Demitiram-se? não chega

Diz que a administração da Parque Escolar se demitiu. Não se sabe é quando o Tribunal de Contas publica o que tem a publicar, notifica o Ministério Público e este age em conformidade. Esta gente deitou fora, não fez o que tinha a fazer (recuperar o parque escolar), não criou empregos, distribuiu pelas grandes empresas e ateliers e cometeu vários crimes de lesa-património, histórico e ambiental.

Foi isto a Parque Escolar, um exemplo de topo do socratismo a brincar com o investimento público a caminho da privatização do ensino, desígnio supremo de Maria de Lurdes Rodrigues, única razão que explica a complacência com que Nuno Crato os tratou ao longo destes meses. Vai uma aposta em como a seguir vamos ouvir falar da privatização da empresa que já é dona de dezenas de edifícios públicos?

A fotografia foi publicada pelo Paulo Guinote e feita aquando da intervenção da Parque Escolar no Liceu Gil Vicente. Embora alguém ali tenha comentado “Estes azulejos foram descobertos quando se procedeu a escavações com vista à actual remodelação da escola Gil Vicente. Foram retirados e encontram-se no Museu do Azulejo para serem recuperados.“, o mínimo que se lê na imagem é: prospecção arqueológica, não se faz? No governo que mandou o Museu Nacional de Arqueologia para onde não pode estar deve ter sido um acto de coerência política.

 

Em terra de vinhos

Por HUGO OLIVEIRA

1- Na cidade de Bordéus existe uma pequena praça, igual a tantas outras. Envolvida por árvores. Alguns bancos para se sentar. Espaço para se estar, brincar. Dois arquitectosforam escolhidos para embelezá-la. Após várias conversas com os moradores e de inúmeras visitas ao local, chegaram à conclusão de que a praça já era bonita assim como estava. Os edifícios circundantes também partilhavam dessa bela simplicidade. A vanidade tão frequentemente associada aos arquitectos foi renunciada ao se constatar que não era necessário um projecto de arquitectura. Podar as árvores, cuidar do cascalho. Uma simples vassourada era suficiente.
 2- O Douro Vinhateiro, por outro lado, não é qualquer praça. A sua beleza é bem mais complexa. Os elementos que a compõem estão associados à “produção de vinho, através dos seus terraços, quintas, vilas, capelas e caminhos” e não propriamente à produção hidroeléctrica. Segundo especialistas, a criação da famigerada barragem do Tua levaria à submersão de significativas áreas da zona classificada pela UNESCO. Do ponto de vista económico também haveria consequências muito fortes (há quem fale de um aumento na já elevada factura de electricidade fazendo lembrar os já elevados lucros – €1079 milhões – registados pela EDP em 2010). [Read more…]

Atira-te ao mar


Beija-me na boca e chama-me Tarzan

Miséria a quanto obrigas

Reafirmando as dificuldades económicas que atravessa, Cavaco Silva decidiu fazer de um daqueles livros chatos onde se guardam os discursos que alguém lhe escreveu um campeão de vendas. Vai daí escreveu umas coisas num prefácio sobre o anterior primeiro-ministro. Estão bem um para o outro. Ainda não percebi porquê mas anda meio mundo muito excitado com o assunto.

Eu o livro não compro, mas se precisar de uma sopinha de urtigas, cá em casa arranja-se. Cada um dá o que pode e a mais não é obrigado.

Carta do Canadá: A Sobremesa Americana

Fernanda Leitão 

O prémio Nobel, depois de lhe terem aposto as insígnias doutorais de três universidades, desabafou, entre naif e apardalado, que nunca tinha tido tantas coisas penduradas no pescoço ao mesmo tempo.Ninguém o avisou que Portugal é a pátria do oito ou oitenta. Depois, no silêncio do seu quarto de hotel,  Paul Krugman escreveu para o New York Times uma prosa datada de Lisboa.

Prosa desencantada que começa “por aqui as coisas estão terríveis”, estende a lista do desemprego alarmante, da economia que não cresce, da classe média esmagada e vestindo o estatuto de novos pobres, da recessão garantida, da dívida que não é garantido poder ser paga. E acaba perguntando:”Porque é que a Europa se tornou o doente da economia mundial?”.  Para, de novo, elaborar uma lista de razões e de comparações, acabando por denunciar a “ irresponsabilidade fiscal” e o excesso de austeridade despótica da Alemanha.  Que, no seu parecer, vai provocar situações como a da Grécia nos países do sul da Europa. E não só, já que se mostra sombrio em relação à Irlanda, Bélgica e Holanda. [Read more…]

KONY 2012, o vídeo que anda a correr o mundo

Com milhões de visitas em poucos dias, tem feito mais pela visibilidade das “crianças invisíveis” no Uganda do que muitos discursos, eventos, campanhas internacionais, etc. Para ver, lembrar e agir, mesmo considerando as polémicas (que são muitas, como lembra, num comentário a este post, a M. João Nogueira).

A política dos mais pequeninos

Cavaco Silva é um dos maiores especialistas mundiais da Escola “Eu bem avisei”. Quando deixar a Presidência da República poderá ser comentador de futebol ou estará em condições de frequentar qualquer grupo de sueca, tal é a sua capacidade de explicar que tudo o que já aconteceu era previsível que fosse acontecer. O prefácio do seu livro contém uma série de verdades tão evidentes sobre o desgoverno socialista que até um catedrático de Economia as conseguiu perceber, limitando-se depois, com a tibieza do costume, a explicar por que razão não pôde dissolver a Assembleia da República, quando, na verdade, esteve, convenientemente, à espera dos seis meses em que não o podia fazer, por puro cálculo eleitoral, preocupado como está com o seu lugar na História, obcecado com a pose do estadista com que ficará na galeria de quadros de Belém.

Pedro Silva Pereira é um dos maiores especialistas da corrente “Quem diz é quem é” e tem todas as condições – até físicas – para voltar ao Jardim de Infância e fazer beicinho. Diante das críticas que Cavaco Silva faz à governação socrática, cuja mediocridade e insensibilidade são igualadas ou ultrapassadas pelas do actual governo, chama a atenção para o episódio das escutas, em que Cavaco soube fazer jus à sua pequenez. Todas estas manifestações de puerilidade chegam a ser enternecedoras, fazendo lembrar as criancinhas a discutir, com o menino Cavaquinho a gritar “Tu és feio, não passas a bola!” e o Pereirinha a responder “E tu és estúpido, o teu pai cheira a cocó!”

Finalmente, Ferro Rodrigues, ao incentivar a bancada socialista a que defenda a herança do governo de Sócrates, limita-se a ser um bom portuguesinho, aquele portuguesinho que se agarra, incondicional e irracionalmente, à defesa do seu clube ou do seu partido, porque é o seu clube e o seu partido. Em privado, o portuguesinho até pode deixar escapar um veneno certeiro sobre a mediocridade de um correligionário, pode, até, reconhecer que não merece ganhar um jogo ou governar um país, mas, porra!, temos de defender os nossos!

Eu quero Marcelo candidato à presidência

Anda por aí, à esquerda, uma engraçada discussão sobre Marcelo Rebelo de Sousa putativo candidato à presidência da República. Deixo de lado a parte fait divers de Francisco Louçã o ter convidado para apresentar um livro, desse episódio só me interessa ler o livro à primeira oportunidade, embora sempre diga que convidar um adversário para apresentar um livro, é obra.

Mas desde já me manifesto como apoiante incondicional da candidatura de Marcelo Rebelo de Sousa a presidente de todos os espectadores portugueses, que até assino se for preciso. Por debaixo daquela arrogância de grande mestre da politica nacional está o homem que não foi presidente da Câmara de Lisboa nem primeiro-ministro, um verdadeiro campeão das derrotas eleitorais. Espero bem que seja o candidato da direita, contra ele a esquerda até pode eleger não direi o Pato Donald mas o Corto Maltese, e assim ficará demonstrado que em derrotas também não há duas sem três. Força Marcelo, avante.

Duas coisas óbvias sobre o último choradinho de Cavaco

É inacreditável que Cavaco tenha publicado memórias sobre o seu último mandato, estando em funções que são a continuidade desse mandato, mais uma vez se comprovando que é a sua agenda pessoal que o move. Vejo este livro como uma forma deste político “não profissional”, como ele próprio se definiu ao definir os outros de “profissionais da política”, como uma  reacção ao recente comentário desbocado sobre os seus vencimentos, numa tentativa de se elevar rebaixando o morto. Agenda pessoal, portanto. Naturalmente que quem anda à chuva, molha-se, especialmente devido à opção pela intriga palaciana em vez de comentar o que se fez à economia.

O segundo aspecto óbvio desde o primeiro momento, salvo para aqueles que preferiram engolir a propaganda socrática, é que Sócrates quis fugir dos seus seis anos de governação, que não resolveram os problemas do país e que ainda os agravaram. Recorde-se, por exemplo, a injecção de dinheiro em algumas empresas no período pré-eleitoral (Parque Escolar, só para citar uma), deixando-nos ainda mais fragilizados perante os detentores de dívida pública (os famosos mercados). E lembremos-nos da nacionalização do BPN (que transformou um problema privado num problema de todos) e do caso BPP. Se os anteriores governos abriram a cova, os de Sócrates mataram o moribundo e o actual governo está a fazer o enterro.

Cavaco volta a sair mal na foto e ainda tem quatro anos de mandato pela frente. Aguentar-se-á? Claro que sim. O Presidente da República não pode ser demitido e este não tem estaleca para se demitir.

O contraditório ao jornalismo de retrete

O caso do artigo que Francisco Almeida Leite escreveu em papel higiénico preto, passe a publicidade, e que tem a lata de defender perante Oscar Mascarenhas armando-se em sénior (tem uma longa carreira como moço de fretes do situacionismo passista, isso é verdade) com o mirabolante argumento de que não era preciso exercer o contraditório, ou seja fazer jornalismo, porque se tratava de um argumentário do governo, tem dado muito comentário. Eui vou-lhe dar o contraditório, a partir de caixas de comentários à notícia espalhada online com pequenas correcções linguísticas, o estilo não será o melhor, mas a verdade não precisa de literatura:

FAL: “Descanso na CP para cada trabalhador é de 30 dias/ano. No metro de Lisboa, se gozados fora do período “normal”, pode também chegar aos 30 dias.”

 É verdade que os motoristas de carris têm 30 dias de férias enquanto os restantes têm 25 , só que nós motoristas temos dias corridos e não dias úteis, se eu tirar 30 dias de férias as minhas folgas contam como dia de férias e se fosse no regime dias úteis os fins de semana (folgas) não contam como dias de férias, então agora façam as contas para ver quem é que tem mais dias de férias , os que têm 25 dias uteis ou 30 dias seguidos. [Read more…]

Hoje dá na net: There’s No Tomorrow

There’s No Tomorrow

Curta metragem sobre um dos problemas mais importantes que enfrentamos hoje em dia, a escassez de energia e a nossa total dependência dos combustíveis fósseis. Não deixe de consultar o site deste filme.

Legendado em português, veja depois do corte como activar as legendas.

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Aos Bloggers

O Congresso do PSD que se vai realizar nos próximos dias 23, 24 e 25 de Março em Lisboa, vai aceitar pedidos para credenciação da denominada social media onde se incluem os Bloggers.

http://congressopsd.com/pt/informacoes_uteis

relacoespublicas@psd.pt