A fome por um emprego e por um futuro

José, 28 anos, está em greve de fome até conseguir emprego. Está cansado de enviar currículos e portefólios e de não receber respostas (nem negativas, muito menos positivas). Podemos encontrá-lo na rua de Santa Catarina, no Porto. Se alguém tiver uma oferta de emprego para este rapaz (designer de comunicação, licenciado pela Faculdade de Belas Artes), dê-lhe uma mão! Ele depende disso. Ele gostaria de falar com Passos Coelho… É melhor tirar os «cavalinhos da chuva», José.

José, quantos e quantas há como você que perderam a conta aos currículos enviados e às respostas esperadas? Gente muito mais velha que o José.
Não fique sentado e de cabeça baixa, à espera. Vá à luta. Bata à porta, toque campainhas. As oportunidades e o futuro não vêm ter connosco nem caiem do céu.
Está à espera que alguém se abeire de si, lhe levante o queixo e o rosto para o alto e lhe ofereça um emprego? Eu respeito o que está a fazer e desejo-lhe muita sorte, mas acha justa a sua atitude?
Estou só a pensar alto…

Comments

  1. Fernando says:

    Greve de fome? Que drástico..
    Recomendo-lhe que vá ter com o Ângelo Correia que ele resolve o problema.

  2. Miguel says:

    Sendo eu também jovem e também apaixonado por uma arte, compreendo em parte o sofrimento de vários jovens, que vêem-se sem poder exercer aquilo a que se dedicaram a estudar durante 5/3 anos. É complicado estar cheio de ideias, cheio de projectos, e ninguém nos abrir uma porta para os realizar, pois nem todos podem ser empreendedores e nem todos nascem com o jeito para se venderem (no bom sentido). Estes dependem dos outros para arranjar trabalho.

    Não deixo culpar as gerações anteriores (com idade actual de 40-60) que não aproveitaram correctamente os fundos, subsídios e rios de dinheiro vindos da Europa. Poderíamos ter um Portugal forte, mas não, a maioria meteu ao bolso. Desde políticos a cidadãos.

    Mas também não deixo de reconhecer tristemente os que da minha geração só pensam em direitos. Direito ao trabalho, direito à dignidade, direito a não sei que. Para mim bastou-me o direito a lutar. Muitas vezes, com colegas, lá vou eu abanando a cabeça, como quem compreende a situação deles, que não arranjam emprego. Claro que tem de ser bom e já, pois aquele que tem de trabalhar ao Sábado nem pensar (talvez por não ser digno).

    • Maria do Céu Mota says:

      Miguel, lembrei-me daquela canção já muito batida »é sexta-feira…alguém me arranje emprego bom,bom, bom, já,já, já»!
      E quanto a trabalhar ao sábado… não me lembro do último ano em que não trabalhei ao sábado para conseguir horário completo na minha escola. abraço
      Céu

  3. Maquiavel says:

    Nem mais, M.a do Céu.
    E temo que isto é o que o Governo quer. Todos os desempregados em greve de fome, até que morram.
    Tudo menos fazerem chinfrim nas ruas!

  4. Penso Logo Desisto says:

    Se o rapaz tivesse tirado o curso de serralheiro ou canalizador tinha trabalho para ele.

  5. maria celeste ramos says:

    Os direitos conquistam-se – até o de respirar – quando estudei e comecei a trabalhar o sábado era dia de trabalho de manhã e não havia subsídios – tudo se foi conquistanto até através da greve de abril 1962 – hoje nasce-se com todos os direitos que a minha geração conquistou e não havia universidade de borla nem saúde de borla – não havia borlas nem de carro pois só meia dúzia tinha – era electrico e autocarro de dois andares – mas hoje todos querem direito até ao que é não tive e agora me tiram mas querem direito e não saber nada e serem apenas mentecaptos – é preciso repor os direitos no lugar direito e que todos aprendam e valorizem os direitos que o são mesmo e não fujam para o estrangeiro só porque aqui não lhes interessa fazer mais nada a não ser o seu direito a trabalhar quando eu até isso perdi – o “povo” de facto também se alienou com tanto direito – Por mim resumo direito a nascer na Alfreda da Costa, direito à saúde e habitação (mas que a pague), direito ao trabalho para se sustentar a si e família mas agora não há direitos apenas para conquistas pessoais e egoistas – os “outros” também existem, exactamente os que não FOGEM e vão para Paris porque os que do meu tempo fugiram para Paris foram reconstruir a total ruina de frança e alemanha que nnão tinham pedra sobre pedra porque destruiram com guerras feitas em nome de “direitos alienados e alienantes” – quem foge e estudou e cabulou com o meu IRS não tem direito a NADA – nem ao futebol

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