Livro, leitura e liberdade

No Dia do Livro, é difícil fugir de escrever algo sobre o assunto…

Tiro da prateleira O Silêncio dos Livros de George Steiner, um pequeno ensaio escrito em 2005. Transcrevo algumas ideias para recordar e me fazer pensar:

“A maior parte das pessoas não lê livros. Porém, canta e dança.

O acto de ler livros, (…) pressupõe um determinado conjunto de circunstâncias.

Um dos requisitos fundamentais é, também, o silêncio. 

E, acima de tudo, é preciso ter tempo para ler. (…)

(…) quase meio século de vida consagrado à contínua leitura e releitura (…) e continuo assombrado (…)

(…) do milagre sempre renovado de segurar nas mãos um novo livro.”

Haverá, ainda, no nosso tempo, os chamados «ratos de biblioteca» (expressão de Lamb)?

Para Steiner, “o silêncio passou a ser um luxo” e “os momentos de tempo livre de que depende qualquer leitura séria, silenciosa e responsável tornaram-se apanágio quase exclusivo dos universitários e dos investigadores”.

A dois dias do 25 de abril (ou Abril), Dia da Liberdade, não deixo de ver ligação entre esta, o livro e a leitura.
Há uns tempos, numa reportagem do Público, conhecemos testemunhos de reclusos e reclusas que encontram nos livros uma forma de se evadirem, de voarem, de fugirem da sua cela e da pena sentenciada.

Ler é a fuga quase perfeita, uma forma de liberdade. Graças aos livros, eles e nós, deste lado das grades físicas, viajamos a Veneza com Mann, a Paris com Córtazar, conhecemos ilhas, aprendemos o nome das constelações, navegamos no mar alto, somos caçadores de tesouros na ilha Rodrigues ou encadernadores de relíquias medievais em Viena.

Ler dá-nos a todos essa sensação de paz e de liberdade feliz, uma coisa aproximada a nadar nu numa lagoa de água quente!!
Devemos muito aos livros e seus autores. Por isso não podemos esquecê-los nem substituí-los…
Os computadores estão a ganhar terreno nas bibliotecas municipais…e as luzes estão fracas no setor dos livros…
Não façam isso. Não escolham o mais fácil.

Comments

  1. maria celeste ramos says:

    Não li o artigo do Público sobre a importânca para reclusas de se “evadirem” mas vi em reportagem TV um depoiemento estraordinário de um prisioneiro que condenado a per+ectua contou a sua história de vida – nascino no Bronxon e vivendo praticamnet na rua e em gangs um dia matou um rapaz de gang rival – na prisão aprendeu a ler pois que não era esvolarizado e disse – só depois de aqui ter aprendido a ler e escrever é que comecei a pensar e perceber a diferença ente o bam e o mal pois que vivendo na rua fiz sempre o que via os outros fazer – comover-me esta verdade brotada da consciência e dedicou todo o seu tempo de vida de prisionairo a ensinar a ler e escrever os meninos que come ele, eram presos por delitos graves – foi lindo de ouvir – sem mágoa e com alegria de dar à sociedade o que não lhe foi dado em menino


  2. LI HOJE A SUA “CARTA À DIRECTORA ” DO PÚBLICO E, NÃO SÓ POR TAMBÉM SER FEIRENSE, MAS PELO SEU CONTEÚDO, PROCUREI O SEU NOME NA NET..E FOI TÃO FÁCIL ENCONTRÁ-LA!
    TEMPO, ESPAÇO , A JUNTAR AO SILÊNCIO QUE REFERE, SÃO ACTUALMENTE O MAIOR LUXO..E CLARO LER.
    FICA POIS AQUI ESTE PEQUENO COMENTARIO, PARA SABER QUE FOI LIDA..

  3. Sónia Gomes says:

    Gostei muito da carta. Ler “dá trabalho” pois exige não só o tal silêncio luxuoso, como concentração, imaginação e esforço para entender o que se lê. Só assim se consegue a tal evasão, a abstracção e a viagem para um mundo diferente. E se esses são os maiores “gozos” da leitura, são também os responsáveis pelo afastamento das pessoas do mundo dos livros. Hoje em dia, poucos são (somos) os que estamos predispostos a fazer esse “esforço”. É mais fácil ver televisão, ver o filme em vez de ler o livro, “surfar” na net… Não sei o que seria de mim sem os livros!

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