Garcia Pereira na luta contra os ‘swaps’

garciapereira101212Garcia Pereira, que conheço pessoalmente e de quem discordo politicamente em muitas matérias, tem, ao menos, o mérito – e a seriedade – de se manter fiel ao seu MRPP, por onde passaram: Durão Barroso, Fernando Rosas, Arnaldo Matos, Saldanha Sanches, Ana Gomes, Maria José Morgado, Maria João Rodrigues, Pinto Ribeiro, Franquelim Alves, José Lamego (ex-marido de Assunção Esteves) e muitos, muitos outros que se espalham por aí entre a vida partidária no ‘bloco central’, a comunicação social e o “tacho” compensador de subserviências e serviços prestados com interesseira devoção.

Claro que, do grupo, excluo aqueles que, por acreditarem no ideário perfilhado e no combate contra a tentativa hegemónica do PCP, se perfilaram pelo crer nos objectivos da luta em que se embrenharam. Têm de aceitar, todavia, o erro. Os acima listados vivem em lugares e condições sociais próprias de elites, ao passo que os crentes comuns estão submetidos à arrogância de sucessivos governos injustos – de Cavaco a Coelho, passando por Guterres, Barroso e Sócrates – uns mais do que outros, mas geminados nos desmandos contra o interesse do País e dos Portugueses. [Read more…]

Cães

Será tudo uma questão de espelhos?

Isaltino Morais: o -ente não é a -ência

Já sabíamos que qualquer semelhança detectada entre as grafias do -ente e da -ência seria mera coincidência.

A moda, pelos vistos, pegou.

A -ência da Câmara Municipal de Oeiras, como não sabe qual das grafias há-de adoptar, adopta duas. Contudo, o (ex-) -ente, Isaltino Morais, escreve em ortografia portuguesa europeia correcta e escorreita. Em suma, tudo aponta para um grave problema concelhio. Felizmente, tanto quanto sei, há duas câmaras (Covilhã e Caldas da Rainha) que encontraram a solução para este problema.

Isaltino M

O conselho que vem das Falkland (sem taxa e sem termos que esperar pelo Natal)

00-why-they-they-talk-the-talk-and-dont-walk-the-walk-15-09-12David Cameron afirmou, no âmbito da Global Investment Conference – iniciativa que se enquadra dentro dos trabalhos da “UK’s Presidency – G8” –  que o Investimento Directo Externo  (IDE) é a alavanca para o crescimento económico e sublinhou que o Reino Unido já começou a percorrer o seu caminho, sendo exemplo claro as recentes medidas anunciadas pelo Ministro das Finanças, George Osborne, para estimular o crescimento por via do incentivo às empresas, reduzindo o imposto cobrado de 28% para 24%, sendo previsto ainda a redução desta taxa em 20%, em 2015, tornando-se deste modo a mais baixa do G20. Esta medida posiciona o Reino Unido como o território mais competitivo do Mundo para atrair IDE (Investimento Directo Externo).

Em Portugal é suposto o cenário ser mais ou menos o mesmo.

Segundo o nosso Ministro da Economia, Álvaro Santos Pereira, temos consciência de que é fulcral  a redução do IRC para nos tornarmos competitivos em termos ficais e conseguirmos ter capacidade de atracção para o tão esperado IDE. [Read more…]

Português para espanhóis: foda-se e vai-te foder

Depois de ter falhado a conversão de uma grande penalidade (expressão futebolesa carregada de ressonâncias religiosas), Cristiano Ronaldo acabou por marcar um golo, na marcação de um livre indirecto. A complementar a descompressão, soltou um sonoro e evidente “foda-se!”, essa interjeição tão portuguesa e tão reveladora de alívio, revolta, raiva, frustração ou qualquer outro sentimento à escolha.

Sendo o português e o castelhano línguas de tão próximo parentesco e estando o balneário do Real Madrid em estado de sítio, a comunicação social espanhola, pouco conhecedora da língua portuguesa, deixou-se enganar pela aparência e julgou que Cristiano Ronaldo estaria a insultar alguém, escolhendo Mourinho como hipotético alvo de um insulto inexistente. [Read more…]

O obituário histórico-sindical que a Clarinha declarou

O 1º de Maio está morto em todo o mundo (…). Em Portugal, por exemplo, resumiu-se o um grupo de comunistas a passear um cartaz em Lisboa e a ouvir o camarada Arménio falar de uma pequena tribuna de madeira

afirmou a incontinente tagarela Clara Ferreira Alves (ex intelectual orgânica falhada do PSD e candidata a qualquer coisa em que a levem a sério o que, surpreendentemente, alguns dos nossos amigos fazem), perante o sorriso embevecido de Rui Ramos, o historiador que lava mais branco e cujo maior prazer é “irritar os tipos da esquerda” o que é, convenhamos, um elevado objectivo científico.

A coisa passou-se na avença que a senhora tem no simpático canal Q, já que no palco do Eixo do Mal preferiu uma abordagem mais de acordo com os interlocutores e o auditório. Pagas à hora, figuras como a Clara bem merecem o velho epíteto coimbrão de – com vossa licença – “caga-tacos”.

Marketing e inovação

A campanha do PS para as próximas legislativas vai ter uma mensagem a dizer “fica tudo na mesma”, que só a Troika conseguirá ler – diz o Imprensa Falsa.

O exame de matemática da 4ª classe

Está feito o segundo exame do 4º ano – depois de terem realizado o de Português hoje foi a vez dos pequenitos se sentarem perante o exame de matemática.

E, tal como a Associação de Professores de Matemática, também eu considero que os exames são um mal desnecessário – são um instrumento de regulação que não acrescenta qualidade, antes pelo contrário.

Algures ali pelo Freixo, além da ponte e da Marina, desaguam dois cursos de água – o Torto e o Tinto. Há quem lhes chame rios e um até dá nome à terra dos melhores habitantes desta casa, o Aventar.

Não é preciso fazer o cruzeiro das três pontes para perceber que ao Douro chega, também, mais do que a água vinda lá dos Picos da Serra de Urbião, nomeadamente, os esgotos do Porto e de Gaia e muitas outras realidades, deslocadas do conteúdo deste post que começou por ser de matemática.

Não me parece honesto exigir que algures na Afurada se possa exigir um Douro fantástico e limpinho (sim, limpinho, limpinho, limpinho).

Pois, Crato imagina o exame da 4ª classe como um processo que na foz do curso vem resolver todos os problemas. Infelizmente, como não sabe mais, não percebe que está completamente enganado. [Read more…]

Prioridades

jesus manchester

Bom povo, sim senhor

Têm razão os que garantem ser pacífico o bom povo português. Na verdade, em mais de oitocentos anos anos de história, só mandou desta para melhor, além de uns fidalgotes e bispos sortidos, um ou outro ministro, um 1º ministro, um presidente da república, um rei e um príncipe herdeiro, enfim, nada de especial.

É curioso lembrar a preferência pelos métodos da defenestração e do tiro ao alvo. Podem, pois, estar descansados os mandantes. Podem apertar à vontade com o povo, que nada acontecerá. Just saying.

Amanhã é dia de Porto – Benfica…

…e a metade do país que gosta do jogo de futebol (na qual me incluo) vai já fervendo em torno do despique.

O jogo é uma espécie de final que pode valer um título e isso torna-o mais apetecível, interessante, importante, perigoso, incendiário e pasto de provocações e demagogias.

Também por aqui, se calhar melhor aqui do que noutras circunstâncias, se vê quem é quem, o que vale e qual a dimensão humana de cada um. Eu, que sou benfiquista, espero que o Benfica ganhe, claro, ou, pelo menos, empate e seja campeão. Um portista quererá o mesmo para o seu clube, como é lógico.

Amanhã, quando começar o jogo, para mim, vão estar duas equipas em campo ( árbitros à parte ) e jogadores com nomes como Lima, ou Artur, James ou Helton. E não, não vai lá estar Salazar, nem a Pide, nem o centralismo lisboeta, nem o regionalismo, nem as batalhas miguelistas, nem as invasões francesas. Chamar “aquela equipa fascista”  ou “os verdadeiros representantes do futebol português” tem tanto a ver com [Read more…]

O estratega e o folclore

«não é com folclore que me distraem» (VP, 2/5/2013); «tudo não passou de uma estratégia e o resultado do Estoril deu-me razão» (VP, 10/5/2013)

A vida é bela

E é um grande filme. Seja o que passou na tela, com aquela beleza assombrosa mais ou menos triste de Nicoletta Braschi; seja a nossa, fora da sétima arte. E a nossa vida é arte, pois claro, que não é fácil conseguir viver por cá. Aliás, não se vive, sobrevive-se. Hoje mesmo, ficámos a saber que, em Portugal, as troikas, a de fora e a de cá, trouxeram desemprego como nunca antes visto e, a par disso, emprego pago até 310 euros, de acordo com Jornal de Notícias de hoje.

Trezentos e dez euros. Há pelo menos 21.000 pessoas que trabalham e ganham até 310 euros. Quem é que consegue viver tendo disponível, para um mês, aquilo que quem nos governa gasta numa gravata? Curiosamente, esta análise sai um dia depois de um banqueiro, Nuno Amado, presidente do BCP, ter defendido que mais vale ter mais emprego com “um bocadinho menos de salário” do que ter muito desemprego.

Pela lógica desta coisa, o emprego é uma dádiva e não um direito. E quanto menor for a parte que o trabalhador recebe pelo o valor que o seu trabalho cria, melhor. E a vida é mesmo bela para esta gente, que tem palco para dizer tudo o que quer. Também a besta Ulrich já veio afirmar que o modelo cipriota de taxação dos depósitos pode ser uma boa solução. No caso dele, terei todo o prazer em que os seus depósitos – se os tiver em Portugal – sejam usados para pagar os erros que ele e as marionetas que coloca nos governos e secretarias de Estado paguem um bocadinho da crise, como nós pagamos todos os dias.

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Bernardo Sassetti

24 Junho de 1970 – 10 de Maio de 2012

São estes os reformados que preocupam Portas?

«O Governo de Passos Coelho pôs na gaveta a proposta do FMI para limitar as pensões elevadas»
Estou caladinha. Se comentar, vai sair palavrão.

Se Me Apoiares, Perduro!

Há um antes e um depois contando a partir do momento em que o peso-morto Relvas, autêntico São Sebastião da política, se arrastou para fora do Governo. Miguel Poiares Maduro tem moral interior e intelectual para defender ideias com substância mobilizadora na infecta e conspirativa arena doméstica e no areópago europeu, o qual, como se sabe, é uma casa em cacos, entregue às hienas do egoísmo dos mais fortes e respectivo cinismo político. A União Europeia, fenómeno que no Brasil testemunhei ser admirado como milagre de força coesiva político-económico, necessita de mais democracia e não de menos, mais participação cívica ascendente e menos directório verticalista. Nada mais deprimente que o desprestígio da UE, os seus impasses, o ritual ineficaz das suas cimeiras, a lentidão e impotência para apagar fogos e para o que realmente importa. A União, gigantesca e disforme, é um Ciclope Cego na iminência de tropeçar e tombar com estrondo. Daí que a ideia da eleição directa do presidente da Comissão Europeia pelos cidadãos dos 27 seria, como advoga Maduro, um bom passo para a União Europeia ter um capital político mais forte e para se ver livre de fantoches e canas agitadas pelo vento como Barroso e mesmo o simpático nulo Herman Van Rompuy, os quais falam, falam, mas não revestem a aventura europeia nem de carisma nem de rumo.

A imagem das instituições europeias degradou-se terrivelmente e o estalinismo funcional dos seus métodos exaspera os povos mais pressionados na austeridade e desequilibrados nos seus orçamentos, povos pouco tidos e pouco achados no processo edificador da União Económico-Burocrática dos últimos vinte anos.  [Read more…]

Andar de Bicicleta

Hoje é dia, e amanhã e depois também.

A guerra em 2013

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E enquanto os abutres da finança, representados pelos governos dos países a saque, nos forçam a uma austeridade sem fim à vista que não seja o desmantelamento das nações pelo confisco dos seus cidadãos e pela privatização dos seus recursos, o desemprego prossegue a sua marcha infernal, atingindo taxas históricas entre os jovens da Europa e dizimando especialmente os do Sul: 58% na Grécia, 55,7% em Espanha e 42,1% em Portugal. Na Alemanha e na Áustria as estatísticas ainda vão de feição para essa ideia de Europa que se constrói contra os seus povos. Mas há muitos milhões de alemães a viver com muito pouco.

Em 26 milhões de desempregados na UE, 19 milhões encontram-se na zona euro. E no entanto, um programa político de inflexão desta realidade, mediante a criação de oportunidades de emprego para os jovens na UE (em relação estreita e forçosamente necessária com um relançamento das economias nacionais) custaria apenas 1% do PIB – é Philip Jennings, Secretário-geral da união sindical Uni-global que o diz. De que mais evidências precisamos para abandonar o euro – já que esperar pelas políticas pós-austeritárias significaria ver Portugal deitado por terra como em nenhuma guerra declarada e com armas de fogo aconteceu?

(actualizado às 18h55)

‘Swaps’ – abordagens teóricas (V)

continuado de ‘Swaps’ – abordagens teóricas(IV)

‘Swaps’ Exóticos

Até agora tratámos com carne e batatas dos mercados de derivados, ‘swaps’, opções, contratos a prazo e futuros. Exóticos são as complicadas misturas daquilo que muitas vezes produzem resultados surpreendentes para os compradores.

Um dos mais interessantes tipos de exóticos é a chamada taxa variável inversa. No nosso ‘swap’ fixo para flutuante, os pagamentos flutuantes oscilaram com a LIBOR. Uma taxa variável inversa é aquela que varia inversamente com alguma taxa como a LIBOR. Por exemplo, o padrão pode pagar uma taxa de juro de 20% menos a LIBOR. Se a LIBOR é de 9%, então o inverso paga 11%, e se a LIBOR sobe para 12%, os pagamentos sobre o inverso cairiam para 8%. Claramente, o comprador de um inverso lucra desde que o inverso das taxas de juros caia.

Tanto o flutuador normal e como os flutuadores de taxas variável inversa têm uma versão sobrecarregada chamada ‘super-flutuadores’ e ‘super-inversos’ que flutuam mais do que um para um, com movimentos nas taxas de juros. Como um exemplo de um ‘super-inverso’ de taxa variável, considere um flutuador que paga uma taxa de juros de 30 por cento menos duas vezes a LIBOR. Quando a LIBOR é 10 por cento, o inverso paga

30% – 2 x 10% = 30% – 20% = 10%

E se a LIBOR cai 3% para 7%, então o retorno na taxa variável inversa aumenta de 6%, de 10% para 16%.

30% – 2 x 7% = 30% – 14% = 16% [Read more…]

O Expresso emigrou

telescópio ópticoSerá que este título do Expresso constitui mais uma prova de que o prestigiado semanário está a abandonar o chamado acordo ortográfico (AO90), tal como o Francisco tinha anunciado?

Se for verdade, nota-se alguma resistência: o mês com inicial minúscula e “projecto” ainda sem C, mas aquele P do adjectivo “óptico” poderá ser um sinal de que a ortografia está prestes a recuperar o brilho perdido. Seria preferível que a recuperação se desse toda de uma vez, mas aceita-se que o jornal queira ir salvando a face. Óptico seria óptimo, portanto. [Read more…]

It’s the economy, stupid

«Quando o Benfica é campeão, a economia vai bem, o Euro [sic] vai bem, as coisas encaixam-se»