O respeitinho é muito feio

moncorvoO chamado Presidente da alegada República dita portuguesa, Cavaco Silva, deslocou-se ao concelho de Torre de Moncorvo, onde foi injustamente vaiado, anteontem. Injustamente, porque merece muito pior do isso, tendo em conta as pesadas responsabilidades que tem no estado em que vivem muitos cidadãos, uma vez que, depois de ter sido um primeiro-ministro inevitavelmente medíocre, foi cúmplice de Sócrates, de quem se limitou a dizer mal, e faz parte do bando da troika, apoiando Passos Coelho, para quem ser primeiro-ministro não passa de um estágio remunerado para outros voos, como teremos ocasião de confirmar antes cedo que tarde.

Tal como a minha colega Noémia Pinto, embora amante da paz e praticante convicto da bonomia, começo a acreditar que não há soluções pacíficas para afastar os abutres que esvoaçam entre Belém, São Bento e Bruxelas. Enquanto esta gente for vaiada, vai com muita sorte e nós com azar a mais.

Antes da visita presidencial, os presidentes das concelhias do PS, do PSD e do CDS assinaram a abjecção que podem ler mais acima, pedindo aos habitantes do concelho que recebessem a cavacal figura sem fazer barulho, que era importante para a imagem do concelho. São os lídimos representantes do portugalinho das aparências, do parece-mal, do aguentar-e-cara-alegre, que andaram a colar cartazes quando eram jotinhas e estão, agora, muito preocupados com o nó da gravata com o corte do fato e que aprenderam a papaguear, com voz de papo, muitas palavras vazias terminadas em –idade, como “acessibilidade” ou “credibilidade”.

Num país em que as pessoas se confrontam com empobrecimento, miséria, desemprego, fome, estes três tristes são o retrato dos partidos a que pertencem, preocupados com nada que nos interesse, interessados apenas em manter o lugar à mesa do orçamento que fornecemos e de que se alimentam.

Termino com um conselho a todos os membros de concelhias, distritais e restantes parasitas: sempre que queiram receber, nas vossas terras, cavacos, passos e outros espécimes do mesmo género, peçam aos cidadãos o favor de se limitarem a insultar ou a arremessar géneros alimentícios em decomposição. O favor, perceberam?

Comments

  1. Ver aqueles três logos juntos no início da carta diz tudo não é? O bloco central, as rotativas alternativas que nunca o são.

  2. Nativ says:

    É o “aguenta e não chora”.

  3. Nascimento says:

    Tás há espera de quê dos autarcas xuxialistas??

  4. joao figueira says:

    Mal vai um país em que 3 energúmenos politicos e provavelmente usufrutários dessa abejcta forma de bloco central, se dão á pouca vergonha de querer manietar a voz e o descontentamento de um povo que querem representar.

Trackbacks

  1. […] Feito extraordinário, mas nem por isso inédito, nem, previsivelmente, derradeiro. Deste texto de António Fernando Nabais, poder-se-ia inclusive depreender que o teor da missiva se limitaria […]

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