Concurso de Professores

Confesso que o meu estado de alma não me permite contribuir com algum tipo de trabalho útil para a comunidade docente que frequenta esta coisa da blogosfera – há muita gente que dedica e bem, o seu tempo a fazer contas – como diz um amigo, se alguém faz melhor que tu, …

Sinceramente, apetece-me apenas subscrever o que diz Mário Nogueira:

“Este é o desfecho natural do trabalho do ministro [da Educação] Nuno Crato e do secretário de Estado. Este concurso é mais um passo no sentido do que o Ministério da Educação quer: destruir a escola pública”, é “uma fraude e uma pouca vergonha”, afirmou Mário Nogueira, gracejando que aqueles governantes “vão ser agraciados pela ‘troika’ com uma medalha”.

E tentar explicar aos não professores o que se passou hoje:

– Em Diário da República, o MEC publicou uma portaria que vem dizer, escola a escola e disciplina a disciplina, quantos professores EFECTIVOS (dos quadros!) são necessários (vagas positivas), quantos estão a mais (vagas negativas), ou, eventualmente, indicar as escolas onde os que estão são os necessários. Isto, ao nível dos quadros, ou seja, ao nível do pessoal efectivo.

As vagas negativas indicam uma escola onde parece haver professores a mais e as positivas os estabelecimentos onde parece haver lugar para mais um.

Para alguém que está de fora será normal que o MEC (patrão) faça este tipo de gestão e, claro, abra apenas as vagas que precisa porque não estamos em tempo de deitar dinheiro fora.

Ora nem mais. É isso mesmo.

Acontece que o MEC é árbitro e jogador – pergunta às escolas que professores necessitam, mas antes envia as regras para que estes apurem essas necessidades.

Deixo duas notas para perceberem como a Portaria publicada hoje é uma verdadeira porcaria:

– na minha escola, em 5 anos, da minha disciplina, houve 8 pessoas a sair para a reforma. Quantas vagas há para o quadro? ZERO! E o número de alunos não baixou, antes pelo contrário. Repito: saíram 8. Entradas: ZERO!

– Cada turma tem um Diretor de Turma, cargo que corresponde a 2h de trabalho, isto é, por cada turma existente no país, o MEC precisa de mais 2h. O mesmo acontece para quem Coordena um Departamento (8h), quem é responsável pela Biblioteca ou pelo Desporto Escolar, etc, etc, etc…

Que parte destas necessidades permanentes foi contabilizada pelo MEC no apuramento das vagas?

ZERO!

Mais do que atirar as culpas para os Directores ou perder tempo a saber se são 723 ou  724, o importante é perceber o que podemos fazer para impedir esta gente de alcançar o seu objectivo – destruir a Escola Pública!

 

 

 

 

Comments

  1. adelinoferreira says:

    Não sou professor,mas acompanho de perto
    os problemas do ensino. A resposta ao s/ultimo paragrafo só pode ser:-
    GREVE+GREVE+GREVE.PARALIZEM AS ESCOLAS,
    até o Crato cair.

    • luis says:

      Ate quem nao e professor percebe que sao necessarias respostas fortes e “musculadas” por parte da classe docente, mas os sindicatos tem medo, muito medo.

  2. almaria says:

    Greve aos exames?
    Não.
    Greve já, e por tempo indeterminado.
    Se não for agora, nunca mais será.

  3. nightwishpt says:

    Não entendo. Esta gentalha não critica tanto o planeamento central soviético e faz isto?

  4. Rui Oliveira says:

    @nightwishpt

    Ah! Mas o planeamento centralizado soviético era mau por ser… Soviético. Este faz maravilhas por ser… qualquer coisa (até faz crescer os pelos do peito e tudo).


  5. O seu texto, muito poupado na adjectivação que o MEC merece, está claríssimo para um não professor perceber a tramoia publicada, o que é importante.
    Contudo, contém uma pequena imprecisão:
    «O mesmo acontece para quem Coordena um Departamento (8h)»

    Quem coordena um Departamento tem ATÉ 8h para o efeito, sendo que as 8h implicam um Departamento com mais de 30 professores.
    [As inúmeras mega-agregações recém constituídas resultaram/resultarão em muitos Departamentos com esta dimensão, coisa que anteriormente era pouco frequente.]


    • Só lembro a todos que o ensino não é o problema dos trabalhadores,mas muito mais e mais importante é os resultados maus ou bons que se obtêm com os alunos e quanto custa. O problema dos trabalhadores tem consumido quase todas as discussoes e debate publico abusivamente. Os problemas devem ser discutidos entre os sindicatos e os empregadores e não açambarcar e eclipsar massivamente o debate sobre o ensino.

  6. omaudafita says:

    Nogueira! Nogueira! Estás aí?
    Por onde andas…


  7. Nogueira espera acabarem com os destacamento sindicais para propôr uma luta a sério? Põe a coisa em termos do tribunal resolver, pois teme que as tropas lhe falhem no momento da greve. O último reduto será o grupo sindical pela falta de coragem e calculismo político. Ainda confio? Não a estrategia tem sido errada e por mais erros que cometam parece não aprenderem.
    Uma ameaça de greve tipo tudo ou nada punha fim à liberdade com que o MEC vai tecendo a sua teia de destruição.

Trackbacks


  1. […] Como se isso não bastasse, ficamos a saber que as necessidades comunicadas pelas escolas escolas terão sido ignoradas ou alteradas, o que vai de encontro a muitas informações que se vão sabendo, como a que nos dá o João Paulo. […]

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