Uma lágrima furtiva

De alegria ou de tristeza, quem sabe. Tristezas não pagam dívidas, seja então de alegria, que até é o caso desta remasterização com um registo de 1904 (voz) e outro de 2002 (orquestra). Se bem que continuo a gostar mais do piano e voz, em vez  da exuberância sinfónica.

Robotarium de Vila Franca desactivado

Era simultâneamente uma peça de arte pública e um cruzamento entre arte, ciência e biologia. Não resistiu ao vandalismo, que incluiu até disparos de balas.

Este é o tipo de notícia a que bastaria um “sem comentários” para mostrar desacordo, incompreensão e condenação, não fosse uma afirmação  do autor, o artista Leonel Moura:

Leonel Moura mostra-se resignado perante a situação, considerando que os atos de vandalismo são fruto do momento conturbado que o país atravessa

Infelizmente duvido que, mesmo se os tempos que o país atravessa não fossem conturbados, este tipo de vandalismo não existiria. Trata-se de um problema de (falta de) cultura e de civismo, e está inscrito mais fundo do que a mera circunstância das dificuldades do momento. Lamentavelmente.

Carta aberta de um estudante liceal grego

Tradução de José Luiz Ferreira (de Echte Democratie Jetzt)

Aos meus professores… e aos outros:

O meu nome é K. M., sou aluno do último ano num liceu em Drapetsona, Pireu.

Decidi escrever este texto porque quero exprimir a minha fúria, a minha revolta pelo atrevimento e pela hipocrisia daqueles que nos governam e daqueles jornalistas e media mainstream que os ajudam a pôr em prática os seus planos ilegais e imorais em detrimento dos alunos, dos estudantes e de todos jovens.

A minha razão para escrever é a intenção dos meus professores de fazer greve durante o período dos exames de admissão à Universidade e os políticos e jornalistas que choram lágrimas de crocodilo sobre o meu futuro, o qual “estaria em causa” devido à greve.*

De que falam vocês? Que espécie de futuro tenho eu devido a vocês? E quem é que verdadeiramente pôs em causa o meu futuro? [Read more…]

Wagner nasceu há duzentos anos

τῶν ὄντων τὰ μέν ἐστιν ἐφ᾽ ἡμῖν, τὰ δὲ οὐκἐφ᾽ ἡμῖν

Um rápido intervalo na atribulada semana de Estrasburgo, para celebrar o segundo centenário do nascimento daquele que é o mais fulgurante, inovador e talentoso compositor de que há memória. A minha entrada no maravilhoso mundo de Wagner foi através d’O Piloto do Navio Fantasma, de Adolfo Simões Müller, para depois me embrenhar na floresta encantada da obra, um caminho, felizmente, sem retorno. Obrigado, Wagner, pelo Fasolt e pelo Fafner e por todo o Ouro do Reno, pelo Siegfried, pelas Valquírias (pois, o Apocalypse Now), pelo Crepúsculo, pelos Mestres Cantores, pelo Tannhäuser, pelo Lohengrin (toda a gente conhece o Lohengrin), pelo Rienzi, pelo Parsifal, pelo Navio Fantasma. Obrigado, Wagner, pela Waltraud Meier. Obrigado, Cosima, pelo Siegfried Wagner. Obrigado, Wagner, pelo primeiro texto que li do Nietzsche. Obrigado por tudo. É verdade: parabéns!

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Richard e Cosima Wagner (1872)

Actualização (23/5/2013): Um leitor do Aventar, aparentemente meu homónimo, escreveu o seguinte: “Imperdoável esquecer-se do Tristão e da Isolda”. Sem ter pretendido ser, como se diz por aí, exaustivo, quando agradeço a Waltraud Meier, é à Isolda que me refiro (“Obrigado, Wagner, pela Waltraud Meier“). Esclarecido este ponto, muito obrigado pelos excelentes comentários. Aproveito para acrescentar as Wesendonck-Lieder (obrigado, Wagner, pelas Wesendonck-Lieder – não consensuais, como sabemos) e deixar aqui uma preciosidade.

Ao menos não ficou desempregado

Patrão abusava de filha e não despedia o pai.

Governo remodelado

Martim é o novo ministro da Economia: Álvaro ficará a tomar conta do negócio das camisolas.  Leia.

Ah, Guerreiro

Ou o arrasar do clique Eduardo clique Pitta clique. Clique.

Via No vazio da onda

Dr. Mexia, o magrebino

António Mexia, o educadíssimo e mais bem pago gestor português

É isto

ganhar o salário mínimo é melhor do que estar desempregado, estar no gulag é melhor do que estar morto, ser português é melhor do que ser somali, viver na brandoa é melhor do que viver em damasco, lavar casas-de-banho é melhor do que trabalhar em desminagem, ter um marido ciumento é melhor do que ser mulher em kandahar, ser insultado pela maria teixeira alves é melhor do que ser espancado por um skin, viver na carregueira é melhor do que estar preso no carandiru, viver com o passos coelho é melhor do que viver com dois pais, digamos um mobutu e um mugabe (há correntes), estar a recibos verdes é melhor do que ser escravo na Mauritânia  vestir uma blusa over it é melhor do viver numa dama de ferro. Espero que o miúdo passe factura das vendas na internet.

Pedro Vieira

A falta de senso dos defensores do consenso

Santana Castilho*

Diariamente, grandes e pequenas coisas, afinal aquilo de que é feita a vida, desfilam em alardes de falta de senso, mesmo quando os seus intérpretes, por inerência dos cargos que ocupam, dele nunca devessem prescindir. O país não está só em recessão e depressão. Parece gerido a partir de uma nave de loucos.

1. Em nome do consenso, Cavaco Silva criticou Paulo Portas por falar e expor, em público, a fragilidade da coligação moribunda. Mas não se coibiu, ele próprio, de defender, em público, o que Portas disse. Que a senhora de Fátima (segundo ele provável responsável pela conclusão da sétima avaliação) lhe ilumine o senso comum, já que os “cidadões” (novo presidencial plural) recusam consensos sabujos.

2. Não é de senso comum ou sequer mínimo que se trata quando se ouve, como ouvimos, o primeiro-ministro afirmar, naquele jeito característico de estadista de Massamá, que os cortes apresentados ao eurogrupo não se aplicam à generalidade dos cidadãos mas, tão-só, aos reformados e funcionários públicos. A questão é de siso. Não o tem, de todo, quem teima em dividir os portugueses em subespécies: os espoliáveis, sem direito a pio, e a “generalidade”, salva e agradecida. [Read more…]

Sabedoria paterna

pais de passos coelho

Perguntas ao Martim

Não vi o Prós & Contras ontem, após a apresentação dos convidados soube da morte do Ray, e foi ouvir Doors, velórios.

Hoje parece que o herói da direita e suas extremas é o jovem Martim, empresário aos 16 anos que lançou uma linha de moda e dá emprego a pessoal que recebe o salário mínimo. Até a secção liberal que é contra o dito salário anda entusiasmada. Vítima, por ter falado em salários mínimos, a Raquel Varela, que antes de ser investigadora foi minha camarada em Coimbra.*

Perguntas há muitas. A partir de uma investigação online do Pedro Antunes, jornalista caldense (obrigado Pedro), ficam aqui as minhas perguntas ao Martim, também sou curioso.

483707_354116918027820_251171334_n– Esta fotografia, retirada da página da Over It no Facebook, com a legenda “Quem quer uma sweat?” por acaso não nos mostra caixotes da B&C, uma empresa belga de distribuição de roupa? [Read more…]