Início do ano lectivo: o seu filho, o seu sobrinho ou o seu primo mais novo vão ser prejudicados

A teia urdida por um governo que se fez eleger com o objectivo de destruir o país conduzirá a que o seu filho, o seu sobrinho, o seu primo mais novo ou qualquer um dos seus concidadãos em idade escolar sejam extremamente prejudicados, uma vez que a qualidade da Escola Pública irá, inevitavelmente, diminuir.

Num país em que o Estado já só existe como meio para ajudar os privados, apenas os mais endinheirados poderão proporcionar aos seus filhos uma educação equilibrada. Aos outros, resta esperar que os profissionais que trabalham nas escolas consigam resistir à destruição de um sistema educativo cuja ruína se tem acentuado a partir do momento em que José Sócrates chegou a primeiro-ministro, pelo que seria bom que o PS se remetesse a um silêncio decoroso, ao contrário do que fez o presidente da Câmara de Amarante, que, ainda ontem, elogiou Maria de Lurdes Rodrigues, a mãe de Nuno Crato.

Neste texto, fiz um balanço do que foi a governação do PS na área da Educação. Será fácil confirmar que o PSD e o CDS se limitaram a acentuar os erros, para usar um eufemismo, de Maria de Lurdes Rodrigues e de Isabel Alçada. Hoje, limitar-me-ei a apontar, sem ser exaustivo, algumas das medidas que servirão para garantir que os jovens portugueses verão o seu percurso escolar prejudicado:

Aumento do número de alunos por turma: o bom-senso e o conhecimento do terreno seriam suficientes para demonstrar que é um erro. Nuno Crato preferiu fingir que não sabia. Os alunos serão inevitavelmente prejudicados, uma vez que os professores terão muito mais dificuldade em interagir com os alunos, tornando-se muito mais difícil, por exemplo, avaliá-los, sendo que a avaliação é um instrumento que vai muito além da classificação, servindo para que os professores possam corrigir o que estiver errado no percurso do aluno;

Encerramento de escolas: para além de servir para acentuar a desertificação do interior, obriga os alunos a percorrer distâncias maiores, a sair mais cedo de casa e a chegar mais tarde. Como se isso não bastasse, os passes escolares encareceram, o que torna as despesas com Educação ainda maiores;

Revisão curricular: extinção ou diminuição da carga horária de disciplinas fundamentais para a educação dos jovens, com o único fito de despedir professores;

Diminuição de horas dedicadas ao ensino artístico e à Educação Física: estas actividades passarão a ser privilégios reservados a quem tiver dinheiro e/ou preocupações com esses aspectos, quando se sabe que o desenvolvimento harmonioso de uma criança exige o contacto o mais precoce possível com a actividade física ou com as artes;

Menos profissionais nas escolas: muito para além do drama individual do desemprego, o afastamento de professores, aliado à falta de funcionários e de psicólogos, tornará muito mais difícil o trabalho das escolas;

Mega-agrupamentos: a criação de escolas monstruosas dificultará a gestão de todo o tipo de problemas, nomeadamente a gestão de conflitos. Trata-se de uma medida que terá como consequência o aprofundamento da desumanização das escolas.

Há, ainda, muitos outros problemas, como o aumento de despesas com Educação, a diminuição do tempo de trabalho extralectivo dos professores, a morte da formação contínua dos professores ou a criação de percursos profissionalizantes precoces que servem para que o Estado deixe de se preocupar em criar uma Escola que possa servir para compensar os desequilíbrios socioculturais.

Neste momento, é fundamental que todos os cidadãos se apercebam de que a Educação é um assunto demasiado importante e que os erros que estão a ser cometidos afectam a comunidade em que vivemos, a não ser que, afinal, não vivamos em comunidade.

A luta contra Nuno Crato e tudo aquilo que representa não pode limitar-se aos professores, porque não estamos apenas perante problemas profissionais. São problemas que dizem respeito ao seu filho, ao seu sobrinho, ao seu primo mais novo ou a qualquer um dos seus concidadãos em idade escolar.

Comments

  1. Célia says:

    Já agora acrescento… nos cursos profissionais, as disciplinas técnicas vão ser dadas na sua maioria por profissionais sem qualificação.
    Casos existirão, em que os alunos do 12º ano saberão mais do que os professores (sei do que falo!!!)
    Colegas das áreas da contabilidade a dar hotelaria e turismo!!!! sem qualquer formação!!! é este o país que temos.

Trackbacks


  1. […] São inúmeras as histórias deste género e valerá a pena dedicar-lhes um ou mais textos, para memória futura. Entretanto, começo a sentir-me cada vez mais parecido com Catão que terminava todos os seus discursos com a recomendação de que se devia destruir Cartago, mas vale sempre a pena repetir: isto não é problema dos professores, é algo que afecta o seu filho, o seu sobrinho ou seu primo mais novo. […]


  2. […] e levar a que as políticas sociais e educativas fossem substancialmente alteradas. Em vez disso, entre muitos outros disparates, Nuno Crato aumenta o número de alunos por turma. Curiosamente, e a propósito, o Colégio […]


  3. […] para preparar aulas. Tudo aquilo que Sócrates e as suas ministras amestradas fizeram está a ter continuidade com Nulo Crato, que se prepara para aumentar o horário dos professores, indiferente à produtividade, obediente a […]


  4. […] portanto, pronto para substituir Nuno Crato: temos matéria ministeriável. É só por isso que esta malta é perigosa para a Educação. Pela minha parte, estou a pensar seguir o exemplo dos três insurgentes e escrever um livro […]

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