A cultura é uma necessidade

No momento em que cresce o número de alunos do ensino superior a abandonar (devido à crise económica) o curso que sonharam e para o qual tanto trabalharam; no dia em que se torna pública a posição da Igreja sobre este assunto (receia que o ensino superior seja só para as elites); a comemoração do Dia Internacional dos Monumentos e Sítios traz à baila a importância da cultura.
Guilherme d’Oliveira Martins (Presidente do Tribunal de Contas) sublinha a ideia, que deve ser muitas vezes repetida e defendida, de que a cultura é marca de exigência e de rigor; ela tem que estar no centro da ação contra a crise; a cultura não é um campo excêntrico no âmbito das políticas sociais; está cada vez mais no coração da inovação e da criatividade; “a crise financeira deve-se à especulação, à ilusão, ao imediatismo e à desvalorização da criação e da cultura”.
Subscrevo ainda as seguintes palavras de Oliveira Martins: “aquilo que mais vale é o que não tem preço” e a “cultura não é um luxo”. E eu acrescento: como muita gente pensa, a começar pelos nossos digníssimos governantes.
A cultura é uma necessidade. E para sentir a falta dela é preciso, em primeiro lugar, vivê-la.
E ela precisa de tempo para se impôr. Não é coisa de fábrica, que de um dia para o outro saia feito e empacotado. E não sei se esta sociedade está com pachorra para a cultura que requer tempo e paciência…

Comments

  1. MAGRIÇO says:

    A cultura, para certas castas políticas, é encarada como uma ameaça à sua posição dominante na vida pública. Não é por acaso que os déspotas têm a preocupação de manter as massas, tanto quanto possível, na ignorância, como também não é por acaso que algumas actuais “democracias”, como a nossa, porfia na degradação do ensino, e com sucesso: basta ver a limitação intelectual de certos detentores de títulos académicos que por aí proliferam…

  2. Tito Lívio Santos Mota says:

    se esta gente quisesse de facto promover a economia, o primeiro setor em que pensaria, era o da cultura.
    A cultura é o quarto setor económico (muito à frente da agricultura e das pescas).
    é o terceiro empregador do país.
    Quanto custa ?
    entre 0,5% e 1% do orçamento geral do Estado.
    E também, portanto, o setor económico que mais barato fica para o Estado.
    O orçamento no tempo do Sócrates era duns ridículos 150 milhões de euros.
    Uma gota de água.
    Imaginem o que se poderia criar como empregos, mais valia, imagem, turismo, etc. duplicando apenas essa soma.
    300 milhões para a cultura reverteriam para os cofres do Estado somas consideráveis.
    O setor da cultura sempre foi largamente beneficiário no que respeita a despesas/receitas para o Estado.

    Ou seja : esta gente não desinveste na cultura por razões económicas. Fa-lo porque um povo culto não vai em cantigas.

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  1. […] Mota, no Aventar, April 18, 2012 at 01:59PM Partilhe:Gostar disto:GostoBe the first to like this […]

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