Moedas, o mensageiro

Carlos MoedasComo se depreendia, e ao contrário do afirmado previamente por Passos Coelho no estilo de torpeza que lhe é próprio, a reunião deste Sábado do Conselho de Ministros teve, como principal ponto da ordem de trabalhos, ‘o corte dos 4 mil milhões de euros para efectivação da ‘reforma do Estado’.

No final, e desta vez sem o auxílio da censora Galvão, lá apareceu o Moedas na função de ‘mensageiro’. O jovem engenheiro-financeiro, a quem até nem ficaria desajustada a designação de ‘moço de recados’, traz-me à memória ‘O Mensageiro’, de Oren Moverman.

No filme, dois oficiais estão incumbidos de anunciar às famílias a morte de soldados em combate. A Carlos Moedas também foi cometida pelos chefes, Gaspar e Coelho, a tarefa de anunciar desgraças às famílias portuguesas. Haverá apenas uma ínfima coincidência sinóptica. Moedas não foi autorizado a divulgar pormenores do ‘dossier’. –Assuste-os apenas! – ter-lhe-ão ordenado os chefes.

Os dois oficiais da película – os actores Ben Foster e Woody Harrelson – transmitem a custo, de rosto pesaroso, as infelicidades aos familiares dos mortos. O objectivo é narrar a verdade em toda a extensão e amparar o sofrimento de quem os ouvia.

Na sinopse de ‘O Mensageiro’ com o artista Moedas, sempre de ar feliz e sorridente, a narrativa desenrola-se de modo divergente. Certamente por instruções superiores, exprimiu-se por frases soltas e desconexas, de forma evasiva e vaga; isto, não obstante estar a comunicar aos portugueses, através da imprensa, o objectivo governamental de, em 2013, iniciar os cortes, a maior parte dos quais espúrios e duros. Subirão aos tais 4 mil milhões de euros.

A fim de não ficarmos apenas pela retórica, citamos algumas das ideias e declarações reais transmitidas por Moedas:

  • Recusa comentar poupanças por áreas da governação.
  • Parte dos cortes [não quantificada] pode ser já feita este ano.
  • As medidas estruturais estão a ser estudadas por todos os ministérios.
  • É positivo que haja cortes já este ano.
  • A ‘reforma do Estado’ deve assentar em pilares da eficiência, da equidade e do consenso e concertação.

Triste figura a deste ‘mensageiro’ e dos seus mandantes que deixam para o final quem mais vai sofrer com as medidas: ‘o povo português’. Infelizmente, já estamos habituados a garotadas do género – primeiro é informada a ‘troika’, depois Bruxelas e depois, alguns dias depois, o PR, que, de resto, bem merece ficar para o fim.

Para último dos últimos, ficará o povo português que será justamente o alvo e a vítima dos sacrifícios, de que estes ultraneoliberais não prescindem. Ficarão inscritos na História do País como os coveiros da pátria… apesar de, no dizer do cabotino Borges, tais cortes constituírem matéria acessória.

É a ‘Democracia Iliberal’ em acção.

Comments


  1. Isto é a mesma coisa que uma casa. Uma pessoa ganha 2000 euros, mas tem dívidas mensais para pagar (500) e despesas mensais que somam 2500, logo é preciso cortar mil nas despesas mensais. Ou então tem de aumentar em mil as suas receitas. As alternativas são estas, agora escolham e deixem de inventar argumentos políticos de chico-esperto que não resolvem o problema. P.S. E não se esqueçam que foi o vosso querido Sócrates que aumentou a dívida pública para 90% do PIB, e o défice para 10%. Bye-bye.

    • nightwishpt says:

      Não foi o Sócrates, foi a banca.
      E essa merda de comparar divida familiar com divida publica é uma patetice de merceeiro.


    • Você deve fazer parte da nojenta pandilha ultraliberal que nos desgoverna, mas saiba que o Povo acordou e a vossa hora está a chegar, quando começarem a série de derrotas estrondosas a começar este ano nas Autárquicas e acabando nas Presidenciais, sereis varridos do Mapa, seus bandidos.
      E não não tenho partido, apenas tenho uma certeza através do meu voto contribuirei com muito gosto para as vossas derrotas, quero ver-vos no chão como o lixo e a coisa mais reles que houver. O Povo está a começar a odiar-vos. Ardam no inferno pois vocês foram incarnados pelo diabo.


  2. M,

    Falta-lhe 1 alternativa:

    – renegociar o pagamento das dívidas com os credores.

    Já agora, uma questão: se os credores deram crédito a quem tem empréstimos no valor de 2500 e só auferem 2000, são bacocos ou nem por isso?

  3. Nascimento says:

    Este é que ´manda, e voçes estão preoucupados com a merda dos Relvas ,Franklins, etc…este é que e o menino Ideologo de Passos e afins. Aliás ,não percebo porque é que ninguem repara neste personagem, cinico e macabro de Beja …é este que quando há merda a bordo, salta logo para as televisões a tentar “explicar” a cois etc e tal, Ou não é???

    ps Oh ” M”, ou lá o que és, o teu raciocinio é proporcional ao teu traseiro…vá lá, faz um esforço.Básicoi.Lol

  4. Carlos Fonseca says:

    Ó M,
    Já fiz há mais anos a 1.ª classe e sinto-me sem paciência para regressar às demonstrações aritméticas com recurso a métodos pueris.
    Os apoiantes do governo vêem em cada crítico um PS, como Salazar considerava cada opositor um comunista. Não sou filiado em qualquer partido; portanto, até nessa saída se estendeu ao comprido.

  5. Tigre says:
  6. Observador says:

    Ó M. Não sei o que querias significar com essa letra. Se fosse eu a escrever sabia bem. Agora, tu, será que para ti a letra significa o mesmo que para a maioria de quem aqui te respondeu? Mas falando mais a sério, de facto o Sócrates não foi um boa encomenda. Mas o teu patrão cavaco terá sido e continua a ser melhor? O mal é desse gajada toda que nos anda a a burlar à grande, há mais de 30 anos. E esse moedas, aluno do borgesso, faz o que lhe mandam já que eles não têm lata para falar ao povo nem que seja através dos jornais. Portantro, abre os olhos e começa a pensar pela tua cabeça, se fores capaz.


  7. Só vejo argumentos muito pouco inteligentes. Mesmo muito pouco inteligentes. De pessoas mais ressabiadas do que sábias. De pessoas que percebem tanto de economia e de finanças públicas como o Sócrates de espanhol…


  8. 1 – Renegociar o pagamento das dívidas com os credores. Não é uma alternativa. Basta ver o que se passou na Grécia, que fez um haircut de 77% da sua dívida e ainda está com uma austeridade assustadora e uma queda do PIB de 25%.


    • Não é uma alternativa? Reduzir a dependência de credores não é alternativa? Bom, bom, é tudo o que foi feito até aqui, não é?
      Não foi solução na Grécia porque os problemas estruturais deles não se alteraram e, bom, não levaram avante as reformas que se deveriam seguir a esse “corte de cabelo”.

      Os outros são ressabiados? Tu é que és um ignorante e um cobarde que só conta metade da história, Merdoso.


  9. O Governo vai manter-se até ao fim, porque a sabedoria e a seriedade assim o exige. É preciso o país endireitar-se sob o risco de vocês serem os responsáveis por Portugal ficar igual à Grécia.
    Aliás eu acho que as pessoas que têm tanto ódio ao trabalho que o Governo está a fazer deviam criar um país à parte e viviam com o escudo como moeda e com um estado social tipo Cuba… e assim ficassem enquanto o país das pessoas com juízo e responsabilidade recuperava alegremente a economia, sem os tarados que por aqui pululam em alguns comentários deste blogs.


    • Eu tenho ódio a gente estúpida, que se recusa a ver a realidade, como tu e a corja do Governo. Se achas que isto é que é ajustamento – uma economia cada vez mais deprimida, finanças públicas cada vez mais depauperadas, de tal modo que a dívida pública é agora de mais de 120% do PIB, desestruturação da sociedade, fim de feriados relativos à história de Portugal, como o 1Dez e o 5Out, entre outras “reformas” -, então ficas apresentado, laranja podre filho da puta.
      Não só não vão conseguir nenhum objectivo, como o chorrilho de mentiras (como o anúncio da retoma na Festa do Pontal, em Ago2012) vai redundar num novo resgate e continuação do ciclo vicioso.

      Continua a viver no teu mundo cor-de-rosa, mas não nos arrastes para ele, ignorante de merda.


    • Primeiro Cuba não tem dividas, pessoas desalojadas, e analfabetos como tu. Depois eu sei que tens imensa saudade de Hitler, Salazar, Mussolini, portanto mata-te para ires ter com eles.


  10. Ao nightwishpt, tenho de o corrigir. Não, não foi a banca. Em Portugal não foi a banca. A UE flexibilizou os limites de dívida pública e défice de facto por causa da banca, para os Estados membros poderem intervencionar a banca devastada pelo sub-prime. MAS, em Portugal Sócrates aproveitou essa flexibilização, disparou a dívida pública, e nem um banco intervencionou. Pois o BPN, que nacionalizou, nunca contabilizou nas suas contas públicas as perdas, teve de ser este governo mais uma vez a assumir as perdas. E o BPP, quem pagou foram ou outros bancos através do Fundo de Garantia de Depósitos.
    Só para deixar claro que no exemplo que eu dei, acima, um exemplo clarissimo do que se passa nas finanças públicas, eu não comparei a divida publica a divida familiar. Falei só de défice, porque os juros da dívida são défice….. dahhhh


    • O golpe dos fundos de pensões foi o quê, atrasado mental? Antes que comece a choradeira: não, não sou votante nem militante do PS.

      Os merdas do BPN pertenciam, MAIORITARIAMENTE, a que partido político? Ao Partido Humanista? Ao PNR?
      Não, pertenciam ao teu amado PSD.

      Querias factos? Toma aí e chupa, porco.


    • Pelo discurso, também deves ser daqueles tontos, como o Martim Avillez Figueiredo (que nome, meu Deus), que quer reconverter cafés de esquina em “negócios exportadores, criadores de valor acrescentado”; o idiota (coitado, de Comunicação Social e da Católica, ainda por cima) só não explica de onde virá o financiamento – para a formação profissional das pessoas e para o estabelecimento do negócio.
      Tal como tu, é mais um trengo que vem com a ladainha anti-PS e a favor do “ajustamento”, apenas e só com ideias peregrinas e demagogia. Concretizar? Mais vale esperar sentado.

      Bom, bom, é ver a malta toda no desemprego e a pedir sopa à Jonet.


  11. Reblogged this on Azipod.


  12. Em resposta ao 1º comentário, convém não esquecer que Sócrates, apesar de não ser seu apoiante, aumentou a dívida pública de 40% do PIB para 90% em 6 anos de governação e até investiu na reabilitação de muitas escolas que estavam degradadas (na minmha, os mictórios dos pavilhões vertiam a urina para o chão, e investiu nas energias alternativas, contribuindo para que a EDP se transformasse na 1ª empresa mundial neste tipo de energias, enquanto que Passos Coelho e o seu (des)governo aumentaram a dívida pública em 30% em ano e meio de “”governação”, lançaram no desemprego centenas de milhar de portugueses. devido à falência de muitas pequenas e médias empresas e só tem servidos os interesses de alguns privados em detrimento da destruição do Estado social. Portanto, a comparação que se possa fazer entre estes dois polítcos é de longe bem mais favorável a Sócrates. Como diz o velho ditado ” Dar a César o que é de César.”

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