Krugman: um americano em Lisboa

A pantomina é o único traço comum entre a visita de Paul Krugman a Lisboa e as técnicas cinematográficas de ‘Um Americano em Paris’, de Vincente Minnelli. Da mesma maneira que Paris e Lisboa são cidades bastante distintas, também os dois protagonistas divergem integralmente entre si.

No filme, Jerry, é um veterano da 2.ª Guerra Mundial, enfrentando dificuldades e perseguindo o objectivo de se firmar como pintor na Cidade-Luz, tendo ficado na história do cinema como um dos melhores musicais de sempre.

Krugman em Lisboa é outra música. O contraditório e mediático Nobel da Economia, a despeito das críticas insistentes às políticas de pesada austeridade, com a Sra. Merkel como inimiga de estimação, veio a Lisboa para ser honrado com o doutoramento honoris causa. Este doutoramento, ao que agora percebo, foi mero pretexto, usado a preceito pelo seu amigo e mandatário do governo de PPC, Jorge Braga de Macedo.

Afinal o infatigável lutador anti-austeridade, em prolixos artigos em “The New York Times”, através de almoçaradas e jantaradas promovidas por Passos Coelho e o governador do Banco de Portugal’, veio caucionar a severa e economicamente desastrosa política de Coelho, ao afirmar:

Detesto dizê-lo, mas não faria as coisas de forma muito diferente daquilo que está a ser feito em Portugal.

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Em defesa da Monarquia

O meu amigo Nuno Resende vai ficar todo contente com o título. Mas só com o título mesmo. Como sabem, o Nuno incluído, não sou Monárquico.
Confesso a publicidade enganosa. O post nada tem a ver com esta questão a não ser lateralmente.
Numa aula de 9.º ano, após falar não sei quantos minutos das Ditaduras e da sua implantação na Europa dos anos 30, lembrei-me de que talvez os alunos não soubessem o que era uma Ditadura.
Perguntei e confirmei. Não sabiam. Nem sequer suspeitavam.
Após deambulações várias sobre liberdade, partidos políticos, eleições e demais exemplos que lhes permitissem perceber o que é uma Democracia, fiz a pergunta do costume: «Então, qual é o contrário de Democracia?»
E levei com a resposta do costume: «Monarquia».
Ironicamente, é quase sempre a resposta dos alunos àquela pergunta.
Foi então que me vi na obrigação de defender a Monarquia. Não, a Monarquia não é uma Ditadura – e expliquei por quê, dando vários exemplos e fazendo notar que, à Monarquia, deve opor-se a República e não a Democracia ou a Ditadura.
– «Ó setor, mas se o povo não vota no Rei, então isso é uma Ditadura.» [Read more…]

Nojo

As palavras são de um génio e foram maravilhosamente escritas: We hold these Truths to be self-evident, that all Men are created equal, that they are endowed by their Creator with certain unalienable Rights, that among these are Life, Liberty and the Pursuit of Happiness (Thomas Jefferson, 1776.07.04, A Declaration by the Representatives of the United States of America).

É, pois, profundamente repulsivo que os, estupidamente, denominados “avanços civilizacionais” nos estejam a encaminhar para uma sociedade em que a qualidade de vida se torna no elemento definidor da própria sobrevivência do ser humano. Abriram-se e continuam-se a abrir portas para que o direito de outrem à vida dependa, em absoluto, da sua futurológica “quality of life”.

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O Poço Escondido

Adoro poços velhos, de pedra bonita da idade, rodeados de flores e ervas, transformados em suporte para vasos, tornados lugares belos e deliciosos.
Um dia descobri aquele da foto na minha terra com vista para o famoso castelo medieval que remonta já ao século XI e resolvi fotografá-lo. Passados poucos dias, ao passar por lá outra vez, já não o vi. Fiquei revoltada: tinham construído um muro alto, feio, uma fortaleza, sem graça, egoísta. 
Ainda bem que o fotografei! Agora também é meu e posso tê-lo e vê-lo quando eu quiser.
Lembrei-me agora de O Principezinho de Saint-Exupéry (1900-1944) que diz a certa altura:
 
– Vamos à procura de um poço…
– Então tu também tens sede? – perguntei eu. Mas ele não respondeu à minha pergunta. Disse simplesmente:
– A àgua também pode ser boa para o coração…
(…)
O que torna o deserto bonito – disse o principezinho – é haver um poço escondido em qualquer parte…
 
Aproveite-se, guarde-se, registe-se a beleza que existe ao nosso lado.
Nunca se sabe até quando nos deixam ver de graça as coisas bonitas…
 

Fim dos feriados religiosos pode ser adiado para 2013.

(Permitam que transcreva este texto do Carlos Esperança)

Porta-voz da Conferência Episcopal Portuguesa diz que o processo acarreta morosidade

Enquanto o 5 de Outubro e o 1.º de Dezembro desaparecem do calendário dos feriados, o fim dos feriados religiosos pode ser adiado para 2013 por este Governo, que está de joelhos perante as sotainas, desprezando a laicidade a que é obrigado e traindo o regime – a República –, cuja data emblemática é o 5 de Outubro.

A laicidade é uma conquista republicana que defende a liberdade religiosa e a paz.

Enquanto os judeus ortodoxos se agarram à Tora e à faixa de Gaza, os muçulmanos debitam o Corão e se viram para Meca e os cristãos evangélicos dos EUA ameaçam a laicidade e a teoria evolucionista, os conflitos religiosos e o terrorismo assustam a Europa.

A emancipação do Estado face à religião iniciou-se em 1648, após a guerra dos 30 anos, com a Paz da Vestfália e ampliou-se com as leis de separação dos séc. XIX e XX, sendo paradigmática a lei de 1905, em França, que instituiu a laicidade do Estado.

A libertação social e cultural do controle das instituições e símbolos religiosos foi um processo lento e traumático que se afirmou no séc. XIX e conferiu à modernidade ocidental a sua identidade. [Read more…]

Hoje é dia de bola…

E que seja dia de festa, sem trolls, nem básicos, nem fanáticos, nem hooligans, nem troikas, nem crises, nem…

Durante hora e meia, que seja bonito e bem disputado. E que haja alegria no paísinho tristonho, para variar.

CONAR Vai Julgar o Azeite Gallo

No Brasil, o Azeite Gallo está a ser acusado de racismo.
Felizmente, vem aí um Acordo Ortográfico que, garantem os crentes, vai homogeneizar a língua portuguesa.

La amiga perdida

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Estoy sentado en mi estudio, a pensar en ti. Nunca te vi de esta manera: estricta, sabia, a saber enseñar. Ese dedo levantado para enfatizar las palabras que se deben saber. Y las que no se deben decir. Era como cuando yo tenía dos años y tú, algunos más. En esas alturas de la vida, no se notaba, como en las alturas de la vida de hoy. Tú estás guardada en un ánfora, rodeada por la familia.

Yo, lo que tú me enseñaste, a escribir poesía a la amiga que me dejó anclado en esta tierra solitaria, sin nadie que me acompañe, aún en momentos tan tristes como los que vivo, ahora que nos dejaste. [Read more…]

Hoje dá na net: 1492, A Conquista do Paraíso

A História na forma de encomenda. Mal contada. Uns vendem-se, outros não.

Ficha IMBD. Legendado em português.

EDP Adquiriu o Passe de José Silvano

José Silvano, ex-autarca de Mirandela fora, até ontem, o único autarca do Vale do Tua a manifestar-se contra a construção daquela barragem inútil.
Fico triste ao vê-lo ingressar no pântano de traidores-da-consciência e da palavra onde militam fervorosamente Assunção Cristas (apresentada como ministra do Ambiente), Francisco José Viegas, o impoluto José Carcarejo, a Unesco Portugal.
A Unesco, que não os portugueses, coroarão todo este vergonhoso processo desclassificando o Douro Vinhateiro ; espero que traidores como José Silvano e o luminoso laureado arquitecto Souto de Moura tenham já uma parede (de betão) para pendurar o diploma.

Esta gente que agora governais pode ser estúpida. A próxima far-vos-á justiça.

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