O Bife e o Nestum

Confesso que muitas vezes como a comida que me cai no prato, que é mais ou menos o mesmo que dizer, que em muitos casos vejo parte de notícias, citações do que alguém disse, excertos de declarações. Sim. Cometo, muitas vezes esse crime.

No entanto, não é esse o caso das declarações da senhora, que ouvi integralmente – não aceito, por isso, o pseudo-esclarecimento, em forma de leitura de texto, que fez a uma rádio.

E continuo a pensar que as declarações são um erro, quer na forma, quer no conteúdo.

Em pequeno, ouvi muitas vezes a minha mãe dizer que não lhe apetecia uma costeleta ou uma febra. Havia para os filhos, para o marido, mas à mãe nunca apetecia.

Com dez anos a gente não pensa, não questiona. Hoje, sou pai, olho para trás e entendo. Percebo.

E não quero voltar atrás no tempo! Não quero.

E não quero, simplesmente, porque o tempo não volta para trás! Não pode voltar. Não podemos continuar a assistir ao aumento de vendas de Nestum e fazer de conta que um peditório à porta de um supermercado resolve tudo – não resolve.

E o erro é ainda maior pelo facto da senhora ser quem é. Não é uma pessoa qualquer. E estas declarações poderão ter um efeito mediático desastroso para a organização, que não é dela –  é do país.

A liberdade de opinião é uma condição da nossa sociedade, mas a responsabilidade é também algo que nos deve acompanhar em cada momento.

A senhora foi irresponsável.

 

 

Comments

  1. Maquiavel says:

    Porquê tanta obsessäo com os bifes? Por acaso é necessário comer bifes a todas as refeiçöes? Nem isso é saudável!
    Os italianos näo comem bifes todos os dias, comem pratadas de massa ou arroz. E eu faço o mesmo, näo tenho essa paranóia do bife.

    Já podiam passar do raio do bife e concentrarem-se no que é mais importante: a gaja mandou o pessoal reaprender a ser pobre. Ela que vá para a PQP! Mais importante ainda é a história de se ter de escolher entre uma radiografia ou um comcerto, porque na mentalidade salazarenta da gaja näo deve haver um SNS universal e grátis a quem todos possam recorrer se necessitarem.

    Ao deparar-me na próxima acçäo de recolha do BACF vou-lhes oferecer a minha interpretaçäo do clássico de Barata Moura, “Vamos brincar à caridadezinha”.

    • nightwishpt says:

      Porque comer um bife é muito mais saudável que comer uma pratada de massa ou arroz…

    • João Paulo says:

      Meu caro, o Bife é a metáfora da coisa… eu quero lá saber dos bifes… O grave é exactamente o que referiu. Obrigado por ter comentado, JP

      • Maquiavel says:

        Ó nightwish, pensava que que eras bom entendedor.
        Mas se quiseres ir por aí, pegando no teu argumento: um arroz à valenciana ou uma massada de peixe é, de longe, mais saudável que um bife.

        JP, a discussäo à volta do bife é tanta que já nem sei se o pessoal o vê como metáfora (e aí concordo em usá-lo, como metáfora), ou se realmente, enfim…

  2. leopardo says:

    um efeito desastroso… boa piada… a esquerda jacobina vai deixar de dar a ajudar para o banco alimento que nunca deu… vai fazer uma falta praí de 0,1% dos donativos.
    quem está nestas andança sabe uma coisa, a esquerda jacobina só se ajuda a si mesma, daí a reação do seu colega de blog, o de barba mal feita… ele julga que este tipo de instituições faz como ele faria. Enfim, a esquerda que criou esta ridicula polemica irá deixar de dar a ajuda que nunca deu… faz cá uma falta. Aliás o violento ódio que se personificou na Isabel Bonet não apareceu do dia para a noite, existe há muito, daí ser forte, isto é apenas uma manifestação episódica de um ódio de quem não ajuda e tem raiva de quem ajuda.
    Já agora o nestum exemplifica bem aquilo que a IB falou, pouco mais é do que farinha com açucar vendido a ~5€ o quilo. O seu consumo para evitar uma refeição mais cara é um exemplo que mostra realmente uma desadaptação, é carissimo para o que é.

    • João Paulo says:

      Meu caro, mas se o bife interessa pouco, o nestum interessa ainda menos. O problema de saber s a esquerda vai ou não dar é um detalhe, estou de acordo. O problema é que pode ser muito mais que isso. Muito pior que isso…
      JP

  3. “Com papas e bolos se enganam os tolos”! ou de como, ao se praticar a caridade nos abstemos de praticar a justiça social e de impedir que o homem seja explorado pelo homem! Esta gente que se diz cristã esquece-se de ” tratar os outros como gostaria de ser tratado”.

  4. leopardo says:

    o nestum não interessa… quando perceber que no fundo o nestum é o cerne da questão para quem empobrece perceberá alguma coisa… até aí…
    Ninguém fica contente com o empobrecimento que muitas pessoas estão a sofrer. Esse empobrecimento tem várias causas, sendo uma delas o excesso de divida que alguns em concreto contrairam (por vezes insensata e imprudentemente), outras problemas familiares (as famílias monoparentais são particularmente vulneráveis) sem esquecer a ascensão da China e outros paises que competem connosco de forma terrivel. Em relação a várias destas causas o vulgar cidadão nada pode fazer… terá mesmo de aprender a empobrecer.
    Não alegra ninguém, não gosto que haja quem empobreça
    mas acho que é uma realidade que não conseguiremos evitar.
    E aprender a empobrecer passa por saber como alimentar-se com menos dinheiro, saber definir bem o que é essencial e o acessório, escolher as prioridades corretas. As pessoas que perdem rendimentos têm por vezes dificuldades nisso.

  5. Nascimento says:

    Olha lá gatinho,talvez percebas ou fazes de desentendido da coisa, que há efectivamente ” gente que adora que outros empobreçam”??? Ai há, e de que maneira…aliás, é o seu GANHA PÃO!!! Ou julgas que as pesssoas não vêm, os sorrisos daquela gente, que acaba de receber um bónus de mais 30 milhôes de euros, até ao final do ano?Pois é, refiro-me ás MISERICÓRDIAS ´pá!!! Isto tem a vêr, com um conceito de SOCIEDADE que queremos, e pelo qual estamos dispostos a lutar. é que estás enganado;”saber como alimentar-se com menos dinheiro, saber definir bem o que é essencial e o acessório, escolher as prioridades corretas”, não é passar a ser POBRE. Ser POBRE ,é : saber alimentar-se e NÃO TER DINHEIRO ALGUM!!!! é de nada valer saber o que é essencial, do acessório, porque NÃO SE TEM DINHEIRO PARA COMPRAR NADA, NIENTE, KAPUT!!! É aí que entram as papas e a Jonet, e o espirito santo, mais o bacalhao de natal,e a indecência televisiva, que está prestes a começar ( falta só um mês) !!!
    É precisamente por isso gatinho, que AS REALIDADES FAZEMO-LA NÓS,…..não evitamos nada!!!

  6. leopardo says:

    cimento, parece-me que ignoras a realidade no terreno.
    As IPSS e as misericórdias (não são a mesma coisa) têm quase sempre direções compostas por voluntários não pagos (aliás como os bancos alimentares).
    Já agora a Isabel Bonet dirigirá o Banco Alimentar de Lisboa, mas cada distrito tem o seu (nem todos o têm) e cada um tem autonomia plena.
    Quanto ao que as misericórdias acabam de receber não sei, mas sei que 30 milhões para a globalidade do país é uma gota de água. A misericórdia de Lisboa recebe muitissimo mais (a misericordia de Lisboa não devia ter este nome porque dá origem a confusões, foi nacionalizada, é dos estado, as outras estão ligadas à Igreja – nota – não muito ligadas, têm muita autonomia e os bispos têm dificuldade em controlar alguns abusos que ocorrem, esses abusos são normalmente as tentativas de alguns partidos de tomar de assalto essas misericórdias com intuitos de propanda partidária) , só dos jogos sociais.
    Desafio-te e a seres voluntário numa IPSS ou numa misericórdia, verias o outro lado do problema, como recebem apoios para 50 utentes e acabam por ter de assistir a 100. Verias a quantidade de pessoas que dedica gratuitamente parte significativa do seu tempo aos outros de forma totalmente altruista. Têm funcionários pagos, mas nornalmente a direção é gratuita e conseguem muitas vezes o apoio da população para a construção das instalações. O estado lucra imenso com esta dedicação altruista das pessoas. E se julgas que eles gostam que as pessoas empobreçam mostras uma absoluta ignorância da vivência dessas instituições por dentro. Eles são voluntários, fazem sacrifícios para manter essas instituições a funcionar e o aumento da pobreza significa que têm de fazer mais sacrifícios, menos tempo para a família, maior angústia por ver os problemas da pessoas e sentir a impotência de não conseguir atender a todos os que precisavam.
    Aos funcionários talvez a um ou outro agrade. Mas seriam sem duvidas mais funcionários se fossem todos estatais, então seriam autenticas centrais de emprego e as despesas para o estado duplicariam, no minimo. Por essa razão é que aqui, como em muitos outros paises o estado apoio estas instituições.
    Sobre os pobres não terem que comer, mais uma vez mostras ignorancia, enorme, crassa. A definição de pobre não é essa, pobre é quem tem um rendimento baixo. A definição que usas é a de miséria. Pobreza há muita em Portugal, há muitas pessoas com pouco dinheiro, que lhes dá, com maior ou menor dificuldade para o essencial. Mas miséria felizmente ainda há pouca, como reconhece, por exemplo, a Fernanda Câncio, no blogue jugular: http://jugular.blogs.sapo.pt/3387863.html
    Tende a aumentar. Seria muito maior se não existisse banco alimentar, se não existisse RSI ou equivalente, se não existissem toda a estrutura da segurança social, IPSS e misericórdias. A miséria é muito maior noutros paises, por vezes mais ricos que Portugal.
    Queres lutar contra a pobreza? Então nos intervalos das manifestações e outras indignações cria de raiz, uma IPSS para ajudar os pobres. Aí terás autoridade moral para falar. Até aí se não fazer nada pelo menos digas mal de quem faz.
    Porque muitos não só não ajudam como têm raiva de quem ajuda.

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