O mau spinner e o bom Squealer

Desde que o Sr. Jones se exilou na Lutetia Parisiorum e que o Napoleon das finanças passou a governar Portucale, dá o Squealer o timbre de tenor a uma propaganda de segunda categoria, muito distante daquela do seu antecessor. A última metáfora deste spinner de serviço foi a do carro usado. A tese centrou-se na ideia de quem vender um carro usado também dever certificá-lo como não tendo problemas. Uma óbvia inversão de papéis, já que quem compra é que deve atentar no estado da mercadoria. Mas o que torna a comparação de facto má é que um país não é um bem que se gasta e que se troca por outro novo. Não o é, pelo menos, para a maioria dos portugueses, os quais não usam o país em seu proveito para o deitar fora quando vão para os paraísos da impunidade fiscal.

Passos Coelho é um mau spinner porque produz sound bites que não convencem, além de serem de claro mau gosto. Os exemplos são vários. Zona de conforto, não ser piegas, desemprego como uma oportunidade, procurar emprego noutro sítio, os professores desempregados que emigrem para o Brasil e Angola, tudo tristes exemplos de alguém que devia ser exemplo e conduzir o país. Agora, foi o spin do carro usado e da tentativa de refundação do memorando de ajustamento. Numa frase são vários os tratados de propaganda. O país como sendo um ferro velho a vender; a tentativa em vez de acção; a refundação no lugar de negociação; o memorando para significar contrato; ajustamento para dizer empobrecimento. Mas o mau spinner revela-se um bom Squealer, a personagem de O Triunfo dos Porcos encarregue por mudar os sete mandamentos dos animais em regras bem mais porcas e convenientemente porcinas.

Que menoridade nos governa. Não se lhes arranja, ao menos, um capacete que contenha a verborreia mental?

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