Vão para dentro de casa, cá fora está mau para escapadinhas

Ouvi há poucas semanas o primeiro ministro falar da importância do turismo para a economia nacional. O mesmo primeiro ministro, aliás, que é, ele próprio, presidente do Comissão de Orientação Estratégica para o Turismo. Até aqui, nada a opor.

O problema é saber que turismo, como e para quem. Neste campo, a coisa complica-se. Todos nos lembramos de anos e anos de campanhas a favor do turismo de portugueses em Portugal, “Vá para fora cá dentro”, “Faça uma escapadinha”, etc.

O Turismo, como outras áreas da economia, comporta grandes e pequenos agentes e alimenta uma multitude de negócios e pequenas indústrias, da hotelaria à restauração, do turismo de natureza ao turismo desportivo, do turismo cultural ao turismo de “experiências”, etc. Em todos esses campos operam grandes, médias e pequenas empresas, gerando postos de trabalho, fixando pessoas em locais em risco de desertificação, contribuindo para a conservação e multiplicação de património, conhecimentos e saberes.

A decisão, ontem anunciada, de pagamento do subsídio de férias em Novembro é um tiro no sector turístico e poderá prefigurar a morte de muitas pequenas empresas dedicadas a nichos e locais mais procurados pelo habitual turista português do que pelo desconhecedor turista estrangeiro.

Aponta-se que uma das razões para esta decisão do governo será uma espécie de empréstimo forçado tomado aos portugueses sem pagamento de juros. Mesmo que assim fosse, a falta dessa liquidez e o desaparecimento de pequenas e médias empresas com o consequente empobrecimento e desemprego, saíria cara ao país. Mas penso que é mais que isso: o governo não quer que os portugueses vão de férias.

Na sua paranóia austeritária, o raciocínio do governo não chega a ser simples, é apenas simplista: turismo de férias aumenta o consumo, o aumento do consumo aumenta as importações, as importações aumentam o défice externo.

Acham que deliro ou estou de má fé? Vejam as linhas – e sobretudo as entrelinhas – destas declarações do primeiro ministro durante uma visita à Bolsa de Turismo de Lisboa

o grande contributo para o turismo deve vir de fora, há muito que ainda podemos fazer para atrair mais e melhor e turismo para Portugal, independentemente de podermos oferecer boas condições aos turistas nacionais, mas precisamos de equilibrar a nossa balança de uma forma mais pronunciada

Comments

  1. almaria says:

    São tão burros, tão burros que nem esta “opotunidade” (como eles gostam de dizer) de ver a economia a mexer qualquer coisinha, souberam aproveitar…


  2. É mesmo Almaria. Somos “governados” por autênticas bestas e não há pior coisa que isso….

Trackbacks


  1. […] do sector do turismo também precisam de trabalhar quando os outros fazem férias. Mas, para se ir de férias, é preciso haver pilim e o subsídio dos funcionários públicos é um direito contratualizado […]

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