Ser governante é dizer umas graças

Quando Maria de Lurdes Rodrigues inventou as chamadas aulas de substituição, e tendo em conta que essa decisão tirava tempo individual de trabalho aos professores, alguém lhe perguntou se isso não afectaria a qualidade das próprias aulas de substituição. A impagável ministra respondeu que os professores podiam ocupar o tempo dizendo “umas graças” ou recitando uns poemas.

Os decisores políticos divulgam, frequentemente uma ideia, no que são acompanhados por muita opinião pública e publicada: ser professor consiste, basicamente, em dizer umas coisas durante cerca de vinte horas por semana e ficar de papo para o ar o resto do tempo. Terá sido também por isso que transformaram as licenciaturas em cursos acelerados, desvalorizando a formação científica dos alunos universitários, com reflexos inevitáveis, obviamente, na formação dos futuros professores. De qualquer modo, se dar uma aula é dizer umas graças, quase nem vale a pena tirar um curso superior.

O Ministério da Educação, depois de despedir milhares de professores necessários, graças a vários estratagemas lesivos dos interesses dos alunos, vem , agora tentar resolver o problema dos que ficaram nas escolas sem turmas para leccionar, nomeadamente os de Primeiro Ciclo e de Educação Visual e Tecnológica. Fiel ao mesmo princípio de que ser professor é tão simples como respirar, a solução encontrada está em dar formação aos ditos professores para que possam leccionar outras disciplinas, coisa para se resolver em mais ou menos um ano.

A formação inicial de um professor deve assentar em bases científicas sólidas, independentemente do nível de ensino que leccionar. Só gente absolutamente ignorante é que pode, portanto, defender que, de repente, um professor possa estar a ensinar outra matéria qualquer.

Uma medida como esta prejudicará, mais uma vez, os alunos. Os que estão a pensar impô-la são os mesmos que tentam intoxicar a opinião pública com a ideia de que os professores, ao fazerem greve, não se preocupam com os alunos: são pessoas que dizem umas graças.

Comments

  1. vitor cambra says:

    QUALQUER MERDAS PODE SER MINISTRO !

  2. Mila Pires says:

    Se qualquer um pode ser ministro, porque não ser professor? É uma raciocínio básico e próprio de quem começou a achar, de há um tempo para cá, que o mais comum dos mortais tinha a plasticidade necessária para se (re) qualificar em qualquer área, num abrir e fechar de olhos. Basta atentar no exemplo Relvas para perceber os pressupostos em que se movimenta este executivo e muitos dos seus seguidores.

  3. LUIS COELHO says:

    NA MINHA OPINIÃO, OS POLITICOS QUE TEMOS, SÃO NA GENERALIDADE A ESCÓRIA DA SOCIEDADE E TAMBÉM NÃO ME CUSTA CRER QUE NA CLASSE DOCENTE, EXISTAM OPORTUNISTAS E ESCÓRIA.

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