O amanuense Rosalino limita a liberdade sindical

Rosalino é sintrense, da terra de queijadas. Umas com qualidade, outras sem ela. Depende do fabricante, dos ingredientes e até da inspiração do pasteleiro.

O que acontece com o processo de fabrico das queijadas é semelhante ao que pode suceder no progresso etário, social e político de alguns indivíduos. Às vezes, saem azedos, prepotentes e ufanam-se de poderes que, no passado, jamais imaginaram alcançar. Rosalino, amanuense,  tipo Sousa Lara que pensou ter punido Saramago, é mais uma daquelas figuras burlescas, de espírito serventuário. Ingressou no Banco de Portugal (BdP) e então atingiu o zénite.

Com efeito, o banco central é o habitat natural de quadros da índole de Cavaco Silva, Oliveira Costa, António Borges, Vítor Gaspar e outras sinistras e arrogantes figuras. Por outro lado, mantém uma equipa de segundo plano; os tais amanuenses, tipo Rosalino, que, uma vez chamados a funções governamentais, encarnam a alma e o poder de Alexandre III da Macedónia, o Grande ou Magno, respeitando com fidelidade o pensamento aristotélico.

O exercício do poder de oligarcas tecnocratas serve-se da segregação e da repressão dos cidadãos. Vivemos uma espécie de feudalismo, sob domínio do sistema financeiro, espécie de versão actualizada dos séculos V e XV que preencheram as trevas da Idade Média. Fora da protecção partidária do poder, somos servos e a renegação de direitos é intensa e permanente.

É impressionante! Em pleno século XXI e num Portugal dito europeu e desenvolvido, a cidadania livre e legítima estar ao dispor da  mão prepotente de um Secretário de Estado da Administração Pública, ou melhor, da mão de um amanuense promovido a governante que, contra as regras democráticas, cumpre zelosamente o disfarçado despotismo do impreparado Coelho e do incompetente económico-meteorologista Gaspar.

Rosalino deliberou unilateralmente a agenda de reuniões com o sindicato do ensino superior. Tais reuniões, alega o amanuense, têm meras finalidades informativas, não havendo espaço para qualquer negociação.

Independentemente de se tratar de um sindicato considerado de elite, o comportamento antidemocrático, despótico e inaceitável do famigerado sintrense é a demonstração óbvia dos tiques de repressão do actual governo contra as liberdades sindicais, de todo e qualquer sindicato – o ridículo comentador Mendes surpreende-se, entretanto, com a greve geral de 27 de Junho e a união entre UGT e CGTP. O que o cabotino Rosalino faz a docentes do ensino superior faz a qualquer grupo profissional: “requalifica” e despede os trabalhadores que entender, segundo critérios tortuosos para os quais as chefias vão ser instruídas. Veremos se constitucionais.

A única excepção talvez seja o sindicato dos barbeiros, em gesto de agradecimento pelo penteado com que disfarçam o cabelo ralo da cabeça reles, desde a superfície externa, passando pelo crânio até ao ínfimo etmóide.

Comments

  1. Pisca says:

    O traste em questão já o disse claramente, “É preciso redimensionar os sindicatos”, não sei se pretende mudar as direcções tantas vezes até ele gostar, se as mesmas deverão ser aprovadas por ele, como o antigo Ministério das Corporações, ou se pretende algo como os USA usavam, se 2 terços dos trabalhadores quiserem há sindicato, se 1 terço não quiser acaba o sindicato, digamos o traste quer uma coisa mais “democrática” e mais “cooperável”

    A seguir é o quê, redimensionar o FCP ou o SLB ?

  2. LUIS COELHO says:

    RESUMINDO E CONCLUINDO DIGO Á MINHA MANEIRA BREGA E DIRECTA QUE, SE APODERARAM DO APARELHO DO ESTADO (ENQUANTO O POVO DEIXAR E OU QUISER) UMA QUADRILHA QUE TODA A VIDA ROÇOU O CU POR INSTITUIÇÕES ONDE ABUNDA O DINHEIRO NOSSO, ONDE ESTES TRASTES NUNCA TIVERAM QUE TRABALHAR PARA ANGARIAR FUNDOS PARA PAGAR SALÁRIOS AOS TRABALHADORES, PAGAR IMPOSTOS,RENDA E TODOS OS OUTROS ENCARGOS INERENTES A QUALQUER EMPRESA. SÃO UNS INUTEIS QUE NADA SABEM FAZER E QUE SE PROPUSERAM DESGOVERNAR-NOS COM BASE EM TRAMOIAS QUE ESTÃO A LEVAR A RÉPUBLICA DE BANANAS E COBARDES INDIGNADOS PARA O ABISMO.

  3. adelinoferreira says:

    Bom texto! Encenadores de que estão à
    espera?

  4. José Galhoz says:

    Os “viveiros” do BdP e dos “jotinhas” têm capacidade para produzir quadros dirigentes capazes de continuar a afundar o País, mesmo que a Europa, por milagre, mude de políticas.

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