O pior é já a seguir

Circula uma cópia do despacho de organização do ano lectivo que será publicado amanhã. Primeira leitura: ainda não se aplica a semana de 40h, mantendo-se a carga lectiva, embora haja uma redução de horários já que o trabalho de director de turma deixa de ser ali contabilizado.

Digamos que a greve convocada já surtiu efeito, adiando o pior para o próximo ano lectivo. Mais uma razão para a fazer, que enquanto o pau vai e vem nem sempre folgam as costas.

Comments

  1. amenophis says:

    Discordo da sensação de alívio que o texto do post transmite porque:
    a) Parece que o despacho de OAL foi o mal menor, o que é falso
    b) Desapareceu a redução da direção de turma e os 100 minutos de apoio em escolas que não tenham o 1º ciclo
    c) o referido na alínea b) significará uma redução muito significativa de horários disponíveis.
    d) Nunca se poderia esperar qualquer referência a 40 horas, pois depende de outro tipo de normativo. Quando for publicado vão acrescer mais 5 horas ao trabalho de estabelecimento. Nunca poderia estar neste despacho.
    e) Não poderia haver eliminação da redução do artigo 79, pois estaria dependente de uma alteração ao estatuto, que carece de negociação para a revisão, o que ainda não sucedeu.


    • Não tenho qualquer sensação de alívio, nem de perto de longe.
      Quanto aos pontos d) e e) inteiramente de acordo, mas como o novo horário da função pública deve ser aprovado para a semana, este documento seria adiado, não fosse o receio de contribuir para a mobilização da greve.

  2. Dora says:

    “potencialmente” e “no limite” foram expressões repetidas por Nuno Crato na entrevista.

    Uns trocadilhos linguísticos para não se dizer nada.

    Quanto ao pormenor do nº de alunos por turma, Nuno Crato referiu estudos onde se demonstra que o maior º de alunos por turma não prejudica as aprendizagens dos alunos.

    Só se for “potencialmente e no limite”. Não estou a ver o que isto poderá querer dizer , mas que é uma grande aldrabice, é.

  3. Dora says:

    A ênfase dada aos exames, ao rigor, foi descrita com enorme excitação e êxtase. Graças à boa organização das escolas (directores) e ao profissionalismo dos professores, tudo correu bem.

    Quantas aulas não foram dadas, por exemplo, por tantos professores às suas turmas para poderem ser vigilantes destas provas do 4º ano? E, se somos bons profissionais, porque é que estas vigilâncias não puderam ser asseguradas por professores do 1º ciclo?

    Mas vamos ao que interessa: deu para entender, a quem não anda distraído, que o objectivo da política educativa do governo e de Nuno Crato não é o processo do acto educativo. O que é importante é o resultado – os exames.

    Daí o discurso de Nuno Crato na entrevista.

    Os exames são o que é potencialmente importante; no limite, até se podia implodir tudo o resto, ou, para não se ser tão radical, enfiar 40 ou 50 alunos numa sala de aula. Em potência, tudo é possível….

  4. Dora says:

    Nuno Crato mantém o discurso de muitos dos seus companheiros de luta do pós 25 de Abril, ex-ml e afins, agora rendidos a uma versão importada de um qualquer Tea Party, na versão pseudo-esquerdista da teoria da Implosão. (“A revolução avança a todo o vapor, ou morre!”).

    Na realidade e no limite, estou farta de Nuno Crato.Com ou sem o pin da bandeira nacional na lapela.

  5. produto says:

    O aumento da carga horária e aumento da carga lectiva a fazerem-se não dependem de Nuno Crato. Serão decisões tomadas pelo primeiro ministro, com o objectivo de reduzir a despesas, quer o ministro da educação concorde ou não. Este ou qualquer outro.


    • E as decisões de Passos Coelho por sua vez também não dependem dele, como toda a gente sabe, dependem de Merkel. Que por sua vez também não decide. Tudo bem espremido vai acabar em meia-dúzia de banqueiros. Já sabíamos, os outros são meros ajudantes.

      • produto says:

        Não. Quem empresta quer o seu dinheiro de volta, é um emprestimo, não uma doação. Mas a Merkel tanto dá se Portugal corta nas pensões, aumenta impostos, corta na saúde ou vende o algarve em leilão. Quer é o dinheiro que empresta devolvido. E quem mexe as grandes quantias de dinheiro não são meia duzia de super ricos, mas sim fundos gigantescos que guardam as poupanças de milhões de pessoas, principalmente americanos, japoneses e alemães.
        Mas a origem da crise não tem a ver com a ganancia dos banqueiros, tem a ver com a ascensão das economias chinesa, indiana, etc. O poder de compra portugues foi transferido para a China. Mas não vai ficar por cá, o problema já começa a roer as canelas mesmo à própria alemanha:
        http://economia.elpais.com/economia/2013/06/04/actualidad/1370358767_636109.html
        na base ultima desta crise vamos embater num problema ecologico.

        • nightwishpt says:

          Não, tem a ver que os bancos imprimem dinheiro a mais que a economia não produz.

          • produto says:

            Antes fosse, se fosse isso seria muito fácil de resolver. Aliás se fosse isso o que tinhamos era inflação elevada.
            Mas não é, é um problema muito mais dificil, mas mesmo muito mais dificil. Tem a ver com a concorrência das economias emergentes e com a sustentabilidade ecologica do mundo.
            E temos assim um problema ecologico e politico que não tem solução fácil e indolor.
            Podem atirar pedras, mas a realidade não é conforme gostariamos que fosse, é como é.

  6. Manuel says:

    Nuno Crato responde à pergunta se há professores a mais : não há professores do quadro a mais…..
    Ou seja, Contratados são excedentários, números sem interesse , não são professores porque não pertencem ao quadro!
    Sindicatos ? Têm alguma coisa a dizer? Ou só se preocupam com Mobilidades, 40 horas de trabalho?
    Questões válidas entenda-se , mas querem fazer transparecer que os professores são é uns malandros que não querem trabalhar? Ninguem fala de contratados? Não somos importantes? Ninguem dos sindicatos vem a público falar disto?

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  1. […] caro, Concordo contigo! Já está a valer a pena a […]

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