Num dia de greve de professores temos de falar disto

ranking
Façamos então uma pequena experiência, Vítor Cunha. Coloque os alunos da Escola Visconde de Juromenha a estudar no Colégio dos Plátanos e os alunos deste colégio a estudar naquela escola. E veja depois se não é a Visconde de Juromenha que fica em 2.º lugar no ranking e o Colégio dos Plátanos em 1285º.
Ou sigamos a sua teoria – dar liberdade de escolha aos alunos. Já estou a imaginar. Os putos do Bairro do Aleixo ou de Miragaia, no Porto, a entrarem pelo Colégio de Nossa Senhora do Rosário adentro, cumprimentando com educação as freiras e os padres; os miúdos do Ingote ou do Bairro da Rosa, em Coimbra, a invadirem de forma muito ordeira o Colégio Rainha Santa; a chavalada de Chelas e do Bairro da Quinta do Mocho, em Lisboa, a ocuparem os melhores lugares do Colégio de S. João de Brito.
Mas há uma condição: as escolas privadas não poderão seleccionar os alunos, terão de aceitar tudo o que lhes calhar em sorte. Para podermos comparar, não seria justo que uma escola pública tivesse de aceitar tudo e uma escola privada pudesse seleccionar, pois não?
Acredite, ia ser divertido… e o melhor que podiam fazer à Escola Pública.
Quanto aos custos, depende sempre da forma como se olha para os números. Para mim, é muito claro que o ensino público fica mais barato do que o ensino privado com contrato de associação.
Por último, sabe que é demagogia pura falar dos rankings da forma como o faz. É que se vamos falar dos rankings, apetece-me olhar para o da Universidade do Porto e ver que os seus melhores alunos vêm da Escola Secundária Garcia de Orta. E a seguir da Escola Secundária de Ermesinde. E a seguir da de Águas Santas. E a seguir da Secundária Manuel Gomes de Almeida em Espinho. E só então aparecem 2 privadas, seguidas por mais 5 escolas públicas, aparecendo apenas em 12.º lugar o Colégio do Rosário, o tal que vem sempre em primeiro lugar nos rankings.
O pró-reitor da UP explicou de forma muito simples este ranking: «As escolas privadas têm grande capacidade para preparar os alunos para entrar, mas o que se verificou é que, passados três anos, estes alunos mostraram estar mais mal preparados para a universidade do que os que vieram da escola pública.»
Numa coisa tem razão: num dia de greve de professores temos de falar disto.

Comments

  1. Paula Brás says:

    Ainda se deve acrescentar as escolas privadas onde os professores dão aos alunos as respostas às perguntas dos testes, durante a realização dos mesmos. E as escolas privadas onde os testes são corrigidos sem se assinalar nem um único erro dos muitos presentes. Ficaria mal entregar a um encarregado de educação pagante um teste cheio de marcas a vermelho…. Interessante e pertinente, este post, sem dúvida!


  2. Excelente!

    “(…) a chavalada de Chelas e do Bairro da Quinta do Mocho, em Lisboa, a ocuparem os melhores lugares do Colégio de S. João de Brito.”
    Eu pagava para ver!! 😀
    Mas não me parece que os de São João de Brito tenham um comportamento mais correcto que os de Chelas. Entre uns e outros, só muda a marca do tabaco e da roupa.

    • Sónia says:

      Concordo consigo. Eu sou de Miragaia! E não tenho vergonha de o dizer. Nasci, fui criada e ainda resido em Miragaia e no entanto sou Licenciada em Psiquiatria. Os meus filho andam na Escola de Miragaia e tal como eu são mais educados e inteligentes que alguns meninos que andam no colégio de Nossa Senhora do Rosário. Andam lá não por falta de dinheiro mas por opção minha, porque considero a escola do estado melhor e mais exigente que as privadas. Deixem de ser Xenofóbicos. Não é o local onde moram que faz a educação das crianças.

  3. Mónica Pereira says:

    Nem todas as escolas privadas “incluem as notas na mensalidade”, há quem tenha de lutar para ter bons resultados nas pautas. Os riscos vermelhos também se usam nestas escolas tanto como no público. É uma questão de consciência profissional!!!

  4. Miguel Cabrita says:

    Uma técnica simples de propaganda é repetir sempre o mesmo dogma ideológico até que torne se torne verdade factual.

  5. carlos says:

    Um dia ainda gostava de ver neste espaço um debate claro e sem preconceitos sobre liberdade de escolha na educação e não o simples público/privado.

    • nightwishpt says:

      É uma coisa que nem existe nem pode existir porque os transportes não são de graça e porque se criariam escolas de bons alunos e escolas de maus alunos, condenando-os a nunca terem oportunidade de melhorar.

  6. Patolas says:

    Interessante mesmo seria os alunos dos colégios realizarem os exames nas escolas públicas.
    Quais seriam os resultados dos exames?!

    • LUIS COELHO says:

      NO MEU TEMPO ERA DE FACTO ASSIM, ISTO É , OS ALUNOS DOS COLÉGIOS PRIVADOS, ERAM EXAMINADOS NOS PRÓPRIOS LOCAIS POR PROFESSORES DO ENSINO PÚBLICO. E OS QUE ESTUDAVAM NOS MAGISTÉRIOS PRIVADOS, IAM FAZER EXAME NA ESCOLA DO MAGISTÉRIO PÚBLICO EM BENFICA.
      ATENÇÃO QUE NÃO ESTOU A DEFENDER CAUSA PRÓPRIA, PORQUE SEMPRE FREQUENTEI ESCOLAS PÚBLICAS, TODAVIA TENHO CONHECIMENTO QUE ERA ASSIM.

      • Filomena says:

        Em toda a minha vida escolar, do exame de admissão ao 7ª do liceu vi uma pessoa a fazer exame comigo vestida de uniforme de colégio privado: tínhamos quase o mesmo nome e encontravamo-nos nessa altura. Portanto confere, o privado vinha fazer exame ao público.


    • Posso dizer-te desde já que na minha escola (Sagrado Coração de Maria de Lisboa) os resultados seriam os mesmos…
      Se dávamos um pio no exame era tudo anulado, se achavam que copiávamos estávamos lixados e essa história de dar as respostas é uma peta gigante, pelo menos de onde eu venho!
      Nós tinhamos era testes muito, mas mesmo muito, mais complicados que os exames nacionais

  7. Cristina santo says:

    Pois as escolas provisórias durante décadas são sempre públicas….porque será?????e, apesar de todos os pesares, a garantir qualidade no trabalho que fazem, só não fazem milagres nem batota, da sofisticada…
    E, menos, ainda estas escolas têm uma varinha que dê a estes miúdos comida em casa, tempo para o carinho,livros para ler, férias para conhecer. Nestas famílias o pouco que cada um tem deixou de ser divisível, e só a amargura cresce na inversa proporção do que se põe no frigorífico…Não há carrinhas “do colégio” …e se os experimentarem levar a casa vão descobrir que nem um carro lá entra e a paragem do autocarro ficou a léguas de distância…não perguntem nada e adivinhem o resto…

  8. Luis Lopes says:

    Certamente que os colégios privados não serão todos iguais mas deixo aqui a minha experiência de 3 anos num privado. No final do 1º período, deparo-me com as fichas de avaliação entregues, todas rasuradas. Peço para falar com o diretor e sou confrontado com esta resposta “Luis, como sabe, os meninos saem daqui para os salesianos e outros colégios e, com estas notas, o acesso não será fácil…”. No público nuca vi esta pressão. A única que sinto vem da parte do MEC… Realmente, há inúmeras diferenças entre esc públicas e privadas. Antes tinha alunos que iam de carrinha e carros topo de gama para o colégios, dinheiro no bolso para o lanche, etc… Agora tenho alunos que vão a pé para a esc e chegam a casa à meia noite e mais porque nem pais têm à sua espera (a não ser na tasca, na prisão ou a trabalharem) e ficam a vadiar com os amigos… Alguns saem de manhã e estão sem comer até á hora do almoço (altura em que a esc lhe dá a única coisa que para eles faz sentido, a refeição). Façam rankings em igualdade de circunstâncias e não as palhaçadas a que assistimos em que comparam realidades tão desiguais.

    • Miguel Cabrita says:

      Concordo em absoluto. O debate, que é mediático e é instilado pelos média, ainda está inquinado com as presuposições tipicas de classes médias urbanas de que os resultados da passagem pelo sistema de educação se medem apenas com acessos ao ensino superior, quando para muitos, provavelmente a maioria, é um meio de escapar à pobreza que exige cada vez mais anos de permanência na escola.

      Equacionam-se realidades muito dessiguais na pressuposição elitista que da escola sairam os futuros lideres, empreendedores, etc.. Enfim é da escola que sairam as elites do passado, dai o discurso da excelência cujo objectivo é levar para o poder os filhos dessas elites cultivadas desprezando todos os outros. Dai este discurso, onde tudo o resto e o futuro daqueles que não nasceram em “berço de ouro” parece irrelevante.

  9. vitor says:

    Entre publico e privado existe o ensino “provado”, o objecto de prova, entendem? uma prova? com 27 anos, fui fazer o secundário e aos 29 entrei na faculdade. Era casado, entrava às duas da tarde no emprego, às 7 da noite ia treinar um clube de futebol e às 10 da noite deitava-me. Então e a faculdade? com aulas das 8 da manhã à uma da tarde, nunca assisti à aula do meio dia, convenci uma colega a copiar a sebenta dela em cada aula e… estudava pelos seus apontamentos.
    Levantava às 4 da manhã, ia de boleia até Santarem, onde apanhava o “regional” para Sta. Apolónia, com paragens em todas as estações e apeadeiros, com chegada às 6.50. Fazia uma corridinha de 10 minutos até ao Cais do Sodré e apanhava o das 7 horas para a Cruz Quebrada. Às 7.20 dava nova corrida até ao ISEF e preparava-me para a aula das 8 da manhã.
    O regresso a casa e ao emprego era as 11.40 com comboio da beira baixa às 12.10, chegada a Santarém às 13.20, chegada a casa às 13.50, almoço e chegada ao emprego às 14 horas.
    Conclusão da licenciatura de 5 anos sem disciplinas em atraso e um 14 como nota de curso.
    Ahh, esqueci de dizer que era casado e já tinha uma filha… público versus privado? uma ova!

  10. Pedro Martins says:

    Isto dos 10% é muito interessante. Gostava era de saber os resultados dos restantes 90%.


  11. Esta estatística está obviamente viciada. Apresente-se uma equivalente relativa a medicina e logo verão o engano.

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