Professores e sindicatos, blogues e movimentos: representatividade

O movimento sindical docente tem características muito interessantes que poderiam merecer uma atenção mais detalhada dos investigadores destas coisas. Os Professores (incluindo aqui os educadores) são cerca de 150 mil, só na função pública, havendo mais uns milhares na parte privada do sistema.

No Educar, Paulo Guinote interroga-se sobre esta temática, fazendo-o a dois tempos. Vamos ao debate, procurando equacionar a primeira parte da discussão:

“Afinal quem representam ou pretendem representar os sindicatos de professores?” [Read more…]

O PS e a lei do enriquecimento ilícito

A lei pode ter os seus defeitos mas sempre estranhei a obstinada oposição  que o PS lhe move, relembre-se, o partido de Cravinho que mandou as suas propostas anti-corrupção às malvas. Uma lei aprovada por PSD e CDS não pode ir longe, fui pensando, e será sempre inócua.

Começa-se a fazer luz sobre o assunto. Lê-se no CM (artigo pago):

Como chefe do Governo, José Sócrates ganhou mais de 600 mil euros, mas nunca declarou ao TC poupanças nem contas bancárias à ordem com saldo superior a 24 250 euros, como obriga a Lei 4/83, relativa ao controlo da riqueza dos políticos.

A viver em Paris desde Setembro, sem qualquer actividade remunerada conhecida, Sócrates, que também não pediu a subvenção vitalícia a que tem direito, estará a viver de poupanças. Agora, poderá ter de fornecer ao Ministério Público, no âmbito dessa fiscalização, as contas à ordem com saldo superior a 24 250 euros, equivalente a 50 salários mínimos. [Read more…]

A Gente não Lê


Há canções que provocam em mim sensações e sentimentos difíceis de explicar. Há canções que me fazem chorar e esta é uma delas. Não sei se é da letra, da música ou da voz de Isabel Silvestre, mulher de têmpera de Manhouce e uma das mais valorosas portuguesas.
Lembrei-me dela, hoje, em conversa com um grande amigo. Porque como ele dizia, e com toda a razão, «tenho inveja dos meus antepassados que se regiam por relógios biológicos. Deitavam-se quando escurecia, acordavam com o sol nascente. Não liam nem escreviam e as únicas coisas que os preocupava era se havia demasiado calor ou demasiada chuva.»
Com toda a razão, digo eu, mas e a alternativa? O amor e uma cabana?
Neste dia, que não devia fazer sentido, dedico-a às 8 mulheres da minha vida.

Não é a foz de um rio. É a Foz…

                  Hoje o pôr-do-sol foi às 18.37. Quem não quis vir é que perdeu.

Pão e Rosas

Para todas as mulheres que lutaram pelo pão, mas também por rosas. Muito em particular por uma amiga que hoje nos deixou.

 

As Imputações de Jerónimo

Não tenho dúvidas de que um dos efeitos perversos da austeridade é a morte apressada de muitos de nós  os mais velhos e as mais velhas  de repente confrontados com apertos imprevistos, limites de mobilidade para tratamentos e outras paredes mais altas no labririnto geral da sobrevivência precária de cada qual  medicação que já não se toma, alimentação correcta que já não se faz, gripe que passa a agudizar o mal crónico que os vai ceifar. Mas ontem, quando Jerónimo imputou ao Governo Passos essas mortes, essas microtragédias, recordei-me naturalmente que justiça, justiça, seria recuar ainda mais e não apontar o dedo oportunista nem à Troyka nem ao Governo. Se recuarmos no tempo e nos actores, imputaríamos tudo o que Jerónimo quisesse a esses que agora andam com pronunciamentos piedosos e sensibilidade na garganta. É fácil.

Todos contra a Barragem 0,1% – Depoimentos sobre o Douro e o Tua. 9 – Manuel Cardoso

 

«“Era um local recôndito mas havia pior. Fora comodamente de comboio até ao Tua pela linha do Douro. Mudara para um outro, de via estreita, que lhe pareceu penetrar num reino diferente de contos e histórias, de fragas antigas e medos terríveis, a subir por desfiladeiros a cujas paredes as carruagens se agarravam a custo.
Em Mirandela esta imagem tinha-se-lhe apaziguado, a terrinha parecia até com movimento. Simpatizou com ela e havia de lá voltar algumas vezes, teve mesmo de lá voltar bastantes vezes porque mais tarde veio a ser médico da Companhia Nacional, que explorava este ramal de caminho-de-ferro. Era o términus da linha, a estação era grande, tinha gente.
Deu uma volta pela beira-rio, entrou num ou noutro boteco, ensinaram-lhe o Zé Maria das Barbas, patriarca da boa mesa, descobriu o Totó onde se comia bem e se era servido pelas muchachas de Chaves e de Verin. Gastou meia hora nesta deambulação. Retornou à estação para acomodar as suas bagagens na diligência que partiria defronte. Carroças e carros de todo o tipo estacionavam pelas ruas, empedradas de calhaus do rio, malcheirosas e muito sujas. [Read more…]