Euro-confisco: lutam as oligarquias, arruina-se o povo

Creio ser positiva a ideia de lermos o artigo publicado aqui: Chipre Der Spiegel de 16-03-2013.  A generalidade da imprensa internacional que consultei refere-se de forma censurável ao confisco, por imposto súbito e criminoso, de 6,75% dos depósitos em bancos cipriotas até 100.000 euros ou de 10% a verbas depositadas acima de 100.000 euros – também foi decidido passar a aplicar uma taxa de 20 ou 25% (do género da taxa de 28% paga pelos depósitos a prazo em Portugal) e ainda aumentar o IRC de 10 para 12,5%.

Tudo isto – e provavelmente outras coisas que desconhecemos – foi deliberado pelos elementos do Euro grupo,  o fracassado Gaspar e outros ministros das finanças da zona euro, a Lagarde pelo FMI, um tal Asmussen do BCE e o inevitável Oli Rhen; todos eles aplicaram a medida de confisco pela calada da noite que, sublinhe-se, se prova ser a hora dos crimes mais hediondos, segundo os criminologistas.

Todavia, o lote de carrascos citados não foram os únicos nem os principais algozes. A Alemanha e os novos sudetas, Holanda e a Finlândia, assumiram também a concepção do criminoso acto. Veio a perceber-se que a D. Merkel, sempre ela, entrou em colisão com o Chipre, e há bastante tempo,  por aquele país se ter transformado em paraíso fiscal. Os principais depositantes são russos, britânicos e outros não-residentes perfazem perto dos 50%, sendo a restante metade, obviamente, cidadãos cipriotas.

Neste jogo abjecto, de um capitalismo neoliberal sem ética, princípios e regras, vale tudo. Quase sempre se servem  duma nuvem de fundo para nos torpedear. Desta vez, os adversários foram fundamentalmente os oligarcas russos a extrair proveito do ‘paraíso bancário cipriota’. Assim, justificaram a ignominiosa acção, ocultando, por estratégia, os aforradores normais, de pequeno ou médio porte, que sem cometerem infracções de evasão fiscal ou outras, se vêem esbulhados de parte significativa das poupanças.

Merkel e  o presidente do Chipre, Nicos Anastasiades, revelam ambos ao mundo como a direita, e em especial a direita neoliberal hoje predominante, falseia com à-vontade as regras do jogo democrático, segundo os interesses que persegue; vejamos os seguintes exemplos:

  • Ética – agir segundo o modelo e a cobardia que o Euro grupo % Cia. utilizou é eticamente mais do que reprovável;
  • Democracia – quando alguns autores falam de democracia iliberal para caracterizar o que se passava com Chávez na Venezuela, a tese perde sentido se a contrapusermos à UE como (virtual) espaço livre, democrático e em que os cidadãos sentem ameaçado o direito pleno à propriedade;
  • As oligarquias de uma das partes, sob disfarçados regimes democráticos, em que 20 e poucos perturbados se reúnem algures até às tantas da madrugada para enfrentar a oligarquia russa, de Putin, não olha a meios, nem mesmo aos direitos legítimos de protecção de poupanças que, em muitos casos, resultam de anos e anos de trabalho.

O presente domínio da Alemanha de Merkel sobre a Europa, e porque as ambições que alimenta não se esgotam já no espaço europeu, está a disseminar-se em vários sentidos. No triângulo marítimo de Chipre, Grécia e Turquia presume-se a existência de consideráveis recursos energéticos (gás e petróleo). A Rússia é adversário de peso para disputas geoestratégicas e a força militar da Alemanha – felizmente! – ainda está consideravelmente mitigada, tendo em conta as ambições.

Oxalá esta UE acabe rapidamente, antes que nos venham esbulhar o pouco que nos resta.

(O meu companheiro e amigo Fernando Moreira de Sá já tinha publicado um ‘post’ sobre este tema. Eu tinha o meu preparado e penso que, ao fim e ao cabo, não haverá redundância. Complementam-se.)

Comments

  1. Fernando says:

    Euro-confisco soa a eufemismo, Euro-pilhagem é mais apropriado…

  2. Carlos Fonseca says:

    Seja, então, euro-pilhagem.

  3. Lidia Sousa says:

    No dia 18 de Maro de 2013 58 01:00, Aventar

Deixar uma resposta

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.