Parabéns, Português, pela sua conta poupança BPN

Quatro anos depois –  foi a 2 de Novembro de 2008,  5.3 mil milhões de euros foram enterrados no BPN.  Destes, 2.7 mil milhões, dizem, saíram de impostos. Dos subsídios de férias que você não recebeu, do IVA a mais que pagou, da pensão que não não entrou na sua conta, do IRS que lhe bateu à porta, do … Constituem a sua conta poupança BPN que não pediu e na qual nunca tocará.

Há erros e incúria. Nacionalizar um problema sem saber ao que se ia nunca estará entre os primeiros. Tamanha impune irresponsabilidade tem no entanto rostos. Há que não os esquecer.

Leituras:

Actualizado: faltava Cavaco Silva, quem promulgou a nacionalização.

Comments

  1. Konigvs says:

    Acho que há aí um pequeno equívoco com esses rostos. Pelo que se sabe a culpa do que se Passou no BPN foi de toda a corja do PSD que fez um Banco para enriquecerem rapidamente. Mas agora podemos todos ficar descansados porque o Oliveira e Costa e o Dias Loureiro vão ser imediatamente julgados e condenados, porque agora temos uma ministra da justiça que nos diz que “a impunidade acabou”. Madoff foi condenado em 2009 a 150 anos de cadeia, aqui os verdadeiros responsáveis pelo BPN continuam a passear-se tranquilamente e já estamos quase em 2013. E mais, até se dão ao luxo de serem conselheiros de Estado e pior, como escreve o Daniel Deusdado no JN, Dias Loureiro é uma das figuras mais influentes junto de Passos e Relvas para as privatizações, porque como é lógico tem um vasto currículo em off-shores e negociatas.
    E depois deixo uma pergunta – se em vez do PS fosse o PSD que estivesse no governo ainda que com a muleta do CDS iriam eles deixar falir o Banco Laranja? Tenham juízo, dizer que a culpa do BPN foi do Sócrates e do Vitor Constâncio, é o mesmo que dizer que se eu for assaltado a culpa foi minha porque não protegi devidamente a minha casa!!
    Claro que privatizar o BPN se revelou um enorme erro com custos absurdos para o povo português, mas não esquecer que estávamos em plena crise de 2008 com bancos a falir atrás de outros e algo tinha de ser feito na altura e o Teixeira dos Santos assustou-se com a ideia do “contágio”.
    O BPN é acima de tudo um caso de polícia em que quem roubou deveria estar preso e ver todos os seus bens arrestados para pagar os prejuízos que causaram. E se o PS fez merda ao não avaliar corretamente o caso, o PSD+CDS anos mais tarde e na posse de todos os dados mais merda fizeram ao pagar para vender o Banco aos amigos angolanos multiplicando os gastos.
    Mas o que o caso BPN nos mostra a todos e de forma tão evidente e despudorada é como não existe Justiça em Portugal, e sem Justiça nunca que poderá existir Democracia em nenhum país.

    • João Paz says:

      Caro Kogivns
      O PS PROTEGEU a sua comadre PSD como o PSD teria protegido a sua comadre PS se tivesse sido o caso (vidé Mota Engil e Jorge Coelho p. ex.).
      As comadres alternadeiras que por vezes contam com o apoio da muleta CDS sempre se têm apoiado mutuamente (barafustam na praça pública para enganar incautos mas têm estado SEMPRE de acordo em tudo o que diz respeito a destruir Portugal) e, por isso mesmo, não percebo o porquê da sua indignação.
      Ah mas tem razão numa coisa importante, a “justiça” que fabricam destina-se a protegerem-se mutuamente.

      • Konigvs says:

        Concordo consigo, naqueles assuntos verdadeiramente importantes para os tachos do PS e do PSD eles conseguem sempre estabelecer pactos de não agressão. E a promiscuidade naquilo que deveriam ser as incompatibilidades entre exercer funções no Estado e depois irem para empresas privadas que anteriormente tutelaram é exatamente igual.
        Quanto à justiça há muito que eu digo que é o que de pior temos, porque não existe de todo. Tivemos um bom Serviço Nacional de Saúde (que só agora vamos dar valor uma vez que o perdemos) e tínhamos uma razoável escola pública e agora vamos voltar aos tempos em que só os filhos dos papás ricos é que vão poder estudar. Justiça, essa nunca existiu, existe para quem rouba um champô no supermercado, para os maiores ladrões de sempre, esta corja do BPN, esses nunca alaparão o cu no chilindró .

    • jorge fliscorno says:

      Concordo com quase tudo o que escreveu, Konigvs. Certa estrumeira PSD fez do BPN o centro de crime que levou o banco à falência, na inversa proporção do seu aumento de riqueza. Como diz, sem justiça não há democracia. Já o escrevi diversas vezes e repito: a justiça é a grande e adiada reforma que urge fazer. Qual paixão pela educação, qual choque tecnológico. É a justiça, estúpidos.

      Discordo que tenha sido o medo de contágio que despoletou a nacionalização. O próprio Constâncio afirmou, está num dos links, que a falência do BPN não se devia à crise e que era um caso de polícia. Um governo não pode agir por experimentalismos – veja-se o que o actual governo está a fazer e com que consequências – e devia ter analisado com detalhe ao que ia. E devia ter deixado falir o banco, activar o fundo de garantia de depósitos e assumir o prejuízo que eventualmente tivesse. Que talvez nem fosse assim tanto, já que o estado tem preferência nas execuções fiscais.

      E não posso concordar com a tese da impossibilidade da falência dos bancos. Enquanto esta vingar, os bancos não mudam o seu comportamento de risco. Já em 2000, com a bolha das .com, os bancos apanharam um susto. Mudaram de comportamento de risco? Não, arranjaram outra bolha, a do imobiliário, onde especular e onde taparam o buraco das .com. Acreditam que, passada esta crise, a banca mudará de comportamento? Eu não acredito. Enquanto cá estiver o contribuinte para tapar os buracos, nada mudará.

      Mas há um pequeno detalhe. A banca controla o governo, como ficou bem patente quando a banca fechou o crédito logo antes da queda de Sócrates. A banca nomeia ministros, na altura era o da economia, agora é o da saúde, ministros saídos directamente dos quadros da banca para o governo. Aposto que se se tivesse optado pela falência do BPN que o governo cairia de seguida. Ter-se-ia fechado a torneira do crédito que alimentou a Parque Escolar, a Estradas de Portugal e umas quantas PPP que deram uma vitória eleitoral. É um ciclo vicioso e as decisões acabam sempre condicionadas por aquele x-inho que se mete no quadradinho a cada simulação de democracia.

    • Mário Reis says:

      Deixem-se de merdas, quem nacionalizou as patifarias muitas delas do inteiro conhecimento dos que estão nas fotos e de muitos outros, foi o PS e o coveiro do “Porreiro pá!” que desgovernavam na altura. Com esta decisão que foi duramente criticada pela esquerda, quanto já rolou dos nossos impostos direitinho para salvar a especulação financeira?

  2. Maquiavel says:

    Faltam na linha de baixo as as fronhas de Oliveira e Costa, Ferreira Leite, e Duräo Barroso. Que foi quem meteu os dinheiro dos fundos de pensöes no BPN, há 10 anos!!! Falindo o BPN, lá se iam as reformas dos portugueses (dos políticos e näo só), e estalava uma Guerra Civil!

    Sempre gostaria de saber é porque é que a Tríade da imagem nunca denunciou esse “pequeno” facto. Será porque o PS a apoiou?

    • jorge fliscorno says:

      Posso até fazer um post com essas fronhas. Mas estas trouxeram para o estado o que não era problema do estado. Não lhes perdoo.

      Sobre as pensões que estavam no BPN – isto dava uma longa história – é de ver que o estado tem preferência nas execuções fiscais. Fosse o estado pessoa de bem, aliás, fossem as pessoas que em dado momento controlam o estado pessoas de bem, não haveria de ser grande o prejuízo para o erário público.

      Para reforçar a ideia da prioridade do estado nas execuções fiscais, é de se acompanhar o que se acontece nas penhoras. Primeiro vai o estado, depois vai a banca e finalmente os particulares. Quantas não são as vezes em que nada sobra para os últimos.

      Guerra civil? Bem pior já foi agora feito e guerra nem vê-la.

      • Maquiavel says:

        Jorge, foram os “3 da vida airada” que referi em falta que transferiram para o privado o que era do Estado (os fundos das pensöes), sem dar cavaco (…) a ninguém.
        Na prática, o BPN foi financiado com o dinheiro (futuro) dos portugueses, sem lhes pedir autorizaçäo para meter esse dinheiro das reformas no casino financeiro mundial. AH, mas era 2003, as bolsas subiam aos 30% ao ano, tudo seria maravilhoso e haveria dinheiro em 2013 para 2 reformas por português…
        Por isso é caso de polícia!

        Estes 3 “apenas” oficializaram a coisa, quando a coisa deu para o torto… enquanto correu bem também devem ter levado comissäo! Näo os desculpo… nem aos outros!

        • jorge fliscorno says:

          «foram os “3 da vida airada” que referi em falta que transferiram para o privado o que era do Estado (os fundos das pensöes), sem dar cavaco (…) a ninguém»

          Estive a investigar. Que valores estão em causa? Recordava-me de se ter falado de de 500 milhões e encontrei este texto:

          (…)
          O dinheiro da Segurança Social no BPN.

          Sabe-se que a CGD tinha várias contas no BPN aproveitando os juros irreais praticados nesse banco, quanto não se sabe ao certo, falava-se na altura em mais de 500 milhões de euros, mas talvez seja muito mais. O BPN foi criado 1993, e em 1999 foi aberta uma ou várias contas pela CGD utilizando os fundos da Segurança Social, sendo nessa altura José Oliveira e Costa o seu presidente e o ministro responsável pela Segurança Social no governo Ferro Rodrigues.

          Pela administração e órgãos sociais do BPN e da Sociedade Lusa de Negócios (SLN) passaram muito dirigentes de vários quadrantes políticos, principalmente do PSD, daí que quando da nacionalização, tenha havido poucas críticas. Dias Loureiro, por exemplo foi compadre de Ferro Rodrigues, quando da casamento dos seus filhos João Ferro Rodrigues e Joana Dias Loureiro, o mundo é pequeno.

          A conta da Segurança Social no BPN dá-se portanto em 1999, sendo legítima tal abertura de conta, mas depressa se verificaram grande movimento nas entrada e saída de dinheiro pouco claras. Ainda não é claro se parte desse dinheiro era aplicado em depósitos, acções ou obrigações, ou se era usado nas dezenas de off-shores desse banco, ou até para financiar certas personalidades.

          Desde 2001 que decorriam vários processos relativos ao BPN/SLN no Ministério Público, na Polícia Judiciária e na Comissão do Mercado de Valores Mobiliários, o próprio Banco de Portugal tinha conhecimento das prática pouca claras praticadas pelo BPN.

          As apostas perdidas…para alguns.

          Com a gestão de um fundo de maneio de 2 mil milhões de euros, a Segurança Social teria um depósito de cerca de 500 milhões no BPN (ou mais) o que representa 25% de todo o fundo num banco que tinha apenas 2% de quota de mercado. Esse dinheiro investido pela Segurança Social foi o principal motivo da nacionalização do BPN, um banco que custo ao Estado, segundo alguns cálculos 8 mil milhões, e que foi vendido ao BIC por apenas 40 milhões. Esse escândalo não podia ser revelado.

          Alguns dados relatados no texto supra são secundados por esta notícia:
          http://www.tsf.pt/PaginaInicial/Economia/Interior.aspx?content_id=1042257&page=-1
          Segurança Social levantou 300 milhões de euros do BPN em Agosto
          Publicado a 11 NOV 08 às 07:22

          Ora bem, 1999, governo PS, com Guterres. Explica umas coisas. Um quarto do fundo de maneiro da Segurança Social no BPN explica outras. Mas 500 milhões fica bem aquém dos 2.7 mil milhões que custou a nacionalização. Continuam, quanto a mim, válidas as premissas:
          – a falência era preferível, mesmo com o estado a assumir prejuízo
          – na falência o estado teria preferência na execução das penhoras, o que haveria de diminuir e muito o prejuízo do estado.

          Portanto, o banco do PSD com governos socialistas a meterem lá o dinheiro da Segurança Social… Está-se mesmo a ver, mais vale o contribuinte pagar e ficar tudo abafado.


  3. Mas alguma vez os dirigentes portugueses souberam o que estavam a fazer? nem Viriato sabia, sempre se navegou pela linha da costa. bfds

    • jorge fliscorno says:

      Ou se calhar até souberam e bem de mais.

      • Konigvs says:

        Eu tenho uma amiga que me está sempre a dizer “o que falta a este país são historiadores no governo” pois se eles lá estivessem saberiam o que já aconteceu no passado em situações exatamente idênticas a estas, e saberiam também evitar que se cometessem sempre os mesmos erros. Só que esses erros, são erros aos nossos olhos, os olhos da ralé e da plebe, para eles são medidas que visam sempre proteger quem tem o poder, a banca, os ricos e os patrões e depois vende-se a ideia, que foi precisamente a plebe, o pequenino que nada tem, que é desempregado ou doente, que a culpa disto tudo foi sua. E de certa forma foi, porque é a maioria dos pequeninos deste país, e eu conheço muitos aqui na aldeia, muitos inclusive que devem aos 5 mil euros na mercearia, ou os que vivem miseravelmente mas que se orgulham de pôr uma bandeira laranja com uma seta para cima em tempo das campanhas eleitorais. E é a esses pequeninos que não têm onde cair mortos que odeio mais, mais até que ao Passos ou ao Portas ou a todos os filhos da puta dos deputados que votaram este orçamento de Estado. Foi graças a esta larga maioria de pobres coitados, que neste período de dificuldade temos o pior governo de sempre, e o pior presidente da república de sempre. E depois não se iludam, há uma larga maioria silenciosa que está a adorar o que este governo está a fazer, mesmo os pobres coitados que estão a ser enrabados todos os dias com cortes!!! Há uns dias ouvi uma conversa muito reveladora do meu vizinho a falar com o homem que trás as farinhas para os animais. Bastante reveladora mesmo. Basta ver que a ditadura se manteve durante 50 anos porque uma larga maioria a apoiava, e depois muita gente ficou surpreendida quando se descobriram muitos informadores da PIDE. Desde pequeno que me lembro de ouvir a minha mãe comentar sobre a sua professora primária “e depois aquela puta ia comungar à missa todos os domingos”.


  4. A factura do BPN devia ser apresentada à SLN, que hoje tem outro nome, mas cujos accionistas eram, à data dos desmandos financeiros, os donos do Banco. Já que não a nacionalizaram também, que lhes apresentem a factura.

  5. jorge fliscorno says:

    Actualizei a imagem para incluir Cavaco Silva. Lapso meu.

  6. jorge fliscorno says:

    Repare-se nesta sequência de notícias:

    1. http://economia.publico.pt/Noticia/estado-ainda-nao-injectou-um-euro-no-bpn-1387458
    Garantiu ministro das Finanças
    Estado ainda não injectou “um euro” no BPN
    18.06.2009

    2. http://www1.ionline.pt/conteudo/35128-
    Teixeira dos Santos não hesitaria em nacionalizar outra vez o BPN
    Publicado em 27 de Novembro de 2009

    3. http://economia.publico.pt/Noticia/teixeira-dos-santos-nao-estou-em-condicoes-de-dizer-quanto-vai-custar-a-nacionalizacao-do-bpn-1411739
    Ministro não tem previsão exacta dos custos que o Estado terá
    Teixeira dos Santos: “Não estou em condições de dizer quanto vai custar a nacionalização do BPN”
    27.11.2009 – 16:21 Por Lusa

    4. http://www.tsf.pt/PaginaInicial/Economia/Interior.aspx?content_id=1037502
    Nacionalização de BPN não teve a ver com crise, diz Constâncio
    Publicado a 02 NOV 08 às 17:50

    No espaço de 5 meses, o discurso do então ministro das finanças passou do custo zero para custos significativos para o contribuinte (segunda notícia). Na terceira notícia é dito

    «Teixeira dos Santos disse que na altura da nacionalização do BPN havia entre 140 e 150 mil milhões de euros em depósitos nos bancos portugueses, em 17 milhões de contas, com um valor de depósito médio nos 8.500 euros.

    “Pelo menos dez por cento destas contas corriam o risco de serem afectadas pela crise bancária, o que implicaria um custo para o Estado entre os 14 e os 15 mil milhões de euros”, frisou Teixeira dos Santos.»

    Este era o cenário de contágio a outros bancos. Mas Constâncio tinha afirmado que a nacionalização nada tinha a ver com a crise financeira, logo havia mesmo risco de contágio? E estes 14 ou 15 milhões era se todos os bancos falissem. É de crer que fechar o BPN e cobrir os depósitos, olhando para estes números e para os valores que o estado já entregou ao BPN, teria custo inferior à nacionalização.

    A minha leitura é que a nacionalização não foi decidia com a prudência que se lhe exigia.

    • jorge fliscorno says:

      E o BPN representava apenas 2% do mercado bancário nacional. Risco de contaminação? Só se a camisinha furasse.

      • Maquiavel says:

        Pouco e pouco até nós os leigos vamos descobrindo as razöes para alguém dizer que isto é um “caso de polícia”…

  7. Luís says:

    A VERDADEIRA HISTÓRIA DO BPN!
    É assim!
    Os homens da mala, ordenaram aos responsáveis acima fotografados para passarem o prejuízo do roubo do BPN para os contribuintes portugueses, arranjando uma desculpa qualquer.
    Sugeriram um ataque de caspa, outros sugeriram que era devido ao Benfica ter perdido, outros ainda disseram que era por causa da virgem de Fátima.
    O cavaco, como economista que é ordenou que a desculpa fosse apelidada de risco sistémico, tal como outrora apelidou outra coisa do género de “gato por lebre”..
    A verdade é que os donos dos homens da mala lá recuperaram as fortunas que já tinham perdido, à custa dos subsídios roubados aos portugueses e aos cortes das gorduras, diga-se privatização da EDP..
    .Como prémio o cavaco continua como presidente, o gatuno que ficou à porta foi para o BCE e os outros, depois do serviço cumprido continuam a tratar da vidinha sempre protegidos pelos donos dos homens da mala que também mandam os seus empregados para efectuarem visitas aos homens da justiça, patrocionando congressos e outras coisas assim!.

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