Que parte é que ainda não perceberam?

Clara Ferreira Alves explicou, no Eixo do Mal e em português de lei. Dúvidas? arranjem explicador.

As solenes exéquias

tintin_picaros_vivasA delegação cubana parte de Caracas

…e regressa à pátria, sobrevoando Havana

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Cavaco é discípulo de John Cage

I have nothing to say / and I am saying it / and that is poetry / as I needed it” – diz John Cage, compositor autor da famosa peça 4’33’’, obra dividida em três andamentos em que não se passa absolutamente nada. Apenas um silêncio total. O pianista, na versão para piano, ou o maestro, na versão orquestral, apenas têm de estar atentos ao indispensável cronómetro para não falhar o “fim” da peça.

Mas a verdade é que a obra ficou para a história. É o caso do silêncio do nosso presidente: incompreendido hoje, a história lhe fará justiça. Assim ficamos a saber quais as influências filosóficas e estéticas de Aníbal. Hoje é, pois, um dia feliz. Claro que não faltam musicólogos a garantir que John Cage é um maganão. Genial, mas um aldrabão. E não faltará quem, entre nós, garanta que Cavaco partilha esta condição com o compositor. Sem a parte do “genial”.

Uma Odisseia que hoje acaba

O melhor que se produziu em todas as televisões portuguesas, departamento de ficção. Sem comparação sequer com a concorrência mais próxima, e que andaria por um Herman muito remoto. Não é para meninos, não é de digestão fácil, também por isso é excelente. Acaba hoje, “suspenso pela RTP” reza o argumento, mas é possível ver todos os episódios.

Deixo-vos com a sequência que até agora mais me encantou, um exercício de representação muito, mas mesmo muito fora, da Carla Maciel e do Gonçalo Waddington:

Homens indignadinhos

A maioria que governa a autarquia de Coimbra, a que se juntaram autarcas de outras localidades – Mealhada e Pedrogão Grande – está muito abespinhada com a “insensibilidade social” de Assunção Cristas e as malfeitorias das Águas de Portugal. Querem aumentar as tarifas, imagine-se.

Os putativos candidatos autárquicos do PS botaram fala em conferência de imprensa, onde deram largas a não menor indignação. Até aqui, nada a dizer. Mas quando apelam a que a Assembleia da Republica se debruce sobre o problema, eu digo alto e para o baile! É que, ó distraídos concidadãos, a AR debruçou-se, há poucos dias, sobre o problema. E as vossas rapaziadas (PSD, PP e PS) opuseram-se a uma lei que impediria a privatização das águas. E nem uma voz ou um braço se levantou, nas vossas bancadas, que desse alguma credibilidade à vossa indignação de pechisbeque.

Tudo quanto ultrapasse as vossas continhas de amanuense de trazer por casa, é demais. Fazem este escarcéu por um aumento de tarifas da lavra de um dos vossos – das vossas, neste caso -, mas endireitar a coluna vertebral para impedir o retrocesso civilizacional que significaria entregar a água a um monopólio privado, isso nem pensar. Quem vos crê que vos compre, corja de aldrabões de meia tigela. Mas depois não se queixe, que já não há paciência.

O Consiglieri

O Consiglieri é uma figura relevante na estrutura hierárquica da Mafia. Ele é um dos vértices do poder da famiglia, juntamente com o boss e o underboss. Este tipo de organização reproduz-se noutras instâncias de poder. Mas estou a divagar. Que terá isto a ver com a notícia do dia, o conselho do António Borgia, perdão, Borges, de diminuição generalizada de salários, já retomado publicamente por Passos Coelho e Gaspar? Sim, que terá? Porca miseria! Mascalzoni!

Sai Baba, entra Maduro

AlvarezDuty

O sucessor de Chávez frequenta Puttaparthi. Não é um hippie nem vai à Índia à procura de parties, mas sim de milagres que lhe possam garantir uma boa e milagrosa gestão dos problemas que a Venezuela enfrenta. De cinzas transformadas em comida, até às bocas que arrotam jóias, Maduro fica assim a dispor de algo mais do que a produção de petróleo.

Não poderá a nossa classe política partir em peso para umas consultas destas? Por cá, cinzas não faltam.

Exactamente, como previsto: o lince e as raposas

PR aud ABL

http://www.presidencia.pt/?idc=10&idi=26369

Ontem, escrevi que, provavelmente, o prefácio de hoje  nos traria *marços , *atuas e outras disortografias.

De facto, trouxe-nos. Ei-las.

Não se trata evidentemente de bipolaridade (orto)gráfica, uma vez que o autor, como muito bem sabemos, apenas adopta uma grafia. Daqui a mil anos, os paleógrafos no activo durante o ano de 3013 deliciar-se-ão com esta fase do segundo decénio do século XXI, em que a grafia utilizada por determinados escreventes de português europeu assumia formas diferentes, consoante o carácter privado/social ou público/oficial do texto. Descobrirão esses paleógrafos que, na fronteira entre aquela sincera, estável e correcta grafia privada e aqueloutra hipócrita, aventureira e incerta grafia pública, havia máquinas com nome de felino e vopes, volpes, voalpes e até uma confusão entre vóclepes e voulpes. Nessa altura, no século XXXI, farão exactamente a mesma pergunta que tantos fariam mil anos antes: porquê?

P.S. – Aproveitando a corrente do público/privado, deixo-vos na companhia de um excelente vídeo, com Jorge Buescu a explicar a criptografia de chave pública. “A chave que encripta a mensagem é pública, mas a chave que decifra a mensagem é privada”. Exactamente.

Postalinhos de Barcelos (1)

barcelos1