A violência dos piquetes de greve

Há sempre violência quando se participa num piquete de greve. É de uma violência enorme aguentar horas e horas durante a noite e o dia, depois das semanas que antecedem o dia da greve, com mais horas e horas de trabalho. É violento, mas é assim. E, se fosse fácil, qualquer lambe-botas do patrão, ressabiado com os sindicatos, preconceituoso em relação à democracia poderia participar nos piquetes. E pode, mas não o faz, porque é violento.

No Porto, nos piquetes em que participei, decorreu tudo de forma tranquila, com a presença de muita gente e sem qualquer tipo de actuação policial. O momento mais tenso foi mesmo quando um engenheiro da STCP entrou num autocarro – ilegalmente – para falar com um trabalhador que estava, precisamente, a recolher à garagem e parou para conversar com os seus colegas que estavam no piquete.

É violento, pois claro, que é preciso levantar o cu das cadeiras e largar os teclados dos computadores para participar nestas coisas e nem todos estão, ainda, dispostos a isso. É violento também para quem tem de trabalhar nesse dia nos serviços mínimos – e convém que se conheça a lei no que respeita aos serviços mínimos para que não se digam disparates. Vejam o vídeo do PCP na Carris, são nove minutos e tal, mas o delegado sindical explica o que são os serviços mínimos e a ilegalidade que estava a ser cometida.

Sobre o que fiz na tarde do dia de greve, meus queridos, ficarão na ignorância. Fiz greve, estive nos piquetes. Ninguém tem nada a ver com o que fiz no dia de greve. Se fui à manifestação, à praia, à Quinta da Conceição, fazer o pino todo nu no topo da Torre dos Clérigos, é comigo. Queriam ter ido para a praia? Bom remédio, fizessem greve. Fica aqui também lançado um desafio aos canais de tv que fizeram directos das praias no dia de ontem: ide fazê-los hoje. Em 1.500.000 desempregados, alguns há-de haver que lá estejam. Ide e entrevistai-os.

A luta vai continuar.

Comments

  1. Ricardo Ferreira Pinto says:

    «fazer o pino todo nu no topo da Torre dos Clérigos»
    Eras tu???

  2. Ricardo M Santos says:

    Merda. Denunciei-me sem querer, alguém meta aqui um bonequinho corado, sff.

  3. José Manuel Coelho Vieira Soares says:

    OK, Ricardo !

  4. Cláudia says:

    Recado dado e carapuça enfiada!

  5. joao riqueto says:

    A história determina o homem. Mas os homens fazem a história.
    .
    Todos os homens? Não, porque dos cobardes, não reza a história.

  6. celesteramos.36@gmail.com, says:

    Muito interessante e evoluída e intelectual a linguagem dos comentadores – parabéns – nem sei como poderia eu aprender algo mais – eis aqui – obrigada

  7. nascimento says:

    A Celeste tá gagá….olha para aquela gramática….ui.E. o sentido da frase…lindo.Lol…

  8. nascimento says:

    Que chatisse pá.O 15 de Setembro não precisou de Piquetes para fazer recuar a TSU….porque será?Aproveitamos a “onda”?pois….,Olhem para o Brasil.Até o modo de fazer e contestar é inovador….aqui é sempre a mesma treta….nem há mais pachorra.Esta merda não é Moscovo.

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