problemas de maior alcance a nível da educação e da escola, acompanhados por um gelado gostoso.

  3. xico says:

    Mas porque será que mudar os esquemas da educação tenham de significar semelhanças com a ditadura salazarista? Na Alemanha separam-se os alunos para o ensino liceal e o ensino técnico. Era o que acontecia na 4ª classe. Fazia-se o exame da 4ª classe porque era o fim de um ciclo. Quem continuava fazia ou a admissão aos liceus ou a admissão ao ensino técnico. Eu fiz os três exames. E nem sequer era uma decisão da escola. Era pessoal. Cada um escolhia a admissão que pretendia. Não ficava assim o anátema de que os do técnico eram menos inteligentes. Eu fiz os 3 exames, passei a todos e escolhi o técnico e podia ter escolhido o liceal. O que é que isto tem de mal? Agora se isto é o que nos convém hoje é caso para debater. Rotular de imediato que é o regresso ao fascismo é uma fuga aos problemas. Quem acabou com o ensino técnico é que lançou tal anátema. Que os técnicos eram estúpidos. Resultado. Já não temos universidades nem escolas técnicas. Temos fábricas de diplomas para que os seus diplomados possam ser caixas de supermercado com máquinas que já fazem os trocos, senão seria o caos.

  4. João Paulo says:

    #1 e #2 Nunca tinha pensado nisso, mas é também verdade que associo bons momentos a coisas boas de comer. Alinho nessa: “E pensei que esta seria uma boa solução para a grande questão educativa do momento – o exame do 4º ano – Legislem a oferta de gelados para os putos e não se fala mais nisso!”
    JP

  5. João Paulo says:

    #3 Boa noite e obrigado por comentar.
    As mudanças não são salazarentas só porque são mudanças. Convenhamos que separar alunos, bons para um lado e maus para o outro e exames da 4ª classe são práticas de outros tempos. E isso são factos.
    Não conheço a sua história de vida, mas permita-me uma pergunta: quantos colegas da sua rua, da sua turma da primária… chegaram ao superior? E quantos chegam agora? Essa foi a magia da escola pública – chegar a todos. O que diz, escrevendo ” Era pessoal. Cada um escolhia a admissão que pretendia” é historicamente falso. Na minha família, de 11 irmãos, TODOS, excelentes alunos: sem erros, a ler bem e contas nem se fala… Sabe quantos foram além da 4ª classe? Nenhum! Porque eram pobres e tinham que ir trabalhar!
    Em nenhum momento se fala de ensino mais ou menos profissionalizante. Acho que confundiu tudo. A minha pergunta é: o que é que o exame da 4ª classe vem resolver?
    JP

Deixar uma resposta

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.