Passos Coelho, o quarto pastorinho

Segundo o DN, Passos Coelho acredita que os portugueses vão fazer férias. Desde o “Sangue, suor e lágrimas” de Churchill que não se ouvia uma frase tão vibrante e plena de grandiosidade em que um governante revelasse uma fé tão profunda nas capacidades dos cidadãos do seu país. Depois do slogan “fazer mais com menos” – a que se juntou recentemente o “ter pior mais caro” –, Passos tem uma visão para o país. Passos fecha os olhos e vê: os portugueses aproveitarão a supressão de subsídios de férias, a diminuição dos salários ou o aumento das despesas para viajar até à marquise, onde, no remanso do alumínio, poderão mergulhar nas águas da bacia de plástico portuguesa. Os mais afortunados poderão deslocar-se aos estaleiros de obras mais próximas, onde lhes será possível participar nos tradicionais concursos de castelos na areia.

Passos Coelho revela, ainda, extrema generosidade ao prescindir de decretar o fim das férias. Torna-se, agora, provável que São Bento passe a integrar a rota das romarias religiosas, o que poderá pôr mesmo em causa o comércio de promessas e oferendas do Santuário de Fátima.

Souto de Moura Disfarçado de Ignorante

O prémio Pritkzer 2011, arquitecto Souto de Moura, está sem trabalho em Portugal, e decidiu agora enveredar pelo caminho da idiotia.
Em entrevista à Visão desta semana, afirma o distinto arquitecto que “gostava e perceber os movimentos ecologistas“. E continua: “faz-me impressão o maniquismo: a barragem é má , o betão é mau, o verde é bom. E a energia eólica custa seis vezes mais que a hídrica.”
Pretende assim justificar-se e justificar a excelsa beleza do projecto de maquillage de um escarro chamado Barragem do Tua; inteligente como é, Souto de Moura tem feito, não obstante, muito poucas leituras sobre os argumentos a favor e contra a barragem do Tua. Se não saberia que os “ambientalistas” não falam contra “o betão” ou contra as barragens. Falam claramente contra este mono de betão desnecessário, colocado na foz daquele rio que corre naquele vale único, e justificado pela Eléctrica chinesa como sendo necessária para produzir electricidade. Ora, já todas as pessoas de fé sabem há muito que uma modernização da barragens já existentes supera largamente o alegado acréscimo de potência a debitar pelas barragens do famigerado “Plano Nacional de Barragens“.
Como se vivesse num mundo só seu, o arquitecto finge ignorar o meio que o rodeia, a ele e à roupagem que desenhou para a barragem. Junta-se assim a uma ministra da CULTURA (Canavilhas), a vários ministros inábeis do Ambiente – e há que relembrar a indisfarçavel cumplicidade de Assunção Cristas (criminosamente ignorante ou apenas ignorante?). E junta-se também a um intelectual de craveira para quem as palavras vertidas preto no branco, em 1988, em homenagem ao avô, valem nada, são letra morta. Francisco José Viegas, “escritor“…

Senhor arquitecto Souto de Moura, quando a UNESCO despromover o Douro, vai dizer que não conhecia a região? Vamos rir…

Saudades da Ilha de Gorée, Senegal

Ilha de Gorée

Porque hoje á Sábado, deixo de lado a nefasta gente. O Gaspar, tido como sábio burocrata das finanças, dizem, está em pânico. Que, assim, permaneça por longo e arrastado tempo. Cheio de pânico e mentalmente imobilizado para novas medidas de austeridade. Infelizmente é desejo sem sucesso, penso.

Porque hoje é Sábado, sinto vontade de gritar: QUE SE TRAMEM OS COELHOS, OS GASPARES E TODOS OS OUTROS QUE GRAVITAM À SUA VOLTA E Á VOLTA DE OUTROS QUE TAIS! Sim, todos eles, já inscritos na História como os argos das argoladas.

Porque hoje é Sábado, imaginei-me a revisitar a Ilha de Gorée, frente a Dakar. A caminhar por aquelas ruelas estreitas, marcadas por histórica arquitectura de portugueses, primeiro povo europeu a chegar a essa pequena ilha, em 1444. Mas, onde também se me colou no pensamento a tristeza da ‘Casa dos Escravos’; ali eram retidos de passagem para a América.

Porque hoje é Sábado – Saravá Vinícius! – sinto-me a admirar o casario de Gorée, semelhante na traça à Baixa do Sapateiro em São Salvador. Como fomos enormes e nos deixámos apoucar desta maneira! Desditas do processo histórico. E olhando o Atlântico de uma praia de  Gorée, africana e ufanamente empoeirado, ouço com solenidade e indescritível gozo interior Ismaël Lô; a entoar uma espécie de miscigenação melódica, afro-árabe, que, no fundo, pode simbolizar o cruzamento de civilizações nesse pedaço de terra senegalesa, Património da Humanidade.

Eles andam aí

Trabalhava numa organização clandestina com base em Espanha para apoiar o povo português que não estava com o Partido Comunista. Ajudámos o chamado levantamento popular do Verão Quente de 75, em que houve assaltos às sedes dos partidos comunistas e de extrema-esquerda. (…)

Como é a vida de clandestino?
Há um livro que se chama Dossiê do Terrorismo, das edições Avante, de 1976, que descreve dia após dia o calendário de todas as acções ‘terroristas’, ou seja, anticomunistas. Nesse livro está uma fotografia minha na estação da Campanhã que tem como legenda: ‘O Capitão van Uden, mais conhecido pelo Colombiano, momentos antes de iniciar uma operação terrorista na cidade do Porto’. Não fui preso por milagre. Detectaram-me, mas despistei-os sempre.

A rede terrorista ELP/MDLP começou por ser investigada pela PJ com um inspector especializado (era membro da organização) a comandar as operações. O que chegou a tribunal não serviu para nada. Falamos de assassinos, bombistas confessos, terroristas puros e duros. Agora dão entrevistas sob o retrato do maior canalha que passou pelo governo de Portugal, Miguel de seu nome, banido para sempre, recuperado por Salazar.

Acordo Ortográfico: António Emiliano e a insignificância da ortografia

Não sei se é um hábito exclusivamente luso, mas a tudologia parece-me ser um vício entranhado no carácter do cidadão português. Escrevi, há alguns anos, dois textos (aqui e aqui) sobre a facilidade com que aqueles que não são professores têm opiniões que consideram fundamentais e fundamentadas sobre Educação e sobre o próprio quotidiano da profissão docente.

Não é de admirar que isso aconteça num país habitado por treinadores de bancada, aptos a resolver, de modo expedito, os problemas da equipa que apoiam, ao contrário dos treinadores encartados que se sentam no banco.

No que se refere às ciências humanas e sociais, o tudólogo sente-se à vontade, porque matérias como História, Literatura ou Geografia parecem ao alcance de qualquer mortal com dois dedos de testa e três dedos de conversa. Não desejo defender que só os especialistas sejam autorizados a emitir opiniões sobre as matérias em que se especializaram, mas nada me impede de aconselhar aos leigos que tentem, pelo menos, informar-se sobre aquilo que pensam os estudiosos.

O debate sobre o AO tem sido um campo fértil do exercício da tudologia, com o consequente desprezo pelos especialistas. Um dos disparates mais defendidos pelos apressados defensores do AO é o de que não tem importância nenhuma mexer na ortografia, dislate repetido recentemente pelo Secretário de Estado da Cultura, com o argumento de que é um objecto artificial.

António Emiliano pode ser um homem detestável ou uma excelente pessoa ou alternar ambas as características ao longo do dia ou conforme as estações do ano, mas é um linguista com provas dadas. É por essa razão que é importante, pelo menos, ler o que escreve e, depois, aproveitar para reflectir.

Concursos de Professores – comentários à 2ª proposta do MEC

O Ministério da Educação e Ciência apresentou uma nova proposta para a revisão da legislação que regula a colocação do pessoal docente.

No Professores Lusos está disponível uma primeira análise, tal como no Blog de Ar lindo.

Vamos então ao debate!

Tínhamos escrito que:

“Agora, quanto à proposta em concreto,há alguns elementos que irão ser alvo de nova proposta por parte do MEC: vai criar um outro intervalo entre 6 e 21 horas, irá reduzir a exigência de 4 anos para entrar na primeira prioridade e penso que irá limitar a amplitude geográfica excessiva (obrigação de concorrer a 3 QZP’s) apenas aos docentes contratados.”

Sobre estas três apostas, acertamos em duas:

– o MEC apresenta uma nova proposta de intervalo para o concurso dos docentes contratados: ” a) Horário completo; b) Horário entre 15 e 21 horas; c) Horário entre 8 e 14 horas“;

– e a exigência de ter trabalhado com horário completo em quatro dos últimos 6 passou a ser: “docentes num horário anual não inferior a 12 horas letivas, em dois dos seis anos letivos imediatamente anteriores.”

Por outro lado, depois da primeira reunião no MEC tinha sido conhecida uma novidade má que tornava impossível o concurso para mudança de escola aos professores dos quadros, na medida em que um professor a concorrer de Tavira para Olhão poderia ir parar a Setúbal. Quanto a isto o MEC não muda nada!

Esta segunda proposta enquadra também a renovação de contratos que ” depende do preenchimento cumulativo dos seguintes requisitos: a) Apresentação a concurso; b) Inexistência de docentes de carreira no grupo de recrutamento a concurso e que tenham manifestado preferência por esse agrupamento de escolas ou escola não agrupada; c) Manutenção de horário letivo completo apurado à data em que a necessidade é declarada; d) Avaliação de desempenho com classificação mínima de Bom; e) Concordância expressa da escola; f) Concordância do candidato.”

As alíneas c) e e) vão criar dificuldades porque vão tornar mais dependente da boa disposição do diretor a renovação ou não da colocação.

E para terminar, numa reflexão anterior tinhamos alinhado outras dúvidas, nomeadamente em relação às prioridades dos docentes que trabalham no privado – “São igualmente ordenados na 1ª prioridade os docentes de estabelecimentos particulares com contrato de associação” (artigo 10º, ponto 3, alínea b)). Esta medida coloca em vantagem os docentes do privado – proposta, por isso completamente inaceitável!

Como alteração positiva, podemos também relevar a intenção de deixar bem claro o que acontece a um docente sem componente lectiva:

“a) Caso o número de voluntários exceda a necessidade, o Director deve indicar por ordem decrescente da graduação profissional;

b) Na falta de docentes voluntários, deve o diretor indicar por ordem crescente da graduação profissional.”

Agora,  segue-se uma análise mais detalhada, com o apoio da caixa de comentários do Aventar!

Concursos de professores – aí está a segunda proposta do MEC

Para mais tarde fica uma análise. Por agora o dito cujo.

O valor da amizade com confiança

corrente de amizade

…para a pessoa que soube confiar em mim e eu falhei… 

Há um sentimento que não tem preço: o da amizade com confiança. Há quem confiou em mim a correr e eu não fui capaz de corresponder. Estamos a viver uma vida amargurada por causa de ser a maior parte da população que é roubada pelos proprietários dos meios de produção. Bem sei que a frase a tenho retirado do texto de Kart Marx de 1867: O Capital. Texto que soube descobrir a fórmula da acumulação de dinheiro convertido em moeda e em lucro com mais-valia.

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