Yes!

Portugal é o primeiro no ranking!

Arquitectura de Terra

Mesquita de Bobodjulasso, no Burkina Faso

“O prazer intenso que as civilizações tradicionais têm em manipular o ornamento (…) traduz-se no génio criativo, artístico e decorativo das arquitecturas de terra: gravado nas paredes ou aplicado em relevo, tanto é abstracto, gestual, geométrico, simbólico ou figurativo”.

A arquitectura tradicional de terra é resultado do acumular de saberes milenares, em que o homem utiliza o material retirado da natureza e o aplica para construir os seus edifícios segundo técnicas que tiram partido das suas características e potencialidades.

Essas técnicas mudam de local para local, não só em termos construtivos, mas sobretudo estéticos, assumindo cada uma delas uma identidade geográfica própria, que relaciona a sociedade, o edificado e o meio ambiente, e une o homem, a construção e a natureza.

É na plasticidade do material que o homem exprime toda a sua criatividade.

 “Os métodos de utilização da terra permitem não dissociar a materialidade e a espiritualidade do acto de construir, pois este material permite a simultaneidade e a síntese das acções construtivas e artísticas. (…) É numa arquitectura escultural de terra crua que floresce a voluptuosidade dos arredondados, o erotismo e a sensualidade das formas.”

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Quem Protesta Quer Cacete

A leitura das cacetadas de ontem será obrigatoriamente dúbia. Nem mesmo os bloggers que se prestam às leituras hiperbólicas do tipo «está aí a repressão do passado» se atrevem a avançar culpados ou inocentes definitivos. Ainda não se interrogaram se não é precisamente dando azo à testosterona e partindo para cima que as Polícias ao mesmo tempo que trabalham, também protestam e também se divertem. Para quem vai e vem pachorrentamente para o seu trabalho a fim de receber a sua gorjeta salarial, não há cacetadas, senão a grande cacetada de perder sempre. Já certos jovens gordinhos, cheios de padrinhos políticos e de outros padrinhos de ócio, esses que são de Esquerda só por ser chique, sim, querem cacete.

Os animais na quinta do fim do Mundo.

Desde o clímax do milenarismo, em 2000, que tem vindo a aumentar a ansiedade quanto a outro hipotético “fim do mundo”. Do cinema à publicidade, todos glorificam o momento final como se fosse possível vender souvenires do armagedão. Se repararem não há blockbuster recente que não introduza o tema do fim do mundo. Os espectadores acorrem para assistir de camarote ao take final. Afinal de contas, para os tradicionais voyeurs dos acidentes, aqueles que abrandam ou param para ver os destroços dos carros sinistrados, ou os que aguardam no sofá pela imagem do sangue que os cameramen sempre filmam, o paraíso é ver acontecer a desgraça final, em todo o seu esplendor.
Por outro lado, crescem as associações, campanhas, movimentos e manifestações a favor dos direitos dos animais. No mundo ocidental, o animal começa a tornar-se cada vez mais humano e as suas necessidades ultrapassam mesmo as dos indivíduos. Não se trata só do orçamento gasto em alimentação dos animais domésticos que, nos EUA, ultrapassa já a dotação destinada aos sem-abrigo, mas a própria humanização do bicho. O cão (ou o gato) já não é apenas o melhor amigo do homem, mas um novo-Homem.
Não sei se entre ambos os fenómenos existe uma relação directa, nem vou tentar encontrá-la à luz das teorias relacionais e por vezes conspirativo-esotéricas. Mas uma coisa parece-me coerente: existe aqui muita falta de auto-estima (colectiva e individual) e, sobretudo, falta de crença na humanidade. Uma sociedade que deposita nos seus animais toda a sua força anímica, que os diviniza e dirige para eles as suas esperanças, não deseja se não o fim da sua espécie. Conheço pessoas que vivem com dezenas de cães e gatos e são incapazes de se relacionarem socialmente.
Devo dizer que adoro animais e sempre que posso faço o necessário para os acolher e providenciar-lhes conforto. Mas não posso colocar à frente do meu semelhante as necessidades de um animal, se o fizesse estaria a negar o meu ser pensante, o meu lugar num complexo labirinto de vida que me trouxe até onde existo.
Talvez esta negação advenha e exista efectivamente e se espelhe numa sociedade cada vez mais dependente de seres vivos que não desiludam, que não falem nem pensem mas que sejam leais e devotados ao seu criador – estas qualidades são em geral as que os grandes activistas pró-animais alegam na sua luta. Para eles os animais são mais leais que o Homem.
Talvez tenham razão e que, um dia, eles nos governem e se  tornem nós, como no “Animal farm” de Orwel.
Essa seria, com certeza, a maior ironia de todas.

E para rematar (ainda o dia de ontem, aquele onde tudo se estragou numa fotografia)

O Governo. Fodeu-se, e não há outra maneira de escrever isto.

O resto, não sendo o que digo não anda muito longe do que penso: luis m. jorge.

Ide lá ler, também tenho umas teorias conspirativas tipo a bófia fez de propósito, molhados, mas é poesia a mais para uma sexta-feira de primavera.

Pôr os cornos


A imponente espanhola de família francesa, a fidelíssima Rainha D. Mariana Vitória de Bourbon, terá rejubilado, ruidosamente fazendo roçagar em fru-frus, as sedas do seu vestido de Corte versalhesca. Pelos salões do Paço da Ribeira, marcava-se então o novo passo da ordem, distanciando-se este assim do pretérito reinado joanino, onde as Pompadours lusas se enclausuravam em conventos, embora dentro destas santas portas, trajassem tão bem ou ainda melhor que a agora viúva Rainha D. Maria Ana de Áustria, igualmente gozando as delícias do conforto dos móveis, diamantes e outros luxos que os Magnânimo fazia chegar de Paris. Para nem sequer mencionarmos as mulas carregadas de lembranças que a Petronilha levou, quando D. João nela fartamente se rebolou. Bem vistas as coisas, bem podiam os lisboetas dependurar cornos sobre as entradas das igrejas e conventos, pois a bem do zelo pelo natural e humaníssimo furor uterino dalgumas donzelas involuntariamente votadas à clausura, a Majestade não resistia em sorver os prazeres discricionária e platonicamente reservados ao Senhor mais alto, ou seja, o guloso usufruto do enxame de freiras e monjas que faziam abarrotar conventos dentro e fora de portas.

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Estiveram-se a guardar para lutar pelos direitos de todos mais tarde

Controladores aéreos convocaram cinco dias de greve para Abril, ao início da manhã

Logo a greve geral foi calhar fora do habitual período de greves da Páscoa. Seguem-se os pilotos e demais que lutam pelos direitos de todos mas só em alturas específicas.

13h36: A greve não está a ter impactos nos voos da TAP, que, de acordo com fonte oficial da companhia de aviação, “está a ter um dia de operação normal”. Foram apenas reprogramados dois voos para Paris e Roma por motivos relacionados com escassez de passageiros. Apenas um dos sindicatos ligados à transportadora, o SITAVA, emitiu um pré-aviso para a greve de hoje. Público

Lutar pelo país, lutando pelos direitos individuais. Acho muito bem. Especialmente no Natal, na Páscoa e em Agosto.

A brutalidade da PSP e o silêncio dos coniventes

Ao longo do meu percurso de vida desde a adolescência, sempre tive com a PSP uma relação de indiferença, distanciamento e de contido asco. Começou no final de tarde do dia 1 de Maio de 1962, mais precisamente. Eu e um colega de trabalho, ambos ‘teenagers’, descemos a Rua da Prata, em Lisboa, em direcção ao transporte e, de súbito, deparámo-nos com uma manifestação contra o regime salazarista, no Terreiro do Paço; a organização e a realização eram por nós ignoradas.

Sem que tivéssemos ensaiado quaisquer gestos ou brados, fomos inesperada e cobardemente agredidos por dois agentes da PSP. Pusemo-nos em fuga, um para cada lado. Todavia, o meu amigo E., soube depois, ao ser marcado por um jacto de tinta azul, lançado por uma viatura especial da PSP, acabou por ser detido e enviado para a Prisão de Caxias, cerca de 1 mês.

Com efeito, nesse dia, 1 de Maio de 1962, contraí uma espécie de virose vitalícia contra a PSP e quem a dirige. Desprezo-a sempre e, na minha vida pessoal, felizmente nunca necessitei dos seus préstimos, nem jamais tive problemas com semelhante gente, a não ser  duas ou três multas por estacionamento irregular; as quais paguei, naturalmente. [Read more…]

Página de Diário III

 

(foto: Hugo Correia/Reuters)

A mulher, com seus bonitos oitenta anos, cabelo muito curto, brincos, camisola de gola alta,  ocupava o canto mais escondido do estabelecimento onde costumo tomar café. Sobre a sua mesa, não vi marcas de pequeno-almoço. No lugar da chávena e do prato, folhas soltas, muitas, manuscritas, espalhadas também sobre as cadeiras ao seu lado, num certo caos caseiro. Um livro aberto completava o quadro, tão real quanto a foto acima. Seria um dicionário?

Levantou-se. Voltou à mesa com o Jornal de Notícias. Movia-se como se estivesse na sua própria casa… Pousou-o dobrado sobre as suas coisas. Ficou a olhar para os títulos da primeira página da edição de ontem. Entretanto, outros clientes esperavam a oportunidade de agarrar o mesmo jornal que sabe bem ler de graça enquanto se toma o café. [Read more…]

A verdade em primeira mão

O que aconteceu ontem no Chiado contado por quem lá esteve. E claro que não acredito na versão da polícia e me inclino para esta. O menino jesus é no natal.

Más notícias para o governo: a greve correu mal

Parece contraditório mas não é. Não sendo um fracasso a greve foi fraquinha. Como era de esperar: as greves ficam caras a quem as faz, a vida está difícil, e um milhão de portugueses em idade activa não tem trabalho.

Significa isto que os sindicatos estão a perder o controle do protesto, fez no dia 12 um ano que tal começou, mas a revolta existe. A revolta é a condição natural dos humanos quando perdem direitos e agrava-se na medida em que se sentem roubados, piorando e muito quando têm fome. Funciona a revolta como todas as pressões: acumula-se, por vezes tem as suas válvulas de escape, volta a acumular-se.

A má notícia para quem rouba direitos é essa: a válvula de escape não está a funcionar. Uma chatice. É tradição nacional explodirmos pouco, mas quando explodimos, nem interessa se por boas ou más razões, partimos tudo.

Isto ainda vai dar merda, e da grossa, pois vai. E não vai ser em câmara lenta.

A cenourada

Run Rabbit Run, a Gui conta o que se passou no Porto com um primeiro-ministro apressado.

O artigo perfeito

Sobre o tás quietinho ou levas no focinho de ontem: polícias e fotojornalistas, é com o Marco.

Hoje dá na net: Conferência sobre os limites do crescimento

Conferência realizada na Gulbenkian, sobre o livro: The Limits to Growth, com Timothy O’Riordan e Paula Antunes. Esta temática está mais actual do que nunca, numa altura em que os sistemas económicos vivem no limite, quando atravessamos uma crise energética sem precedentes e quando o próprio mundo parece estar a atingir os seus limites ecológicos.
Em português e em inglês (sem legendas).

(Sugerido por um leitor a quem agradecemos.)

Uma Santa Casa para o CDS – 2

O Aventar recebeu-me simpaticamente aquando do meu primeiro texto. Regresso com a segunda de várias partes numa vergonha que deve ser combatida em nome de todos os portugueses que lutam todos os dias por uma vida melhor e que o fazem sem precisar de ter cartão de militante do eixo do mal que é o PS-PSD-CDS no que concerne à tomada de lugares no estado.

Como sabem, a senhora Suzana Ferreira surgiu pela mão do conhecido militante lisboeta do CDS Fernando Paes Afonso. Mas quem é este senhor: [Read more…]

Um Pentelho Catroganiano Entre os Dentes

Apoiei Eduardo Catroga aquando daquele arrastado e cínico processo negocial com Teixeira dos Santos. Interiormente, abraçava-o e confiava nele como num experiente senex patriota, apaixonado como eu por Portugal lá, onde outros se apaixonam pelo dinheiro fácil da posição de Poder e se apaixonam ainda mais pela própria aura postiça feroz em maratonas de fingimento e charla. [Read more…]

E entretanto no Brasil…

A nossa embaixada relata os incidentes. Abaixo a repressão, escreve o adido de imprensa, de seu nome AnonymousBrasil…

Mais imagens do Chiado

Vê-se bem que as ordens são claras: tudo o que fotografa ou filma é para atacar. A PSP no seu melhor.

Como a PSP conseguiu ir mais além que a CGTP…

Imaginem uma greve geral sem grande história. Ok, agora imaginem que a PSP resolve perder o controlo de uma situação banal. Ok, passou a ser uma greve geral sem história com muita história para contar. Como escreveu um amigo meu, só se espanta com a atitude da PSP quem nunca foi ao futebol. Uma tristeza.

Já hoje tinha escrito sobre a Greve Geral e o fiasco da CGTP. Nunca pensei ver a PSP fazer pela greve geral o que uma estrutura sindical não conseguiu. Enfim.

Greve, direita, carneiros e ladrões

Acabou a Greve Geral!

Voltemos ao Aventar.

Fazer ou não fazer Greve é uma opção de cada trabalhador – começando por ser um acto colectivo, a sua concretização acaba por ser um momento particularmente individualista.

Se a Greve resulta ou não, se é bem marcada ou não, são reflexões para outros tempos. Por agora importa ir direitinho à fonte, porque tenho sede!

Sede de dizer na cara a alguns dos que nos roubam que chega! Parem! Estamos fartos!

Que não concordem com a sua marcação, que até achem que este não é o momento ou até que não serve para nada, tudo pode ser discutido.

Agora, virem com a tanga do Direito à Greve, da sua existência ou não, da sua limitação… Vão todos para aquela parte! [Read more…]

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