Não, não sou Doutor

Muito se tem escrito sobre a licenciatura de Relvas feita em apenas um ano.

Miguel Esteves Cardoso escreveu muito bem sobre o caso: “Mas o não-dr. Relvas não tirou curso nenhum. Por muito mau que seja o curso de Ciência Política e Relações Internacionais da Universidade Lusófona (UL) se o não dr. Relvas o tivesse tirado, não só seria dr. Relvas, como seria, com certeza, menos ignorante.”

Miguel Relvas é um não-doutor que chegou a ministro.

Ao mesmo tempo, há «doutores» –  efectivamente, comprovadamente e merecidamente doutores -, que têm que esconder que são licenciados, ou mestres ou doutores para conseguirem um emprego.

Há jovens licenciados que “criam várias versões do seu CV de forma a garantir que os chamem mais depressa para entrevistas de trabalho“. “Reduzem as habilitações ao 12.º ano como estratégia, tornando o currículo simples e atraente”. ??

Há portugueses que negam a sua formação, que quase têm vergonha do seu esforço e da sua formação académica de alto nível. Anos das suas vidas que têm necessidade de negar com medo!!!!Portugueses que recebem um salário muito aquém daquilo para que se prepararam.

Há portugueses que se sentem prejudicados por excesso de habilitações. O que é isto? E ainda se lhes pede: voltem à escola (Mariano Gago)!!

Isto é uma vergonha! Uma vergonha nacional!

A Educação em Portugal: «só para inglês ver».

Um retrato do nosso país.

P.S.: E há portugueses que não são «doutores» por falta de oportunidade para estudar e a quem respeitamos! Uma palavra para eles, como o meu pai: não têm mais que a 4ª classe mas são «doutores» pelo respeito que me merecem, pelo exemplo que dão nas suas vidas de gente íntegra. O meu pai, com mais de 60 anos, acabou agora o 9º ano (Novas Oportunidades). Parabéns a todos os que, com esta idade, procuram actualizar as suas habilitações académicas, desinteressadamente…

Comments


  1. “Procurar emprego” em entidade pública, é uma coisa.
    “Procurar emprego” em uma entidade privada é outra coisa, completamente diferente.
    É aqui que reside a falácia que os “socialistas absolutamente simples” nunca compreenderão.
    Emprego no Estado … canudos, de aviário, sobre bugalhos. Cartão do PS ou PSD. Tudo bem.
    Empregos numa Empresa privada … o escrutínio é outro e não é uma licenciatura qualquer que terá grande significado.
    Chatice esta “Europa” não ser inspirada na ex-Alemanha de Leste. Se não perceberam, também não faz mal.

  2. Salete Silva says:

    Gosto quando me dizem que fulano e tal e tal é de uma “família bem”, daquelas com dinheiro e canudos em barda. Eu, ao contrário, sou de uma família de bem. O meu pai e a minha mãe são, sem canudo algum, pessoas integras e isso sim, é ser bem.

  3. Pedro Marques says:

    O problema não é o homem ter ou não ter o curso, mas sim toda a aldrabice à volta disto. O Jerónimo não tem curso, mas é honesto, e trabalhador!

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