Fim dos subsídios ou a eternização do roubo

O germanófilo Peter Weiss, austríaco de nascimento, comissário europeu, admite que Bruxelas venha a transformar em definitivo o corte dos subsídios de férias e de Natal a funcionários públicos, trabalhadores de algumas unidades do SEE, reformados da função pública e pensionistas do sector privado, exceptuando, no último caso, os beneficiários dos fundos de pensões da banca.

A medida do corte é de exclusiva iniciativa e responsabilidade do apóstata Passos Coelho, sob concepção e ‘design’ do sublime artista Gaspar; excessiva, lembre-se, em relação ao ‘memorando de entendimento’. Bastará rememorar elucidativos trechos desse memorando, subscrito pelas duas troikas, FMI-CE-BCE e PS-PSD-CDS; vejamos:

Da página 3:

Ponto 1.9:

  • Congelar salários do sector público em termos nominais em 2012 e 2013 e constrangimento das promoções.

Ponto 1.11:

  • Reduzir pensões acima dos 1.500,00 euros mensais em conformidade com as taxas progressivas aplicadas aos salários da função pública em Janeiro de 2011, com o objectivo de obter economias de pelo menos 445 milhões de euros.
  • Suspensão da aplicação de regras de indexação e congelamento das pensões, excepto para as pensões mais baixas, em 2012.

O Estado Português, pessoa de bem, dizem os assépticos, comportou-se como o vilão que, sem escrúpulos, se apropriou indevidamente de parte do rendimento de centenas de milhares de cidadãos. E como estamos sob o signo de fragilidades da cidadania, pactuando dócil e colectivamente (não somos Gregos nem Catalães), vem agora o tal Weiss avisar que a retirada dos subsídios, por decisão da CE, pode vir a transformar-se em definitiva. Tem aversão a medidas extraordinárias é o topete com que impinge a argumentação para converter o roubo em permanente.

Como tudo isto não encerrasse, em si mesmo, uma insolente perversão dos direitos de cidadania, o governo de Passos e Portas tem tido a desfaçatez de, às iniquidades iniciais, adicionar outras iniquidades. Fá-lo através da preservação dos direitos salariais a trabalhadores de empresas do SEE (TAP e CGD, por exemplo) e pensionistas da banca a quem garantiram as 14 mensalidades anuais. Há, pois, filhos e enteados.

O governo pratica, portanto, desmandos sem barreiras ou limites, em especial pela via do silêncio do Tribunal Constitucional cuja decisão sobre desigualdades inconstitucionais parece adiada ‘ad eternum’ – eternizam a injustiça e o roubo até ao momento em que o povo permitir. E infelizmente não se prevê o fim do consentimento colectivo do furto.

(Do PR, não falo. Espero que um dia o País o venha a fazer, em jeito de melodrama)

Comments


  1. eu gosto sempre da parte que está presente em todos os textos… “exceptuando, no último caso, os beneficiários dos fundos de pensões da banca

    E tem lógica… Sem esta Banca Privada que tanto faz pelos países e pelos cidadãos, nós já estaríamos MORTOS e ENTERRADOS por certo! Bem, enterrados talvez não… é melhor só MORTOS…

    Assim sendo há que continuar com este RUMO pois não há outro possível… nem sequer imaginário… VIVA o SISTEMA MONETÁRIO… VIVA o CAPITALISMO…


  2. Se havia ainda dúvidas? Eis o esclarecimento que faltava.
    As expeções são a vergonha que provoca revolta e falta de coesão nacional.

  3. Luís says:

    Lendo os vizinhos de cima chego à conclusão que o VERDADEIRO ROUBO que está a ser feito aos FP e aos pensionistas só é injustificado porque os bancários reformados não foram também ROUBADOS.
    A coisa para ser “justa”, segundo os vizinhos, tinham que ser ROUBADOS também os pensionistas bancários (e não banqueiros)!

    Isto tudo para termos uma verdadeira “coesão nacional” !!!!!!!!!!!!
    …lol

    (Já agora conto-vos um conto, de um amigo meu, FP, que tinha combinado com umas dezenas de colegas, que logo que recebesse o salário com o ROUBO, iriam todos à esquadra da PSP apresentar queixa desse mesmo roubo.
    No dia apareceram três na esquadra … os outros não vieram por motivos atendíveis … uns porque tinham medo, outros porque não se lembraram, outros porque não estavam para se chatear, outros porque não lhes apeteceu, outros porquer estavam a comentar a “injustiça” no Aventar … )

  4. the sound of music says:

    EdelWeiss, EdelWeiss
    Every morning you greet me
    Small and white clean and bright
    You look happy to f**k me

  5. Bancário triste says:

    Parece que estes “comentadores” já estão a ser enganados pelos “media” que estão a preparar o povo para mais uma roubalheira.
    Como bancário reformado quero LEMBRAR que este (des)governo levou os fundos da banca já provisionados com 14 MESES.
    Portanto parece que os que estes “comentadores” defendem é a nivelização por baixo, ou seja, se aos funcionários publicos roubaram 2 meses de subsíduo, isto só estará bem quando ROUBAREM a todos. Até nisto o português é pobre de espirito.

  6. Carlos Fonseca says:

    #5
    Talvez possa resultar da leitura do ‘post’ que defendo o nivelamento por baixo, por eliminação dos subsídios dos bancários. O que considero de gritante iniquidade é o facto de, depois de anos a fio a descontar 14 meses, o governo retire a centenas de milhares de portugueses os subsídios; medida não prevista no memorando da troika. Não deveriam, pois, ser retirados a ninguém.

  7. maria celeste ramos says:

    Que buraquinho vai tapar o que roubam, com o a mim, os meus 2 subsídios e alé do aumento de IRS ?? Estes Robins do Bosque a quem vão dar o que roubam despudoradamente ???

  8. maria celeste ramos says:

    Estes tipos serão o tipo de católicos a comungar ao domingo depois de se confessarem ao sábado para na 2ª feira repetirem e dormirem de “consciência tranquila” como sempre afirmam ??

  9. Bancário triste says:

    Durante todos anos de trabalho os descontos também se aplicaram aos Subsidios de Natal e férias. Se todo esse dinheiro que devia ter sido posto a render para pagar as reformas, foi mal utilizado (ou roubado), então porque não incriminam os gestores e políticos. Para que serve o PGR? Quem defende o Zé Povinho? Já agora uma pergunta porque realmente não sei – os deputados recebem ou não os subsídios? e os políticos?
    Quando é que este povo tira os ladrões dos governos e os coloca atrás das grades. Não esperem pelos juízes porque eles dizem que a lei não os deixa fazer nada….?


  10. Já vi que citei texto a mais… vou encurtar a citação “banca“… Acho que assim o Luís já fica mais satisfeito…
    Para mim a beleza da coisa são os 8.000.000.000€, mais nota menos nota, que por magia se transformaram em 40.000.000€… isto para mim é que é…
    Aliás hoje em dia sempre que oiço algo do tipo “medida do Governo permite 75.000.000€ de poupança” penso de imediato “Só!!!”, as notícias então das eventuais (mais que certas) indemnizações aos bacanos do CAV essas então nem contam para NADA… A nossa bitola (e não é nem a ibérica nem a europeia) Portuga está muito ELEVADA… Tudo o que for menor que 8.000.000.000€ é LIXO! 😎

  11. Miserere Dominus Meo (Box) says:

    6 minutos e 55 segundos este é um dos perenes…nã cai nem uma folha..

    deve ser dos que tem energia subsidiada pelo estado…

  12. Jorge Anyous says:

    O mal dos portugueses é de aceitarem tudo.Se assim não fosse a esta hora não havia a rábula de 2014.

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