Escola Pública e País – cumplicidade de MobiÜs

No último dia do mês de Agosto, o Ministério da Educação e Ciência publicitou as listas de colocações de professores, nokafkiano que vem de há anos. E se quando não havia computadores até se entendia este funcionamento burocrático, é menos óbvia a percepção dos motivos que levam a esta demonstração pública de desrespeito por uma classe que aguarda em frente a um ecrã uma informação: colocado ou não colocado é a dúvida.

E esta atitude, que faz lembrar o olhar do Imperador sobre a arena do circo romano, leva-me para a Fita de Mobius e as suas propriedades onde a fronteira e o interior se confundem, mas onde cada ponto permite um ponto de vista diferente sobre a mesma realidade. Para Nuno Crato, o Ministério da Educação e Ciência não contratou tantos professores como o ano passado porque não precisava deles. Para os docentes que ficam de fora, depois de anos e anos a trabalhar, a sensação é a do despedimento. Para quem está de fora fica a confusão sobre os pontos de vista, havendo, no entanto, uma certeza, que deixo sob a forma de questão – o que pensaria Portugal se uma empresa despedisse quase seis mil trabalhadores de uma só vez?

Um passeio na Fita de MobiÜs seria uma aventura interminável, de cumplicidades permanentes entre o estar fora e o estar dentro, entre o interior e o exterior. É a imagem perfeita para expressar a urgência da Escola Pública em Portugal – uma cumplicidade sem fim com o país, com as pessoas, com o futuro de um povo. Uma união de objetivos e de ideias, mas também de práticas onde a comunidade educativa, com os seus diferentes agentes possa ser exigente com a Escola Pública, assumindo-a como parte de si, como parte de um património que o País não se pode dar ao luxo de dispensar.

O país caminha numa espiral sem fim onde a austeridade só nos exige mais austeridade e a luz que parece existir ao fundo do túnel é apenas a luz do comboio que vem em sentido contrário – é pois, este o tempo, de pensar nas coisas verdadeiramente importantes e não podemos aceitar que os complexos ideológicos de quem nos governa coloquem em causa a Escola Pública, reduzindo, por exemplo, o tempo que os alunos vão passar na escola. Não podemos aceitar que se exija a alunos com dez anos que sejam competentes para definir o seu destino e não podemos calar a indignidade que seria oferecer dinheiro aos pobres para colocarem os seus filhos no ensino profissional. Se a ideia é combater o insucesso no terceiro ciclo Nuno Crato pode oferecer uma dimensão mais profissionalizante ao currículo, mas onde todos se possam incluir e sem que isso, claro, signifique abandonar possibilidades futuras. Uma escolha com dez ou doze anos não pode ser determinante na vida de um português.

Nesta imagem de Cumplicidade de MobiÜs entre a Escola Pública e o país, todos os envolvidos devem ser capazes de participar na solução e não podem ficar só no papel de espectadores ou de agentes. Têm que ser autores da Escola Pública, criando condições para um debate aberto entre todos, de exigências mútuas, onde, numa linguagem simplista, o país possa exigir aos Professores um trabalho de Excelência e, por sua vez, os Educadores possam exigir ao país que os respeite, que os reconheça como parte do futuro do país, mas com direito ao presente.

Trata-se, no fundo, de assumir a centralidade da Escola na nossa Sociedade, entendendo a Escola Pública como um direito e uma conquista da nossa Democracia que não pode ser colocada em causa, seja lá em que circunstâncias for. Mesmo que a tentem cortar ao meio

Há pensadores e Intelectuais, políticos e reitores, artistas e empresários. Há trabalhadores e patrões. Há professores e alunos, pais e mães. Há sindicatos e partidos. Há movimentos sociais e comunicação social.

Não pode faltar ninguém nesta Cumplicidade de MobiÜs que é urgente construir entre a Escola Pública e o País antes que alguém faça o corte umbilical que não terá um ponto de retorno.

Pelos meus filhos, pelos seus filhos, vamos a isso?

Comments

  1. maria celeste ramos says:

    Eu nunca vi um governo assim – foi tão bom quando um governo epalhou pelos país incluindo aldeias, escolas que deram feliciade a tantos meninos e ao velhos que adoraravam ver as crianças a correr a a gritar como crianças – tirar dinheiro e subsidios é matar tanta gente, muitos que se mataram – tirar centros de saúde é matar os velhos que não podem andar de taxi e nem têm nem dinheiro nem mobilidade – mesmo más, Matar escolas não sei que observação e adjectivo merece pois é matar um país que nunca mais cresce e se pode ergue feliz mesmo que não sendo rico ao menos teria acesso aos direitos de ser pessoa pelo ensino – mesmo com maus professores pois se são maus até os alunos têm capacidade de avaliar – matar escolas é atirar o país para ainda maior escuridão e os comentadores aventar que fazem “contas” a nº de professores e alunos e tudo justificam com os olhos cheios de cifrões até andaram na escola, mas não aprenderam a ser melhor gente – talvez sejam consumidores de cocaína – que gente é esta que nem se lembra da alegria dos velhos que nas novas oportunidades mostrarm a alegria invulgar de al menos terem aprendido a escrever o seu nome para não meter uma CRUZ nesse lugar – esse “aventarzecos” é que deviam emigrar para não contaminarem o país mais do está a ser por esses ministros de merda – empregados que consomem o meu dinheiro e saúde e bem estar mental – o melhor que meus pais me deram na vida foi mandarem-me para a escola aprender a ler e escrever e contar – é o melhor que tenho e a única riqueza que levarei comigo quando Deus me quizer levar – afinal h´á ainda gente muito ordinária neste país que não é mais país mas sim protectorado da troika – interessante – o que fizeram os que “sabem ler e escrever” mas não lhes serve de nada – são mafiosos que hipotecaram um país a outros mafisos mais poderosos

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