Na Aldeia

Faz neste S. Martinho quatro anos que, pelo tempo de varejar os castanheiros, se passou o que vou narrar nos bens do tio João da Serra, lavrador que enceleira não menos de trinta carros de pão em anos fartos, e envasilharia dez pipas de vinho se a moléstia das vides lhe não tivesse há muitos anos convertido o lagar em uma arca para onde se atira tudo, menos uvas no tempo. Na trave penduram-se agora os ensinamentos e as palhoças dos moços. Na pia arrecadam-se os fueiros, os vimes das ataduras, o aparelho da égua, e quando Deus quer, por não haver mais para que ela sirva, as canas de amparar as dálias no quinteiro e as estacas no faval.

A abegoaria do tio João é bucólica como um quadro de Leopold Robert ou uma paisagem do Sr. Thomaz da Anunciação. Nada lhe falta: nem o enorme alpendre do palheiro com a sua escada exterior e os seus postiguinhos de portas corrediças, nem as paredes musgosas dos currais, nem o carro de mato por descarregar a um canto, nem o bezerrinho que pula, nem o boi que rumina pachorrentamente tendo voltado para a gente a sua fisionomia de boa pessoa, nem a pia aonde se traz o gado a beber, nem os bácoros que bufam por baixo da esburacada porta do eido. [Read more…]

Abraçados Contra a Morte

O Abraço dos ExploradosEis uma imagem que grita, desenterrada dos escombros da mais recente tragédia do Bangladesh. Pensemos na exploração desenfreada que lhe subjaz. Pensemos o quanto aquelas mortes são nossas, se é que integramos a Humanidade.

Mesquita Machado e o Fim do Regime

mesquita-machado© Braga Negra
Isto não é crime
, é apenas pornografia urgente!

Pare, veja e…leia

MC

http://bit.ly/18rJ75t

Este título não é original: surge no Público de 25 de Julho de 2000 e é um dos vários exemplos de que Dinis Manuel Alves se mune no capítulo 8 (E pontos!…) do livro Foi Você que Pediu um Bom Título? (Coimbra: Quarteto Editora, 2003, p. 160) . É também um dos conselhos a dar àqueles que lêem títulos como O Expresso deixou de adoptar o acordo ortográfico… ou  O Jogo e o Expresso abandonam o acordo ortográfico… e por aí se ficamNão se fiquem pelas reticências do título. Há sempre a probabilidade de, a seguir às reticências, outras reticências surgirem e, depois delas, finalmente, uma explicação. Assim, evitam-se alguns comentários em redes sociais como “boa!”, “Grandes Jornais!“, “Parabéns aos dois jornais”, “Um exemplo a seguir”, etc.

Já sabemos que os fundamentalistas do contexto nunca prestam muita atenção aos títulos. Já discuti esse tema, a propósito do AO90 (lamento o aspecto, mas não tenho culpa). Recentemente, em fugaz ida a Portugal, no regresso de uma visita ao  Castro de Vila Nova de São Pedro, entrei num café e o dono, depois de me entregar o troco, pediu a um cliente embasbacado, como ele, a olhar para o Cyrus ‘The Vyrus no televisor, que lhe desse o Correio da Manhã, “para ler ‘as gordas’”. Não recomendo. Lembrei-me imediatamente do Empson e de Ângelo Correia, que não dispensa a leitura dos jornais ao chegar de manhã ao escritório, contudo, «não os leio completamente, mas fico a conhecer pelo menos os títulos». A ambiguidade é, efectivamente, terrível.

Pronto. Agora, regresso ao P.H. Matthews.

Touros mariposa

Andaram dois touros à solta pelos montes de Perre e Outeiro, concelho de Viana do Castelo. Um, segundo o dono, era muito perigoso e já tinha tentado fugir antes. O outro parece que apenas aproveitou a confusão gerada pela fuga do outro para juntar-se-lhe.

Eram dois touros com pouco menos de dois anos, tinham sido ambos vendidos a um talho da cidade e iam ser levados para abate. O perigoso, não sabemos se alguém lhe deu nome, soltou-se das cordas com que tentavam metê-lo no camião e fugiu pelos campos. O outro, o manso, foi atrás dele. [Read more…]

F.C. Porto – Benfica, jogo de alta tecnologia.

Sábado no Dragão. Futebol de alta tecnologia. Jesus mudará o ‘chip’. Vítor Pereira usará o ‘Simplex’. O árbitro o ‘Magalhães’. País avançado, o nosso.

Lisboa, 8 de Maio de 1945

Lisboa 1945

Manifestação em Lisboa aplaudindo a vitória contra o nazismo. Já faltou mais para a próxima.

Sábado, 11 de Maio, Estádio do Dragão

Somos Porto Carago! from Aventar Blog on Vimeo.

A Arte de Furtar

e a habilidade do Grupo GPS.

Comissão Europeia e da Confiscação

A SIC Notícias exibe no seu ‘site’ este vídeo.

Em título, a estação de Carnaxide anuncia:

Bruxelas admite que depósitos de 100 mil euros sejam convertidos em ações nos países em resgate

Por sua vez, o texto da notícia diz:

A Comissão Europeia admite que os depósitos bancários acima dos 100 mil euros sejam reduzidos ou convertidos em ações em países alvo de um resgate financeiro, tal como aconteceu em Chipre. Esta é a resposta de Bruxelas, depois de uma questão colocada pelo eurodeputado português, Nuno Melo.

Sublinhei propositadamente acima, uma vez que o texto altera radicalmente o anunciado em título – serão depósitos de 100 mil euros ou acima de 100 mil euros? A dúvida é mais do que natural. O erro jornalístico parece-me flagrante, sendo indispensável saber qual a informação que prevalece.

Sei também que este anúncio, divulgado pelo eurodeputado Nuno Melo do CDS, numa ou noutra versão, é claramente um ataque à classe média e, sobretudo, à propriedade privada de que a direita tanto se ufana de ser ideológica e intransigente defensora. Ainda existe razoável número de depositantes que, ao longo de décadas de trabalho, teve a oportunidade de aglutinar poupanças até 100.000 euros ou de verbas acima desta. [Read more…]

Isaltino violou o PDM?

Se foi transferido para a Carregueira, prisão conhecida por acolher condenados por crimes sexuais, deve ter sido. Ou então…

Gestores de empresas públicas deixam de ter carro e motorista

Os motoristas e o pessoal responsável pela manutenção estão incluídos na ‘redução da despesa pública‘? Se estiverem, isto é atirar arena para os óculos. Se não estiverem, aguardamos explicações.

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MIGUEL MANSO http://bit.ly/10b9wRJ

De todos os lados

Praticamente não houve lua de mel do povo português com a troika. Pouco depois de a troika ter entrado em território nacional, começaram a chover os protestos e as manifestações em todo o país. Por tabela, o governo nunca teve estado de graça porque cometeu o erro, diga-se que pouco inteligente e muito saloio, de gritar aos quatro ventos que o governo iria “mais além da troika”, que a austeridade iria acontecer “custasse o que custasse” para se atingir o sublime objectivo de “empobrecer o país”. E como assim aconteceu, com tremendo sofrimento do povo e visível regozijo da senhora Merkel, o país atónito passou da desconfiança à rejeição, agravada por observar a olho nu o servilismo, a ausência de coluna vertebral de todo o gang da bandeirinha na lapela. A rejeição passou a ser demonstrada por todos os meios: na rua, nas escolas, nas famílias, nas empresas, nas forças armadas, nos lares, nas galerias do parlamento, em toda a parte. As vaias aos governantes têm-se sucedido, a Grândola Vila Morena passou a ser um hino de revolta de norte a sul do país. Os artistas explodiram ao verem em perigo a liberdade conquistada em Abril de 1974.

Mas havia uma nuvem sobre esta unanimidade popular: as pessoas julgavam-se sós, isoladas do mundo na sua revolta. Daí a desusada atenção com que passaram a olhar para a Grécia, Chipre, Irlanda, Espanha, Itália e França. Os sindicatos, os trabalhadores portuários, os bravos trabalhadores dos estaleiros de Viana do Castelo, a internet, os jovens, os artistas fizeram o resto: começaram a deslocar-se a Portugal figuras desses países para mostrarem a sua solidariedade e acordo. Puseram-se muitas esperanças em François Hollande, presidente da França, mas ele cometeu o erro fatal de ser demasiado bem educado, demasiado cavalheiro e conciliador com uma mulher como Merkel, formatada na arrogância prussiana e no bloqueio totalitarista da antiga RDA de sinistra memória. É um caso perdido. [Read more…]

Calabote ainda se escreve Calabote?

Sim, Ricardo. Calemo-nos. Por hoje. Contudo, no Dia do Calabote, o F.C. Porto foi campeão. Não nos esqueçamos…

Faz lembrar os tempos do apartheid na África do Sul

Stephen Hawking junta-se ao boicote académico a Israel (em inglês).

Mostra que muita coisa ficou por contar…

Restos mortais de 56 vitimas sérvias em Zabar, na Croácia (inglês), foram exumados. Para saber mais (inglês).

Ata. Otimo. Egito. Deceção. Batismo. Contracetivo.

Pronto, eu calo-me. Era só para chatear o Francisco. Já agora, Calabote ainda se escreve Calabote?

Marques Mendes errou grosseiramente na SIC

Santana Castilho *

Marques Mendes referiu-se à situação dos professores portugueses, no sábado passado, durante o programa de análise política que mantém na SIC. Fê-lo com ligeireza. Evidenciou desconhecimento. Adulterou a verdade. Os erros em que incorreu serviriam para validar a tese oficial de que temos professores a mais e legitimariam os despedimentos futuros, se não fossem corrigidos. Marques Mendes apresentou três gráficos. O primeiro mostrava a evolução do número total de alunos, de 1980 a 2010. O segundo fazia o mesmo exercício, circunscrito aos alunos do 1º ciclo do ensino básico, para concluir que, entre 1980 e 2010, perdemos 51% desses alunos. E o terceiro gráfico dizia-nos que, no mesmo período, isto é, de 1980 a 2010, o número de professores tinha crescido 53%. Para que dúvidas não restassem, Marques Mendes colocou, lado a lado no écran, o 2º e o 3º gráficos e foi claro nas explicações acessórias: o crescimento dos professores fez-se em contraciclo; os governos anteriores falharam, fazendo crescer os professores à taxa de 53%, enquanto os alunos diminuíam à taxa de 51%. Só que, quando comparamos o incomparável, corremos o risco de passar de pavão a espanador.
Marques Mendes, ao dizer na SIC, como disse, que os professores cresceram 53%, passando de 95.400 em 1980, para 146.200 em 2010, usou o número de professores respeitantes a todo o sistema escolar não superior (1º. 2º e 3º ciclos do ensino básico, mais o ensino secundário). Como é evidente para qualquer, Marques Mendes só poderia relacionar o decréscimo dos alunos do 1º ciclo com a evolução do número de professores do 1º ciclo. E o que aconteceu a esse universo de professores? Cresceu 53% como disse o descuidado comentador? Coisíssima nenhuma! Em 1980 tínhamos 39.926. Em 2010 eram 31.293. Não cresceram na disparatada percentagem com que Marques Mendes enganou o auditório da SIC. Outrossim, registou-se uma diminuição de 8.633 professores. [Read more…]

Salazar Coelho

Um utensílio inovador da designer Madalena Martins.

F.C.Porto tricampeão!

Ricardo, pode ser o Proença (viu), auxiliado pelo Ricardo Santos (não viu). Se tivessem o Donato Ramos (vi) ou o Francisco Silva (idem) seria a equipa ideal. Veremos.

Boa?

Não!

Excelente!

Benfica campeão?

Parece que só depois da repetição.

Benfica Campeão Nacional?

Parece que não queres o Pedro Proença, Francisco. É nomear o Duarte Gomes. Ou talvez o João «pode ser» Ferreira outra vez.

Ainda o exame da 4.ªclasse

Relativamente ao exame da 4.ª classe (ontem foi o de português e na próxima 6ª feira terá lugar o de matemática) poderemos ver as coisas de diferentes prismas:

– por um lado, a dimensão organizativa que a equipa de Crato levou a cabo;

– a existência de um exame no 4.º como instrumento de avaliação.

No que diz respeito à primeira dimensão  – a segunda parte fica para um post posterior – importa denunciar de forma clara mais uma desigualdade: houve crianças nas escolas públicas que tiveram de fazer uma viagem de vários quilómetros desde a sua aldeia até à escola sede do Agrupamento, normalmente colocada na vila ou na cidade mais próxima. Há casos públicos de viagens superiores a 40 quilómetros e não são quilómetros feitos na A1.

Houve também milhares e milhares de alunos que ficaram sem aulas para que as suas salas fossem usadas nos exames.

Pergunto: não teria sido tudo mais fácil e mais barato se o exame tivesse feito, como sempre, nas respectivas escolas? [Read more…]

‘Swaps’ – abordagens teóricas (III)

– continuado de ‘Swaps’ – abordagens teóricas (II) –

‘Swaps’ de taxa de juro (2.ª parte)

É óbvio, a empresa podia também ir aos mercados de capital e contrair um empréstimo a taxa variável e então usar as receitas para transformar o seu empréstimo em taxa fixa. Conquanto isto seja possível, geralmente é bastante caro, porque exige a subscrição de um novo empréstimo e a recompra do empréstimo existente. A facilidade de entrar num ‘swap’ é a consequente vantagem.

O ‘swap’ especial seria um dos que permutou a sua obrigação fixa para um acordo de pagar uma taxa flutuante. Cada seis meses, concordaria em pagar um cupão com base em qualquer que fosse a taxa de juros vigente à época, em permuta de um acordo com outra parte  para o cupão fixo da empresa.

Um ponto de referência comum para compromissos de taxas flutuantes é a chamada LIBOR. Representa a LIBOR (London Interbank Offered Rate – Taxa Oferecida no Mercado Interbancário de Londres) e é a taxa que bancos internacionais mais usam para cobrar uns aos outros por empréstimos titulados em dólar no mercado de Londres. LIBOR é regularmente usada como taxa de referência para um compromisso de taxa flutuante, e, dependendo da credibilidade do mutuário, a taxa pode variar de LIBOR para LIBOR mais um ponto sobre LIBOR.  [Read more…]

Mourinho vai para o Chelsea?

A ser verdade a notícia, duvido!

A culpa deve ser de Pinto da Costa

Carolina Salgado foi expulsa da Casa!

Felizmente, há jornais que usam “a nova ortografia”

Há quase dois anos, Edviges Ferreira, deixou-nos descansados, pois «a comunicação social já está quase toda a usar a nova ortografia», o que «irá facilitar».

Sim, ainda bem. É a nossa sorte.

JN 852013

O Café S. Cruz faz 90 anos

Deve estar dado como demodé ter um café, esses simpáticos estabelecimentos que em séculos mudaram o mundo.  Como por aqui já narrei ainda sou cliente principalmente de um, o mui distinto Café S. Cruz que hoje perfaz 90 anitos, coisa pouca, o edifício vai a caminho dos 500 e é monumento nacional.

Em tempos idos, perante a necessidade de escolher um edifício quinhentista para um trabalho académico, e andando com pouca vontade de defrontar as eternas dificuldades de uma igreja aberta ao culto, locais onde nunca foi consumidor, optei por este, complicado, fui avisado por quem sabia e mais sabe do assunto, mas até eu olhando muitas vezes para as mesmas paredes consigo encontrar qualquer coisa que justifique a nota. Não me dei mal. Mais tarde, e porque gosto pouco da ciência em circuito fechado, cravei uns amigos e chegámos à um livrito, a ideia era tê-lo ali à disposição dos visitantes que chegam, dizem Ah! isto parece uma igreja, e foi mesmo.

A coisa correu mal, a vereação da câmara achou que o café que a serve (e é propriedade do município) não valia uns tostões investidos em livros (investidos, a proposta foi que garantissem a compra de alguns exemplares da brochura, baratucha, oferecem coisa bem piores quando recebem alguém), e ficou o ficheiro.

Hoje é um bom dia para oferecer o texto a quem o queira ler. Teria uns acrescentos para lhe colocar mas fica assim, como estava em 1999. Detalhes técnicos à parte a história tem a sua graça, e continua deturpada por aí, a começar pela página oficial dos monumentos, já foram avisados há muito tempo, sem efeito.

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