Os donos de Portugal

Tinha lido sobre o assunto e despertou-me suficiente interesse para que esperasse pela estreia do filme “Os donos de Portugal“. Achei-o interessante mas como documentário pareceu-me fraco. Opta sistematicamente por um ponto de vista em vez de apresentar os diversos pontos de vista e deixar o espectador formar a sua opinião. Assim é mais propaganda do que documentário. E isto apesar da componente factual. Mas isso faz parte da propaganda, misturar factos com teses. Por exemplo, um apenas, para o fim aponta a crise internacional como a razão do desmoronamento do sistema financeiro. Mas convenhamos, existem outras teses sobre este assunto. Um documentário, que é uma peça jornalística, deve evitar tomar posição, sob pena de despromoção para peça propagandista. É pena, a teia de poder da sociedade portuguesa é um tema que merece ser devidamente ilustrado. E, perante esse conhecimento, que cada qual fizesse os seus juízos.

Comments

  1. Mas meu caro o que é encomendado nunca pode ter essa leitura que no meu entender seria a correta, essas coisas são para distrair os distraídos não os mais atentos que é o seu caso pelos vistos.
    Quanto ao seu apelido, só pode ser felizcorno quem gosta de mulheres, todos os outros ou estão distraídos ou não gostam de mulheres.
    Boa tarde e seja feliz mesmo corno.

  2. Dora says:

    Este documentário parte de uma posição ideológica, como seria de esperar. E apresenta dados, que são factuais. Não me parece que daí venha algum problema.

    Como poderia ser diferente? Não estamos perante uma peça de Bertold Brecht.

    O que me parece é que este documentário ficou um pouco aquém das minhas espectativas em termos de aprofundamento de alguns casos que foram mostrados. A voz do narrador também não me pareceu a melhor escolha, segundo recordo as minhas primeiras impressões.

    Há muito mais para esmiuçar e informar. Que venham mais documentários.

  3. Dora says:

    #0,

    “E isto apesar da componente factual. Mas isso faz parte da propaganda, misturar factos com teses”

    Apesar da contradição do raciocínio, se a componete factual suporta uma tese e vice-versa, não vejo onde esteja a propaganda da coisa.

    Propaganda será negar estes factos, porque sim. E negá-los, demonstrando que os interesses económico-financeiros nunca estiveram colados ao poder político numa promiscuidade intensa, parece-me difícil. Mas se me conseguirem convencer, tudo bem.

  4. jorge fliscorno says:

    É com comentários como o seu que dão gosto pela escolha da alcunha, Artur Duarte. Há sempre quem prefira ir pela aparência e pela injúria.
    http://es.wikipedia.org/wiki/Fliscorno
    Volte sempre 😉

    • Meu caro fliscorno, muito obrigado pelo link um pouco mais de cultura não faz mal a ninguém nem á minha pessoa, quanto ao meu comentário ao felizcorno não se trata de aparentemente de uma injuria, mas a constatação de um facto e uma brincadeira, mas como gostou do comentário devido á minha falta de conhecimentos sobre instrumentos musicais, aqui vai o meu obrigado por um lado e por outro espero que não encontre muitas pessoas biósseas pelo seu caminho

  5. jorge fliscorno says:

    Não há contradição, Dora. A componente factual a que me refiro é a dos laços de sangue. Mas como refiro, «Ao contrário da busca de imparcialidade na comunicação, a propaganda apresenta informações com o objectivo principal de influenciar uma audiência. Para tal, freqüentemente apresenta os fatos seletivamente (possibilitando a mentira por omissão) para encorajar determinadas conclusões, ou usa mensagens exageradas para produzir uma resposta emocional e não racional à informação apresentada. O resultado desejado é uma mudança de atitude em relação ao assunto no público-alvo para promover uma agenda. A propaganda pode ser usada como uma forma de luta política» (http://pt.wikipedia.org/wiki/Propaganda).

    Concordo que há muitos aspectos que ficaram pela rama. Aprofundá-los teria feito mais pelo ponto de vista que se pretendia transmitir do que ter passado ao acto de plantar conclusões no ouvinte.

  6. Estás a confundir jornalismo com documentário. 90% dos documentários têm uma tese, não são jornalísticos. Este é a adaptação de um livro, e muito perde por falta de tempo.
    Mas gostava de ver um trabalho jornalístico sobre o tema, isso gostava.

  7. Tiro ao Alvo says:

    Também não gostei do documentário, embora tenha gostado muito de ler alguns capítulos do livro – o livro pareceu-me um bom relato da(s) “história(s)”; o documentário cheirou-me a “propaganda”.

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