Governo de Esquerda do BE

O Bloco de Esquerda vive um momento único, um daqueles que tinha de acontecer, mas que não deixa de ser singular – o

Miguel, o Rosas, o Xico…

Esta é a hora de outro Bloco.

Curiosamente, parte muito significativa do debate esteve focada no Largo do Rato. Entre A e B a discussão era sobre o que fazer com o PS. Não sei o que é que o PS quer fazer com o BE, mas gostei de ouvir a discussão com o olhar do Bloco.

A Catarina acabou, no discurso de encerramento, de dar a resposta, se calhar politicamente correcta, mas muito clara. Apontou quatro ideias fundamentais para a luta do BE nos próximos tempos:

– rasgar o acordo com a TROIKA ; criar condições para criar mais emprego; devolver salários e pensões; reformar o sistema fiscal para garantir justiça.

E complementou que, em torno destas ideias, quem quiser vir, será bem-vindo:

“A questão não é saber com quem vamos, nem com quem vem – queremos dizer ao que vimos.”

E acrescentou:

Ou se vence a TROIKA ou a TROIKA vence o país. Ou a TROIKA ou o emprego! Ou a TROIKA ou a saúde! Ou a TROIKA ou a Educação

Creio que podemos entender, com o discurso de Catarina Martins, que não há qualquer caminho para ser trilhado na união da Esquerda em Portugal.

Tal como Daniel Oliveira, sou dos que pensa que o PS é parte da solução para a Esquerda em Portugal – não consigo perceber o que pretendem o BE e o PCP!

Querem ou não governar? Querem ou não ter a responsabilidade do poder?

Comments

  1. Pedro Marques says:

    Isso é mesmo casmurrice, ou não vês mesmo nada à frente. O PS que tem destruído o país ao longo destes últimos 36 anos, que mandou vir o FMI 3 vezes, se absteve ou seja votou a favor de tudo o que o PSD e CDS propôs, e ainda achas que se deve trabalhar com eles. Apre, sadomasoquista.


    • Meu caro Pedro, até assumo, neste caso, outro tipo de rrice – burrice. Na boa. Mas, não tenho essa leitura do PS. A minha questão é simples – uma estratégia de poder democrático tem que, em Portugal, passar pelo PS. Não estou de acordo com o que escreve sobre o PS que foi, em muitos casos, responsável por coisas boas (certamente algumas, muitas más!) no País. Continuo a pensar que é impossível um governo do BE e do PC. Acredita nisso? Eu não! JP

      • Pedro Marques says:

        Eu não disse que seria possível, ou que é o que eu pretendo. Apenas digo que estás completamente enganado com o PS. Eles nunca vão fazer política à esquerda, nem querem coligar-se à esquerda. Os negócios, falcatruas, e tudo não é possível com uma coligação à esquerda.

      • Maquiavel says:

        Olha para o que aconteceu na Grécia com o PASOK.
        E na Espanha, o PSOE para lá caminha.

  2. nightwishpt says:

    O BE quer um governo de esquerda em Portugal. O PS quer um governo estrangeiro de extrema-direita em Portugal. Se descobre pontos de encontro, descobra a seguir a fusão a frio, sff.

    • João Paulo says:

      Ok. Temos uma divergência de fundo. Eu não vejo a coisa assim. Quem sabe sou um cientista 🙂 Obrigado por ter comentado, JP

      • Pedro Marques says:

        Não, estás é distraído, e julgas que o PS é uma coisa e ele não é como tu julgas. O PS neste momento vai deitar abaixo o PSD, para ir para lá fazer pior. E vai com maioria absoluta, mas até lá vai desgastar esta coligação.

        • Konigvs says:

          Acho que agora estás a meter os pés pelas mãos, Dizer que o PS é pior que PSD+CDS quer dizer. O PS criou o Serviço Nacional de Saúde há trinta anos, que o PPD e o CDS votaram contra. O PS faz as suas negociatas mas sempre teve preocupações sociais. Sempre! Até com Sócrates na pior crise mundial de 2008 ele teve preocupações sociais, coisa que o PSD+CDS querem agora REFUDER. É preciso calminha e não misturar as coisas.

          • Pedro Marques says:

            Não, o PS abriu caminho para o PSD e para o CDS. E é igual a eles.

          • João Paulo says:

            Eu poderia dizer que o BE e o PCP, com o PSD e o CDS abriram o caminho ao PSD e ao CDS…

  3. joao says:

    “Querem ou não governar? Querem ou não ter a responsabilidade do poder?”

    Não estou a entender estas questões.

    • João Paulo says:

      João, obrigado por ter comentado. Queria, de forma simplista, perguntar em que medida o BE e o PC querem ser poder, querem ter a capacidade de liderar, de assumir as rédeas do país. Será que querem?

      • Konigvs says:

        Às vezes parece que não querem. Viu-se isso em 2009 quando o filósofo lhes ofereceu a partilha de poder. E viu-se depois quando não quiseram conversa com o FMI. Se tivessem tido tomates faziam como fez o Carvalho da Silva, foi lá, e disse-lhes o que pensava deles.

  4. edgar says:

    Qualquer alternativa a este governo só pode ter como ponto de partida rasgar o memorando e renegociar a dívida ou será o prolongamento da agonia, apenas um paliativo.
    O PS está disposto a rasgar o memorando e renegociar a dívida ou quer prolongar a agonia e assumir o custo de tal prolongamento até ser obrigado a encarar a realidade?
    Na minha opinião, se o PS não andasse pelas abstenções violentas e pelo nim, este governo já tinha caído.

  5. Konigvs says:

    Parece-me Lapaliciano que o Bloco (e o PCP) tem de piscar o olho ao PS. Ou estão à espera que o Bloco ganhe as próximas eleições com maioria absoluta?

  6. Pedro Marques says:

    Sabes o que é coerência de voto? Ou nunca ouviste falar disso? Ora o PCP votou sempre contra, ia votar a favor, só para ficares contente. Poupa-me pá.

  7. maria celeste d'oliveira ramos says:

    Isto é tudo uma tropa fandanga – mas não me lixem o Louçà e a Catarina e o Semedo e uns trocos – o que gostava é que fssem todoa embora e não viesse nem mais un segurado e no dessem fé fias – nunca vi tanto inútil junto – vã-se embora e distribuiremos o dineiro que ganham e ficam a ganhar os que perderam – extingam o pds e ps todos e o $$$$ com que bricam à eleições – não lhes dêem nem mai um tusto e que o pçam aos patos que os alinemtam e não do OE ainda por cima – peçam aos militante – eu nãp milito

  8. Fernando says:

    Na minha arcaica opinião, os partidos de esquerda de fraca representação (mas extremamente dispendiosos) casos do BE e PCP aspiram nestes momentos de grande crispação e descontentamento popular subirem na tabela. Ou como sonhar não paga impostos ( ate ver) porque não serem governo?
    Note-se que o CDS para fazer parte dum governo tem que ser muleta – ou acorrentar-se – de outro partido.
    Sucederia o mesmo com o BE e o PCP. Eu não tenho qualquer espécie de duvida e duvido que alguém acredite que estes dois partidos se entenderiam num governo de coligação. Eles que sofrem do síndrome amor/ódio. Basta ver e ouvir os “mimos” que eles lançam quando em debates ou em acusações.
    Vamos imaginar que PCP e BE formavam governo, e, como defendem rasgariam os acordos com a Troika. Negociando outros mais aceitáveis.
    Mas a Troika não cedia. Onde iam buscar dinheiro para fazer andar o Pais? E’ isso que ninguém diz.
    So podia ser recorrendo aos ricos. A avaliar pela “raiva” que aqueles dois partidos tem pelos ricos, penso que haveria não uma emigração mas sim uma debandada de Portugal.
    Ha muito por onde cortar despesas em Portugal.
    Redução drástica de deputados. Cortes drásticos na AR e PR. Suspender anular ou alterar acordos com as PPP.
    Estabelecer tetos para reformas. Reduzir FA. Redução drástica de assessores, consultores e escritórios .
    E’ natural que algumas destas medidas não interessem ao PCP,BE.CDS, PS e PSD.
    “Graças a Deus” que não nutro qualquer simpatia ou respeito pela classe política ou partidos.

    • Maquiavel says:

      Pois, tu gostas é do Salazar, já deu para perceber.

    • João Paulo says:

      Fernando, portanto a sua solução vem no fim – nada de partidos, nada de política. E já agora, quem governa?
      JP

      • Konigvs says:

        Ninguém. Ou será que o homem não consegue viver com pensamento autónomo, sem que outros lhe digam o que pensar sobre determinado assunto, que tem de agir de determinada forma, que tem de trabalhar e ser explorado toda a sua vida, ver a sua vida totalmente escrutinada, roubado em prol de outros homens, seres esses iluminados que mandam e todos os outros têm que obrigatoriamente obedecer?
        O mal é que a maioria das pessoas acha mesmo que, como já foi assim no tempo dos seus pais e dos seus avós, assim terá de continuar eternamente, e que teremos de ir alegremente para o cadafalso mas assinalando primeiro a cruzinha no nome do carrasco que nos irá cortar a cabeça.

  9. Fernando says:

    Vou tentar responder em primeiro lugar ao Maquiavel, o que e’ fácil. Meu caro saia da frente do espelho. Vai ver que fica com outra figura.
    Respondo agora ao João Paulo cuja resposta e’ para mim um pouco mais complicada. Mas vou tentar. Errado meu carissimo JP. Eu defendi e defendo (entre outros) corte drástico nos deputados, não escrevi eliminação drástica dos deputados.
    O João Paulo não aceita que a atual situação e’ filha adotiva do “nosso” desleixo político?
    Logo após o 25/4 por da ca aquela palha evocava-se o Salazar, a classe política alimentava essa caça ao “defunto” para eles ficarem com “terreno” livre para a bandalheira que hoje se verifica.
    Os alemães não evocam o nome do Hitler para se desculparem. Em Portugal ainda hoje existe “caçadores de fantasmas”.
    Na verdade, enquanto houve “comida na mesa” e o babete para por a’ frente, falar de política? era o que faltava! A política era para os políticos. Falemos antes de futebol. Do Ronaldo, do Mourinho, do Pinto da Costa, do Vieira e demais uns quantos parasitas.
    Estarei errado nesta acusação? Se estou, então eu vivi noutro Pais que não era Portugal.
    Temos que ser exigentes. Escolher homens que saibam governar e não políticos que saibam governar-se.
    E’ este o meu “complexo” ou a minha “raiva” contra os políticos a partidos. São todos pelo do mesmo cão.

    • João Paulo says:

      Quanto à qualidade dos políticos, estamos de acordo – quando vejo um tipo como o filho do Menezes ou como o Marco António com responsabilidades… Estamos de acordo. Mas e a solução? Qual é? Pois… Esse é que é o ponto…

  10. Fernando says:

    Caro João Paulo agradeço a sua concordância no que respeita a’ qualidade dos políticos. Sobre isso estamos conversados.
    Pergunta o João Paulo, e bem . A solução?
    Pois e’ ai que bate o busílis ou como se diz popularmente, e’ ai que a porca torce o rabo. Julgo que teríamos que começar em primeiro lugar por termos uma justiça a funcionar. Fundamental este principio. Justiça que seja respeitada por TODOS e aplicada a TODOS.
    Em segundo lugar, autoridade nas escolas. Onde o professor respeite o aluno e este respeite o professor. E’ nas escolas que se forma o individuo. Tal como o oleiro forma uma peca artística a partir do barro “bruto”.
    Isto seria, penso eu, um bom começo para uma sociedade mais responsável.
    E, como para chegarmos a um milhão, temos que começar pelo numero um (ditado chinez), ficamos por aqui.
    Bem sei, que para muita gente, isto seria uma “repressão” ou “violência democrática”. Que pode correr o risco de cheirar a “salazarismo” ou “ditadura”. Palavras tão em voga e usadas em Portugal sempre que alguém não se associe ao coro dominante.
    Bem, nestes casos nada a fazer João Paulo, Não e’ o Senhor nem eu que vamos “impor” o nosso querer. Vamos desabafando com o que escrevemos, com greves, insultos, perseguições, etc.

    Nota: desculpe de a minha resposta ser algo tardia, mas tal deve-se a que estamos a “dialogar” em fusos horários diferentes,

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