Avaliação de Professores, concursos e congelamento da carreira

O Ministro Nuno Crato entrou na cousa educativa com um problema – a avaliação dos professores. Por um lado, a direita liberal exige que tal coisa seja uma realidade, mas por outro, a direita dos votos que o levou ao poder tinha-se comprometido com  o fim de tal monstruosidade.

Vai daí, o decreto que regula a avaliação dos professores, recentemente publicado, é uma espécie de golo que não entra, é mas não é. Duas citações para provar tal argumento:

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Há Fome nas Escolas Portuguesas

O senhor ministro da Educação Nuno Crato não sabe que há escolas a cortar nas refeições dos alunos; o senhor ministro não sabe, está mal assessorado ou faz de conta que vive num país-maravilha. Há fome nas escolas portuguesas. O senhor ministro nega?

Que diferença faz uma vagina?

Nas vésperas do Dia Internacional da Mulher, pode parecer que vou cometer a heresia de criticar algumas mulheres ou uma certa visão sobre as mulheres, mas, na realidade, vou escrever sobre o medo que temos de confirmar o lado negro da nossa História.

O politicamente correcto é mais uma importação dos Estados Unidos que nos chegou juntamente com os hambúrgueres e muitas outras coisas prejudiciais à saúde e o mesmo país que dizimou os índios chama-lhes nativos-americanos, numa espécie de expiação tardia, pagando em moeda linguística o que roubou em vidas impagáveis.

A preocupação com a susceptibilidade alheia ou o medo de descobrirmos que dentro de nós está algum monstro inesperado leva-nos a tentar calar a História que está marcada nas cicatrizes da língua e da linguagem que somos porque fomos. Quando a História não se cala ou é mal entendida, há quem tente reescrevê-la, retorcê-la, fazendo de conta que a interpreta.

É verdade que a História é brutal e violentamente masculina e todas as mulheres que sofreram e sofrem com isso nunca poderão ser compensadas das violações de toda a espécie a que foram sujeitas, restando-nos a possibilidade de sermos todos melhores e mulheres no futuro.

Dilma Roussef, Presidente do Brasil, passou pelo Porto e aproveitou para comer bacalhau, o que é, evidentemente, notícia. Também é, infelizmente, notícia o servilismo de alguma comunicação social que reproduz o “Presidenta” com que a Chefe de Estado brasileiro exige ser tratada, agredindo, ao mesmo tempo, a língua portuguesa que nos é comum.

Esta ânsia de encontrar um feminino que não existe revela, afinal, um estranho machismo ao contrário, ou, para ser considerado completamente preconceituoso, um machismo de saias. Há uns meses, Pilar del Rio considerou “néscio” qualquer um que não lhe chamasse Presidenta da Fundação José Saramago. A todos os que queiram merecer conscientemente esse epíteto aconselho a leitura deste texto do Francisco Miguel Valada.

Exposições ROOTS e ARTUR, ainda alguns dias para as visitar

As exposições ARTUR – na Casa da Esquina, em Coimbra, até 16 de Março – e ROOTS – na Influx Contemporary Art, em Lisboa, até 17 de Março- ambas resultantes de residências artísticas promovidas pelo LAC – Laboratório de Actividades Criativas na cidade de Lagos, entram agora na recta final de abertura ao público. Faltam poucos dias, [Read more…]

Zulmiro

 (Manel Cruz)

Diziam que ele tinha o diabo no corpo mas não tinha. Pelo menos assim o afirmava a sua prima, sabida que era em coisas de mau-olhado e almas penadas. O diabo no corpo era outra coisa. O que ele tinha era uma comichão dos diabos que o atormentava dia e noite, obrigando-o a coçar-se até se arranhar e fazer sangue.

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Não pensam em estudar? Não estudem!

Sem outros comentários, senão este: ouçam alto e bom som.

Adenda: Porque mo enviaram a partir de outro alojamento, não creditei o vídeo aos seus verdadeiros autores, Bandex Vídeos. Reposta a verdade, aqui ficam os meus parabéns e a apresentação de desculpas.

Concurso de Professores: Efectivos e contratados, resultados diferentes

O tempo vai passando e a troca de argumentos continua, mas a questão central é a mesma: o acordo assinado entre alguns sindicatos, pouco representativos e o MEC é um bom acordo?

Depois de ter feito uma análise ponto a ponto, é hora de ver o documento de forma mais ampla.

Para os docentes do quadro, o acordo é quase inócuo. Clarifica a questão dos horários zero e isso é muito positivo. Tudo o resto é pouco ou nada importante.

Para os professores contratados o documento é muito mau!

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Não se esquecem de coisa alguma


Um estudo da agência Humankind Lens, vem contrariar o sentimento de fatalidade que grassa em Portugal. Na sempiterna disputa com os nossos vizinhos espanhóis – infelizmente não temos outros mais -, nós, os “chatos, tristonhos e ensimesmados” portugueses, temos aqueles atributos que por regra são atribuídos a sociedades circunspectamente civilizadas. Podia ser uma pilhéria de fim de inverno, mas não é. Já sabíamos que aquelas conhecidas efusões “amigo de mi vida” que bem podem ser seguidas por um sonoro “coño de tu madre!”, apenas atestam certas ligeirezas que apenas os mais distraídos e complacentes teimam em fazer de conta não ver. Pois bem, há outros que chegam a conclusões que intimamente todos há muito sabemos. É que ao contrário de alguma fama de fare niente, pelos vistos há que diga que somos …”um povo que enfrenta a crise de forma objetiva e realista, adotando medidas pragmáticas e funcionais. Já os nossos vizinhos, segundo a Leo Burnett, têm um comportamento mais evasivo e hedonista“, naquela conclusão que nos transporta para a beira de outros “chatos de fim de semana”, esses mais situados à beira do Báltico. Que bom…
Entretanto, aquela oca patetice e amnésia “ay que rica, que buena la fiesta!” que acima se depreendem, pode ser confirmada em alguns aspectos da ruidosa rua política espanhola, onde velhos fantasmas ciclicamente reaparecem da pior forma. Já olvidados das animalidades pós-1932 que trouxeram a intervenção estrangeira dos camaradas José Estaline e Adolfo Hitler – com as conhecidas consequências -, pelos vistos ainda há quem julgue estar a solução na queima de igrejas. Estão a chocá-las, olá, se estão! Apenas aqui deixamos uma foto, as outras poderão facilmente imaginá-las.
E por cá há quem logo alinhe nesta parvoíce. Nisso há sempre uns irmãos trans-fronteiriços. Uma guerra com a igreja? Era só o que mais nos faltava.

Liberdade: o único sonho de um homem

 

(foto: crabbygolightly)

Penso nesse homem muitas vezes.

É norte-americano, esteve preso 35 anos, condenado a prisão perpétua por um crime que não cometeu. Que não cometeu.

Passou 35 anos a repetir que estava inocente. Quantas vezes 35? Histórias como esta acontecem, não são ficção. A Justiça não só é cega como também é surda. O tribunal não ouviu o homem uma única vez e, por isso, à custa de tanta repetição, a voz de Bain extinguiu-se. Tanto foi assim, que Bain recorreu a várias formas de chamar a atenção: na última vez que compareceu a tribunal usou uma t-shirt com a inscrição not guilty.

Não fossem os testes de ADN, James Bain iria passar também o Natal de 2009 longe da mãe, e acabaria por cumprir a insuportável pena que lhe calhou por um grande azar. Não é que tinha características idênticas às do verdadeiro culpado? Disse que “não está zangado e que a sua fé o ajudou”. [Read more…]

A história do Pedro e a troika

Uma vez vencido o caso do Álvaro, outra demissão se cruza no horizonte das decisões do chefe do governo. Desta vez, é mesmo uma demissão das estridentes, de gritos e apitos. Tem por alvo a troika (FMI-CE-BCE). Sim a troika!, nem mais nem menos.

A História

Era uma  vez Pedro Passos Coelho a ler com rigoroso desvelo a notícia do ‘Sol’, um órgão fiel e até oficioso do governo. De súbito, o nosso Pedro ficou próximo de séria apoplexia, ao perceber que, no eco da avaliação reportada ao ‘memorando de entendimento’, a troika havia dito raios e coriscos:

A ausência de sinais de crescimento económico futuro e a deterioração da situação orçamental em Espanha são as principais preocupações da troika face a Portugal.

O sentimento junto dos credores externos é que o programa português está a correr dentro do previsto, embora nada esteja assegurado acerca do seu sucesso…

Um dos maiores riscos para esse sucesso é não haver, até agora, qualquer sinal credível e sustentável de que a economia vá crescer no médio prazo…

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Hoje dá na net: The Shanghai Gesture

The Shanghai Gesture

Página imdb.

Em inglês sem legendas.

Perguntar como o filósofo

 

(foto: postais.net)

O Público fez 22 anos no passado dia 5 e foi-nos oferecido! O diretor por um dia desta edição foi o filósofo José Gil. E, como filósofo que é, fez perguntas que nunca mais acabavam!
De repente lembrei-me de António Aleixo…o poeta alentejano, “semi-analfabeto” de “apurado sentido filosófico”. Vem ele a propósito de que todo o português, uns mais que outros, é um pouco filósofo e, ultimamente, tem esta faculdade mais afinadinha.
José Gil lançou cerca de 50 perguntas abordando nove àreas. Aquelas que também são as minhas, as nossas, as do comum dos mortais (eis algumas):

qual o índice de felicidade dos portugueses?

quantas pessoas encaram o desemprego como uma oportunidade?

quantos políticos se preocupam com a pobreza?

quantas horas os responsáveis estimam necessárias para os professores prepararem as lições?

Que consciência têm os responsáveis pelas políticas educativas da especificidade da profissão do docente?

que peso tem a relação aluno-professor na definição das políticas educativas? [Read more…]