Tranquilizemo-nos! Os Orixás garantiram a felicidade ‘pós-troika’ a Cavaco

orixásPresidente da República, ex-primeiro ministro e pioneiro do  desenvolvimento irracional que, de resto prolongado por outros, teve como desfecho o estado a que chegámos (Saravá Salgueiro Maia!, com enorme saudade) continua a ser figura libidinosa da nossa democracia. Mais a mais, tendo sido professor de Finanças Públicas e quadro do Banco de Portugal, seria expectável um mínimo de sensatez  nas declarações públicas, intervaladas por longos e misteriosos silêncios. Todavia, o discurso incoerente, porque demasiado premonitório e duvidoso, constitui uma das  idiossincrasias do PR.

Em encontro com 50 jovens empresários – por deformidade nacional, estamos viciados em números redondos e personagens quadradas – Cavaco, crente na predição dos Orixás,  sentiu-se  compelido à adivinhação. Na cerimónia, decidiu tecer prematuros e infundados elogios ao período “pós-troika” – um período que, por influência dos Orixás, tem o privilégio de conhecer antes de qualquer outro ser humano, português, maori ou de qualquer origem.

Com sabedoria de quem está animado pela crença na mitologia ‘yoruba’, ainda dissertou sobre a mecânica de alavancas:

“aos empresários da economia pós-troika”, Cavaco Silva afirmou que “as alavancas disponíveis para provocar o crescimento económico são o investimento nacional e estrangeiro, as exportações, turismo; acompanhados de uma redução menos drástica do consumo privado”.

No célebre discurso de 9 de Março de 2011 na AR, a três dias da manifestação do Movimento 12 Março, Cavaco foi claro no incitamento à revolta:

Façam ouvir a vossa voz. Este é o vosso tempo. Mostrem a todos que é possível viver num País mais justo e mais desenvolvido…

Estas palavras poderiam perfeitamente ser repetidas hoje, a dias da manifestação de Sábado, 2 de Março.

Nos tempos que correm, ignora e despreza os problemas correntes da sociedade portuguesa, distraindo os cidadãos com a promissora época pós-troika. O incumprimento e queda do PIB, do défice público, o elevadíssimo desemprego e o incremento, para além do programado, da dívida pública externa, tudo em situação muito mais grave do que no tempo em que tomou posse, constituem resultados, para si, aceitáveis. E, então, já não se justifica apelar aos jovens que no próximo Sábado, dia 2 de Março, saiam à rua e se juntem na contestação aos  desempregados de longa duração, aos funcionários públicos, aos reformados e pensionistas e a outros cidadãos socialmente excluídos.

O PSD, partido do PR, está no poder e Cavaco apenas se move ou estagna com parcimónia perante o governo. Com os objectivos agravados em discurso do próprio Gaspar, as previsões do Banco de Portugal e mais recentemente da CE, deixam-nos, de facto, tranquilos, graças a Oxóssi, o mais habilitado dos Orixás para nos garantir a felicidade da fartura…após a ‘troika’, claro.

Comments

  1. eduardo soares says:

    O pr está e sempre esteve ao serviço do ppd(cds) e daí a sua falta de clareza. E, sabe-se, falta de cultura-cultura. Ponto!


  2. Caro Eduardo Soares,
    100% de acordo.

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