O medo é que manda na vinha

Paulo Portas tem sido chantageado pelo governo por causa do processo dos submarinos e dos carros de combate Pandur. Quando, pela primeira vez, Portas admitiu que estava a ponderar se ficava ou não, o caso dos submarinos voltou à primeira linha. E isso obriga-o a continuar no governo. O medo é que manda na vinha…

Mário Soares chamando os bois pelo nome, numa entrevista exemplar onde defende a unidade da esquerda (eu diria dos democratas) por aquilo que é  o seu programa mínimo comum: derrotar a austeridade, derrotar aqueles que tentam mudar ilegitimamente o regime, mas sem votos para alterar a constituição.

Era bom que de uma vez por todas se entenda isto: Marcelo Caetano ao pé de Passos Coelho e Vítor Gaspar parecia um democrata. É disto que falamos.

George Grosz: The Wanderer

George Grosz: The Wanderer

Comments

  1. Konigvs says:

    Tudo maledicências. Finalmente com este governo e com esta ministra da justiça a impunidade acabou.

  2. José Manuel Coelho Vieira Soares says:

    OLHA QUEM FALA !!!


    • Em lado nenhum. Nem o PS está no governo, nem tem ministros sobre chantagem.


      • Pois, mas já esteve no governo, e quanto a chantagens sabe-se lá o que se passou (e passa) nos bastidores!


        • Antes de ter que fazer um desenho: Paulo Portas está sobre chantagem. A acusação, óbvia, é essa.
          Acha que Mário Soares está a fazer esta acusação sobre chantagem? já agora de quem?


          • Não, João José, não é por aí que eu vou!

            O que pretendo demonstrar com a minha linha de raciocínio é que eles (os políticos de todas as cores) são todos iguais. Todos eles têm telhados de vidro. E quem tem telhados de vidro, que é o caso de Soares, tem de ter muito cuidado, não vá alguma pedra vinda doutras andanças estilhaçar-lho!


          • Ainda me há-de explicar onde estão os telhados de vidro dos políticos do BE ou do PC. Os políticos não são todos iguais.
            Quanto a Soares já lhos partiram várias vezes e sobreviveu.


          • Vai desculpar-me pelo que vou dizer, pois sendo o João José de esquerda, acho que não vai gostar, mas digo-o com todo o respeito que me merecem todas as pessoas que não pensam como eu.

            A questão é esta: o PC e o BE nunca tiveram oportunidade de governar (e eu, pessoalmente, até gostaria que o tivessem feito!) e portanto também não tiveram oportunidade de actuar, digamos assim, nos meandros obscuros por onde se movem as figurinhas tenebrosas dos governos. Tivessem eles governado, e por esta altura estariam com as mãos tão sujas como os outros e com os telhados de vidro a jeito!


          • Isso é pura especulação. Mas posso dar-lhe um exemplo concreto: os deputados do BE e PCP não recebem mantêm o mesmo ordenado da sua profissão, e não acumulam o trabalho parlamentar com outra actividade remunerada. Convenhamos que faz uma grande diferença.


          • Ó João José, desculpe lá a minha ignorância, e digo isto com toda a humildade, mas acho que não percebi o que quis dizer. Os deputados do BE e do PC não recebem ordenados de deputado?


          • Não, ficam apenas com o equivalente ao que recebiam antes de serem deputados, na sua profissão.


          • Está a querer dizer-me que de todos os outros deputados (PS, PSD, CDS, PV) não houve ninguém que lhes seguisse o exemplo?


          • Costumam rir-se do assunto. E este ano voltaram a recusar legislação que os impedisse de acumular com actividades tão incompatíveis como escritórios de advocacia.
            Não, não são todos iguais, há uma diferença entre acreditar numa causa e fazer carreira.
            Não vou ter a ingenuidade de acreditar que todos os dirigentes do BE e PCP são honestos, mas a mentalidade da organização é completamente diferente.


          • Estou estupefacta! Palavra que estou! É preciso ser-se muito reles para rir de um assunto destes e é preciso ser-se muito corrupto para não aprovar legislação que impeça a acumulação!

            Nunca simpatizei muito com os deputados. Todos eles me pareciam ter olhinhos de cobiça. Afinal não é só cobiça, são filhos da puta mesmo!

            P.S. – Desculpem, acho que foi a primeira vez que um palavrão me saiu tão disparado que já não o consegui agarrar…


      • Não está no governo? Eu tenho ideia que sim, é que a 99,9999% das propostas do governo têm ido avante às custas do PS.


        • Também não é qualquer político que se barrica numa empresa para ela não se fechar. Ou está do lado dos trabalhadores nas greves.

          Não percebo qual é a razão para tanto amor ao Soares Sr. José. Pode-me explicar. Principalmente depois de ter mandado o Sócrates chamar o FMI.

  3. Konigvs says:

    Os políticos são todos iguais mas o povo gosta de ser enrabado sempre pelos mesmos. Generalizar é o melhor argumento das ditaduras – nós roubamos, nós corrompemos, nós tiramos do Estado e metemos nas nossas empresas, nós arranjamos dinheiro para a família e amigos, nós damos dinheiro para os partidos e para a santa maçonaria mas – uiiiiii lá vem o medo – os outros, os que nunca tiveram oportunidade de governar, esses ainda farão pior que nós!! E o povinho que sempre foi parvo, apesar de agora ter cursos superiores, talvez em estupidez, acredita, e prefere ser sempre enrabado pelos mesmos que ousar, por uma vez só ao menos, mudar! Ora fôdam-se todos mais a merda das generalizações!

  4. Konigvs says:

    A Isabel, desculpe que lhe diga mas anda muito distraída ou então só vê o que quer. Em todas as campanhas eleitorais lá vão as televisões todas entrevistar o avô Jerónimo com os netos, e mostrar o velho Renault Clio e perguntar-lhe como é que dá para viver com um salário de 700€ correspondente à categoria de operário metalúrgico que é o que ganha como deputado. E já agora deixe-me informá-la, porque na volta também não sabe, há dois partidos em que os seus filiados não podem pertencer à maçonaria. Quer adivinhar quais são?


    • Peço imensa desculpa, Konigvs, mas a verdade é que não costumo perder o meu tempo com entrevistas parvas de televisões parvas, e como não voto, também não perco tempo com campanhas eleitorais que não passam de mentiras disfarçadas de grandiosas verdades. Portanto, nada sei da vida privada do Jerónimo tal como nada sei da vida privada dos outros políticos.

      Quanto à maçonaria, presumo que o problema de pertencer ou não, não afecte as pessoas de esquerda pois são pessoas de pouco ou nenhum “ardor” religioso. Já as de direita e as do centro, costumam sofrer desses “ardores” e são portanto muito hipocritamente dadas a aventais e a compassos!

    • LUIS COELHO says:

      OH! ISABEL! [apagado por estar gritado em maiúsculas] MAIS.


    • O Jerónimo já não é deputado caro Konigvs

  5. Hugo says:

    Antes de mais, umas dúvidas: (1) por curiosidade, o Mário Soares quantas não-pensões e não-subsídios não acumula? (2) E esta camarada-não-de-Coimbra (http://www.dn.pt/politica/interior.aspx?content_id=2988890) é camarada ou não é camarada, camarada? (3) Alguém acredita que o Jerónimo de Sousa se mantenha com o salário de operário metalomecânico quando podia estar a ganhar três ou quatro vezes mais? Acredito que ele de salário ganhe 500€ e de subsídios, avenças, transferências, ajudas de custo, etc. receba três ou quatro vezes mais. (4) Posso estar enganado, mas o Louçã não se manteve como professor do ISEG enquanto era deputado?

    As cabriolas da política são como a paixão pela bola: nunca me deixam de surpreender. Há dois anos, o PC e o BE ajudaram à queda do governo PS. Agora, descobriram que afinal o PS é de esquerda e a salvação da pátria. Eu compreendo perfeitamente que as pessoas queiram a queda do governo, mas daí a dar valor a umas insinuações sem qualquer tipo de fundamento de um membro do partido que estourou com as finanças nacionais é preciso muita falta de coerência e da ética que exigem aos outros.

    Por falar em insinuações baixas (http://aventar.eu/2013/05/28/tiro-no-porta-avioes/comment-page-1/#comment-98599), é de lamentar que a educação de alguns professores se tenha ficado pelo que (não) aprenderam na faculdade. Mas já que está tão interessado na minha vida, eu não faço negócios nem negociatas com o governo porque estou desempregado. Só me espanta é como você, professor de História mal-educado, se mantenha com emprego, dizendo que Maria da Fonte e 25 de Abril são a mesma coisa ou que um chefe de governo de um regime totalitário é mais democrata que um outro eleito democraticamente. Num qualquer outro país com pés e cabeça, quem dominasse tão mal a matéria de que é docente estava no olho da rua. Na república das bananas em que se tornou Portugal não, porque… direitos adquiridos. Direito adquirido para ser mau profissional; direito adquirido para estagnar na carreira e não ter que se preocupar com a concorrência dos mais novos e mais bem preparados; direito adquirido para não ser castigado, apesar de se ser um criminoso (http://www.publico.pt/portugal/jornal/funcionario-publico-acusado-de-fraude-de-milhoes-suspenso-por-3-dias-26586985). Deveres adquiridos é que não há, porque 25 de Abril sempre, fascismo nunca mais. E depois eu é que faço negócios com o Coelho. Quer melhor negócio com o governo que o seu?


    • 1) que tem a pensão vitalícia do ex-presidente que ver com o assunto? e é uma, leia a entrevista.
      2) uma andorinha não mata a primavera (e a razão que invoca, ninguém lhe vai dar emprego por ser comunista, não deixa de ser verdadeira).
      3) claro que acredito. Nem todos usam a política, nem todos são Loureiros, Lelos ou Varas. Basta conhecer pessoalmente comunistas para o entender, coisa que tenho a honra de saber desde que me conheço.
      4) continuou a dar aulas, sim senhor. A dar, pro bono.

      Deixei bem claro em cima que não chamo a isto unidade de esquerda, mas sim unidade democrática.
      Quanto ao resto, tenho tanto direito de achar que você mente quanto ao seu desemprego, como você de não entender que uma revolta popular é uma revolta popular (nunca disse que eram a mesma coisa mas ficou-lhe a k7), não faço ideia de quem se refere quando fala em chefe de governo totalitário (usando a pobre taxonomia da Arendt deve ser o Hitler), e quanto a eu ser um mau profissional, acaba de passar a linha, porque não lhe admito que avalie o meu trabalho a tresler, mentindo como de costume. E sendo assim, com a educação que o meu pai me deu e a minha avó lhe ensinou, quero que vá para a puta que o pariu e se acolha nos braços do corno que a amansou.
      Conversa acabada.

  6. Hugo says:

    E já vi que o meu comentário foi apagado. Ah, democrata!

  7. José Manuel Coelho Vieira Soares says:

    Nem só o Cavaco é palhaço (censor), João J.Cardoso !


    • Censor de quê? o comentário não foi apagado, ou não me teria dado ao trabalho de lhe responder, como é óbvio.
      Muito simplesmente estava retido pelo filtro automático por ter mais de 2 links.

  8. M. Martins says:

    Oh Senhor…como é que tem paciência para responder a coisas como: “os politicos são todos iguias . Nâo sabia que o PC e o BE e tal. E depois… não voto.” Se não vota está tudo respondido,. que vá dar uma volta. Se fosse eu fechava os comentários e também não a deixava votar aqui.
    Saúde e poupe o seu latim com gente ruim


    • Não queira dar conselhos a quem sabe muito mais do que V. Exa.!

      Já agora, Sr. Tudólogo, não meta o nariz em seara alheia e vá para o raio que o parta!


      • Uma explicação para quem tem poucos miolos e talvez lhe escape a subtileza: O ditado reza assim “Não metas a foice em seara alheia”, mas para que não pensasse que o estou a mandar para aquela parte porque é comunista, substitui “foice” por “nariz”!


    • Seria bom que em todos nós residisse um pouco de humildade e sensatez. Seria bom que nos apercebêssemos de que todos nós, sem excepção, aprendemos uns com os outros. O intercâmbio, a comunicação, a partilha de ideias entre seres humanos são as ferramentas indispensáveis para aferir e engrandecer o nosso conhecimento. Não há ninguém que saiba mais do que ninguém, pura e simplesmente porque, mesmo que o conhecimento fosse mensurável, coisa que não é, seria impossível medi-lo devido à experiência única de cada ser humano. O background e a experienciação, o meio e o condicionamento, as características hereditárias e o próprio ADN, são factores que fazem de cada indivíduo um ser único e irrepetível.

      Só o ser humano de pouca capacidade mental, de pouco conhecimento e de pouco discernimento pode achar que não tem nada para aprender e que já sabe tudo. Pobre dele, toda a sua vida será um estático erro sem qualquer esperança de evolução!

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